Shin Senshi
2 Capítulo um, parte dois. - Roku -
Seis anos e uns dois, três meses? Por aí. Roku nunca se esquecia daquele dia, nunca se esquecia dos anos, nunca se esquecia do seu irmão. A única forma de ele se acalmar era daquela forma. Ele o tratava como uma espécie de... Deus? Pode-se dizer dessa maneira. Bom, para entender melhor, Roku perdeu seu irmão com 10 anos de idade. Ele não deixou vestígios. Desde então a vida com a mãe de Roku tem sido um inferno, e principalmente quando seu pai fugiu de casa, piorou muito mais a situação. O garoto só conseguia se livrar daquilo quando ia para a escola, já que tinha amigos lá, e ele poderia se distrair com outras coisas. Ele odiava sua casa, mas era inteligente em não fugir, já que seria pior tanto para a mãe como para ele, já que então todos se dissipariam e ficariam sozinhos, sem um familiar sequer. O despertador soa com o barulho de uma música de rock, e ele acorda num sobressalto. Ele observa seu quarto altamente bagunçado, como sempre. Com a cama em baixo da janela, onde iluminava a frente completa do chão até a porta, que ficava de frente à cama, um guarda roupa ao lado e um banheiro no outro. A estante com a TV ao lado direito da sua cama estava com seu notebook em cima, e em uma das aberturas, seu Playstation 3, com um armário só de jogos, outro com carregadores, e outros pertences. Seu quarto se localiza no primeiro e único andar da casa. Deixando as informações de lado, Roku levanta. Ele vai até o banheiro, e vai lavar o rosto. O garoto tem cabelos brancos levantados, com alguns fios para baixo, cobrindo parte de seu esquerdo, uma pele um tanto bronzeada, e tem músculos um tanto definidos. Vai até guarda roupa e pega uma toalha, e volta ao banheiro, e foi tomar um banho.
A água aparentava mais fria por conta que ele acordou há pouco tempo, mas conseguiu se acostumar com algum tempo, e então, quando finalmente termina, coloca a roupa da sua escola, Howaitoraion. O garoto pertencia ao primeiro ano da escola, e tinha bastantes amigos, e era popular. Ele não lembrava como conseguiu se tornar daquela forma, mas sabe que nunca se exibiu por causa disso, porém ele gostava de ser popular, pois assim ele não se ocupava com pensamentos da sua família. Suspirou uma, duas vezes e então abriu a porta do quarto e se dirigiu à cozinha. Sua mãe estava comendo um ramen, e via televisão, o noticiário local, de que alguma coisa misteriosa foi encontrada por um Weapon e está em investigação. Como sempre, sua mãe ao ouvir os passos do filho, só olha para o mesmo, e se vira novamente. Roku faz o mesmo. Prepara um ramen também, porque não queria se atrasar para a escola, e sair de casa o mais rápido possível.
Assim que terminou de comer, foi andando. Onde ele morava não era o melhor lugar para andar sozinho à noite. Com a saída do pai, a mãe precisou se mudar e vir para esse lugar mais barato e perigoso. Roku não se importou muito, sabia se defender, ao menos ele achava isso. Não lutava muito, só quando realmente necessário. O bairro em geral não era tão grande assim, mas tinha muitas vias e curvas, o que dificulta a locomoção. Roku não precisava andar muito, já que sabia um atalho que o fazia aparecer atrás da escola, então era só dar a volta que ele chegava lá. Sua rua ficava no oeste de Atarashi.
Com um tempo, ele conseguiu chegar lá, e, não pela primeira vez, um casal estava se beijando nos fundos com uma garrafa de alguma vodka. Sem saber o porquê, Roku acha engraçado. Como não era a primeira vez, ele sabia como passar por lá sem atrapalhar a relação. Começou a andar furtivamente para o lado, sem ir para frente, e quando chegou a uns metros de distância da escola, foi andando para frente, até poder virar e ir para os portões de entrada. Antes de ao menos localizar os portões, muitas pessoas foram falando com ele, e conseguiu perceber algumas que não foram falar com ele, mas não se importou. Cumprimentou à todos, e então foi indo para a sua sala de aula, e quando vai entrar na escola, se esbarra com outra pessoa que estava entrando também.
–Desculpe – a outra pessoa fala. Ele conhecia o garoto, ele se chamava Kurato Asuma.
–Ah, tudo bem – Roku responde, então vai seguindo seu percurso. A primeira aula era de... Não lembrava. Foi até um amigo seu, Masami Aoi, um garoto completamente atleta, que sempre ia com uma jaqueta de – obviamente – atleta para a escola, e então pergunta:
–Masami, qual é a aula agora? – Aoi olha para Roku, e ajeita seus cabelos claros como palha, e responde:
–Ah, é química. Chato, hein?
–Sim, sim. Bom, obrigado.
–De nada.
Então vai em direção ao seu armário a procura do seu livro e caderno de química. Mais um dia sem conseguir entender nada e só ficar viajando, como dizem, na maionese esperando a aula acabar.
Adentrou na sala, e se sentou em uma das últimas carteiras. A sala de aula era como todas, com um ar condicionado que gela bastante, e as carteiras, e as cortinas. O professor então adentra na sala de aula, dá bom dia à todos, e então pega o data-show para fazer apresentação de slide na sala, e Roku aproveitou para poder tentar dormir. E então, quando o primeiro elemento químico aparece no quadro, Roku cobre o rosto com os braços e vai tentar descansar. No mínimo não prestar atenção na aula. Podia ter levado o seu celular para ouvir música, mas seu intelecto não é um dos melhores, e se arrependeu por isso. Voltou aos pensamentos aleatórios.
Fale com o autor