Shin Sekai
1 A esfera escarlate
Notas iniciais
Boruto definitivamente não tinha mais nenhum plano para aquela tarde após a brincadeira de infernizar o seu pai acabar em uma grande bronca que recebera. Entediado, andava em passos lentos pelas pacíficas ruas de Konoha, observando alguns dos movimentados comércios que haviam por ali.
Não queria chegar em casa tão cedo, afinal, também não teria nada de interessante para fazer lá, e ajudar sua mãe com sua irmã mas nova não parecia ser a coisa mais divertida naquele momento. Porém, em meio a aglomeração de mais de dezenas de pessoas, ele foi capaz de reconhecer uma certa garota que parecia interessada por alguns colares a venda. Era Sarada, sua companheira de equipe. Uma pessoa que, de fato, ele estava aprendendo a gostar aos poucos, mesmo às vezes lembrando tanto o próprio Sasuke falando.
Boruto se aproximou com um sorrisinho. Em sua cabeça, já pensava em convidá-la para treinar, mas sabia que precisava soar o mais amigável possível; chamá-la para um passeio primeiro seria o ideal.
— Ei, Sarada! – falou alto, fazendo a morena de olhos negros virar-se, o encarando – Vem cá! – ela ajeitou seus óculos, pagou pelo colar que havia comprado, e depois se dirigiu na direção do Uzumaki.
— Boruto? O que foi? – perguntou, enquanto amarrava o pingente em forma de yin-yang no pescoço.
— Ah... Eu queria te convidar pra passear...
— Levou outra bronca de seu pai, não é? – perguntou
— É, você tem razão. – suspirou – Vem, vamos sair daqui, vamos para um lugar mais calmo!
Eles já estavam se afastando da população quando foram capazes de ouvir gritos altos vindo da feira comercial. E logo após os gritos, duas explosões seguidas ocorreram. Boruto e Sarada apenas abaixaram-se, para se protegerem do que quer que fosse aquilo. Após a poeira finalmente cessar, voltaram para o lugar onde estavam, vendo aquele ambiente em completa ruína.
— Quem... Fez isso?! – o Uzumaki parecia um tanto que preocupado com os civis jogados ao chão, completamente desacordados – Sarada! Mas que!
— Eu estou conseguindo sentir um pouco de chakra vindo da floresta ao sul, Boruto. É muito poderoso... Talvez a pessoa que fez isso tenha fugido por lá!
— Então vamos! Não podemos deixar um cara desses soltos por aí!
— Você é idiota?! – a Uchiha mostrou-se impaciente – Logo algum jonin aparecerá e... – ela não conseguiu terminar sua frase, quando viu o loiro correr incansavelmente em direção ao sul. Aquele garoto não tinha mesmo jeito – Ei, Boruto! Espere por mim! – disse, começando a segui-lo – Se foi essa pessoa que fez isso, não faz sentido ele ter ido para floresta ao sul! Ele teria que ter quase se teletransportado pra lá! Essa velocidade... Se o Boruto for sozinho, ele irá ter sérios problemas. – pensou.
Ter Sarada o acompanhando era deveras agradável, o Uzumaki acreditava. Mesmo que se metesse em alguma enrrascada ao lado da companheira, finalmente teria um dia mais do que divertido. Afinal, estava indo atrás de suposto bandido, e sentia-se pronto para lutar: com certeza seu pai se orgulharia daquela atitude.
A floresta do sul não era conhecida como “a floresta venenosa” por acaso. A quantidade exacerbada de cobras e aranhas peçonhentas era gigante, assim como a de quase todos os tipos de criaturas perigosas. A dupla de genins não se importou, apenas seguiu aquele poderoso rastro de chakra que Sarada ainda afirmava sentir.
— Estamos nos aproximando! Ele não deve estar muito longe. – a Uchiha afirmou.
— Ótimo! Então vamos derrotá-lo e prende-lo o mais rápido possível! – disse confiante, ainda apressando mais sua corrida.
E os minutos naquela densa floresta onde o cenário verde apenas parecia se repetir haviam se tornado duas horas completas. Era inegável, a dupla de genins da Folha estava exausta. Enquanto Sarada parecia estar completamente arrependida de ter seguido Boruto, ele ainda parecia ter alguma energia guardada para seguir andando com uma expressão confiante.
— Boruto! Você acha mesmo que ele ainda deve estar por aqui?! – repreendeu – Vamos voltar... Já devem ter descoberto o que aconteceu na aldeia.
— Vamos lá, só mais um pouco! Ou já vai me dizer que está cansada?
— C-claro que não! Apenas acho que é imprudente ficarmos andando por essa floresta!
— Isso não é nada! – gabou-se – Você ainda pode sentir o chakra, não é? Enquanto você tiver ele no rastro, vamos ficar bem, acredite!
— Na verdade, eu estou achando isso bem estranho, Boruto. – começou, mostrando uma expressão pensativa – Não é mentira que eu posso sentir um imenso chakra vindo dessa floresta, mas algo não parece certo. Quer dizer, esse chakra não parece vir de uma pessoa... Não sinto ele movendo, ou qualquer alteração... É como se fosse o chakra de um objeto. – concluiu, ajeitando mais uma vez seus óculos de bordas avermelhadas.
— Então... Você quer dizer que todo esse tempo nós não estivemos atrás do cara? Sarada!
— Talvez...
— E que objeto poderia ter chakra? Você não acha isso estranho? – questionou, mas era uma pergunta retórica – Muito bem! Vamos procurar então por esse tal objeto! Quero ver com os meus próprios olhos! – e novamente juntou forças para apressar seu passo, fazendo a garota segui-lo.
— Boruto! Maldito...
Dessa vez, a caminhada não fora em vão. Estando aparentemente no centro da floresta, eles puderam avistar uma pequena construção de madeira, humilde, com apenas uma peça. Ao adentrarem, a única coisa que tinha ali era um altar construído improvisadamente, e sobre ele, uma joia em um belo e hipnotizante tom escarlate.
— Nossa! – Boruto arregalou os olhos, surpreso com a tamanha beleza do pequeno cristal – O que é isso?! Parece raro!
— É exatamente disso que vem o imenso chakra que posso sentir... Devo deduzir que essa coisa é... Boruto! Não toque-
Falara tarde demais. Quando fora ver, o Uzumaki já segurava a joia, ainda com um olhar admirado. A Uchiha suspirou, já estava perdendo a paciência.
— O que diabos você tem na cabeça, Boruto?! Você não devia tocar nessa coisa!
— E qual o problema? – questionou – Olha só, ele está brilhando! – disse boquiaberta com o imenso brilho branco que agora cercava a pedra. Só que, sutilmente, o misterioso brilho expandiu-se de tal forma que cercou os dois genins.
— O que foi isso? – perguntou Sarada
— E eu vou saber? – Boruto bufou – Droga!
E então, foram completamente cercados. Até que tudo ficou escuro.
....
— Hei, acorda!!
— Vocês estão bem?
Boruto pode ouvir vozes o chamar antes de conseguir abrir os olhos por completo. Quando se deu de conta, estava em um local completamente diferente, cercado por pessoas até então desconhecidas. Ele abriu os olhos com dificuldade, a cabeça doía.
— Quem são vocês? Onde está a joia?
— Joia? – perguntou uma menina de cabelos rosados
— Meu nome é Naruto Uzumaki! – o loiro se apresentou. Ele também tinha uma bandana que sinalizava ser um ninja da folha – Nós encontramos vocês desmaiados, então viemos ver se está tudo bem, sabe...
— Na-Naruto Uzumaki? – seus olhos arregalaram. Simplesmente aquilo não fazia sentido. Só podia ser uma brincadeira. Como aquele pirralho seria seu pai?
— Sim, algum problema? – disse, desinteressado.
— Pa...Pai? – murmurou. Era inegável, aquele outro garoto parecia mesmo o seu pai. Desde os olhos azulados até os cabelos loiros espetados.
— Hã? Pai? Você tá ficando maluco?! – quase gritou – Você deve estar me confundindo com outra pessoa. Eu disse, meu nome é N-A-R-U-T-O.
— Aquela no lado da árvore é a Sakura e aquele é o... Sasuke... – murmurou, completamente assustado. Já estava melhor e finalmente acabara de se levantar.
— Você já conhece eles? – perguntou.
— Claro! Eles são... Os pais da Sarada.
Nada fazia mais sentido. Aquilo seria um sonho? Ou estava apenas delirando após presenciar aquele misterioso poder vindo da joia escarlate?
Boruto não tinha certeza, mas sua intuição o dizia apenas para se preparar. Grandes coisas estavam apenas por vir.
Notas finais
Comentem o que acharam, já que é minha primeira história!!
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