Shikashi, Watashi Wa...

17 Capítulo extra: Reencontro dos shinigamis


Notas iniciais
Esse é o último.
Nada como um extra para acabar com tudo.
Obrigada, muito obrigada a todos por me acompanharem até aqui.
Boa leitura.

Rukia correu pelo túnel com a borboleta infernal. Parecia que o final jamais chegaria, mas ela continuava a correr, já que mais tarde, o esforço valeria a pena...

–-

2:00 A.M. – Era o que o relógio marcava.

O lar vizinho estava bem romântico essa noite. Muitas músicas clássicas estavam sendo tocadas. O casal parecia não se importar se estava incomodando alguém, a essa hora. Estavam apenas apreciando a boa música americana da década de 50. Bons tempos aquele...

A casa dos Kurosaki estava em um silêncio total. Yuzu e Karin estavam em seus quartos, dormindo tranquilamente, afinal, o que elas fariam a esse horário?

O pai, Isshin, também dormia, sonhando que estava com a falecida esposa em um piquenique e os filhos em volta brincando; o sonho da família feliz.

Ichigo também dormia... que mentira! O ruivo acabara de voltar da rua por causa dos ataques de mais um hollow fraco que se achava o todo todo. Que saco!

— Tsc! Esse trabalho de shinigami daikou... Nem à noite eles me dão descanso! – reclamou ele antes de voltar ao seu corpo, que parecia dormir debaixo do lençol.

— Você reclama demais. Você aceitou esse trabalho, não se lembra?

O garoto olhou para trás e mal acreditou no eu seus olhos viram. Seria verdadeira a imagem da baixinha de cabelos negros, encostada na porta, o olhando com um sorriso misto de deboche e divertimento. Ou seria mais um daqueles sonhos? (melhor que não fosse um sonho)

— Vai ficar me olhando com essa cara mesmo? Eu não sou um animal de zoológico sabia disso? – falou ela, fazendo-o acordar do transe – Se esse era para ser o nosso reencontro, sinceramente – se posicionou atrás dele por shunpo, ficando costa a costa – estou decepcionada.

— Também senti sua falta, nanica – ele se virou e a abraçou pelas costas – pensei que tinha se cansado e se esquecido de mim.

— Ichigo... – ela fez uma vozinha toda derretida ao pronunciar o nome dele e se virou para olhá-lo – BAKAMONO! Eu disse que voltaria, não disse? Por que você ficou pensando essas coisas? – Rukia praticamente gritou, só não bateu nele porque suas mãos estavam mais ocupadas entrelaçadas na cintura do ruivo.

— Também não precisa berrar, eu não sou surdo. Eu só estava dizendo que senti sua falta. E você assustou o gato que estava no muro – disse ele rindo.

Rukia olhou para trás e viu um gatinho branco tentando subir de volta ao seu lugar no muro. — Ele vai ficar bem, mas e você? O quanto sentiu minha falta?

Ele sustentou o olhar dela e sorriu. — O suficiente para aqui ficar dolorido – e parou de abraçá-la para pôr uma das mãos sobre o peito esquerdo.

Ao mesmo tempo em que ele fez isso, uma nova música começou a tocar e “Love me Tender” invadiu o quarto.

A baixinha o puxou para mais perto de si, estreitando ainda mais seus braços em torno da cintura dele e começou a chorar. Ele ficou meio abobalhado, sem entender o porquê, mas afagou as costas dela e beijou o topo da cabeça.

Love me tender,

Love me sweet,

Never let me go.

You have made my life complete,

And I love you so.


— O que foi? Por que está chorando? – perguntou ele.

Ela apenas balançou a cabeça, limpando algumas lágrimas que escorriam pela face clara no shihakushou dele.

— Rukia, eu não posso fazer nada para te ajudar se você não me contar porque está chorando, disse tentando arrancar uma resposta dela.

Do lado de fora, a linda canção ainda tocava. Ichigo teve a ideia de “tentar dançar”, já que ele nunca havia dançado com ninguém antes, porque além de não gostar muito, não havia garota para ser seu par.

Love me tender,

Love me true,

All my dreams fulfilled.

For my darlin' I love you,

And I always will.

— Se eu pisar no seu pé, me perdoe – sussurrou ele e a movimentação começou.

Ichigo não sabia muito bem o que fazer, sabia apenas o básico dos básicos graças aos filmes com dança. Então ficaram apenas abraçadinhos, dando passos curtos e lentos, quase sem sair do lugar, ora para a direita, ora para a esquerda. Girou-a algumas vezes também. Rukia parou com o choro, mas às vezes soluçava um pouco; até que estava se divertindo, pois nunca tinha tido essa experiência.

Love me tender, love me long, take me to your heart. For it's there that I belong, and we'll never part – Rukia cantou um pouquinho, sussurrando, com a voz meio embargada pela emoção que a melodia lhe causou.

Love me tender, love me true, all my dreams fulfilled. For my darlin' I love you, and I always will – Ichigo completou em seu ouvido.

Love me tender, love me dear, tell me you are mine. I'll be yours through all the years, ‘till the end of time – cantaram juntos, em harmonia, um escorando o olhar do outro.

Aos poucos, os rostos foram se aproximando e a música também chegava ao seu final.

Love me tender,

Love me true,

All my dreams fulfilled.

For my darlin' I love you,

And I always will.

Quando ela terminou, Rukia abaixou a cabeça e a recostou no peito dele.

Mas não pararam de mexer os pés; a sensação era muito boa para ambos.

— Ichigo… você vai rir, eu sei, mas eu estava chorando porque... – ele pôs os dedos sobre os lábios dela.

— Shh. Se não quiser falar não precisa.

— Não tem problema. Eu chorei porque fiquei feliz com o nosso reencontro e... aquela música, Love me tender... ah, ela também me fez chorar. Fazia tanto tempo que eu não a ouvia... ela é tão... tão... – faltaram palavras para descrever as emoções que música lhe causou.

— Ela é bonita mesmo, concordo.

— Eu não diria apenas “bonita”, é mais que isso; ela é perfeita, eu não sei como dizer, mas parece que ela consegue traduzir tudo o que eu sinto por você. Meu coração é apenas e só seu.

— Assim, como o meu pertence a você.

Rukia parou de se remexer e Ichigo fez o mesmo. Ele a abraçou, puxando o ar para sentir o perfume que apenas ela possuía e que o deixava embriagado de paixão. Ela fez o mesmo e sentiu o cheiro marcante do shinigami, misturado com a loção pós-banho refrescante. Uma mistura que fazia seu coração bater loucamente.

O ruivo a soltou e olhou pela janela. A lua estava na fase crescente, parecia o sorriso do Gato de Cheshire. Ele acariciou a bochecha de pele macia e desceu até o queixo, puxando-o para cima.

Ela fitou os olhos dele e sorriu, fazendo-o curvar os lábios para cima.

Os rostos foram se aproximando novamente, vagarosamente.

— Ichigo... – sussurrou ela antes de ter seus lábios tomados pela ternura do outro.

O beijo foi tão calmo; nenhum dos dois estava a fim de algo mais, os lábios mexiam algumas vezes, mas sem forçar nada, apenas um sentindo o outro; e o tempo que durou foi bem curto. Mas antes de se separarem de vez, mais um longo selinho foi dado.

My darlin’ I love you – cantarolou ele.

And I always will – ela completou.

Notas finais
Ah, uma curiosidade.
Vocês preferem o Toushirou com a Karin ou com a Momo?
E a Nell? Com o Grimm ou com o Nnoitra?
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!