Shikashi, Watashi Wa...
13 Primavera das emoções
Notas iniciais
Parece que consegui escrever um novo capítulo (Viva!)
A partir de agora, a faixa etária será +18, ok?
Me perdoem pelos erros, eu fui escrevendo, escrevendo, escrevendo... e quando vi, o capítulo ficou um pouquinho comprido, aí fiquei com preguiça de revisar (Tsc, Tsc. Que escritora preguiçosa...)
Nem sei como tive coragem de postar esse capítulo, mas espero que gostem e não me matem por causa do que escrevi... (vergonha a mil por segundo)
Esse capítulo é dedicado a Okay: espero que goste do final e muito, muito obrigada mesmo pela ajuda ^^
Boa leitura...
E no capítulo anterior...
— Até amanhã. Eu te amo, meu namorado.
Ichigo não pode deixar de sorrir com o que ela disse e repondeu: — Também te amo, baixinha.
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Passagem de tempo
1 mês passa rápido, ou devagar
Apenas depende dos pontos de vista
Mas o inverno já se foi
Orihime’s POV:
— Ah, kirei! A primavera é mesmo uma estação maravilhosa, né Tatsuki-chan?
— É sim – ela responde pegando uma sakura que estava caindo – Foi uma boa ideia a sua de vir contemplar o Hanami hoje.
— Eu adoro essa época do ano. Tudo fica tão bonito – disse, me apoiando na ponte.
— Orihime, o que você vai fazer nessa semana? – Tatsuki perguntou para mim, agora olhando o riacho.
— Vou ficar na cidade mesmo. Não tenho para onde viajar ou alguém para visitar. E você Tatsuki-chan? Vai participar de alguma competição de primavera?
(N/A: Os alunos, no Japão, têm +/- uma semana de férias para comemorar a chegada da primavera e contemplar o Hanami, que é a florada.)
— Vou sim. Amanhã mesmo partimos para uma cidade próxima de Karakura. Dessa vez, eu vou ganhar o primeiro lugar porque meu braço já está mais que ótimo.
— É isso aí, Tatsuki-chan! Eu vou ficar torcendo por você. Mas, será que antes de você ir, podemos ir ao centro fazer compras?
— Agora? – perguntou ela virando o rosto para mim.
— Sim, mas se não quiser ir, não precisa. É que eu quer...
— Inoue, você vai ficar aí, encostada na ponte, olhando as flores ou prefere correr até as lojas? Não se esqueça que já são 15:00 horas e até chegarmos no centro, leva uma meia hora.
— Ah hai! Vamos primeiro naquela confeitaria.
Nós nos desencostamos do apoio da ponte e fomos para o centro com um pouco de pressa.
Já disse que gosto muito da primavera?
Orihime’s POV off.
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Ulquiorra estava sentado na mesa da cozinha já fazia umas seis horas. Saiu apenas para almoçar ao meio-dia e assim que terminou, voltou para casa a fim de terminar as correções. Estava se sentindo muito cansado e com a vista meio embaçada de tanto corrigir provas e trabalhos dos alunos da faculdade.
Como assim alunos da faculdade?
No fim de fevereiro, o jovem professor recebeu uma proposta da Universidade Estadual de Karakura, a melhor e única faculdade da cidade.
O salário era um pouco melhor do que a do colégio onde mal lecionava, e, além disso, a carga horária na faculdade era muito maior e o moreno simplesmente ama matemática.
Ulquiorra resolveu dar uma pausa porque, primeiro, ler e assimilar algumas respostas absurdas por muito tempo não faz bem para ninguém. (N/A: Nem humilha u.u)
Ele olhou para a parede, o relógio estava marcando 18:45 e a barriga estremeceu um pouco. A fome reapareceu novamente.
Nem tinha percebido, mas estava com bastante fome. Se levantou da cadeira e resolveu preparar uma refeição composta de arroz, carê de cenouras, batatas, inhames e alguns pedaços de carne. Também fez um chá para beber depois da comida.
Uma hora e meia depois, com o fogão desligado e a comida posta na mesa, Ulquiorra se sentou, colocou o carê por cima do arroz; com o Hashi, pegou um pouco do alimento e deu a primeira mordida, mas de repente, uma tristeza apossou do seu coração, até então esquecido.
Flashback’s on:
Há três semanas atrás,
Ulquiorra estava voltando para casa dirigindo seu carro novo, um Fit da Honda, cor de chumbo lindo e confortável, quando seu celular toca. Ele pensa em atender, mas logo a frente, um policial está fazendo ronda, parando alguns carros para checar os documentos, se o carro está em ordem e tals. (atender celular, então, nem pensar.) Por azar, o policial o parou e pediu a carteira de habilitação, e como Ulquiorra é homem responsável, entregou o documento na mão do guarda.
Assim que ele terminou de checar as coisas, Ulquiorra continuou dirigindo para casa. Chegando lá, parou em frente da garagem, saiu do carro para abrir o portão e guardar o automóvel.
Quando estava prestes a sair do carro para fechar o portão, o celular toca novamente. Ele pega o aparelho, olha a tela e atende logo em seguida, já que conhece o número muito bem.
Do aparelho, uma voz masculina fala aliviado por finalmente conseguir ouvir a voz de Ulquiorra:
— Por que você demorou tanto para atender? Tô te ligando faz uma hora, Ulquiorra!
— Mas porque, onii-san? O que houve? Teve uma blitz e eu não pude atender. Você parece estar estressado.
— Você quer que eu fique como? Foi horrível! – disse o mais velho com a voz se embargando no final da frase – Nossos pais, eles... – ele não conseguia dizer o que estava entalado na garganta, doía demais.
— Pode dizer. O que aconteceu com eles? – Ulquiorra perguntou curioso e sem entender o porquê do irmão estar naquela situação.
— Eles... eles morreram. Ulquiorra?
O moreno ficou estático. Por sorte ainda estava dentro do carro, do contrário, talvez seus joelhos tivessem cedido e ele teria desabado com o susto. As palavras doeram, como doeram. O coração, que há muito não estava presente, reapareceu para desfalecer novamente, agora por um novo motivo, por duas pessoas importantes.
— ... – uma longa pausa – Como aconteceu? – Disse ele de modo controlado e calmo, como se tivesse ouvido “Venha passar o fim de semana na minha casa”.
Uma pessoa normal, certamente, entraria em prantos, soluçaria e ficaria em desespero, mas para ele, a tristeza não funcionava desse jeito. Para Ulquiorra, a tristeza o torna frio e insensível até demais.
O irmão contou sobre o acidente de trem, onde os vagões se descarrilaram e rolaram morro abaixo; por sorte, o trem não pegou fogo e nem explodiu, mas o pior estrago já estava feito.
— Na televisão só se fala do acidente. A cada meia hora mostra o resgate de pessoas feridas, a retirada dos corpos, o cuidado dos policiais e bombeiros com tudo. O pior de tudo, é que, os sobreviventes são muito poucos e a lista com os nomes dos mortos foi divulgada agora a pouco.
— Você viu o nome deles?
— Infelizmente, sim. Você sabe que o papai e mamãe sempre carregam os documentos, então não foi difícil identificar os corpos – disse o irmão com a voz tremida – Não consigo acreditar que isso aconteceu. Nem sei por que eles pegaram o trem! Ulquiorra, você ainda está me ouvindo?
— Vou para Shizuoka-shi imediatamente.
— Nem pense nisso!
— Po...
— Como você acha que eu tô? Nossos pais foram dados como mortos e você quer vir para cá agora? Não adianta dizer que vai vir de carro porque já está tarde, e de trem você não vem nem por cima do meu cadáver! Você não vai fazer nada de precipitado só por causa dessa notícia.
“Eu sei que você não tem o costume de demonstrar os seus sentimentos, mas eu sei que está se sentindo do mesmo jeito que eu. Então descanse essa noite, ou pelo menos tente. Amanhã nós decidimos o que fazer. Não quero perder meu irmão mais novo também.”
As palavras do irmão o fez soltar um suspiro de reprovação, mas contrariar não era a coisa certa a ser feita.
Flashback’s off.
*Música de celular tocando*
O ritmo do toque do aparelho fez com que o moreno acordasse dos seus pensamentos deprimentes e dolorosos.
— Mochi-mochi. Hai, hai. Ookini. (Tradução: Alô? Sim, sim. Obrigado -> Adoro escrever em japonês ^^)
O reitor da universidade ligou para avisar que esta noite, Ulquiorra não precisaria dar aula e também disse que o retorno das aulas seria daqui a 6 dias, por causa da primavera.
Assim que ele desligou o celular, pensou: “Só porque eu queria dar um sermão naqueles alunos que fizeram ‘Ctrl C + Ctrl V’ e nem ao menos se deram ao trabalho de tirar o sublinhado. Apenas três trabalhos merecem nota 9, o resto é lixo”.
–-
Karakura-cho, 14:00, sábado:
As pequenas férias não estavam sendo agradáveis para nenhum dos dois.
Da janela de seu quarto, Orihime continuava a espiar seu vizinho.
“Para onde será que ele vai viajar?” pensou a garota vendo-o guardar uma maleta no porta-malas do carro.
“Seja para onde for, tome cuidado na estrada Ulquiorra-san. Sentirei saudades enquanto estiver fora.”
Na garagem, Ulquiorra terminou de guardar o que era necessário, depois entrou na casa para verificar se tudo estava desligado e trancado; saiu pela porta da frente, trancando-a também. Abriu o portão da garagem com cuidado para não acertar nenhuma alma viva, entrou no carro e deu a partida, seguindo em direção à saída da cidade assim que o portão fechado e devidamente trancado.
Inoue não tinha mais nada para ver na casa ao lado, então saiu de trás das cortinas e foi para a sala ver um pouco de televisão. Algo lhe dizia que os dias seriam longos, ainda mais agora que a baixinha tinha voltado para a Soul Society (o que será que aconteceu com a Rangiku?), a maioria dos amigos tinha viajado e seu vizinho também a deixara sozinha.
–-
Cemitério de Shizuoka-shi, 17:30, sábado:
Ulquiorra’s POV:
É aqui que eles foram enterrados, pensei enquanto carregava um vaso de orquídeas, flor preferida de minha mãe.
Aproximei-me da lápide com a inscrição dos nomes, coloquei o vaso no local apropriado e acendei velas e incenso.
— Até que enfim veio nos visitar, Ulqui-chan – uma voz feminina sussurrou repentinamente.
Me levantei do chão, me virei para o lado que ouvi o som e me surpreendi com o que meus olhos enxergaram:
— O-oka-san? – gaguejei – É a senhora mesmo? O que está fazendo aqui? A senhora não morreu, é isso? – uma tonelada de perguntas vieram à tona com a surpresa.
— Sim, amorzinho. Não vim para te assombrar, não se preocupe. A única coisa que me prende aqui é o meu desejo de falar com você antes de partir.
Fiquei estático e um pouco descrente com o que vi e ouvi.
Não é possível minha mãe estar aqui. Ela morreu há quase um mês, mas a pessoa a minha frente parece muito com ela, quer dizer, a mesma voz, a mesma aparência, o mesmo olhar...
— O que a senhora quer comigo? – disse mecanicamente.
— Apenas pedir desculpas.
Não entendi o que ela quis dizer com “pedir desculpas”, mas antes que eu pudesse perguntar, ela disse:
— Eu sei que é difícil para você falar sobre esse assunto, mas se lembra do dia em que sua namorada foi enterrada? – Como se eu pudesse esquecer – Naquele dia, nós brigamos. Se lembra por quê?
— Mas isso foi há t...
— Apenas me responda.
Olhei para o seu rosto e senti uma das pernas fraquejarem, mas mesmo assim, as palavras saíram de minha boca firmemente.
— A gente brigou porque a senhora me obrigou a assistir o funeral dela.
— E o que mais?
— E porque eu tive que falar algumas palavras de despedida na frente de todos os parentes dela, o que acabou sendo humilhante para mim porque eu chorei. E a senhora ao invés de ficar comigo, foi embora porque sua chefa ligou para você porque ela estava precisando de ajuda na empresa. Mas tudo bem, isso foi há três anos. Por causa disso que ficamos sem nos falar por tanto tempo.
— Certo. Quando eu fui te pedir desculpas, assim que eu cheguei do trabalho, você nem quis me ouvir.
“Sabe, quando eu e seu pai estávamos naquele trem, a gente estava indo te fazer uma visita. Eu queria fazer as pazes com você há muito tempo, mas sempre acontecia alguma coisa e eu fui adiando até que... você sabe.”
“O que está me prendendo aqui, é esse remorso que sinto. Eu queria que você me perdoasse, de coração, por ter ido embora e por ter demorado tanto tempo para me desculpar.”
Olhei dentro de seus olhos e vi que o que ela disse, era a mais pura verdade. Não tinha como eu negar um pedido desses, mas eu ainda guardo um pouco de mágoa. Eu nunca vou poder perdoá-la completamente.
— Eu podia dizer que te desculpo, que está tudo bem e que você pode ir em paz, mas aí seria cinismo meu. Mesmo que eu queira te desculpar, uma parte de mim, bem pequena, ainda não é capaz disso; mas por outro lado, foi com a senhora que eu aprendi a amadurecer, a ser independente e é isso o que importa. A senhora queria saber se eu te perdoo, sim, é claro, mas só se a senhora fizer o mesmo por mim. O que mais me deixou triste, não foi porque minha mãe me deixou lá, eu já estava me acostumando a ficar longe de você por conta do trabalho, o que me deixou realmente triste, foi ter que assistir o enterro da Kiyoko, foi vê-la dentro daquele caixão. Era por isso que eu não queria ir, a lembrança dela deitada, imóvel, pálida e sem vida, aquilo ficou na minha cabeça por muito tempo; por muito tempo, eu não consegui me lembrar dela sorridente, fazendo piadinhas ou se divertindo.
“Eu sou mesmo um egoísta por pensar desse jeito. Sou eu quem deve pedir seu perdão. A senhora fez o favor de me levar até lá para me despedir dela, da garota que me mostrou a felicidade, só agora que vejo isso. Me desculpe.”
Espíritos choram?
Espíritos conseguem tocar uma pessoa viva?
Sim, eles são iguais a nós. A única diferença é que eles não têm mais um corpo carnal. Até antes de eu enxerga-la, eu não acreditava nem um pouco que espíritos existiam. Também, eu nunca tinha visto um em toda minha vida. Mas agora aqui estou eu, abraçando uma alma.
Minha mãe se aproximou de mim e disse em meu ouvido quando me abraçou: – Era isso o que eu precisava ouvir. Posso não ter o seu perdão por completo, mas nós finalmente nos entendemos e é claro que te perdoo, você é o meu filho, eu sempre vou te amar e perdoar, mesmo que você faça muita coisa errada.
Ela me largou e deu um passo para trás; atrás dela, o sol estava se pondo e a cada segundo que passava, eu conseguia enxergar, mais claramente, o pôr-do-sol através dela.
— Ookini, Ulqui-chan.
Ela começou a brilhar um pouco em azul até que começou a desaparecer, se tornar uma borboleta e sumir no ar.
–-
Dois dias depois:
A tarde estava realmente linda. O sol estava brilhando, os passarinhos voando pelo céu e as pessoas conversando e andando pelas ruas.
Meia hora depois, tudo ficou diferente. Nuvens plúmbeas bastante carregadas apareceram. Relâmpagos e trovões apareciam e soavam a cada instante.
Orihime escolheu um dia péssimo para fazer compras.
Assim que saiu da loja, uma chuva começou a cair; os raios iluminavam as ruas escurecidas, devido à tempestade.
Faltavam sete quadras para ela chegar em casa, suas roupas e as mercadorias já estavam completamente encharcadas. Resolveu ficar esperando a chuva se acalmar um pouco debaixo de um toldo.
Talvez por coincidência ou pura sorte, Ulquiorra estava voltando para casa de viagem e viu uma garota completamente encharcada e sem saber o que fazer já que a chuva não queria parar. Ele dirigiu até onde a garota estava e parou o carro, abriu a janela, mesmo molhando tudo, e falou para Inoue entrar que ele dava uma carona.
— Obrigado, Ulquiorra-kun! – Inoue abriu a porta e entrou rapidamente. Ela estava tremendo de frio. Nunca tinha tomado um banho como esse antes; Ulquiorra percebeu e ligou o aquecedor, depois perguntou: — Por que você saiu na chuva?
— É que eu tava precisando de shoyu e mel para comer com tofu. Pensei que daria tempo de comprar e voltar para casa antes da chuva. A...a...atchim!
— Saúde. Não faça mais isso. Você pode até pegar um resfriado por isso.
— Acho que já peguei, atchim!
— Saúde.
— Obrigada.
O caminho para casa seguiu em silêncio. Parecia até que a chuva não queria parar e continuaria a piorar.
Ulquiorra posicionou o carro em frente à garagem e saiu dele rapidamente para abrir o portão. Assim que o fez, voltou correndo para dentro e guardou o automóvel.
Por sorte, parte da garagem é coberta e tem uma porta lateral para dias como de hoje. Eles saíram do carro. Inoue virou as sacolas de ponta-cabeça para tirar a água e depois as colocou no chão para torcer o cabelo molhado.
Ulquiorra’s POV:
— Obrigada pela a...tchim!, carona, Ulquiorra-kun – ela ia sair para a chuva novamente para ir para sua casa, mas segurei-a pelo braço, impedindo-a de fazer uma coisa estúpida.
— Espera a chuva passar. Você está espirrando, desse jeito, se você estiver mesmo resfriada, só vai piorar. Vem que eu vou fazer uma sopa para você.
— N-não precisa se incomodar. Eu estou bem.
— Vou pelo menos te dar roupas secas, vamos.
Orihime concordou e entrou dentro da minha casa, que estava quentinha e seca.
— Vou pegar uma camiseta e uma calça para você vestir – Antes de ir para o quarto, encostei minha bochecha na testa de Orihime para checar a temperatura. Acho que minha aproximação repentina a assustou, porém, eu gostei da sensação, de vê-la toda molhada, com as roupas grudadas em seu corpo e ressaltando os seios... Ulquiorra! Pare já com esses pensamentos grosseiros. Pisquei os olhos algumas vezes e me lembrei do que estava fazendo – Acho melhor você tomar um banho também. Você está um pouco febril. O banheiro é a segunda porta a esquerda. Lá deve ter tudo o que você precisa.
Orihime’s POV:
Ulquiorra-kun é tão atencioso, ou talvez ele esteja assim porque está preocupado comigo.
— Vou pegar uma camiseta e uma calça para você vestir – de repente ele se aproximou de mim e encostou sua bochecha na minha testa; um arrepio me percorreu e minhas bochechas formigaram quando senti sua pele quentinha contra a minha. Para eu não ficar encarando seu pescoço, abaixei o olhar e sem querer, olhei para a sua parte íntima; isso deve ter deixado meu rosto mais quente do que antes e mais vermelho ainda, se é que é possível. Fechei os olhos para ver se isso desaceleraria meu coração (quando é que essa palpitação começou?), mas tive que reabrir quando Ulquiorra-kun começou a falar – Acho melhor você tomar um banho também. Você está um pouco febril. O banheiro é a segunda porta a esquerda. Lá deve ter tudo o que você precisa. Mas antes, espere aqui que eu já volto.
Fechei os olhos novamente e pensei comigo mesma: “Kami-sama, por favor, me ajuda! O que está acontecendo comigo? Preciso ir para casa. Não consigo ficar num lugar onde ele também está. O que eu faço?”
Ulquiorra’s POV:
Fui rapidamente até meu quarto para pegar uma muda de roupas para emprestar para Orihime-san.
“O que eu estava pensando? Essa garota me tira do sério, literalmente”.
Voltei para a sala e ela estava de costas para mim, passando a mão nos cabelos bagunçados.
— Trouxe algumas coisas para você vestir – acabei assustando-a porque cheguei perto dela sem fazer ruído.
— Ah! Obrigada, Ulquiorra-kun. É-é muita gentileza de sua parte me deixar usar seu banheiro e suas roupas – ela me disse apontando para as roupas.
— Hum. Enquanto você se banha, vou preparar algo para comer. Está com fome?
— Não, não. Estou bem – ouvi um barulho estranho de algo roncando – Desculpa. Parece que meu estômago não concorda comigo.
— Não se preocupe. Vou fazer um missoshiru. Pode ser?
— Claro. O que você fizer está bom.
Orihime’s POV:
Esperei Ulquiorra-san entrar na cozinha para me mover até o banheiro.
Entrei e fechei a porta atrás de mim.
A primeira coisa que vi foi um espelho. Por que ele não me avisou que eu estava horrível?
Ri do meu rosto, coloquei a camisa preta de botões e a calça de moletom sobre o banquinho e comecei a retirar as roupas ensopadas e geladas; depois entrei no box e abri a torneira. A água que saiu, relaxou meu corpo imediatamente. O frio que eu estava sentido passou. Se eu pudesse, ficaria ali embaixo para sempre.
Depois de uns 20 minutos, desliguei a água e peguei a...
O-onde está a toalha?
Puxei a porta do box e olhei para todos os lugares onde uma toalha poderia estar, mas não achei nada.
“Só faltava isso acontecer! O que eu faço? Não posso sair nua do banheiro para pegar uma toalha no quarto dele, mas e se eu o chamar aqui? Bom, o pior que pode acontecer é ele me ver sem roupa e isso seria vergonhoso demais! Você não vai deixar isso acontecer né? Além do mais, é só você chama-lo e pedir uma toalha! Não precisa de tanto drama.”
Tirei o máximo de água que pude e fui até a porta, a qual abri só um pouquinho e o vi com a mão levantada para batê-la.
— Orihime-san? Vim te avisar que o... – bati a porta na cara dele! Será que ele me viu? Abri a porta novamente, bem pouquinho.
— M-me desculpe, Ulquiorra-san, não sabia que estava aí fora. Eu ia te chamar para pedir toalha, porque eu não encontrei uma.
— Ahm, eu é quem peço desculpas. As toalhas limpas estão dentro do armário atrás da porta.
— Obrigada. Me desculpe por ter fechado a porta no seu rosto. É que... que me assustei.
— Não se preocupe. Vou deixa-la sozinha para se secar, deve estar com frio. E, a sopa está pronta.
— Daijoubu.
Fechei a porta novamente, só que dessa vez, com mais delicadeza. Abri o armário, rindo, e peguei a coisa felpuda que começou toda essa confusão.
–-
Penteei os meus cabelos com o pente que achei, assim que me vesti. A calça e a camisa de manga longa têm o cheirinho dele, agradável e suave, e são tão confortáveis e macios.
Saí de lá e fui até a cozinha. Já fazia algum tempo que não entrava lá.
Assim que ele me viu, me dirigiu um pequeno... sorriso? Talvez eu tenha visto errado. Acho que nunca vi Ulquiorra-san sorrir. Sempre o vejo com uma expressão séria e um tanto tristonha. Conversamos um pouco e jantamos.
–-
Ulquiorra’s POV:
Assim que terminamos o jantar, Orihime-san me ajudou a lavar a louça, guardar o resto da sopa e limpar a mesa. Enquanto fui tomar banho, ela foi até a área da lavanderia para lavar e secar suas roupas. Quando voltei, perguntei se ela gostaria de assistir aos filmes na sala, já que não havia nada para fazer, por causa da chuva.
Ela gostou da ideia e concordou. Orihime-san me ajudou a empurrar o sofá e a tirar a mesinha de centro. Fomos até o meu quarto pegar dois futon para por lá. Eu peguei um e Orihime-san pegou o outro, mesmo eu insistindo que não precisava, e os levamos para sala. Ajeitamos os colchões, encostando-os no sofá, para servir de apoio para as costas.
Voltei para o quarto novamente, dessa vez, peguei travesseiros e cobertores. A chuva trouxe o frio de novo e, além do mais, Inoue-san ainda está tossindo um pouco, mas pelo menos sua temperatura já está normal.
Agora são 21:30 de um sábado a noite e a chuva não para de cair; isso já está ficando cansativo.
— Ulquiorra-kun?
— Ahn?
— Será que você pode mudar de canal? To ficando com medo.
— É que já está quase no final e eu queria terminar de ver – virei meu rosto em sua direção e a vi com parte do rosto escondido atrás da coberta e um olhar assustado – ah, o que você quer assistir?
— Po-pode terminar de assistir. Vou ficar deitada, quietinha debaixo da coberta, assim não vou precisar ver os bakemonos matarem mais ninguém.
Suspirei. Ela é mesmo uma garota complicada.
Passou 5 minutos e o filme de terror estava quase terminando quando de repente, vi pela janela, o brilho muito forte de um raio; meio segundo depois, o som ecoante de um trovão me distraiu da televisão e Inoue-san saiu debaixo da coberta para pular no meu colo.
Fiquei imóvel por causa do susto, mas não pude deixar de sentir o cheiro que vinha dela, seu corpo tão perto do meu, seus braços envolvendo meu pescoço num abraço, a respiração rápida e quente me provocando arrepios. Por um instante, tive vontade de abraça-la, de afagar seus cabelos, dizer que está tudo bem e que não há motivos para gritar, de olhar em seus olhos e transmitir a afeição que sinto por ela.
Orihime’s POV:
Já estava quase dormindo, mesmo ouvindo gritos histéricos de pessoas, quando um trovão muito alto soou. Senti o chão estremecer com o barulho. Para mim, o susto foi tão grande, que saí debaixo do mofu e abracei Ulquiorra-kun para me acalmar um pouco. Mesmo sem querer, um grito escapou de minha garganta, mas pelo menos consegui abafar ao esconder meu rosto no espaço entre seu pescoço e ombro.
“As coisas não podem ficar piores”, pensei.
Na verdade elas podem: o brilho da televisão desapareceu, deixando-nos no escuro.
Eu não conseguia fazer meus braços largarem Ulquiorra-kun; do jeito que está, está muito bom. Sinto-me tão protegida e segura perto dele...
Eu não tinha percebido até então, talvez pelo susto, mas eu estou sentada no colo dele, abraçando-o de um jeito que não deveria.
Tentei me afastar dele, por vergonha, mas enquanto fazia isso, senti um aroma agradável; é, com certeza, o mesmo cheiro que está nas roupas que estou vestindo. Quando meu rosto ficou de frente para ele, apenas senti sua respiração lenta e suave. Ele ainda não disse nenhuma palavra e nem se mexeu.
Meu coração está batendo em um ritmo muito acelerado, como se ele estivesse a ponto de criar asas e sair voando do meu peito.
Mesmo estando escuro, pude ver algo se mexendo bem a minha frente, talvez Ulquiorra-kun tenha voltado ao normal e queira entender porque eu ainda estou sentada sobre suas pernas.
De repente, senti algo tocar levemente minha coxa por cima da calça, provocando-me um arrepio, alguns segundos depois, algo me tocou novamente, só que dessa vez foi em meu braço, levantando a manga um pouco para cima; o toque foi subindo lentamente até chegar ao meu rosto. Estremeci.
— Ulqu... – estava prestes a dizer algo, mas fui impedida por um dedo em meus lábios.
— Shh... – uma corrente elétrica passou pelo meu corpo quando escutei esse “shh” em meu ouvido.
— Ah...
Duas mãos seguraram meu rosto, cada uma de um lado, e me fizeram inclinar um pouco para frente; como eu achei que ia cair, coloquei minhas mãos em seu ombro. Um pouco antes de sentir a pele macia dos lábios quentes se tocarem aos meus, pela primeira vez em toda minha vida, senti seu nariz tocar o meu delicadamente, como em um beijo de esquimós.
Não fazia ideia de quanto eu o desejava.
Quando nossas bocas se tocaram, meu coração acelerou mais ainda, senti que nada mais tinha importância, os raios e trovões não iriam estragar o meu momento de alegria e paixão. Nossos corpos se juntaram mais ainda, tentando retirar o máximo do espaço entre nós, meus braços contornaram seu pescoço e se uniram em um novo abraço, nossas bocas se abriram para que as línguas pudessem se encontrar e finalmente se conhecerem de um jeito que nunca acontecera.
É assim que as pessoas se sentem quando beijam alguém que ama pela primeira vez?
Ulquiorra’s POV:
Ficamos nessa troca de salivas por um longo tempo.
Eu não sabia que o meu desejo por ela era algo tão intenso ou em proporções tão grandes.
O jeito que ela me abraça, tocando meus ombros, acariciando minhas costas... o modo lascivo que nossa línguas se tocam e se debatem... a fragrância que ela emana, me deixa tão alterado quanto a presença de um vinho raro, antigo e perfeito para um degustador.
Tivemos que nos separar por causa da falta de ar, mas nem mesmo assim deixei de continuar tocando-a. Neste momento, o que eu mais queria era explorar e conhecer todas as partes de seu corpo delgado e delicado. Continuei tocando meus lábios em seu pescoço, depositando beijos suaves e algumas mordidas de leve; subi até alcançar o lóbulo da orelha, onde mordisquei e senti que ela se arrepiou; não pude deixar de repuxar um pouco o canto da boca para cima em um pequeno sorriso, afinal, eu estava lhe proporcionando algo agradável. É isso o que importa.
Voltei a colar minha boca na dela, num ósculo ardente e impetuoso. Desci as mãos até sua cintura, puxando a camisa para cima para que sua pele ficasse exposta e eu pudesse acariciar o novo local. Orihime soltou um pequeno gemido quando interrompeu nosso beijo para recuperar o fôlego.
De repente, ela se movimentou sobre mim, saindo de minhas pernas e se sentando no futon. Não pude ver o que aconteceu muito bem, mas quando um relâmpago iluminou a sala brevemente, pude vê-la com a cabeça abaixada, com uma das mãos sobre a boca.
Me aproximei dela, peguei seus pulsos e coloquei-os sobre meus ombros e, lentamente, fui descendo seu corpo até que ela estivesse completamente deitada.
Um novo relâmpago iluminou a sala escura, foi assim que pude ver onde estavam os botões. Toquei em um deles, que estava fechado, ela não tentou me impedir de nada, então comecei a desabotoar minha camisa. Puxei o tecido para o lado, revelando a tez quente e macia sobre minhas mãos.
Não pude enxergar muitas coisas, mas o que meus dedos sentiram... não é algo que se descreve, é apenas tocando para saber qual é a sensação.
Coloquei meu corpo sobre o dela tomando cuidado para que ela não sentisse o meu peso e beijei seu pescoço, mordiscando algumas partes, percorrendo a língua e explorando todas as regiões possíveis.
Orihime-chan se estremecia a cada toque, soltando alguns gemidos e alterando um pouco sua respiração. Fui descendo minha boca até sentir uma área mais alta em meus lábios.
— Ulqui...orra-kun... – disse ela com a voz tremida, me afastei um pouco e ela contraiu os ombros, puxou um pouco a camisa e pôs os braços sobre o busto, tampando-o.
Me levantei e fiquei sentado ao seu lado. Por um breve instante, pude vislumbrar seu rosto: ele está mais vermelho que um tomate. “Será que ela é virgem e tem vergonha de mostrar os seu corpo para mim?”, pensei “Talvez eu esteja indo rápido demais.”
Orihime’s POV:
Ulquiorra-kun fez uma trilha de beijos em direção aos meus... meus seios. Eu quero deixa-lo continuar me tocando, mas eu tenho muita vergonha e eu também estou com um pouco de medo do que pode acontecer.
Um sibilo escapou e um arrepio me percorreu quando senti seu toque, porém, impedi-o de continuar, puxando um pouco a camisa para me cobrir e colocando meus braços sobre mim – Ulqui...orra-kun – “O que eu faço? Eu o deixo continuar? Eu quero que isso continue? Não posso dizer que não quero fazer isso, porque é mentira e eu também não quero magoa-lo. O que tá me deixando confusa é o medo, porque eu nunca fiz isso com ninguém. Nunca.”
Por um tempo, ficamos sem fazer nada e ele se sentou do meu lado. Fiquei pensando no que fazer.
— Ulquiorra-kun? – chamei-o enquanto me levantava e sentava de frente para ele – E-eu qu-quero c-continuar – minha voz saiu muito tremida e aguda por causa da minha timidez, perto dele – É que eu nunca fiz isso antes e tenho medo de fazer alguma coisa errada, de não ser bom nem para mim nem para você e da d-dor.
O que ele fez, me assustou um pouco. Nunca pensei que ele fosse me abraçar e depois sussurrou em meu ouvido, com a voz linda e sedutora, que me deixa fora de mim.
— Não se preocupe com nada disso. É normal. Não vou mentir, dizendo que você não vai sentir dor ou que não vai ser um tanto desconfortável, mas é apenas questão de prática – ele se afastou de mim um pouco e suspirou – Agora eu pergunto, tem certeza de que quer continuar? Quer que eu seja o primeiro?
— S-sim, eu quero – “Você pode ser o primeiro e o único, se quiser”, pensei. Eu me senti um pouco mais calma por ter conversado com ele antes.
Sua mão tocou meu rosto; o polegar e o indicador acariciando minha bochecha quente e rubra. Fechei os olhos para aproveitar o toque e seus lábios tocaram os meus levemente. Fiquei com um biquinho, que ele não viu, quando nos separamos e se afastou um pouco mais para retirar sua camisa. Sua boca foi trilhando um caminho de beijinhos até o pescoço, me deixando ainda mais arrepiada. Depois desceu as mãos para a camisa, já desabotoada, que estou vestindo, abriu-a um pouco mais e começou a retira-la. Ele pegou meus braços, um de cada vez e puxou as mangas, despindo a parte de cima do meu corpo.
Fiquei com muita vergonha quando ele fez isso. Tive vontade de me esconder debaixo da coberta; eu nunca tinha ficado seminua na frente de ninguém, só do médico, que era mulher. Quando fui tentar me cobrir com as mãos, ele foi mais rápido: me deitou no futon, ficando sobre mim e segurando minha cintura.
Senti sua língua passear pelo meu seio esquerdo; isso me fez perder o fôlego e soltar um gemido involuntário. As mãos de Ulquiorra-kun subiam e desciam, acariciando minha barriga ou a região mais acima.
— Hum...ah... U-ul-qui-orra-kun... – meu rosto deveria estar vermelho que um pimentão. As palavras que saíam de minha boca, me deixaram com mais vergonha ainda.
Ele continuou a lamber, beijar, a chupar o meu mamilo, que a essa hora já estava rijo, e massageando o outro seio; às vezes ele alterava os lados e os movimentos, me deixando fora de mim.
Notei, não sei como, que a chuva que caía do lado de fora, estava mais fraca, mas mesmo assim, a luz ainda não tinha voltado e alguns raios e trovões iluminavam o breu em que nós estamos.
De repente, sua boca foi descendo para a minha barriga até chegar ao moletom. Ele já não está mais deitado sobre mim, agora, ele está sentado no espaço entre minhas pernas, tirando a última peça de roupa que eu estou vestindo.
Assim que fiquei completamente nua, um calor começou a me percorrer, desde as unhas do pé, até o último fio de cabelo da minha cabeça.
Cada vez que ele toca em minha perna, apertando a coxa, alisando-a levemente, me provocando arrepios involuntários... parece que eu vou entrar em combustão a qualquer instante. Seus dedos me acariciando, me aquecendo e me explorando estão me deixando quase sem ar. Nunca pensei que algo tão prazeroso pudesse existir.
As mãos foram substituídas pela boca, e que boca. Os beijos distribuídos ao longo da coxa, me fazem gemer. Tive que, várias vezes, tampar minha boca para que os ruídos não saíssem tão altos; o silvo mais alto saiu quando ele deu um último beijo na minha virilha.
— Ah... ahn... Ka-kami-sama...
Contrai um pouco as pernas, para fecha-las, sem sucesso. Ele as segurou para que continuasse a fazer o que queria.
Senti algo quente e molhado percorrer minha intimidade, dando uma sensação tão prazerosa que me fez jogar a cabeça um pouco para cima e revirar os olhos. Ele começou lambendo aquele lugarzinho lentamente, mas aos poucos, a velocidade foi aumentando, até chegar ao ponto em que pude sentir uma “dentadinha”; isso fez um grito, abafado pelas minhas mãos, sair pela minha boca.
Eu já estou no meu limite, mais um pouquinho e acho que eu chego ao... ao...orgasmo. É tão estranho pensar nessa palavra. Alguns segundos depois, senti meus músculos se contraírem para em seguida relaxarem, e um líquido quente sair do meu interior, deixando-me com o corpo mole.
Ulquiorra’s POV:
Suas pernas, que antes lutavam contra minhas mãos para se fecharem, perderam as forças e se esticaram, nesse mesmo instante, pude distinguir um novo sabor em minha boca: ela chegou ao seu máximo. Será que Orihime-chan está preparada para o que vou fazer?
— Orihime-chan? – chamei-a – ainda quer que eu continue?
Ela demorou um pouco para responder. Estava ofegante e respirando de modo irregular.
— Si-sim.
— Pode ser que agora, as coisas fiquem desconfortáveis para você. Quero que me avise se estiver doendo ou te machucando.
— Hai.
Umedeci sua entrada, viscosa devido ao gozo; afastei minha boca daquela região a lambi o indicador.
— Está pronta?
— A-acho que sim.
Inseri o dedo lentamente. Ouvi sons de gemido serem abafados. Nessa hora, queria que a luz voltasse, assim eu poderia enxergar o rosto dela. Deixei o dedo estático para que ela se acostumasse e perguntei se tinha machucado. Ela disse que estava tudo bem e que eu poderia me mexer dentro dela.
Fiz alguns movimentos de vai e vem devagar, mas não indo muito fundo. Depois de alguns minutos, o lugar apertado ficou um pouco menos tensionado e retirei o indicador. Umedeci outro dedo, mas coloquei apenas um deles dentro dela, um pouco mais fundo dessa vez e depois o dedo mediano entrou. Novamente deixei-a se acostumar e esperei ela dar um sinal para que eu pudesse me movimentar.
“Orihime-chan está muito calada”, pensei. “Será que ela não está desconfortável? Será que está gostando?”
De repente um estalo veio na minha cabeça. “Como eu pude esquecer?”
Orihime’s POV:
Ulquiorra-kun retirou seus dedos de dentro de mim. Um suspiro escapou pela minha boca. Eu não queria dizer que isso estava estranho e um pouco desconfortável porque, se eu dissesse, ele iria parar.
Não sei aonde ele foi, nesse escuro, será que foi beber um pouco de água ou será que desistiu de mim?
Chacoalhei a cabeça para afastar os pensamentos e o vi andando em minha direção, com o clarão do relâmpago. Que visão linda, foi essa: Ulquiorra-kun sem camisa, mostrando uma barriga lisa e reta usando apenas uma calça moletom escura.
Ele se aproximou de mim e beijou os meus lábios enquanto suas mãos retiravam algo da embalagem, um preservativo, é claro. Nos afastamos e ele perguntou se eu estava preparada. Fiz que sim com a cabeça, mas ele não enxergou então tive que dizer um “Sim”, que saiu todo tremido.
Em seguida, senti dedos deslizando em meu braço, descendo para a minha barriga até chegar em minhas pernas, onde ele fez carinho. Deve ter se posicionado de frente para mim, porque senti algo quente e grosso me invadir lentamente.
Nunca senti uma dor tão grande como essa, minhas mãos se agarraram no colchão, no travesseiro, em tudo que estava ao meu alcance. Gritos altos saíram de minha boca, mordi os lábios para não deixa-los escapar novamente, mas mesmo assim, não consegui controlar os ruídos abafados de dor. Uma lágrima solitária escorreu em meu rosto. Ouvi um “me desculpe”, queria dizer que está tudo bem, mas se eu fizesse isso, um gemido de dor sairia em resposta. Quando a luz voltar, tenho certeza que verei uma mancha no futon. A marca de que não sou mais “virgem”.
Ele não se mexeu por um longo tempo, ficou esperando eu dar algum sinal para que ele pudesse se movimentar. Eu não queria fazer isso. Se já está dolorido sem ele se mexer, imagina quando ele começar a dar as investidas. Mas mesmo assim, levantei um dos braços, tremendo, e tateei até tocar em seu rosto, meio inclinado para baixo, como se estivesse esperando por isso. Ergui um pouco o meu tronco, tentando ignorar o incômodo, e beijei seus lábios.
Ulquiorra’s POV:
Corri até o quarto, no escuro, tomando cuidado para não bater nas paredes. Lá dentro, fui até o criado-mudo do lado da cama, abri a gaveta e tateei até encontrar o que queria.
Voltei para a sala, um raio iluminou o corredor e pude andar com mais facilidade. Com o brilho, pude enxergar seu corpo com mais nitidez. Orihime-chan é uma garota linda mesmo.
Me aproximei dela e procurei seus lábios para depositar um beijo simples. Abri a embalagem que estava em minhas mãos e retirei minha calça para poder colocar o preservativo. Perguntei se estava pronta e ela me respondeu um “sim”. Balancei a cabeça negativamente, mas mesmo assim continuei em frente.
Fui engatinhando até o espaço entre suas pernas, as quais nem precisei abrir para poder me posicionar. Nesse meio tempo, fui deslizando minha mão desde o braço até chegar a uma das coxas. Segurei-as e fiz carinho nelas, com um suspiro, “entrei” em seu orifício vagarosamente.
Tive vontade de desistir quando ouvi um grito, que logo foi abafado, sair dela. Sussurrei um “me desculpe” e fiquei com o tronco inclinado um pouco para frente, de cabeça abaixada.
Por longos minutos, ficamos naquela posição, até que senti os dedos dela tocarem o meu rosto. Talvez não estivesse tão dolorido assim, porque ela se levantou um pouco e me beijou na boca. Depois também disse que eu já posso me mexer.
Ela voltou a se deitar e cruzou as pernas em torno do meu quadril, me puxando para frente. Me inclinei um pouco mais sobre seu corpo e apoiei as mãos no colchão. Pude sentir que sua respiração fica instável cada vez que eu me movimento.
Aos poucos, gemidos roucos e baixos começam a sair, me deixando preocupado porque não sei se ela está gostando ou se está gemendo de dor. Continuei me movimentando, mas comecei a distribuir beijos nos lugares que minha boca alcança, como em seus seios e no pescoço. Quando fui beijar seu rosto, senti algo molhado e salgado tocar meus lábios. Parei de me mexer, saí de cima do seu corpo quente e retirei o meu membro de dentro dela.
Senti-me como um monstro corrompendo uma garota pura e doce.
Fiquei sentado de lado, sem coragem de encara-la e cobri meu rosto com as duas mãos.
— Ulquiorra-kun? Você está bem? – disse ela, depois de alguns minutos, se sentando do meu lado.
Não consegui respondê-la.
— O que aconteceu? – perguntou ela, me envolvendo em um abraço.
Inspirei o ar, contei até três, mentalmente, e soltei com pesar.
Orihime’s POV:
O que aconteceu com você? Por que está me ignorando?
— Ulquiorra-kun? O que foi? – perguntei de novo e, mais uma vez, fui ignorada. Fiz um bico e comecei a falar sem me importar com o que ele fosse responder, se responder – Já que você vai ficar quieto, não vai se importar se eu fizer isso né?
Fiquei de joelhos na frente dele e fui tateando minhas mãos em seu corpo. “Ulquiorra-kun... você me fez sentir tão bem... preciso te dar algo em troca também”.
Passei minhas mãos em seus braços, sentindo seus músculos, não tão definidos, mas bem firmes; o peito se arrepiar ao sentir meu toque; “Agora é a minha vez de fazê-lo se arrepiar”, pensei enquanto beijo seu peito nu e acarco minhas unhas na barriga lisa e rígida, fazendo-o tremer e arfar um pouco...
Meu rosto começou a se aquecer novamente, principalmente, quando desci minhas mãos para perto de sua intimidade.
— O que você está fazendo? – ignorei a voz dele e toquei em seu membro, já enrijecido e ereto. Mais um motivo para eu continuar a tocá-lo.
Mas meus dedos mal o tocaram e senti suas mãos segurarem os meus pulsos firmemente.
— O que você está fazendo? – perguntou ele novamente.
— Apenas retribuindo – disse com a voz mais suave que consegui e tentei me soltar para voltar a fazer o que queria.
— Pare com isso. Eu não mereço receber nada de você. Lágrimas escorreram de seus olhos e...
— Pare com isso você! – minha voz saiu alta e furiosa – como você tem coragem de me dizer essas palavras? Você me avisou que a primeira vez seria desconfortável, então não é sua culpa eu ter chorado um pouco!
— Eu não queria te machucar... Me desculpe... – a voz dele saiu baixa e... diferente, como se estivesse se segurando para não demonstrar os sentimentos.
— Você não me machucou, pode acreditar e se você quiser mesmo se desculpar, me deixe continuar a fazer o que foi interrompido.
— Eu...
— Por favor, Ulqui-kun?
Ele relutou um pouco, mas soltou meus pulsos gentilmente.
Nos ajeitamos e deitamos no futon. Dessa vez, eu fiquei sobre ele: comecei com um beijo normal, um simples toque de lábios, mas logo nos aprofundamos e nossas línguas começaram a brincar uma com a outra, de modo lascivo e provocante. Tive que me afastar um pouco para recuperar o ar e ele continuou beijando e mordendo minha orelha. Uma corrente elétrica passou pelo meu corpo.
Com a respiração normalizada, guiei minha boca até o seu pescoço, onde distribui beijos e alguns chupões, mas nada que deixasse marca no dia seguinte. Fui descendo cada vez mais, passando a língua e sentindo os mamilos enrijecerem, o peito subindo e descendo de forma descompassada e, às vezes, ouvindo alguns grunhidos escaparem de sua garganta.
Minhas unhas tocaram a pele quente da barriga levemente, outras vezes arranhando um pouco mais forte, apenas para sentir seu corpo, abaixo de mim, estremecer.
Saí de cima dele e fiquei de pé. Puxei seu braço, convidando-o a se levantar também. Tentei nos guiar no escuro e logo senti o que estava procurando: o braço do sofá.
Pedi para que ele se sentasse e, assim que fez isso, me ajoelhei em sua frente, abrindo suas coxas. Tateei até sentir um membro rígido, grosso e bastante excitado, Ulqui-kun arfou quando toquei em sua intimidade e retirei o preservativo.
Não sabia muito bem como fazer, mas o “livro” que eu e Kuchiki-san lemos semana passada me ajudou um pouco a pensar e, acho que está na hora de pôr em prática o que aprendi.
Comecei massageando suas coxas, depois levei minhas mãos para os outros órgãos bastante próximos do dito cujo, mas ainda sem tocá-lo. Queria deixa-lo o mais estimulado possível antes de tocar no... antes de tocar naquele lugar.
Dessa vez, ao invés de tocar com as mãos, comecei a tocá-lo com a língua. Às vezes eu ouvia alguns gemidos, mas quando substituí os dedos pela língua, os arfares ficaram mais frequentes e mais altos, e olha que eu ainda nem toquei no principal.
“Qual é o próximo passo mesmo?”, pensei quando parei de tocar nas outras áreas. “Ah, sim”: encaixei o membro rígido em uma das mãos e comecei a fazer os movimentos de sobe e desce, de início, fui masturbando-o lentamente, mas logo aumentei a velocidade; quando seu pé me tocou, percebi que ele já estava quase lá, então parei; os sons foram contidos e um suspiro de decepção saiu dele, mas antes que ele pudesse dizer alguma coisa, desci minha boca em direção ao membro e lambi a pontinha, ouvindo um “ah!” escapar, depois o engolfei por inteiro de uma só vez e recomecei a fazer os mesmos movimentos.
Usei as mãos para dar apoio e ajudar na intensificação do prazer. Suguei sua ereção com um pouco mais de força e mais velocidade; Ulquiorra-kun nem se preocupou, mais, em conter os gritos, os gemidos e as palavras sem sentido, parece estar realmente gostando do que estou lhe propiciando.
Depois disso, não demorou muito para que ele chegasse ao ápice e eu pudesse sentir seu gosto em minha boca; engoli parte do líquido quente e continuei a esfregar seu sexo com as mãos e, mais uma vez, o fluído saiu, só que dessa vez, sujando minha barriga e meus seios.
Saí da posição desconfortável e me sentei no sofá. Fiquei ouvindo a respiração irregular e ofegante dele por alguns minutos, depois toquei em seu braço e puxei-o para que ficasse sentado do meu lado. Fui beijar sua boca, mas acabei acertando o nariz. Ri por causa do erro, mas depois toquei em seus lábios.
Dei um pulo no sofá, fazendo Ulquiorra-kun rir. A energia finalmente havia voltado, pois a televisão se ligou sozinha. O filme já tinha terminado e estava passando o jornal da madrugada. O repórter informou o horário, 01:47 e os estragos que a tempestade tinha causado na região. Nem vi quando a chuva parou de cair.
Virei a cabeça em sua direção e o vi nu. Não sei por quanto tempo eu fiquei admirando-o, mas um estalo veio na minha cabeça e lembrei que estava nua também. Por instinto tentei me cobrir com as mãos, mas um cobertor envolveu meus ombros, tampando meu corpo por inteiro. Sussurrei um “obrigada”, mas logo tirei o pano e me aninhei nos braços dele, cobrindo-nos em seguida.
Fiquei olhando para a televisão, sem prestar atenção no que estava passando. Bocejei uma vez e pisquei algumas vezes, o sono me vencendo.
Antes de dormir, escutei um “eu te amo” em meu ouvido. Sorri ao ouvir e disse em resposta:
— Também te amo, Ulqui-kun; também te amo...
Continua...
Notas finais
Essa foi a minha primeira tentativa de Hentai, talvez até a última, não sei.
Vamos ver se eu consigo postar o próximo capítulo logo
Beijos e até o próximo capítulo ^.^/
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