Shinigami
3 Speak in my language, bitch
Notas iniciais
Após o jantar, voltamos para a casa de Anne e apesar de não sentir sono, a morena me conselhou a ir dormir. Assim que encostei a minha cabeça no colchão, cai no sono.
Normalmente não sonhava, apenas descansava, mas essa noite foi diferente. Eu estava em um grande salão, colunas de mármore gigantescas de pelo menos seiscentos metros sustentavam um teto também de mármore. Na minha frente, uma pira de fogo gigantesca e em volta dela seis tronos, entretanto só cinco estavam ocupados.
Cada trono tinha um design próprio, o da ponta à minha direita era feita de ouro com detalhes que pareciam se mexer, mostrando senas de batalhas, no apoio perto da cabeça tinha dois dragões, diferentes de Oleg, esses eram compridos e sem assas. O trono do lado oposto, era feito de mármore cinzento, com detalhes em dourado e dois grandes raios ao seu lado. À direita do trono japonês, um trono de ouro coberto por pele de carneiro com um escaravelho enorme na lateral.
Do seu lado, um trono de um mármore mais escuro e com dois cães um de cada lado, um dourado e um prata. E por último, o trono de madeira escura, simples em comparação aos outros. O trono vazio era negro, feito de ossos, de gigante? Talvez.
Sentados neles tinham, dois homens de toga, uma branca e uma roxa, de barba branca, quem supus ser Zeus e Júpiter. Um com os olhos contornados musculoso com várias jóias nos pulsos e tornozelos, saia plissada azul, Rá. Um com longos cabelos negros e lisos, kimono branco, Izanagi. E ao lado do trono negro, um cara com tampão de olho, cabelos e barba brancos, longos e totalmente desgrenhados.
— Deuses. — Falei. Zeus sorriu.
— Pai. — Disse. O que soou muito estranho ser chamado de pai por um cara que era milhares de anos mais velho que eu.
— Eai? Beleza? — Todos sorriram fraco. — Que que mandam?
— Sua aventura logo vai começar — Falou Rá. — Gostaríamos de falar o que te aguarda. — Engoli ceco.
— E... — Comecei.
— E — Falou Júpiter — Logo que a noticia de que você chegou em Midgard se espalhar, TODOS vão saber.
— Deuses menores, semi-deuses e, principalmente, monstros. — Avisou Odin. Minha cabeça começou a latejar, parecia que eu tinha tomado novamente Hidromel.
— O que vocês querem dizer com isso..? — Milhões de perguntas surgiam na minha mente. — Como sei em quem confiar?
— Você saberá. — Sorriu Izanagi. — Mas agora, você tem que acordar. — Dito isso, eu pulei da cama. Ao meu lado, Anne saltou para longe de mim. Ela vestia a armadura completa de couro e por cima uma capa de pelos castanhos.
— God Morgen, Frank. — Ela sorriu. — Eu ia te acordar pro café.
— God Morgen. — Sentei na cama, cocei a cabeça. Anne se foi falando que ela e Jason me esperariam no pavilhão que tínhamos jantado noite passada.
Me levantei e tirei as minhas roupas, coloquei as peças que Ann tinha separado para mim: Um colete de couro, calça, botas felpudas e a capa de lobo da noite anterior.
Sai da casa acompanhado pelo Oleg, que fielmente andava ao meu lado. Não nevava, mas o vento que soprava me fazia tremer. Entrei no pavilhão e vi Anne sentada ao lado de um garoto musculoso que ria alto, os cabelos eram ruivos e iam até o ombro, ele tinha munhequeiras de ferro grandes, vez ou outra ele tentava passar o braço pelos ombros da Anne que tirava na mesma hora.
Jason estava sentado na frente atacando o café da manhã. Sentei ao lado de Jason, rapidamente uma garota voou e depositou uma taça com hidromel e um prato com vários tipos de carne, uma mais gostosa que a outra.
— Então.. — Falou o ruivo na minha frente. — Você é o Pai de Todos. — Afirmei com a cabeça já que a boca estava cheia de carne. — Eu sou Walter. — Bateu no peito com orgulho. — Futuro Rei de Ribe, eu sou noivo de Anne.
— Nem de longe — Anne falou bebericando o Hidromel. -. Não vou me casar contigo.
— Claro que vai. Eu escolhi a ti, qualquer garota de Rubi inteira se sentiria honrada.
— Então se case com qualquer uma, pois eu não te quero. — Olhei para Jason ele apenas deu de ombro e movimentou os lábios dizendo " Longa historia ".
— Mas, então — Virou-se para mim, ele tinha um sorriso nos lábios, aparentemente aquela discussão o divertia. — Vamos testar a sua força. — Ele bateu no punho.
Anne levantou o olhar e olhou para ele, eu conseguia ver o ódio nos seus olhos, Walter apesar de manter ainda o sorriso torto parecia nervoso.
— Tente e você vai sentir o gosto do meu machado. — Ele engoliu seco e abaixou o olhar e se concentrou na sua comida. — Frank, quando terminar vamos nos consultar com a volva.
Volva não era uma das pessoas mais belas que eu já tinha visto. Ela era uma velha cega, usava uma bengala e usava uma capa que encobria o corpo por completo. Ela ficava em uma casa mais afastada das outras. Ela jogou umas pedras para o alto e falou o que os deuses tinham me avisaram, me deixando mais aflito que antes.
Na volta, arrumamos as nossas coisas, ou seja: nada. Montamos eu e Anne no Oleg e Jason foi em um outro dragão, o Magnun.
Na ida até Gwenhwyar foi uma completa aula de história e de desconstrução de valores. Anne parecia uma professora de história, tranquilamente contando sobre os grandes feitos dos melhores gladiadores que existiram em todas as terras.
Já Jason, quando cada guerreiro era mencionado, começava a descrever as guerras que ele lutara, suas técnicas de luta, algumas eram tão detalhadas que no meio do percurso eu já não sabia se estava enjoado por causa dos detalhes ou se era por causa do voo.
—Jason — Disse Anne amarrando o cabelo — Acho que já chega — O loiro voou mais pra perto e fez beicinho deferindo um "Mas mããe.." — Sem mas, Frank está enjoado — Só então ele olhou para mim, seus olhos ficaram espantados, eu devia estar verde.
—Como você sabe que ele ta enjoado? — Questionou.
—A respiração dele começou a ficar pesada, a sua mão migrou da Partilha da sela para a minha cintura — Nós dois acompanhamos o trajeto do meu braço que antes, por motivos de eu não quero me aproveitar de alguém que pode me bater, estava na parte traseira da sela, e , agora, meus dedos agarrados no final do colete. — Então, dá pra sacar que ele tá quase vomitando.
—Wow — Falou Jason — É por isso que você é a melhor Rubi — Jogou os braços para o alto, Ann apenas riu.
—Você é a melhor? — Perguntei espantado. Anne apenas deu de ombro e murmurou "É o que dizem". Antes de falar mais alguma coisa, Ann fala:
—Estamos chegando — Virou e olhou para trás — É melhor se segurarem — Sorriu. Dizendo isso, ela deu o comando — Land — " pousar" que os dragões logo obedeceram.
Descemos tão rápido que mais parecia uma montanha russa, Anne até levantou os braços para o alto e começou a gritar. Pousamos no meio de uma floresta, depois de dispensar os dragões começamos a nossa caminhada para sei lá que direção, nunca fui bom em geografia. Só paramos de andar quando ouvimos galopes ao longe.
—Cavalos? — Jason olhou para Fernanda, que franziu o cenho.
—Achei que pousando mais ao norte ela não notaria a nossa presença — A morena tocou a testa.
—Ela quem? — Perguntei. Já conseguia ver a cavalaria, três cavalos mas apenas um preto. Eles eram rápidos.
—Boudicca — Respondeu Ann.
—Frank — Disse Jason com certa urgência — Se esconda — Seus olhos estavam mais azuis que o normal — AGORA ! — Gritou. Corri para a menor árvore mais próxima e escalei o mais rápido que pude, me escondi entre os galhos.
Os cavaleiros se aproximaram em pouco tempo. Da onde eu estava, conseguia ver o olhar de ódio que meus amigos desferiam para a mulher do cabelo loiro avermelhado, que estava montada no único cavalo preto. E conseguia ver o olhar superior que a mesma dava para eles, acompanhado de um sorriso debochado.
—Edrychwch pwy sydd gennym yma — "olha quem temos aqui " disse a mulher.
—Jep snakket mitt sprak, tispe — "Fale a minha língua, vadia" respondeu a viking entre os dentes.
Aparentemente a loira já ouvira aquela frase, pois seu semblante fechou na hora e ela começou a falar normalmente.
—O que está fazendo aqui, Thyra? — Perguntou.
—Apenas apeando. — Sorriu Ann.
—Você acha que que eu não vi ele? — Questionou — Ewch allan — "saia daí " olhou diretamente para mim.
—Achei que você nem notaria — Falou com desdem — Kommen Frank — "Venha Frank".
Meio atrapalhado sai da árvore e caminhei até Jason que estava alerta. O por que, não sei. A mulher me olhava intrigada.
—Você não é daqui — Comprovou — Entretanto você entendeu o que eu e a Thyra falamos, e se veste como um viking — Ela serrou os olhos — Quem é você?
—Hã.. — Foi a unica coisa que consegui falar, aquela tenção estava me intimidando — Eh.. — A mulher sorriu e falou:
—Acho que temos visitas para o jantar — Os guardar trataram de agarrar nossos braços, obviamente, os meus amigos tentaram se soltar, só que acabaram sendo amarrados.
Seguimos amarrados por um longo tempo até chegar ao castelo dessa tal Boudicca. Adentrando o castelo, que mais parecia um esboço do que pode vir a ser um castelo medieval, logo no pátio passamos por homens e mulheres com roupas coloridas e todos pararam os seus afazeres para nos olhar, como se fossemos animais novos no zoológico.
Os guardar nos arrastaram pra dentro, depois de seguir por alguns corredores e vira-los diversas vezes, chegamos em uma sala.
A sala não era uma sala qualquer, ela era uma sala de tortura. No meio da sala uma cama de esticamento. Na parede da direita, um sarcófago de espinhos. Nas paredes, várias mascaras bizarras. Cadeira de espetos, cavalo de pau. Sem contar o sangue que estava no chão, fazendo nossos sapatos ficarem pegajosos no chão. Eu olhava para tudo aquilo espantado, mirei para os meus amigos, eles tranquilamente estavam se sentando em algum lugar.
—Como vocês podem estar tão tranquilos com esta situação? — Perguntei espantado com a simpatia que eles tinham com o ambiente.
—Quer que fazemos o que? — Respondeu Jason — Estamos amarrados, não temos aonde ir e temos um jantar — Listou. Ele se ajeitara na cadeira de espinhos — Sente-se o jantar é apenas daqui a algumas horas — Apontou para um instrumento que eu não consegui identificar.
E então passaram-se as horas, muitas e muitas, infinitas e intermináveis horas. Anne já desistira de esperar acordada e agora roncava na cama de estiramento, Jason batucava a cadeira entre as pernas e eu, eu estava já me acostumando com o cheiro de sangue. Quando os guardas abriram a porta, os batuques de Jason pararam e Ann acordou.
Eles nos pegaram pelo braço e nos arrastaram pelos mesmos corredores, que na minha opinião pareciam todos iguais. Só que no ultimo corredor ao invés de virarmos a esquerda, viramos a direita, resultando em um grande salão de jantar, um pouco menos chique que nos contos de fadas, mas ta valendo.
—Croeso -"Bem-Vindos" disse um velho senhor que supus ser o Rei, já que estava com uma coroa na cabeça — Sentem-se — Apontou para as cadeiras, que tentamos puxar mas com as mãos amarradas não tão fácil.
Percebendo o pequeno erro que cometera de não nos desamarrar, ordenou — Dynion yn eu ddatod — "homens, desamarrem eles" meio a contra gosto cumpriram a ordem e se retiraram.
Não muito tempo depois, Boudicca chega, só que com outras vestes, vestia um vestido digino de uma rainha — Fy frenhines -"minha rainha" Disse o rei fazendo questão de puxar a cadeira para a mulher. Só então o jantar começou.
Foram servidos dos mais variados tipos de comida. Desde frutas da época até peixes e carnes, todos preparados de todos os modos possíveis. O rei nos falou para comer e se não comermos seria uma grande desfeita, possivelmente nossas cabeças rolariam. Não precisou ser dito duas vezes, estava com tanta fome que mesmo se eu quisesse fazer desfeita com o rei, não conseguiria. Meus amigos não ficaram para trás, nossos pratos formavam uma enorme montanha.
No meio do jantar a rainha começou a me fazer algumas perguntas, como:"Quantos anos tem?", " Com que trabalha?". Essas eu conseguia responder, pois eram imparciais, mas quando ela perguntou "De que reino você vem?" eu travei. Não sabia o que falar, eu não podia falar que era de NYC, ela descobriria fácil que eu não era daqui.
—Bjorn — Respondeu Anne — Ele é um primo distante meu — Sorriu — Como eu disse, estamos aqui a passeio — A rainha não parecia se convencer de que o que Ann falou é verdade. Para pegar Fernanda na mentira falou:
—Ah.. Mas por que não deixa seu primo responder? — Alterou o olhar entre eu e Ann — A não ser que não sejam realmente primos.. — De repente eu vi tudo lento, Jason levanta em um pulo com a faca em mãos, ajeita-a na mão direita e arremessa em direção ao rei, que por sua vez bota a mão na faca e a arranca.
Boudicca mais preocupada com o marido nem percebe que Anne estava me puxando para a grande janela, pulando contra a mesma e quebrando-a. Caímos no chão e a morena logo urrou de dor, sua perna direita começou a sangrar, os alarmes soaram, meio manca ela andou rapidamente até os Dragões pousarem e nos levarem de lá.
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