Shielded by Chaos (ou Blindados pelo Caos)
1 Capítulo 1 - O pior motorista possível
Sam descobre que foi "promovida". Freddie chega como novo motorista. Ódio imediato. Sofia e Nicholas observando o caos.
O dia começou como sempre.
Mesma rotina. Acordar cedo, tomar banho, passar perfume...
Quer dizer, não vou passar perfume nenhum. Não sei por que ainda me dão isso de presente. Quem foi o idiota que olhou pra mim e pensou: "Nossa, a Sam parece uma pessoa cheirosa."
Minha vida mudou bastante depois do iCarly. E quando digo "mudou", quero dizer que eu fracassei em praticamente todos os empregos possíveis.
Nem como babá eu consegui durar.
Descobri que crianças pequenas chorando por horas seguidas deveriam ser consideradas tortura psicológica.
Mas agora, milagrosamente, eu estava estável.
Um ano inteiro no mesmo emprego.
Antes dos trinta anos.
Basicamente uma vitória histórica.
Atualmente trabalho para uma estilista em ascensão chamada Sofia Carson. E sinceramente? Ela me assusta um pouco.
Quem usa aquelas roupas impecáveis dentro da própria empresa?
E por que ela fala tão calma e doce o tempo inteiro?
Parece até que ela nunca surtou na vida.
Mas preciso admitir: ela é uma ótima chefe.
Ama chegar cedo nos lugares, o que significa que eu posso correr bastante no trânsito. E desde que eu não bata o carro ou tome multas, ela praticamente considera isso um talento.
Peguei o bacon, sentei no sofá e liguei a televisão enquanto terminava o café da manhã.
Depois fui me vestir.
Cueca boxer. Porque até hoje eu odeio calcinhas.
Calça jeans escura, camiseta branca, jaqueta de couro preta e, obviamente, minhas botas.
A única coisa realmente linda na Sofia Carson são as botas dela.
Passei no armário, peguei as chaves, tranquei a casa e fui buscar o carro.
Sofia disse que eu podia perder a habilitação usando minha moto... ou morrer.
Então ela deixou eu usar o carro da empresa pros meus corres pessoais.
Eu disse pra ela que isso fazia dela uma chefe excelente.
Antes de sair, abri o porta-malas.
Conferi as armas.
Tudo certo.
Fechei, entrei no carro, ajustei o cinto, os retrovisores... e olhei o porta-luvas.
Meu bolo gorduroso ainda estava ali.
Perfeito.
Saí de casa cantando com o som no máximo.
Fiz uma manobra perfeita ao estacionar — com estilo, obviamente — e subi pelo elevador até a sala da Sofia.
Abri a porta sem bater.
- Bom dia, patroa.
- Sam...
Sofia estava vestida com um vestido azul-escuro com detalhes verdes igualmente escuros.
E uma bota.
Uma linda bota.
- Já falei que não precisa me chamar de patroa.
Ela respondeu calma, como sempre.
Sinceramente, começo a desconfiar que ela nasceu emocionalmente equilibrada.
- Vou chamar você do quê? Princesa Carson?
Ela riu baixo, elegante até rindo.
- Adorável. Mas a única conhecida como princesa aqui é você, princesa Puckett.
- Hahaha. Muito engraçado.
Cruzei os braços observando ela de costas.
- O que você tá fazendo aí?
- Amiga... você acha mesmo que eu esqueceria?
Ela terminou de ajeitar alguma coisa na mesa antes de se virar.
Na mão dela havia um bolo.
E pela aparência... um bolo extremamente gostoso.
- Parabéns pra você...
De repente, vários funcionários começaram a entrar na sala cantando e batendo palmas.
Meu Deus.
Meu pior pesadelo.
Atenção.
- Sofia... você lembrou.
- Claro que lembrei.
Ela sorriu daquele jeito tranquilo irritantemente bonito.
- Agora assopra as velas. Mas calma.
Antes que eu pudesse perguntar o motivo, ela pegou o celular e começou a tirar fotos minhas enquanto todos cantavam.
Traição.
Assoprei as velas sob humilhação pública.
- E o presente...
Ela pegou uma sacola enorme ao lado da mesa e esticou na minha direção.
Abri imediatamente.
Uma jaqueta de couro nova.
Linda.
Cara.
Perfeita.
E um salto.
Olhei pro salto.
Depois pra ela.
Depois pro salto de novo.
- A jaqueta é incrível, amiga... mas o salto?
- Sam, eu sei que você não gostou dele.
Ela cruzou os braços elegantemente.
- Mas vai precisar usar.
- KKKK como exatamente eu vou dirigir usando isso?
Sofia sorriu.
E quando Sofia Carson sorria daquele jeito calmo... normalmente significava problema.
- Justamente por isso.
Meu sorriso desapareceu lentamente.
- Você está sendo promovida.
Silêncio.
- Oi?
- Isso mesmo.
Ela apoiou as mãos na cintura.
- Preciso de alguém que pense fora da caixa como você. E estou te dando essa oportunidade.
- Sofia...
- Você será minha secretária pessoal.
Meu cérebro desligou por uns três segundos inteiros.
- Você tá me transformando numa mulher do Excel?
- Sim. Com um ótimo salário.
Ela falou sorrindo entre os dentes.
- Então não reclame. Receba os presentes sorrindo e agradecida... mesmo quando forem perfumes.
Apontei pro salto ainda indignada.
- Isso aqui é claramente perseguição.
- E tire o resto do dia de folga.
Depois das fotos constrangedoras, do bolo e da humilhação pública, continuei na sala dela tentando processar o fato de que minha função agora envolvia provavelmente planilhas.
Eu.
Sam Puckett.
A mulher que já foi proibida de entrar em três lanchonetes.
- Quem vai ser seu motorista?
Sofia continuava mexendo calmamente no tablet como se não tivesse acabado de destruir minha carreira automobilística.
- Sam, você já deveria estar descansando.
- Não. Preciso entrevistar meu substituto.
Ela ergueu os olhos lentamente.
- Você não vai entrevistar ninguém.
- Vou sim. E outra, amanhã minha irmã gêmea chega. Então queria deixar minha folga pro aniversário.
Sofia suspirou derrotada.
Vitória.
- Tudo bem. Mas eu realmente não sei quem a agência mandou.
- Como assim não sabe?
- Só disseram que ele é o melhor motorista disponível no momento. E que viria acompanhado de um segurança.
Me levantei imediatamente animada.
- Finalmente me ouviu! Sabia que uma hora você ia perceber que precisava de um motorista que fosse basicamente eu.
Sofia riu baixo.
- Sam...
- E um segurança também! Imagina: eu dirigindo enquanto ele atira nos inimigos pela janela.
Ela começou a rir de verdade agora.
- Isso só acontece em filmes.
Dei de ombros.
- Nunca se sabe.
Sofia apoiou o cotovelo na mesa observando meu surto animado.
- Então sua irmã vem pra comemorar os vinte e oito anos de vocês?
Meu sorriso diminuiu um pouco, mas continuei encostada na cadeira.
- Sim. Ela gosta dessas coisas de festa. E... agora a gente tá se dando bem.
Sofia sorriu discretamente.
Ela sabia que aquilo era importante.
- Então decidi fazer isso por ela. Ela quer ir num parque de diversões.
- Você? Num parque de diversões?
- Ei, eu consigo ser divertida sem colocar a vida de ninguém em risco.
Fiz uma pausa.
- Tecnicamente.
As duas riram.
O som de batidas na porta interrompeu o momento.
- Licença... — uma voz masculina falou do lado de fora.
- Pode entrar. — Sofia respondeu calmamente, colocando as mãos na cintura.
Me levantei automaticamente.
Não sei exatamente por quê.
Talvez instinto de sobrevivência.
A porta se abriu primeiro revelando um homem alto, elegante e absurdamente sério.
Nicholas.
Terno escuro impecável. Postura perfeita. Cara de quem provavelmente sabia desmontar uma arma em menos de trinta segundos.
Ah.
Então aquele era o segurança.
Gostei dele imediatamente.
Mas então outra pessoa entrou logo atrás.
E meu cérebro simplesmente travou.
Não.
Não.
Não mesmo.
- Freddie?
Freddie Benson parou na porta exatamente no mesmo instante.
Os olhos dele arregalaram.
- Sam?!
Silêncio.
Um silêncio extremamente desconfortável.
Sofia olhou de um para o outro lentamente.
Nicholas apenas observava tudo em silêncio, claramente percebendo que alguma tragédia emocional estava acontecendo.
Minha mente ficou completamente confusa.
Porque aquilo não fazia sentido.
De todos os motoristas de Nova York...
Por que tinha que ser ele?
Freddie passou a mão pela nuca, ainda me encarando em choque.
E sinceramente?
Continuava irritantemente bonito.
O que era um problema.
Um problema enorme.
Cruzei os braços imediatamente.
- Não.
Sofia piscou.
- Não... o quê?
- Não aceito isso.
Freddie franziu a testa.
- Ah, desculpa, eu também adoraria estar em qualquer outro lugar.
- ÓTIMO.
- ÓTIMO.
Nicholas desviou o olhar discreta
mente tentando não rir.
Sofia apenas respirou fundo.
- Acho que vocês já se conhecem.
- Infelizmente. — eu e Freddie respondemos juntos.
Pior.
Ele ainda sabia acompanhar meu timing.
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