Shin Sekai
1 Prólogo
Notas iniciais
Canmore – Canada, 2024
Já ouvi muitas vezes que a vida não é fácil, mas fico me perguntando se todos tem de enfrentar situações tão confusas quanto as que vivo. Por que todos sofrem por mim e choram as minhas dores?
Eu não quero que ninguém fique triste, nem que tomem os meus problemas. Não quero que tenham pena de mim. Será que sou tão miserável assim, para que queiram chorar sempre que me veem?
Foi por isso que eu fiquei tão feliz quando descobri que podia fugir, não aguentava mais as pessoas ao meu redor sempre amarguradas, tristes e chorosas. Se eu mesma não estava daquela maneira, por que é que eles permaneciam abatidos?
Se não fosse por meu pai que sempre me animou, talvez eu tivesse absorvido aquelas péssimas emoções, e hoje seria uma garota sem sonhos ou esperanças. Talvez me conformasse com a situação e desistisse de lutar.
Tudo parecia tão triste, tão escuro...
Não, não parecia. Tudo era muito escuro.
A monotonia e a angustia tomavam conta de qualquer ambiante onde minha presença se fazia, isso me consumia... isso machucava.
Sorrir... era a única maneira de tentar quebrar aquela tensão. Todos me abraçavam, mas eu não sentia nada além de desgosto por tais atos. Não queria aceitar os sentimentos que os motivavam.
O sofrimento da minha mãe era a única coisa que me comovia de verdade. Por que ela se sentia assim?
A pressão que ela jogava sobre Lucca me assustava... Ele se culpava tanto... Mesmo que eu o abraçasse apenas com sentimentos bons, seu semblante não mudava.
A culpa não era dele, nunca foi. A culpa... era minha. Todos choravam por mim, se entristeciam por mim. E se as reuniões familiares eram depressivas, também era por minha causa.
Por mais que eu quisesse proteger a todos, eu só conseguia causar mais dor.
Dor...
Essa é minha sina? - era o que me perguntava todos os dias. Até que um novo mundo se abriu pra mim.
É só um jogo - todos sempre diziam, mas eu me sinto tão livre, tão... viva aqui.
Bem mais do que na minha vida real.
Aqui presenciei coisas que antes eu nem sonhava em imaginar...
– Nami Malkovich
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