Na frente de um computador, Shinta se encontra sentado, com uma folha na mão, na folha contém um esboço perfeito da garota que ele encontrou no beco. Shinta está pesquisando na internet sobre a Rua das Cerejeiras, ele tenta primeiro procurando como imagens, e encontra lindas fotos das belas cerejeiras da mesma, fotos de pessoas sorrindo, propaganda de lojas que se encontram na rua entre outras coisas. Então ele pesquisa por paginas da internet, mas ele não encontra nada de diferente, anúncios de lojas, pessoas comentando sobre as árvores da rua, e uma página do registro dela. Shinta começa a ler o registro da rua, ele encontra a abertura de varias lojas na rua, o custo de um terreno na rua é altíssimo, e então, bem no passado da rua, ele encontra um incidente onde uma casa que, por ter uma estrutura mal elaborada, acabou desmoronando, e os únicos envolvidos com o incidente fora uma família, pai, mãe e filho, que morreram soterrados, deixando apenas uma filha mais velha sozinha.

-SHINTA! – Grita Hina ao lado do garoto. – Daqui a pouco a biblioteca da escola fecha. Precisamos sair, estamos atrasados para voltar também, vai ficar tarde demais se você demorar mais.

Shinta se encontra branco, pálido como se tivesse visto um fantasma. O garoto fecha a página da Web e desliga o computador, então os dois pegam o caminho de volta para casa juntos, como de costume. Quando eles chegam perto da Rua das Cerejeiras, Shinta fica olhando em volta e, principalmente, para traz, mas ao entrar na rua, tudo fica normal, vivo e mais belo do que antes, parecia um ponto turístico, com pessoas tirando foto e sorrindo, Shinta fica espantado e olhando bem cada pessoa.

-Ichigo, aqui é sempre assim? Com esse tanto de pessoas andando e tirando fotos?

-Claro que sim, aqui é o ponto da cidade que mais chama atenção, por isso que eu passo sempre por aqui, eu gosto de ficar olhando as Cerejeiras que estão sempre floridas. Mas falando nisso, porque é que você desenhou aquela garota no seu caderno? Foi só aquilo que você fez em toda a aula?

Nesse momento, Shinta tropeça em alguma coisa e cai, quase que de boca no chão, ele levanta resmungando até notar que ele está sozinho, em algum lugar, pois tem uma nevoa tão densa que não dá para enxergar em volta, então ele encontra uma lanterna jogada no chão, onde ele tinha tropeçado, era a lanterna que ele tinha usado antes para tentar entrar no beco. O garoto liga a lanterna e começa a andar sem direção, ele simplesmente segue o caminho que estava fazendo, devagar e olhando em volta sempre, ele vai passo a passo, chegando perto de uma parede escura, ele consegue até tocar na parede, e continua seguindo um caminho próximo a parede, porém, chega uma parte que a parede acaba, e ele encontra um beco escuro e fundo. Nesse momento ele começa a escutar uma risada feminina, parece ser uma criança, mas ele ignora o beco, e continua andando até a outra parede, só que quando ele a alcança, ele se depara com um precipício, não tem calçada, apenas uma queda livre enorme e por causa da nevoa densa, não é possível ver nada além disso. O garoto, desesperado, volta para onde veio, só que não há nada ali também, apenas um precipício, igual ao do outro lado.

Assustado, o garoto olha para o beco, tentando enxergar alguma coisa, mas só escuta uma risada, Shinta fica tremendo, e suando frio, até que ele escuta seu nome ser chamado de dentro do beco, ele assusta e devagar vai andando para traz, em direção a rua, mas no final da calçada não há rua, ele está em uma “ilha” no meio do nada, apenas o beco para ele entrar.

-Shinta... Shinta... – Uma voz vem de dentro do beco.

O garoto fica cada vez mais assustado, e trêmulo. Ele começa a escutar passos vindos em sua direção, milhões de passos de uma vez que pareciam de um exercito vindo de dentro do beco, e a voz de uma garota chamando o para dentro do beco. Shinta então começa se aproximar do beco, devagar, com a lanterna apontada para dentro do beco escuro, ele fica branco como um papel, suando frio, ele se aproxima, e no momento que tudo começa a ficar escuro, que ele está dentro do beco.

-SHINTA! – Shinta acorda na rua, com uma multidão envolta tentando socorrê-lo. O garoto está nos braços da Ichigo, que está quase chorando com ele no colo.

-Hina?

-SHINTA! Tudo bem? O que aconteceu? Você não se machucou?

Shinta, sem entender nada, levanta e dá um abraço na Hina, cochichando em seu ouvido “ainda bem que você está aqui, agora vamos embora”. A garota não entende, mas continua o caminho de volta para casa, quieta, se dizer nada. Em certo ponto, quase no final da Rua das Cerejeiras, Shinta segura na mão de Hina, a garota cora um pouco e consegue soltar a primeira palavra depois de tanto silêncio.

- Shinta, você bateu a cabeça no chão e desmaiou, ficou muito tempo desacordado, eu fiquei muito assustada, acho que você deveria ir ao médico, ver pelo menos a sua cabeça se está tudo bem.

Shinta solta um sorriso meio que de lado, e responde que está tudo bem e que vai ver o médico sim. A garota sorri e fica olhando para o rosto de Shinta, e o garoto corresponde segurando a mão dela mais firme ainda, nesse momento, uma imagem da “Ilha” que o garoto estava preso, em frente ao beco, passa pela cabeça de Hina. Ichigo leva um susto, e abraça o braço de Shinta. Ele, não sabendo disso, pensa que ela só está abraçando por abraçar, e os dois continuam dessa maneira até chegar na casa do Shinta, pois Hina insiste para que ele não se esforce muito, eles se abraçam e se despedem, Shinta entra em sua casa, e Hina começa a voltar para a casa dela, então a garota começa a chorar.

Nesse momento, uma garota chega por traz de Hina, e fica olhando a menina, parada no meio da calçada, agachada, chorando. Hina se assusta com o vulto atrás dela.

- Que... Quem é você? – Uma menina, com o cabelo escorrido, com o rosto todo borrado de choro, com uma roupa rasgada e a pele toda machucada.

- Hi...Na... – Hina assusta ao escutar o nome dela.

- Como você sabe meu nome?

- Por que você está chorando?

- Shinta...

No momento que Hina termina de falar o nome do rapaz, a garota estranha pula em cima de Hina, tapando os olhos e a boca da menina.