Notas iniciais
Capítulo Final
Oi pessoas! Sara aqui :3
Venho aqui trazer para vcs... O último capítulo da Shinigami War T-T
O Gom que fez então se quiserem reclamar é com ele '3'.
Boa leitura ^^

Quando abriu os olhos estava nos braços de Soya, esta que corria velozmente carregando-o em seus braços. Lágrimas estavam rolando por sua face e seu coração batia acelerado, sua respiração arfante. Colocou Gom deitado ao lado de Goru e voltou para a luta, estava mais em desvantagem do que nunca.



Seus ossos doíam indicando o esgotamento, com dois aliados fora de combate tudo se tornava mais difícil. Nami despertou de seu transe e com sua espada fatiava alguns demônios que tentavam se aproximar de Gom e Goru. Agora já controlava melhor sua magia e as chamas que seu Yokai proporcionava, por um momento esquecera-se da pérola. Fez com que um círculo de fogo afastasse grande parte dos demônios e correu até Chilli que se virava como podia, ou seja, a socos e ponta pés.


– Chilli! — Disse Nami vencendo a timidez.


– O que quer? Tô meio ocupado agora! — disse o ruivo chutando um demônio.


– Coloca isso na sua boca, agora! — gritou a garota estendendo a mão com a pérola laranja.


– É algum tipo de doce? — perguntou ele com um sorriso no canto de sua boca.


– Etto... Não é bem isso, mas... Você precisa colocar isso...


– Me dá logo esse doce! — disse ele um pouco ríspido.


– Não! É MEU! — gritou Nami com um sorriso malicioso nos lábios. (N/A: Nem eu sabia que ela sabia sorrir maliciosamente '-')


– ME DÁ! — gritou ele enfurecido enquanto pegava a pérola da mão da garota. — Huh? Tem um gosto estranh...


Os olhos do garoto tornaram-se amarelos, seus cabelos que eram penteados para cima como labaredas abaixaram-se e caíram sobre sua testa. Hiroto usou seus dois chicotes para eliminar dois demônios e correu até o garoto ruivo.


– Isso é o que eu penso que é? — perguntou ele olhando para Nami.


– O que? Eu não sei de nada! — disse ela sorrindo inocente.


– O que você deu pra ele? — perguntou ele em um tom desconfiado.


– Bom, só uma coisa que uma... Amiga me pediu para entregar a ele...


– E o que você entregou?


– Uma coisa que se parecia com uma pérola, laranja.


– Pela energia e pelos pensamentos dele, aquilo devia ser uma capsula de alma... Isso é uma coisa boa... Vamos ver o que ele vai fazer.


– O que é uma capsula de alma?


– Bom, algumas almas do Necro Mundo não foram banidas, se tornaram benévolas. Os yokais são um tipo dessas almas. E como no Necro Mundo existem outros mundos, essa alma pode ser qualquer coisa... Só espero que seja útil.


O garoto correu seus olhos até os dois e abriu um sorriso simpático, estalou os dedos e duas bestas apareceram em suas mãos, com um largo sorriso e um brilho tranquilo em seu olhar, o rapaz começava a disparar centenas de flechas.


– Parece que demos sorte, né Nami-chan? — disse Hiroto bagunçando os cabelos da menina.


Alessa tinha a respiração arfante, seu corpo inteiro sofria espasmos por conta do esforço físico. Não iria desisti, mesmo que tivesse que morrer por isso. Nitsumi apenas a observava, sua determinação para trazer alguém que ama de volta a encantava, ela só queria poder sentir o mesmo.


– Acho que você vai precisar de mim... — disse Nitsumi fazendo a corrente de sua arma ficar maior.


Jogou uma de suas foices de mão junto da corrente, esta se enrolou no corpo de Charles impossibilitando-o de mover-se. Um sorriso largo e sombrio surgiu no rosto do homem, ele apenas forçou a corrente e ela se rompeu.


– Não pensaram que iriam me manter preso por muito tempo, não é? — disse Charles encarando Nitsumi. — De qualquer forma, acho que já está na hora de trazer a este mundo... O meu verdadeiro poder!


O homem levantou uma mão aos céus, um imenso selo de magia vermelho que emanava um brilho hipnotizante surgiu, aquilo era o portal. Aos poucos uma fumaça vermelha saía da imensa marca que pendia sobre o céu noturno, um corpo começava a ser formado. Com rosto angelical, cabelos lisos e brancos, uma criança com aparência de 10 anos pairava sobre o céu. Vestia apenas um curto short branco, seus cabelos caíam sobre seus olhos e ela estava abraçada a seus joelhos, parecia dormir, três asas semelhantes à de pássaros do lado direito do corpo e outras três asas demoníacas do lado esquerdo.


O ar encontrava-se tomado por um fedor de enxofre e queimado. Charles aspirou o ar intoxicante e o inspirou com um sorriso de satisfação nos lábios. Levou a mão ao quepe e o removeu, passou a mão levemente sobre a franja que cobria seu olho esquerdo revelando assim um olho demoníaco. O olho movia-se de forma independente da vontade de Charles. Uma linha de luz vermelha saiu do olho esquerdo do homem e partiu em direção ao corpo da criança que pairava no ar. Charles levou a mão à cabeça e gemeu de dor, não podia acreditar no que estava acontecendo, era como abrir os olhos e ver que seu pesadelo é real.


A criança abriu os olhos, suas pupilas eram vermelhas como duas imensas brasas, um sorriso largo se formou no rosto da criança para quebrar a delicada face de anjo. Ela esticou seu corpo e olhou para todos no chão.


– Chegou a hora de vocês... Morrerem... — sussurrou a criança com uma voz doce e calma.


– Eu já detive você uma vez e vou deter de novo. — sussurrou Charles.


O maior abaixou-se e pegou seu quepe. Todos os demônios estavam em silêncio, Alessa, Nami e até mesmo Gom que estava desmaiado conseguira ouvir a voz de seu pai. Imediatamente o moreno levantou-se como se nada tivesse acontecido. O coração de Alessa batia forte e descompassado, lágrimas rolavam sobre sua face apesar do sorriso.


– PAPAI! — gritaram os três irmãos em coro e correram em direção ao homem.


Os três correram em direção ao maior e o envolveram em um abraço caloroso. Alessa sentia o corpo quente de seu pai, depois de tanto tempo longe dele, o calor daquele abraço era a melhor coisa do mundo.


– Alessa... Como você cresceu... E Nami! Olha só pra você! Esta linda! — disse ele abraçando as duas. — Gom... Parece que você... Bem... Você cuidou delas direitinho né?


– Sim pai. — disse o maior olhando com indiferença.


– NÃO VENHA COM ESSA FALSA APARÊNCIA DE "NÃO ME IMPORTO" — ele fez sinais de aspas com as mãos. — EU SEI QUE VOCÊ SENTIU SAUDADE! — gritou ele abraçando o maior e dando-lhe um cascudo.


– *gota* Sem querer interromper a reunião de família... — disse Nitsumi olhando pra eles sem graça. — MAS TEMOS QUE MATAR UM REI DOS DEMÔNIOS SEUS IDIOTAS!


Não que ela realmente se importasse em vê-los reunidos como uma família, ela queria não sentir medo de se envolver e de se entregar a seus sentimentos. Todos os quatro a fuzilaram com olhares fulminantes. Nitsumi sentiu seu sangue gelar, mas, manteu-se firme os encarando.


– Como você se chama? — perguntou Charles com um sorriso meigo nos lábios.


– Me chamo Nitsumi, sou do clã Okiddo. — disse ela fazendo uma reverência. — Esse aqui é o Hiroto do clã Shimitsu.


– Ela tem razão. — disse Charles sério. — Vamos cuidar da nossa proteção.


Um círculo de magia verde surgiu no chão destruindo parte dos demônios que tentavam se aproximar. Logo uma cúpula verde se formou deste selo, nem mesmo o Rei Akuma conseguiria atravessar aquele escudo.


– Vou dividir vocês em grupos. — disse Charles sentando-se no chão. — Nitsumi, pelo o que eu sinto em você... Bom, você parece ser muito forte, por isso... Você vai com a Nami e com o Hiroto pelo leste.


– Hai! — respondeu ela determinada.


– Mas, papai... — disse Nami com uma voz triste. — Eu quero lutar ao seu lado! — agora sua voz estava cheia de determinação.


– Minha querida, eu nunca me perdoaria se você se machucasse, o maldito rei Akuma é perigoso demais pra você. — disse ele fitando-a com ternura. — Alessa e Gom, vou precisar de vocês por perto. Caso algum demônio tente me impedir de chegar até o meu alvo, o Gom irá impedi-los.


– Eu posso ajudar melhor do que ele. — disse Soya dando um passo à frente. — Meu nome é Soya, sou do clã Mushi.


– Tem razão... Então você e a Alessa vão comigo. Gom e esse garoto ruivo vão pelo — Antes que Charles pudesse completasse sua frase, uma flecha de metal o atingiu de raspão. — VOCÊ TA MALUCO?!


– Não me chame de garoto. Eu sou Hick, o ancestral do Chilli... Você se lembra de mim, Charle?


– Charle? Há quanto tempo eu não ouço esse apelido. Só podia ser você... Como eu queria poder socar essa sua cara de novo.


– Há! Parece que o seu filho e o meu neto não se dão muito bem, parece que é herança de família.


– De qualquer forma, eu mando aqui. Você vai com o Gom pelo norte.


– Eu quero ajudar também! — Gritou Rin pulando com os braços levantados.


– O que você sabe fazer? — Perguntou Charles calmamente.


– Eu sou um conjurador! Minhas conjurações se baseiam em peças de xadrez, posso chama-las em formas de peças de diversos tamanhos ou em formas "humanas"!


– Tudo bem, tudo bem! Agora que já dividimos os times, vocês devem ir para seus postos. — Disse ele se levantando. — Ah! Levem com vocês aqueles dois meninos que estão me olhando estranho desde o momento em que eu acordei.


– Eles são os namorados da Alessa e da Nami. — Disse Gom com um sorriso provocante.


– EU NÃO SOU NAMORADO DA ALESSA! — Gritou Goru enfurecido e corado.


– Não ainda. — Disse o moreno com um sorriso de canto.


– Etto... Eu sou o Sawada, namorado da Nami. — Disse o garoto baixinho fazendo uma reverência.


– Não me interessa quem vocês são ou de que clãs vieram. Se magoarem as minhas duas princesas... EU DESTRUO OS DOIS! — Gritou Charles explodindo em chamas como Gom. — E filho, eu preciso saber de uma coisa... Onde está sua mãe? — Disse ele mais calmo.


– Aconteceu uma invasão do acampamento de treino, ela teve que usar muitas coisas pra derrotar o Tio Juan.


– Ela faleceu pra salvar vocês?


– Sim, mas, eu consegui fazer com que ela se tornasse uma... Conjuração. — Suspirou o moreno. — Ursula! Surja!


Em meio a uma nuvem de fumaça branca a morena surgiu. Uma mecha de seus cabelos caía sobre sua face, lágrimas de felicidade inundaram seus olhos. Correu ao encontro de Charles e o abraçou com força. Um reencontro que a muito era esperado.


– Eu senti tanto a sua falta! — Sussurrou a morena enquanto enterrava o rosto no peito do maior.


– Eu também meu amor. Eu vou dar fim nisso de uma vez por todas...


– Não posso concordar com isso. — Ursula desfez o abraço e uma lágrima escorreu pelo seu rosto novamente. — Mas, também não irei te impedir.


– Não se preocupe meu amor, tudo vai dar certo.


– Que assim seja. — Disse a morena transformando-se em lança.


– Vou precisar de mais uma ajuda... Acho que está na hora de chamar o Yuki.


– Yuki? — Soou a voz de Ursula. — Você quer dizer aquele garoto que morreu durante o último eclipse?


– Acho que vocês conhecem ele pelo nome de... Floquinho.


–*gota* Acho que ele não gosta muito de mim... Tivemos alguns problemas durante o treinamento da Nami.


– Não temos tempo pra conversas, vamos logo com isso.


Diversos demônios tentavam atravessar sua barreira, até mesmo o próprio Rei Akuma pairava sobre a imensa bolha verde. Uma fumaça branca surgiu ao lado de Charles, após alguns segundos revelou ser Floquinho com um largo sorriso nos lábios.


– Quanto tempo... — Disse Charles respondendo ao sorriso.


Floquinho arrumou seus óculos e assentiu com a cabeça, o sorriso desapareceu e a mesma expressão séria assumiu seu lugar.


– Você vai mesmo continuar essa missão suicida? — Perguntou Floquinho sério.


– Não tem mais volta, quando meu corpo desaparecer... Eu acho que você já sabe o que deve fazer nos próximos meses.


– Sim eu sei. Devo informar a eles sobre o por...


– Não! Avise apenas uma semana antes, faça-os treinarem arduamente.


– Sim mestre.


– Alessa e Soya, fiquem perto. Todos vocês, em posição.


A barreira desapareceu e todos os demônios correram em direção ao pequeno bando.


– Magia Elemental!- Gritou Nitsumi aspirando o ar. — VENTO!


Um imenso selo branco de magia surgiu em frente à garota amplificando o sopro de seus pulmões. Uma forte ventania atingirá grande parte dos demônios fazendo os em pedacinhos.


– Vento cortante? — Perguntou Hiroto assustado.


– Exatamente. — Disse Nitsumi sorrindo amigavelmente.


– Acho que vou entrar nessa de cortar... — Disse Hiroto coçando sua nuca. — Grim! Surja!


Uma imensa e negra foice surgiu nas mãos, sua lâmina era comprida e prateada. A foice chegava a ser quase que o dobro do tamanho do garoto.


– Eu tenho uma ideia pra acabar com isso de uma só vez. — Sussurrou Nitsumi sorrindo maliciosamente.


Os olhos da garota iluminaram-se em três corres que pareciam misturarem-se como em um vortex. Verde, vermelho e branco. Seu coração batia descompassado, o poder fluía por suas veias.


– Magia perdida... — Sussurrou ela agachando-se — Triplo Elemental!


A morena saltou no ar e virou uma rápida cambalhota no mesmo. Um imenso selo de magia em forma de triângulo pairava no ar, este ia de vermelho ao verde e logo após o branco.


– Hiroto o seu elemento é vento! — Gritou Nitsumi. — Aspire o máximo de ar que você conseguir e solte quando eu mandar!


– Certo! — Respondeu ele.


– Nami! Sua vez! Prepare suas chamas e as faça explodir quando eu mandar!


– Hai!


– Vamos lá! *Trinus in unitate! Ignem ventum et terra! — Gritou Nitsumi.


Suas as lâminas das duas foices de mão que Nitsumi carregava, tornaram-se duas marretas ligadas pela corrente de antes. Do selo de magia um imenso vortex luminoso varreu todos os demônios que se oporam contra ele. A foice de Hiroto tornara-se três vezes maior, sendo assim, quase que impossível para o menor segurar.


A espada de fogo de Nami tornara-se dourada e maior, sua ponta abria-se como uma chama alaranjada. Com uma parte da batalha vencida, tudo ficaria mais fácil.


No lado Norte...


Chilli havia se distanciado do time há um certo tempo, porém, ainda era possível ver algumas explosões causadas por sua magia. Isso deixava Gom mais "ocupado" em defender a si mesmo e ao pequeno Rin.


– SAWADAA! ATRÁS DE VOCÊ! — Gritou Gom.


O maior virou-se na direção do garoto que estava prestes a ser mordido por uma das criaturas. Um único disparo e a cabeça da criatura estourou, como de costume a fumaça foi em direção à pulseira do moreno.


– Obrigado. — Disse o maior atirando com suas duas pistolas. — Mas, não se preocupe. Eu tenho a situação sobre controle.


O garoto chamou o porquinho sem nome e levantou voo com suas asas. Os demônios começavam a recuar.


– É UM ANJO! — Grunhiu um deles horrorizado.


– ELE TEM SANGUE DE DEMÔNIO! NÃO PODE SER UM ANJO! — Gritou uma outra criatura.


– Vocês estão errados, eu sou a sua morte.


Sawada disparou contra as duas coisas e estas desapareceram em fumaça. Desde que aquele estranho gato surgiu, o menor sentia-se diferente, parecia mais poderoso.


– Rin, toma cuidado ok?! — Disse Gom enquanto socava um demônio.


– Hai hai! — Disse o mais novo atacando com certa voracidade uma das criaturas com sua espada.


"Mate os dois! Mate os dois!" — Sussurrava uma voz na cabeça de Sawada.


"Eles são meus amigos! Eu não vou machucar eles!" — Respondeu o garoto aos sussurros.


"Você devia mata-los, quem sabe não dá pra pegar as almas que eles já acumularam... Você quer vencer, não quer?"


"Quero, mas, não vou matar meus amigos! Até porque... Eu não tenho força pra vencer o Gom, fala sério! O cara tem dois Yokais dentro de seu corpo!"


"Eu tenho o poder de que você precisa para matar até mesmo aquele que chamam de Charles. Você só tem que fazer um contrato comigo...”.


Sawada não percebia, mas, aos poucos ia entregando-se a vontade da voz. Pouco a pouco perdia o foco na batalha e sentia-se imerso em seus pensamentos. Mil coisas passavam por sua cabeça, era óbvio que tinha vontade de vencer. Porém, seria capaz de passar por cima de seus amigos?


– ME DEIXE PENSAAAAAR! — Gritou Sawada caindo de joelhos no chão frio.


Levou suas mãos a cabeça e a apertou. Sua respiração estava arfante e seu coração bombeava o máximo de sangue que conseguia. Estaria ficando louco? Fechou os olhos e sentiu perder os sentidos. Uma luz forte o fez abrir os olhos. Tentou mover seus braços e pernas, inútil, estava acorrentado a uma cadeira.


– ONDE EU ESTOU! ME DEIXA SAIR! — Gritava o garoto a plenos pulmões.


– Não faça um escândalo, meu querido e pequeno Sawada.


Uma silhueta surgia caminhando em sua direção. Sentiu seu coração acelerar ainda mais enquanto tentava soltar-se de suas correntes. Seus olhos buscaram a origem da voz que agora cantarolava uma canção de ninar.


– QUEM É VOCÊ?! E O QUE QUER DE MIM?!


– Por que tanta raiva? Seria... Medo do desconhecido?


– ME SOLTA AGORA!


– Calado. Eu dito as ordens aqui, se você quiser continuar com a sua mísera existência... Bom... É melhor obedecer.


A voz do garoto pareceu sumir. Sawada tentava berrar uma imensa lista de palavrões, porém, nenhum som saiu de sua boca.


– Assim é melhor. — A coisa parecia não ter forma, era apenas uma sombra que rodeava a cadeira onde o menor estava preso. — Eu ajudei seu irmão... O Suchiro... Acho que vocês não chegaram a se conhecer. De qualquer forma... Eu venho lhe fazer uma proposta. Chega de enrolações e vamos a ela... Oh! Que desastre... Parece que seus amigos estão vindo lhe ajudar. Conversaremos depois, até.


A luz cegante voltou a ofuscar os olhos do garoto. Quando abriu os olhos viu-se deitado no chão com Hiroto apoiando um de seus dedos em sua testa, este parecia um tanto assustado.

Sawada se levantou um pouco atordoado, sua cabeça latejava. Olhou em volta e tudo o que viu fora um Gom sentado no chão o encarando e com a respiração arfante, ao lado do maior Rin o fitava sério. Ao fundo encontrou uma Nitsumi com um olhar de reprovação. Sentiu algo quente em sua testa que logo revelou ser um beijo de Nami, esta tinha olhos marejados e parecia muito triste.


– O-o-o que aconteceu? — Perguntou ele ficando sentado.


– Você pirou, foi isso. — Respondeu Nitsumi sendo ríspida. — Sorte sua que chegamos na hora certa, vocês teriam virado lanche de demônio.


Sawada levantou-se, sentiu-se um pouco tonto, mas, fora amparado por Nami.


Não muito distante dali...


– Alessa, eu quero que você faça pilares de gelo no ar. — Disse Charles olhando no fundo dos olhos da garota. — Eu sei que isso parece um tanto difícil, mas, eu quero que você entenda que você é capaz.


– Mas, pai... Eu perdi meu yo...


– Minha querida, a sua magia nunca veio do seu yokai. O seu verdadeiro poder, esteve em você o tempo todo. — Charles levou a mão ao rosto da menina e o ergueu com delicadeza.


– Ele tem razão. — Soou uma voz masculina vinda de trás da garota. — Você consegue Lessa.


O coração da menina começara a bater descompassado, sentiu suas bochechas enrubescerem. Virou-se para trás e encarou o rosto do dono daquela voz que fazia seu coração bater depressa.


– Obrigado pelo apoio... — Ela suspirou — Goru.


Os olhos de Charles brilharam em amarelo e uma inevitável gota escorreu em sua cabeça. Com um sorriso sem graça o casal desfez o abraço.


– Eu pensei ter mandado você ir com o Gom e com os outros! — Disse Charles um pouco ríspido.


– Meu lugar é aqui, ao lado da Lessa.


– Pare de chamar ela assim! Só eu posso chamar ela de Lessa!


–*gota* Papai... Você está agindo que nem o Gom...


– Realmente... Não temos muito tempo pra brincadeiras e nem abraços. — Os olhos de Charles brilharam tristes.


Ele já sabia o que iria acontecer quando a lâmina da lança atravessasse o corpo do maldito demônio. Por muito tempo fora um pai ausente, por boas razões é claro. Agora estava perdendo sua família de novo e desta vez, seria pra sempre.


– Você sabe o que fazer Alessa! Não deixe de confiar em você, você consegue! — Um sorriso iluminou o rosto triste de Charles. — Soya, preciso que você me jogue lá em cima!


– Tudo bem sogrão! — Disse a menina sorrindo divertida.


– Peraí... E-e-essa é a namorada do Gom? — Perguntou o maior arqueando a sobrancelha.


– É sim pai...


– Boa sorte minha querida. Você vai precisar de muita sorte e paciência pra aturar o Gom... — Disse Charles sorrindo sem graça.


– Obrigado pela dica... Eu acho. — Soya corou.


– Vamos lá, estou pronto!


Uma fumaça branca envolveu o braço direito de Soya e este cresceu descomunalmente. A menina segurou o homem com sua mão e o arremessou para o alto.


– Agora, eu vou selar o meu destino para sempre... — Sussurrou Charles. — Alessa! AGORA!


A morena estendeu as mãos para o céu. Alessa não sabia muito bem o que fazer, porém, tudo ocorreu com naturalidade. Quatro selos de magia surgiram no ar, cada um deles formou um imenso pilar de gelo.


Charles pousou sobre um dos pilares que ficava a alguns metros da criatura que o fitava com ódio.


– Não pensou que eu iria facilitar pra você, né? — Zombou a criatura enquanto um imenso e largo sorriso surgiu em seu rosto.


– Nunca pensei nisso. — Respondeu Charles com um sorriso meigo em seus lábios.


– No nosso último encontro eu fiquei com uma coisa sua... — Disse o demônio mostrando seu olho direito.


– E eu com uma que pertence a você.


– Espadas do destino, dancem. — Sussurrou o demônio.


Sete espadas diferentes surgiram à volta da criatura, estas começavam a rodeá-lo e cada uma delas brilhava com uma chama de cor diferente.


– As sete chamas... — Sussurrou Charles entre dentes.


– Espadas, voem e destruam.


As sete lâminas voaram em direção a Charles, o maior retirou a franja que cobria seu olho. Sete outras espadas não muito diferentes das que o ameaçavam surgiram no ar. Um duelo entre espadas começava, sem ao menos ter alguém para empunha-las.


– MORRA MALDITO! — Gritou o demônio.


Um selo de magia surgiu na frente de Charles e uma explosão destruiu parte do pilar de gelo que ele se encontrava. Uma fumaça negra cobria parte do campo de visão das crianças que olhavam para o céu curiosas.


– PAPAAAI! — Gritou Nami chorosa.


– Seu pai sabe o que faz. — Soou a voz de Chilli. — Vamos, temos alguns demônios que sobraram, não quero deixar que nenhum deles fique sem suas devidas punições.



A fumaça se desfez revelando um grande estrago no pilar de gelo que flutuava. As espadas ainda duelavam, o encontrar de suas lâminas soltava faíscas que desapareciam em meio ao nada.


– Onde você esta? Vai fugir de novo ou vai deixar destruir o corpo de mais um dos seus amigos?



O sangue de Charles ferveu, aquelas malditas palavras entraram em seu coração e o fizeram se lembrar daquela fatídica e amaldiçoada noite em que perdeu um de seus melhores amigos.


Flash Back On


A chuva caía, suas roupas já estavam encharcadas com sangue de seu amigo que sacrificara-se para salvar a todos. Não iria deixar que a morte de alguém tão querido fosse em vão. Levou sua mão ao peito dilacerado de seu amigo antes que este pudesse dar seu último suspiro. Recolheu em sua mão cada fragmento da alma do garoto de cabelos brancos, precisava de um objeto ou de um corpo para dar-lhe uma nova vida.


Olhou a sua volta e nada conseguira encontrar além de um chaveiro de coelho jogado em uma lata de lixo.


– Transfer Anima! — Gritou o pequeno Charles.


A pequenina chama azulada que dançava na mão do garoto levitou e foi em direção ao coelho de brinquedo no lixo, envolvendo este em um brilho fantasmagórico.


– Donec tempus somno vigilare! Expecta novae vitae vestrae! — Falando estas palavras um selo de magia envolveu o chaveiro. — Obrigado, Yuki.


Estava feito, havia encantado um item e dado uma nova chance de viver a alguém que perdera a vida para proteger aqueles que amava.


Flash Back Off


– EU VOU VINGAR TODOS QUE VOCÊ MATOU! — Charles surgiu de trás de uma das colunas de gelo.


O rapaz agarrou-se ao corpo do demônio. Uma expressão de puro ódio surgira no rosto sereno de Charles.


– Maldito! Me solte! — Gritou o demônio se debatendo.


– Nossos destinos estão selados, para sempre. — Sussurrou Charles ao pé do ouvido da criatura.


Um imenso selo roxo de magia surgiu pairando sobre os dois, o mesmo brilho roxo que fazia o selo os envolveu.


– Magia de anti-matéria, gravidade!


Os dois corpos foram jogados com tremenda brutalidade ao solo. O selo ainda pairava sobre eles. Os dois corpos estavam no meio de uma cratera não muito larga e também não muito funda.


– Vo-você não tem como me ma-ma-matar... Sem a sua lança... — Sussurrou entre dentes a criatura.


– Eu tenho uma sur-presa pra vo-cê... Olhe pra ci-ma.


A criatura olhou para cima, seus olhos não acreditavam no que viam. O selo havia abaixado e pairava sobre o corpo de Charles, este que estava sobre o seu. Do alto do céu, Ursula vinha na direção de seus corpos em sua forma humana, faltando poucos metros para um impacto voltou à forma de lança.


– PAAAAAAAAAAI! — Gritou Alessa em choque.


Os pilares de gelo assim como o selo desapareceram. A lâmina da lança atravessou o peito de Charles e o peito do demônio.


A criatura desapareceu em uma fumaça negra assim como todas as outras coisas. Os contadores das pulseiras zeraram e todas as almas negras de demônios foram em direção ao céu. O eclipse desaparecia lentamente e os primeiros raios de sol rasgavam os vestígios da noite eterna.


Ursula voltou a sua forma humana e colocou-se a chorar ao lado do corpo quase sem vida de seu marido. Alessa estava desesperada, seus cabelos negros caíam sobre o corpo do homem, suas lágrimas rolavam por sua delicada face.


– Gom, por favor... Me diga que... Você pode transformar ele em uma de suas conjurações! — Perguntou Alessa.


– Eu queria muito poder dizer que sim... Mas... Não é possível. O papai tem uma ligação muito forte com o Necro Mundo e sua alma já esta sendo drenada pra lá. — Respondeu o moreno tentando mostrar-se forte.


– Papai! — Gritou a pequena Nami abraçando o homem ao chão.


– Você lutou muito bem, Charles. — Disse Floquinho enxugando seus olhos marejados.


– Obrigado a todos vocês, por tudo. Não quero que chorem a minha morte, chorem de alegria. O eclipse finalmente acabou.


– Eu não quero que você mora! Eu vou sentir tanto a sua falta! — Gritava Alessa sem conter suas emoções.


– Eu vou deixar umas coisas pra vocês... — Sussurrou Charles quase sem voz. — Eu despertei em cada um de vocês alguns poderes ocultos. E Lessa... No meu quarto, embaixo da cama pra ser mais exato... Tem um presente pra você.


Charles abriu um sorriso meigo de satisfação. Seu trabalho estava cumprido, beijou a testa de Alessa e a bochecha de Nami, seus olhos correram até o rosto de Gom e o sorriso aumentou.


– Cuide das suas irmãs e... — Ele olhou para Goru com reprovação. — Fique de olho nesse pivete.


Ursula o beijou nos lábios. Aos poucos o corpo de Charles começava a desaparecer em uma fumaça branca que ia em direção ao céu.


– Yuki... Você já sabe o que fazer.


A fumaça desapareceu deixando para trás lágrimas a escorrer pela face de todos. Um brilho vermelho iluminou o peito de Chilli e um azul brilhou com intensidade igual no peito de Alessa, seus yokais haviam voltado a seus corpos.


– Devemos ir ao prédio do conselho. — Disse Floquinho enquanto arrumava seus óculos.


Um selo verde iluminou-se sobre os pés de cada um deles e teletransportou a todos, em poucos segundos estavam sentados sobre as poltronas de veludo vermelho do conselho.


– YOYOYOYOOOO! — Gritou um velho no microfone. — Eu tenho más notícias... Parece que todas as almas se perderam!


Aquela notícia causara um tremendo rebuliço entre todos os presentes. Gritos de revolta eram escutados de todas as partes.


– Não se preocupem... Tudo será resolvido daqui a dois anos, em uma arena. Até lá vocês devem treinar ao máximo que conseguirem! Agora voltem para suas casas e comecem o treinamento! YOYOYOYOYOYOYOOO! — Dizendo isso o velho bateu seu cajado no chão, tudo pareceu ficar distorcido.


Quando Alessa abriu os olhos estava em sua cama. Levantou-se um pouco cabisbaixa e foi até a janela sentando-se em seu divã, a luz do sol iluminava seu rosto e as lágrimas que nele estavam presentes.


Olhou pela janela e encarou o céu azul. Estava certa de que conseguira várias lembranças ruins e que iria sentir falta de seu pai, porém, resolveu realizar o último desejo do mesmo. Não iria mais chorar por tristeza alguma.


Enquanto os raios de sol atingiam-lhe o rosto, a morena abriu um largo sorriso enquanto outras lágrimas caíam de seus olhos, estas não eram de tristeza, pelo menos não mais. Apesar dos momentos ruins e das lembranças amargas, conseguia sorrir, pois havia encontrado amigos de verdade e um novo amor para viver.


A porta do quarto se abriu e a morena virou-se sorridente. Correu até o maior e o envolveu em um caloroso abraço enterrando em seu peito seu rosto. O garoto de cabelos roxos levantou o rosto da morena e a beijou nos lábios. Seu rosto ainda estava com alguns curativos, mas, não era nada sério.


– Feliz aniversário... — Ele sorriu. — Lessa.


– Obrigado Goru. — Ela retribuiu o sorriso.



Notas finais
*chora* mandem reviews Ç__Ç
P.S: Teremos segunda temporada )o)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!