- Ei... Ei garoto! Você está bem? – Gabriella está com Shinta deitado em seu colo. O garoto acorda e se assusta levantando rapidamente.

- Gabriella? O que eu... Eu não estava no hospital? Como eu vim parar aqui?

- Hospital? A minha professora foi buscar ajuda, mas não faz nem cinco minutos que você desmaiou. – Os dois ficam em silêncio, até Gabriella voltar a falar. – E como você sabe meu nome?

Shinta fica quieto e se levanta, enquanto Gabriella cora um pouco ao ver o rapaz de pé, então se levanta também, o garoto é menor que ela, mas ele tem uma postura firme. Shinta pede desculpas e agradece, ficando meio sem jeito ele entra no banheiro que estava ao lado deles, junto aos bebedores, enquanto a garota fica sem entender, então decide esperar ele para ver se ele estava bem.

De frente para o espelho do banheiro, Shinta lava seu rosto, enquanto um calafrio sobe em sua espinha, ele já sabe o que é, então olha para o espelho e vê Shi parada atrás dele. O garoto olha por cima do ombro e não vê ninguém, então ele volta a olhar para o espelho e olhando para a imagem da Shi no espelho ele diz bem fraquinho.

- Desisto, não aguento mais. Eu estou ficando louco. – Nisso Shi sorri e, ironicamente, responde.

- Calma, não se preocupe. Isso é só o começo.

Não resistindo, Shinta soca o espelho, mas nada acontece e então ele dá uma cabeçada na tentativa de quebrar aquele espelho e novamente sua tentativa frustrada, além de aparecer um corte em sua testa. Porém, quando ele olha novamente para o espelho, Shi não está mais lá, só que ele vê que Gabriella entrou desesperada no banheiro preocupada com o barulho que o soco e a cabeçada fizeram. Shinta se vira para ela, e com um sorrisinho fraco vai andando em direção à porta onde estava a garota. Quando ele fica de frente com a garota, meio que com um brilho nos olhos, Shinta abraça-a e diz baixinho em seu ouvido.

- Ainda bem que você está viva!

- Garoto! Você está passando bem? E como você sabe o meu nome?

No momento que Gabriella termina de falar, tudo fica escuro, Shinta não consegue enxergar nada em sua volta, ele sente seu corpo leve, como se estivesse na água. Então Shinta sente um cheiro de algo queimando e barulho de madeira se quebrando pelo fogo, nisso Shinta sai correndo em alguma direção e logo ele vê de cima, como se estivesse assistindo um filme, uma grande casa de madeira em chamas, ele para e fica olhando a casa queimar, até escutar uma criança falando ou gritando, então ele tenta ir correndo para dentro da casa, mas quando ele consegue abrir a porta em chamas e entrar na casa cheia de labaredas por todos os lados, ele encontra Kaori e Hideki carbonizados. Shinta para na frente do corpo da garota, se ajoelha e começa a chorar encima do corpo dela, junto ao choro ele diz com um pouco de raiva.

- Por quê? Por que ela teve que morrer desse jeito?

Uma luz então toma conta de todo o lugar, então Shinta novamente volta à consciência. Com o termino da pergunta da Gabriella já dentro do banheiro, de frente para Shinta.

- Hideki! – Shinta diz, em meio aos seus pensamentos, enquanto Gabriella olhava com uma cara de interrogação. – Ele pode me ajudar agora!

Mas foi só Shinta terminar a frase, e o sinal da escola bate dando inicio a última aula. Gabriella olha para os lados com medo de alguém vê-los ali, então diz ao Shinta onde fica sua sala e que se precisasse de ajuda era só chamar e, às pressas, sai correndo do banheiro. Shinta coloca a mão na cabeça, com um pouco de dor, mas depois de respirar fundo, toma seu caminho de volta para a sala de aula, só que no meio do caminho, andando meio cabisbaixo e pensativo, ainda com a mão na cabeça, ele encontra com a professora. Antes que ela pudesse perguntar se ele havia melhorado, a professora nota o corte na cabeça. Enquanto a professora diz coisas desesperadamente, Shinta consegue convencê-la que está bem e logo o professor da próxima e última aula passa ao lado deles, então Shinta agradece a professora e corre para a sala.

Ao entrar na sala, Shinta se torna o centro das atenções, pois ele havia simplesmente aparecido um belo corte na sua testa, o professor até pergunta se ele está ok e se não quer sair, mas Shinta agradece e diz para ele prosseguir com a aula. Depois de um tempo, no meio da aula, Shinta lembra que Hina queria falar algo com ele e ao meio dos pensamentos ele se perde no horário, só voltando a terra após o sinal bater.

Dessa vez, diferente de como de costume, Shinta vai até a sala da Ichigo, mas quando chega lá, a sala inteira já havia saído. O Garoto fica um pouco perdido, então decide ir até o portão onde sempre aguardava e no caminho, Hina e Shinta se encontram nos corredores já não tão movimentados da escola. Ao cruzar olhares com a pequena garota, por algum motive vem à mente de Shinta o beijo, então o garoto, um pouco corado, olha para baixo e para o lado, e pergunta o que Hina queria conversar. A garota sorri meio corada, pede para Shinta uma ajuda em matemática, pois ela estava com a nota baixa e se ele podia ajudar.

Shinta era bom em matemática, naturalmente, ele não precisava estudar muito para tirar uma nota boa, mas só em matemática, pois as outras matérias ele sempre tirava a nota média. Hina sabia da facilidade de Shinta com essa matéria, então, após ouvir o pedido, Shinta sorri e aceita ajudar, mas pergunta quando ela poderia. Os pais de Hina trabalhavam até às 19h a semana toda e a garota ficava sozinha em casa a tarde, então Hina pergunta se ele não podia ir hoje mesmo. Shinta fica um pouco espantado, ele olha para o relógio meio que coçando a nuca e em seguida sorri, afirmando que sim com a cabeça

A tímida conversa entre os dois é interrompida quando um funcionário da escola os avisa que a turma da tarde já está quase chegando. Shinta olha novamente no relógio, pois a primeira vez ele não tinha prestado atenção, já era tarde para os dois ficarem ali. Em seguida, os dois rumam à casa da garota, no caminho, Shinta fica perdido em pensamentos, imaginando o que da matéria Hina não entendeu e como iria explicar, enquanto Hina só observa o rosto de paisagem que Shinta fazia. Em certo momento, a garota encosta-se a Shinta e entrelaça seus dedos com os do rapaz, seguindo o resto do caminho assim. No começo Shinta cora um pouco, mas sorri e até que gosta de andar assim com a Hina.

Eles param na casa de Shinta para avisar a mãe dele e se trocar, só então que Shinta percebe que eles passaram pela Rua das Cerejeiras e nem notaram. A mãe de Shinta abre um sorriso bem grande e malicioso, soltando baixinho um “Hm. Safadinho.”. Shinta encara sua mãe, mas sai sem dizer nada, se juntando à Hina, que estava na porta e indo para a casa da mesma.

Shinta nunca tinha entrado no quarto de Hina, ele estava um pouco encabulado, era tudo tão arrumado perto do quarto dele, mas estava na cara que Hina amava Mangás, pois tinha coleções em prateleiras em toda parede. Shinta e Hina sentam na cama, colocando sua mochila ao seu lado, Hina pega a mão de Shinta e, olhando nos olhos do garoto, com uma voz meio fraca.

- Eu tenho uma duvida. – Hina diz, subindo no colo do rapaz e chegando com o rosto bem perto do rosto do rapaz. – Nós estamos namorando ou não?