Em uma pequena casa, bagunça. Um garoto corre para todos os lados, pois está atrasado para o primeiro dia de aula.

- Droga! Porque isso foi acontecer logo no primeiro dia? — Seu despertador estava quebrado e não tinha percebido.


Shinta Kuroda é um estudante do 1º ano do Colegial. Ele tem 1,64 metros de altura, o que não é muito baixo no padrão Japonês, tem um cumprido cabelo bem escuro, com uma franja, mas deixa o cabelo sempre amarrado, sem contar olhos profundos e vazios. Mas, embora seu rosto dificilmente mostre alguma expressão, o garoto é bem gentil e gosta de ajudar as pessoas às vezes, pena que quando as pessoas agradece a ajuda ele retribua com um sorriso um pouco macabro. Shinta é meio novo na cidade, tinha se mudado no começo das férias, no ano anterior.

Shinta está indo para a escola a pé, o dia está acinzentado, está bem frio, quase a ponto de nevar, o que é normal nesse período do ano, talvez seja esse o motivo para que ele esteja com uma blusa estranha. Nem tão estranha, na verdade é um quimono, mas só a parte de cima dele. Por baixo da blusa do quimono Shinta está usando a roupa da escola, mas essa não é nada muito estranha, uma calça social preta e uma camisa social branca.

Ele passando por uma rua deserta, quando não se sente muito bem, sente mais frio que o normal, e uma dor na garganta, como um grito que não quer sair. Então, ao passar em frente ao beco escuro, seu corpo trava, e ele sente um calafrio. O garoto olha para o lado, com medo, e então vê dois olhos brancos, brandos, quase apagando na escuridão.

- SHINTA! – Um grito de uma garota faz disparar o coração de Shinta. – Espere por mim, poxa!

- Hina! Você me assustou! Tome cuidado. – Shinta diz à sua amiga enquanto respira.


Hina Ichigo é uma amiga e vizinha de Shinta, eles se conheceram no dia que a família de Shinta se mudou, pois a família da garota se ofereceu para ajudar os pais de Shinta. Embora Shinta seja tímido, Hina era extrovertida e foi logo puxar um assunto com o garoto.

Hina corre a abraça Shinta por traz, dizendo: “Porque você não esperou? Eu passei na sua casa você tinha acabado de sair”. Shinta sorri e abraça sua amiga de volta, então ele olha novamente para o beco, mas ele não vê nada, nada além de escuridão. Hina é bem baixinha, com 1,52 metros a garota tem que olhar para cima para encarar Shinta, ela também era uma das únicas garotas que tem o cabelo maior que de Shinta, pois chega até a cintura, com uma franja reta mal se vê as sobrancelhas e tinha o rosto redondinho. Ela estava vestida com o uniforme de frio da escola, uma calça, parecida com a calça do Shinta, uma camisa de marinheira com detalhes em pretos e uma blusa de moletom. Dava para notar facilmente que Hina não tinha muito corpo, não tinha busto nem quadril, também não tinha um rosto de modelo, era uma garota simples, mas tinha uma linda voz e um jeito meigo de conversar, sempre bem animada, que fazia qualquer bom rapaz brisar.

Então Shinta e Hina vão até a escola juntos, conversando e sorrindo. O dia então se torna belo, o sol aparece, e fica mais quente, apesar de ainda fazer frio e os dois nem notam.


- Me... Meu nome é... Kuroda Shinta! Tenho 15 anos e gosto de Matemática, natação, Tênis e de ler Mangás. – Shinta se apresenta para a nova turma, com muita vergonha. Todos riem dele pela péssima apresentação, então a professora coloca ordem na sala novamente e continua sua aula.

Shinta passa a aula pensando nos olhos que viu no beco, e sente, às vezes, o calafrio novamente. No meio da tarde, quando estão todos saindo da escola, Hina está pronta para voltar para casa com Shinta, mas umas amigas a chamam para conversar e ir para casa de carro, então Shinta tem que voltar sozinho para casa.

A tarde escurece e o frio volta, o dia fica cinza e com muita nevoa, ao passar pela rua deserta, cujo nome é rua das cerejeiras (Sakura no Michi no japonês, pois Shinta olhou antes de entrar na rua). Então.

O Frio que sentiu antes retorna, ele fica com medo. Shinta estava quase perto do “beco” quando escutou um ruído de carro. O Carro atravessa a rua rapidamente, mas ao passar por Shinta, ele escuta uns passos. Seu coração dispara, o tempo parece ficar devagar, ele vê uma garota, descalça e mal vestida, com os cabelos escuros e compridos, que cobria o seu rosto. A garota correu para atravessar a rua, mas o carro quase a atropela, o motorista tenta desviar e acaba batendo em um poste.


- So... SOCORRO! – Shinta quase hesita em gritar.

O motorista está morto, ele bateu violentamente em seu para-brisa, estava sem cinto.


Shinta é levado para casa pela polícia, que explica o que aconteceu à mãe. Sua mãe, Akane Kuroda, conversa com o filho, então o deixa descansar em seu quarto. Shinta não está abalado, pelo contrario, ele fica pensando na menina que viu correr, aparentava ter por cerca de 10 a 12 anos, lembra-se também da Rua das Cerejeiras, que todas as casas estavam abandonadas, fechadas, ou quebradas e destruídas. E por incrível que pareça na rua não havia nenhuma árvore, muito menos uma Cerejeira.


De noite, Shinta, seus pais e sua irmã vão fazer compras, e na volta eles passam pela Sakura no Michi. Então Shinta escuta os passos da garota correndo e uma risadinha, que dá calafrios até na nuca. Shinta gruda em seus pais, e vai quieto pela rua.

Algumas horas depois, um motociclista, com a sua namorada, passa pela rua. Eles estavam conversando, quando passam pelo “beco”, o motociclista olha para o retrovisor, enquanto conversa com sua namorada, e se surpreende no lugar de sua namorada, está a garota, com os cabelos lisos, escuros e compridos. A menina está sorrindo e dando uma risadinha, então o motociclista para de se mexer, e perde o controle da moto, caindo com a mesma. Ao cair, a mulher consegue sair da garupa, mas o motociclista cai junto com a moto, e perde a sua perna, o homem vai parar no hospital, não aguenta e vem a falecer.


Na manhã seguinte, Shinta e Hina então indo para escola juntos.

- Qual é o nome do seu pai mesmo? – Pergunta Hina

- Kurosaki Kuroda.

- Ma... Mas não são dois sobrenomes?

- Pergunte ao meu avô, ainda não entendo o porquê disso. – Shinta e Hina estão conversando tão alegremente, que ele nem nota ao passar pela Sakura no Michi.


Mas ao terminar a rua, ele sente algo e olha para traz, e vê uma rua normal, movimentada, com suas casas belas e novas. A rua é quase toda enfeitada de lindas Cerejeiras, todas floridas, mesmo estando no inverno. Shinta acha estranho e olha novamente a placa da rua, e o nome é realmente “Sakura no Michi”.

- Hina. Você não acha estranho? Essa rua não estava assim ontem...

- Como assim?

- Veja Ichigo! As árvores estão floridas!

- Mas... Sempre estiveram. E não me chame pelo sobrenome! – Hina olha com uma cara estranha para o Shinta, como se ele estivesse louco, mas então ela sorri, e continua a conversa até a escola.

O dia é calmo, tranquilo demais para ser verdade, na escola, Shinta pensa direto na garota que viu, até é chamado sua atenção várias vezes, com “Mas mal começou as aulas e você fica relaxando” de seu professor.


Então na volta, Shinta compra uma lanterna, e decide entrar no “beco”. Ao chegar à rua das cerejeiras, nota que está tudo destruído, em ruínas, como tinha visto antes. Shinta respira fundo, segura um pouco, e solta devagar, então se aproxima do “beco”, porém, é surpreendido por uma figura baixinha.