O ensino médio é sem dúvidas um dos momentos mais tensos da vida de qualquer adolescente, principalmente no último ano. Sem tempo para nada além de estudar, poucas oportunidades de socializar e inúmeros vestibulares no final do ano deixam todo mundo louco. Infelizmente é um processo que todos devem passar se quiserem ter uma boa formação e entrar numa boa faculdade. Violet sabia bem como era isso, os vestibulares começaram no mês de seu aniversário, mal pode comemorar que já poderia ser presa, pois passou muito tempo se dedicando às provas.

Pior do que ficar horas e horas resolvendo provas, é esperar pelo resultado. O tão esperado resultado. Quando o resultado finalmente saiu a menina mal podia acreditar no que lia. Achou que o grande “convocado para matrícula” era alguma piada de mau gosto, mas não era. Ela realmente passou na faculdade que ela queria, no curso que ela queria e o melhor de tudo era que ela não precisaria pagar nada. Sua família e seus amigos mal podiam se conter com tamanho orgulho e felicidade.

As comemorações duraram um mês inteiro. Violet comemorou com a família, com os velhos amigos no meio da rua e com os novos amigos e veteranos da faculdade no dia da matrícula. E que dia feliz o último. O campus da faculdade era imenso, rodeado por arvores e flores nativas, sem falar nos bichos que podiam ser encontrados lá, havia diversos caminhos para serem explorados, uma enorme biblioteca com centenas de livros. Contudo, o inicio das aulas ainda estava longe, faltava mais ou menos um mês.

O tempo passou relativamente rápido, mesmo com a ansiedade a mil o primeiro dia chegou. Por um erro na programação os calouros teriam dois de aula antes da sua recepção. Faltavam poucos minutos para oito horas da manhã. O clima de ansiedade era evidente no rosto dos alunos que chegavam, também podia ser notado certo pânico já que ninguém conhecia muito bem o lugar, muito menos as salas que teriam aula naquele dia. O curso de Violet significava muito para ela. Biologia sempre foi a sua vida. E não faltaram inspirações na sua vida pra escolher esse caminho.

Violet deu sorte e encontrou alguns colegas de classe, não conhecia ninguém, mas assim ela poderia chegar à sala a tempo. Era um caminho bem escondido, mas tinha seu charme. Pequenos macacos pulavam nas arvores e uma brisa leve bagunçava seus longos cabelos castanhos. Chegando à sala, logo se acomodou num canto. Não queria sentar do lado de ninguém desconhecido, entretanto, isso seria difícil. Havia pouquíssimas pessoas na sala, não passavam de sete pessoas além do professor. A aula demorou para começar. O professor simplesmente não se conformava com a quantidade quase insignificante de alunos, então decidiu enrolar para ver se alguém aparecia.

Uma menina que estava refazendo a matéria, ou seja, uma veterana, decidiu dar uma volta a procura de calouros de biologia. Cerca de dez minutos depois ela voltou a sala com três meninos e foi aí que aconteceu. Violet se deparou com uma bela surpresa. Um garoto muito bonito fazia parte do grupo. Sua beleza oriental simplesmente encava a menina. Com características típicas, o que mais chamava atenção era seu sorriso um pouco acanhado, de certa forma parecia um cachorrinho perdido. Violet se perdeu olhando para o garoto, ainda sem nome, e só percebeu quando o mesmo a começou a encarar. Envergonhada, logo virou a cara e começou a rabiscar seu caderno freneticamente. Olhando pelo canto dos olhos, notou que ele se sentara a poucas carteiras de distancia e na mesma fileira. Aquilo nem podia ser chamado de aula devido a duração, não se passou nem uma hora, obviamente o professor deve ter ficado ofendido com a quantidade de alunos e só por raiva acabou passando um mini questionário, quem respondesse tudo poderia ir embora para casa. Violet estava totalmente enferrujada em relação aos estudos, desde que passou não encostara um dedo sequer nos livros. O teste era bem especifico. Como definir um ser vivo? E um animal? Um ser vivo é um ser que vive e um animal é um animal, oras. Enquanto as engrenagens do seu cérebro custavam a voltar a trabalhar, a garota olhou para o lado involuntariamente e se deparou com uma situação constrangedora. O menino misterioso estava olhando para ela! Como assim? Rapidamente ela voltou a escrever freneticamente, só que dessa vez suas bochechas estavam violentamente coradas. Deveria ser um engano. Só poderia ser. Para confirmar ela resolveu olhar para o lado mais uma vez. E o menino continuava encarando. Com isso seu coração começou a bater mais forte e mais rápido. E mais rápido.

No final das contas acabou escrevendo qualquer coisa no papel, já que o seu cérebro a deixou na mão de vez, levantou lentamente e entregou o questionário para o professor, quando estava saindo se deparou com um pequeno grupo na porta da sala. A veterana estava pegando o contato dos garotos perdidos para os colocarem no grupo da sala. Logo escutou uma coisa muito conveniente:

- Ishida. George Ishida.

Notas finais
É a minha primeira história nesse site, espero que alguém leia e goste, isso significaria muito pra mim. Até breve!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.