Shi No Kage
1 Tsuki Miyuki
Notas iniciais
Obrigada pela visita e eu espero que você tenha uma boa leitura! ^~^
-Sorasan
Estava chovendo naquele dia. Na estrada, estavam sentados uma menina que apoiava sua cabeça no ombro de um senhor. Este deveria ser o seu pai, já que eram tão parecidos. Os dois estavam com apenas um guarda-chuva. Por mais que estivesse chovendo, o sol não deixou de estar radiante naquela manhã...
– Pai... O sol... O sol dói tanto! — A menina reclamava para o homem no qual se apoiava.
– O sol não dói filha, o que está dizendo, menina?
– Que ele não deixa eu admirá-lo, pois quando olho para ele, ele me retribui com dor nos olhos. Dói muito!
O homem não se conteve em seus risos mais vergonhosos.
– Por que você está olhando para ele? Ele não é para a gente ver.
– Que melancólico, pai! Então pra que serve o sol se ele brilha e eu não posso ver o seu brilho?
– Oras, ele serve para nos aquecer.
– Aquecer? Por quê?
– Porque este lugar é muito frio.
– Não acho, pois estou com calor!
– Claro! Por causa do sol!
– Então como você sabe que aqui é tão frio, pai?
O homem voltou a rir da menina.
– Filha... O espaço é frio, e estamos nele.
– Não, estamos na Terra!
– Sim, mas a Terra não possui calor para nós.
– Mas e o núcleo dela?
– Não serve para nós.
– Mas então por que ele existe?
– ...Não sei filha... Ninguém sabe. Pra que tanta curiosidade?
– Haha! Nada não, pai.
Os dois se calaram por alguns instantes. Não estavam cansados de conversar sozinhos. Ali não passava ninguém. Alguns minutos passaram-se para que a menina voltasse a azucrinar o pai.
– Pai... Por que o sol é mal?
– Ele não é mal, filha.
– Mas então por que ele machuca?
– ...Porque a natureza quis que fosse assim.
– Então a natureza é mais má ainda!
– Não mesmo! A natureza nos cedeu muitas coisas maravilhosas!
– Mas então porque nos cedeu a dor?
– Para aprendermos com a vida.
– Então a vida é a mais má da história.
– Talvez você esteja certa, menina.
O homem sorriu e colocou a mão sobre o cabelo da menina, acariciando-o.
– Pai... Onde está a mamãe agora? Estou sentindo falta dela, sabe?
– Sei, também estou sentindo. Ela está em um lugar melhor que nós.
– Onde fica esse lugar?
– Ao lado de Deus.
– Por que Deus nos roubou a mamãe?
– Haha! Ele não nos roubou a sua mãe! Ele está cuidando dela para nós.
– Por quê? Nós não poderíamos cuidar dela da mesma forma?
– Não... Deus disse à ela que ela estava sofrendo e à levou para a paz.
– Paz? Cúmplice do Deus?
– Do que está falando?
– Que a paz é tão ruim quanto Deus por levar a mamãe!
– Não! A paz é a tranquilidade que Deus viu que a sua mãe precisava!
– Ela não tinha paz conosco, pai?
– Não é que ela não tinha... Mas ao lado de Deus a paz é maior.
– E onde Deus mora?
– Não sei, filha.
– E como você acredita nele?
– Não sei... Eu apenas aprendi a acreditar.
– ...Pai, a mamãe vai voltar um dia?
– Não sei, minha filha... Não sei... Mas a culpa não foi de Deus e nem da paz!
– Então a culpa foi de quem?
– Deste mundo.
– O que o mundo fez para a mamãe?
– O mesmo que faz a todos nós. Ele nos mata lentamente.
– Que horrível!
A menina calou-se injuriada com o que obteve com a conversa com o seu pai. Seu nome era Tsuki Miyuki, e não houve ninguém que alguma vez já conseguiu descrever essa menina. Mas ela era especial... Para o seu pai, o único que restara para mantê-la feliz e segura. Necessitava se proteger, pois como não era normal, era comum que as pessoas estranhassem dela. E não apenas isso... Tsuki era capaz de sentir o que as pessoas sentiam. Ela era realmente especial para aquele que arriscou a sua vida para salvá-la naquela estrada. Aquela conversa fora a última que a menina tivera com quem mais amava nesse mundo, na realidade, a única pessoa.
– Filha, você é especial. Fuja de todos que tentarem te roubar o que você mais tem de precioso. O seu dom de ser boa.
– Pai! Não me deixe sozinha!
Aquele fora o último suspiro que o seu pai dera ali mesmo. A bala que surgira de um carro havia o matado lentamente, como ele disse que seria. E Miyuki estava ali estirada na estrada, molhada pela chuva, pelas lágrimas que não conseguira conter e pelo sangue de seu pai em sua mão.
Fale com o autor