Shintaro e Konoha
1 Único
A paz reinava do QG da Mekakushi-dan. Não havia nenhuma missão planejada para aquele dia, mas haviam combinado um reunião apenas para se encontrarem e bater papo naquela tarde de clima agradável.
Já estavam quase todos lá, na sala — com exceção da Kido que estava na cozinha aparentemente preparando lanches — distraídos com a tevê. Faltavam apenas Shintaro e Ene. A maioria deles ocupava os espaços dos sofás, só Hibiya e Konoha estavam sentados no chão diante da mesinha de centro onde o albino desenhava de modo que não deixasse ninguém espiar seu trabalho.
- Konoha, o que está desenhando agora? — Seto perguntou com seu tom de voz animado de sempre.
O albino demorou um pouco para reagir, estava terminando o desenho e logo que o fez, o ergueu exibindo-o para todos com uma expressão de orgulho.
- É um triceraptos! — Falava como uma criança contente.
Ao lado do albino, o mais novo do grupo bufava.
- Você é tão infantil para um garoto de 19 anos de idade. — Disse seco, encarando de canto com um olhar descontente.
- Hahaha, é verdade, parece que o Konoha e o Hibiya tem a maturidade trocada. — Seto ria, de novo.
Hibiya apenas revirou ou olhos enquanto Konoha pareceu não ter entendido.
Neste exato momento ouviram batidas na porta e uma voz conhecida se identificando; Konoha foi o primeiro a se oferecer para atender a porta. Shintaro finalmente chegara, com seu mal humor de sempre.
- Shintaro, olá! — recebia-o o albino, outra vez sorrindo como uma criança feliz.
- Hum, claro, oi. — Respondeu sem vontade, e piscou incomodado ao ouvir um grito por seus fones. "Mestre, me levanta, eu quero ver o pessoal!" Ene gritava e provocava vibrações no celular de seu mestre. Shintaro bufou, tirou o aparelho do bolso, desconectou os fones e exibiu a tela.
"Oi pessoal!" a azulada dizia agitando-se na tela.
A maioria acenou e sorriu em resposta, incluindo o albino ali perto. Por falar nele, Konoha parecia estar cheirando o ar perto de Shintaro. Muito perto.
- ... Qual foi, cara? — ele perguntou incomodado; tentava recuar para um lado, já tinha abaixado o celular de volta, mas Konoha continuava a farejá-lo de perto.
- Shintaro está com um cheiro bom, de churrasco. Seu hálito cheira a churrasco! — falava como se fosse grandes coisas, os olhos rosados brilhavam num tom de "também quero".
- Ha? Eu estava comendo antes, e daí? — Dava para ouvir Momo ao fundo "que nojo, meu irmão não escova mais os dentes" e Ene completava em tom de gozação "Tudo verdade". Tais comentários quebraram a atenção que Shintaro tinha em Konoha, deixando sua guarda baixa.
O moreno não teve tempo de reclamar das duas, antes que desse por si o albino já tinha avançado além do limite e provava o hálito do sabor favorito diretamente da boca do amigo; um beijo bem ali, na frente de todo mundo.
Shintaro não se moveu, estava em choque e com a mente em branco. E por não reagir, Konoha inocentemente avançava sobre o gosto que a boca do moreno tinha; não era o mesmo que comer o churrasco em si, mas ainda queria o sabor.
Todos os outros assistiam a cena tão chocados quanto o próprio Shintaro, até a Kido que tinha acabado de voltar para a sala com uma panela em mãos estava congelada na passagem entre os cômodos. Kano se mostrava estar se segurando para não rir mas na realidade gargalhava sem parar e ainda tirava fotos com o telefone. E Mary, que estava encolhida entre Seto e Kano no sofá, assistia tudo encantada — era uma fujoshi, afinal.
"Ei, o que está havendo? Por que todos estão quietos? Falem alguma coisa!" Ene chamava reclamando. Como Shintaro abaixara o celular e apertava-o por puro impulso, seus dedos cobriam grande parte da tela, não deixando que Ene visse nada até Kano enviar uma das fotos para o celular onde ela vivia. Ao abrir o arquivo, a azulada ficou tão espantada que, pela primeira vez em muito tempo, não conseguiu dizer nada; dera um grito mudo.
Aquele beijo fora bastante longo, a língua curiosa do albino tratava de buscar o gosto de carne em cada mísero canto da boca do moreno. Tentava também sugar a língua do moreno para a própria boca; tudo por aquele sabor que tanto adorava. Só que não tinha ideia do que tudo aquilo significava de verdade aos olhos dos outros.
Konoha recuou com a típica expressão boba, soltando alguns muxoxos e sorrindo.
- Gostoso. Obrigado, Shintaro, eu realmente amo churrasco! — Disse feliz — Ah, mas agora estou com sede.
E logo o albino partiu rumo a cozinha. Até que ele desaparecesse no outro cômodo, ninguém se movera.
- Pela cara do Shintaro — Kano começou, já com aquele sorrisinho desgraçado no rosto — o Konoha roubou o primeiro beijo dele.
- Irmão...
- Não comer churrasco antes de falar com o Konoha, não comer churrasco antes de falar com o Konoha. — Hibiya repetia como um mantra. O menor passava bastante tempo com o albino, aquilo poderia ser perigoso futuramente.
- Seto, Seto. — Mary cutucava-lhe o ombro — Você quer churrasco?
- N-não, obrigado, Mary-chan — Sorriu desconfortável, entendendo bem as intenções dela.
- Ei, Mary, — agora Kano a chamava atenção — Te mando as fotos se você usar sua habilidade na Kido um pouqui-- — Fora interrompido por uma panela vazia atingindo sua cabeça.
- Eu estou ouvindo, seu babaca!
Em meio a toda aquela confusão, Shintaro caminhou até o sofá onde estava Momo sem dizer nada, pôs o celular sobre a mesinha e ficou lá sentado como se seu espírito tivesse abandonado seu corpo. Nem a voz da irmã e da "serva virtual" o alcançavam. Tudo que se passava pela mente do garoto era:
"Que diabos foi isso que aconteceu agora?"
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