Shin Sekai
3 Mudança de planos
Notas iniciais
Boruto encarou, incrédulo, a jovem menina de cabelos azulados por alguns instantes. Seus olhos azuis pareciam consideravelmente surpresos com o que viam – Hinata era definitivamente linda quando mais jovem, o lembrava muito sua pequena irmãzinha Himiwari.
— Ma... Mãe? – disse. As palavras saíram mais como um gaguejo. Não tinha mais dúvidas, aquela ERA sua mãe.
— Hun? – a Hyuuga desviou o olhar de Kiba, fitando curiosamente no garoto loiro – Mãe? Q-quem é você? – parecia confusa.
— Mãe! Eu sou o Boruto! – de fato, parecia admirado. Estava realmente no passado.
— B-Boruto? Nunca vi você por aqui... – murmurou timidamente, sua voz suave saía em um tom baixinho.
— É muito estranho ver você e o papai assim, com a minha idade! Vocês... Vocês já estão namorando? – deu um sorrisinho maroto. Tinha certas curiosidades sobre o relacionamento de seus pais, porém nunca perguntara nada. Aquele era o momento ideal.
— Namorando? – Hinata corou de leve – Desculpe... Eu não sei do que...
— Ah, o que tá acontecendo mesmo?! – Kiba não parecia muito contente com a situação. O pequeno cão, Akamaru, também parecia indignado – Hinata, esse cara tá dizendo que veio do futuro! Que piada, não é, Akamaru? – o animal respondeu com um latido fino.
— Futuro? – a Hyuuga contestou – Você...
— Sim! Eu posso encontrar algum jeito de provar isso... – murmurou, pensativo – Ahan... Kiba, você vai virar um velhote muito rabugento! Mamãe, o papai vai conseguir se tornar o novo Hokage da nossa aldeia! Akamaru, você vai ter belos filhotes e vai virar um completo preguiçoso! – afirmou com convicção, como se realmente achasse que seu discurso soasse plausível naquele momento.
— S-seu pai seria o... Naruto-kun? – questionou. Já estava ficando vermelha como um pimentão.
— É! – sorridente, percebeu a verdade nas histórias que Hinata contava; era parecia extremamente tímida. Boruto quis brincar mais um pouquinho com aquilo – Você é minha mãe, e ele meu pai! Tenho um bela irmãzinha também! Vocês terão dois filhos excelentes! – riu.
— D-dois filhos? Eu... E o Naruto-kun? – Hinata não sabia onde se enfiar. Não sabia se sentia-se alegre por estar ouvindo e acreditando naquilo, ou confusa por realmente pensar que estava na companhia de alguém do futuro.
— É impossível! – o Inuzuka protestou – Não tem como ir do futuro ao passado!
— Pois então, eu vim! – cruzou os braços – Com a ajuda da pedra escarlate...
— Pedra escarlate? Que besteira! – Kiba abriu um sorriso debochado no rosto – Eu vou embora! Tenho mais o que fazer do que ficar ouvindo isso! Vamos, Akamaru!
Boruto observou o Inuzuka sumir de sua visão rapidamente. Kiba não havia mudado nada, afinal.
— Mãe... Tem tanta coisa que eu quero saber! Tem tantas pessoas que eu quero conhecer! – comemorou. Não conseguia manter o ânimo que sentira apenas para si – Você irá me apresentar ao Neji-san, não é? Você fala muito dele!
— O... Neji nee-san? – perguntou. Honestamente a Hyuuga gostaria de compreender a situação em que se encontrava. Por que ele queria ver o Neji?
— Sim... Nós sempre... Visitamos o túmulo dele.
— Tú...mulo? – arregalou seus olhos de leve.
— Sim, o Neji-san irá morrer durante a guerra... – lamentou, sem ao menos se preocupar se soaria convincente ou não. De fato, não queria ocultar nenhum fato que ocorreria no futuro... afinal, poderia aproveitar o máximo de seu conhecimento para sim evitar alguns fatos de ocorrerem. Sentiu como se pudesse mudar tudo.
— Neji nee-san... – o tom da garota mudou – Eu posso sim apresentar ele a você! – sorriu, tentando animar-se – P-podemos ir mais tarde? Ele deve estar ocupado agora.
— Ótimo! Mais tarde finalmente poderei ver o rosto do Neji-san! Ótimo! – comemorou – Mãe... Você quer conhecer a Sarada? A filha do Sasuke-sensei e da Sakura-chan?
— F-Filha da Sakura-chan? – de início, pareceu surpresa, mas depois deixou um sorrisinho escapar. Estava feliz que a Haruno, no futuro, realizaria seu sonho de ter uma vida ao lado daquele que amava.
— É... Ela deve estar com o papai agora. – concluiu – Eu tinha vindo até aqui pra ver a aldeia... Ela deve achar que estou demorando. Não quero ver a Sarada brava.
Hinata abriu um sorrisinho.
— O... Naruto-kun está lá?
— Sim! – afirmou – Então você tem vergonha de falar com o papai? Muito bem! Parece que eu cheguei na hora certa! Pode deixar que eu te ajudo com isso!
— Nã-não! Não precisa... – murmurou.
— Qual é! Eu te ajudo! Vamos, mamãe!
— S-sim...
Hinata apenas o seguiu. De fato, por mais absurdo que soasse alguém aparecer dizendo do nada ser um habitante do futuro, aquele menino havia a convencido. Seu jeito de agir, seus olhos azuis... Ele era realmente parecia com um certo Uzumaki que ela tanto gostava.
E, se fosse realmente mãe dele, tudo que queria era estar perto. Afinal, ele era seu filho... Filho dela e de Naruto... Um sonho tão distante que se tornaria realidade.
Abriu um sorrisinho discreto. Ficaria ao lado dele.
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Tudo já estava completamente pronto. Se as coisas seguissem exatamente como o planejado, o exame chunin ocorreria em uma semana. Anko suspirou, novamente fora escolhida para ser uma das supervisoras da segunda prova do Exame, assim como a organizadora geral do evento.
Estava dirigindo-se até o escritório do Hokage com as últimas pilhas de relatórios que precisava escrever. Tinha em mente que, após entregá-las, teria algum tipo de descanso até os exames começarem.
Caminhou em passos rápidos até lá, batendo na porta levemente duas ou três vezes para receber a ordem de entrar, porém não ouviu nada. Tudo estava extremamente silencioso, e sequer algum jonin que ajudava na proteção do local se encontrava nos arredores.
“ – Mas o que está acontecendo aqui?” – falou pra si mesma, um tanto preocupada. Decidiu abrir a porta por si só, que para sua surpresa, estava aberta.
Quando adentrou a peça, imediatamente percebeu que o Hokage não se encontrava lá. Quem estava sentado a sua mesa era um homem completamente diferente. Encarou, por alguns instantes, os grandes olhos negros do individuo até então desconhecido. Então, com velocidade, Anko pegou sua kunai e apontou para o invasor.
— O que você fez com o Hokage?! – perguntou, seu tom de voz era alto, demonstrando raiva.
— Eu? Nada. – disse. Sua face era inexpressiva, assim como sua voz – O que leva você acreditar que eu fiz algo com ele?
A jonin cerrou os punhos.
— Onde está o Hokage?!
— Hm... Onde será que ele está? – disse, pensativo – Eu não sei.
— O que você está fazendo aqui?! Quem é você?! – perguntou.
— Digamos que eu tenha um objetivo por aqui... Eu só estava esperando por você. – concluiu o homem de longos cabelos negros – O exame chunin terá mudanças esse ano.
— O que você está dizendo?! Eu não recebi ordens do Hokage-sama para mudar o exame... Isso não é possível!
— Ah... Então você precisa das ordens dele? Muito bem então...
Então, aquele homem levantou-se sem pressa. Dirigiu-se até a janela, onde observou o lado de fora tranquilamente. Anko permanecia alerta.
— Venha, Hiruzen. Preciso que você dê uma ordem a sua jonin.
— Isso não é possível! O Hokage-sama... ele...
A mulher de cabelos roxos não terminou sua frase ao notar que a porta de madeira realmente abriu-se. Incrédula, acompanhou em silêncio, apenas com os olhos, Hiruzen ficar lado a lado com o invasor.
— O que você fez?! – bradou – Hokage-sama! Hokage-sama! — chamou. Porém Hiruzen não respondia, como se estivesse em um longo transe. Ele tinha os olhos arregalados, assim como o andar consideravelmente robótico. Aquele não parecia ser ele, definitivamente.
— Anko! Eu ordeno que as fases do exame chunin sejam alteradas! – o Sarutobi finalmente pronunciou-se. Sua voz não parecia tão robótica quanto seus movimentos – É uma ordem do Hokage!
— Mas... – murmurou – Eu não posso aceitar isso... Você...
— Você precisava de uma ordem dele, não é? Agora você tem ela. Avise aos seus companheiros que tudo mudará.
— Esse não é o Hokage-sama! – insistiu – Jamais aceitarei uma ordem de alguém que não seja ele!
Anko não precisava de mais palavras para saber que aquele homem não deveria estar do lado de Konoha. Iria lutar e capturá-lo ali. Porém, antes de mesmo de começar a fazer seus selos de mão, sentiu algo cravar em sua cabeça; teve uma dor leve, como a picada de uma abelha. Levou sua mão até a testa, sentindo algumas finas agulhas a perfurando. Aquilo não parecia ameaçador, até que elas começaram a penetrar lentamente em sua cabeça.
O sangue também passou a escorrer de leve em sua testa.
— Por que você quis tornar as coisas difíceis? – o homem falou, ainda sem quaisquer emoções em sua voz ou rosto – Seria mais fácil para nós dois se você aceitasse a ordem do Hokage e conversasse com os seus amigos do exame chunin sobre a mudança de regras. Assim eu não teria que gastar meu chakra controlando alguém como você com minhas agulhas...
O silêncio pairou por ali. Anko não tinha nenhuma reação. Havia entrado no mesmo transe que Hiruzen Sarutobi.
— Irei brincar com você por agora, Anko... – murmurou – Se você tivesse me obedecido, eu não iria precisar tomar essa medida. É uma pena, mas agora você será minha marionete para sempre... Logo uma kunoichi tão promissora. – então, ele encarou friamente tanto Hiruzen quanto a mulher, que estavam lado a lado – A propósito, me chamo Riaza. – disse – Anko-chan, você irá conversar com seus colegas para mudar as regras do exame chunin de acordo com o que eu disser?
— Sim, meu Senhor.
— Ótimo... ótimo... – disse, enquanto se dirigia a porta de saída do escritório – É realmente uma pena ver você morrer, Anko-chan... No futuro que eu venho, você é uma grande jonin. Infelizmente, algumas coisas tem que mudar, não? Sim... Eu vim para mudar esse passado. É uma lástima que você não estará no nosso novo futuro.
— Não tem problema, meu Senhor. Farei o que você me disser...
— Hmm, muito bem. Então... As minhas agulhas de chakra já conseguem o controle absoluto? Eu não esperava que isso se desenvolvesse tão rápido... Ainda temos tempo... Parece divertido criar novas provas, você não acha?
— Sim, meu Senhor.
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