Shi Hanzi - a Garota Morte
8 Ódio
Notas iniciais
espero que gostem, estive escrevendo este desde o ano passado.
A cena lembra uma filmagem em sépia, é uma casa de madeira antiga e bem bonita, mas não uma casa solitária, ao lado dela há várias outras casinhas de comércio, mas nenhuma chega a ser tão deslumbrante quanto essa casa de madeira. Na frente dessa casa há varias belas árvores de cerejeira cobertas de flores brancas caindo levemente.
Kaori é uma pequena garota, alegre e correndo, agitada para o primeiro dia de aula na nova e única escola fundada fazia pouco tempo na cidade, Hideki feliz pela sua irmã, tinha se formado no ensino médio na cidade de Tokyo, mas voltou para Kyoha para morar com a família, principalmente por causa de sua irmã, que estava doente na época.
Hideki parece um jovem normal, com o cabelo cortado formalmente, uma roupa social e uma boa postura, sem nada de corrente ou Piercings.
É um típico dia de inverno, sem neve, mas bem frio e, apesar do frio, bastante sol. A única coisa que parece neve são as flores brancas das cerejeiras, que cobriam quase toda a paisagem, caindo como neve.
- Hideki! Hideki! – Kaori grita correndo para os braços do irmão. – Quero que você me leve hoje para a escola.
Logo a imagem vai se apagando e, do sonho, Shinta lentamente acorda. Ele coça o cabelo e olha lentamente para os lados, até notar que não está em seu quarto, ele está no parquinho onde estava mais cedo, só que o dia está amarelado, como um pôr-do-sol, mas não tem sol, o amarelo parece ser de luz de velas, mas não há velas, só o amarelado, além de tudo a sua volta estar destruído e sem vida, as árvores estavam secas, as casas abandonadas, nem o chão estava isento da destruição.
Shinta esfrega os olhos como quem não acredita no que está vendo e na frente dele, ele vê Shi, parada, com a roupa toda rasgada e praticamente seminua. Atrás de Shi, um pouco distante, está o corpo de Hideki jogado no chão, todo ensangüentado, com algumas partes faltando e, encima dele está o corpo da Gabriella, só que o corpo dela está intacto, apesar de não parecer estar viva, pois sua pele está bem mais pálida que o normal, e seus olhos estão abertos, porém revirados para cima. Shinta se desespera com o que viu, colocando a mão na cabeça e gritando muito, mas seu grito não sai, como se o mundo tivesse mudo, a única coisa que ele consegue escutar são as batidas do seu coração ecoando em seu corpo. O garoto olha novamente para a Shi, que está mais perto ainda, então fecha os olhos, agachando com medo do que pode acontecer, mas Shi apenas coloca suas mãos nas do Shinta delicadamente, agachando também. Ele abre lentamente o olho e nota que ela está tentando beijá-lo, aproximando devagar seu rosto.
Então, a terra começa a tremer e uma rachadura no chão vai cortando o parque ao meio, indo em direção de Shinta, na hora que o garoto vê isso ele olha para a Shi de novo, mas ela está com uma cara muito estranha, parecia um defunto, então ele praticamente perde a consciência e sai correndo em direção ao caminho da casa dele. Ele corre até dobrar uma esquina, continua correndo, mas ao seu lado, tudo que já destruído, começa a ficar escuro, como uma noite chegando aceleradamente, mas de um jeito que é impossível enxergar o que está em volta. Shinta fica então, mais desesperado ainda, acelera mais a corrida, continua correndo, mesmo parecendo em vão, correndo da escuridão.
Shinta corre até o momento em que lembra que a sua irmã estava jogada no meio do parque, onde então, tenta voltar, correndo também. Uma dor consome o coração do Shinta, sua cabeça começa a doer e um vazio horrível aperta seu peito.
- GABRIELLA! – Grita o garoto correndo para dentro da mais densa escuridão, com lagrimas escorrendo seu rosto e o desespero em seu olhar
Correndo para dentro da escuridão, Shinta nota que não tem mais volta, todos os lados estão tomados pelo nada, nesse momento ele para e olha bem em sua volta, até que encontra uma pequena luz no horizonte, decide então correr em direção a ela. Shinta corre o máximo que pode, abaixa a cabeça fechando bem forte os olhos, que estavam molhados de lágrimas ainda e corre na direção dessa luz, mas quando ele está bem próximo, ele tropeça em uma lanterna, caindo para fora do beco, na Rua das Cerejeiras. Shinta dá uma olhada ao redor, notando que está tudo vivo, inclusive cheio de pessoas andando. As árvores de Cerejeiras estão quase nuas, mas continuam derrubando suas ultimas pétalas, fazendo parecer um fino tapete branco no chão, o dia está quase no final e o céu com um belo alaranjado do por do sol.
Shinta olha as pessoas andando, conversando e rindo ao seu redor, então se levanta tirando a poeira de sua roupa, fingindo que nada aconteceu, ele sai andando de volta para casa. O garoto começa a pensar que está delirando e que ainda nem voltou para casa da primeira vez que saiu. Chegando em casa, ele encontra seus pais, que chegaram praticamente juntos, seus pais tinham acabado de chegar, então Shinta sobe para seu quarto, mas antes entra no quarto da Gabriella para dar uma olhada e ver se ela está bem.
- Gabi? Você está be... – Shinta para de falar e cai ajoelhado no chão.
O quarto onde Gabriella dormia está vazio, tem apenas algumas caixas de mudança, que não tinham sido arrumadas ainda. Shinta, antes de entrar em desespero, desce correndo a escada e pergunta para sua mãe, que ainda está na cozinha guardando umas coisinhas.
- Mãe, onde está a Gabriella?
- Gabriella? Quem é essa, filho? Uma amiga?
- Não mãe! Gabriella, filha do papai com a Sandra!
- HEIN?! Como assim filho? Quem é essa Sandra?
O garoto sai correndo dizendo à mãe que já voltava para ela não vê-lo chorar, então pega sua chave de casa e sai, sem dizer mais nada. Ele corre, chorando, para a Sakura no Michi. Já é noite e a cidade está toda iluminada pelos postes e outras luzes da rua, inclusive a Rua das Cerejeiras que, apesar do horário, ainda estava bastante movimentada. Quando chega à rua, Shinta entra no Beco começa a gritar.
- Shi! Shi! Você está aqui? Apareça, por favor! – Nesse ponto ele não estava mais chorando nem correndo.
Shinta para de gritar, olha em volta, então fecha os olhos e diz bem baixinho.
- Kaori. Eu imploro que apareça.
Assim que Shinta diz isso, Shi aparece um pouco a sua frente, com um sorriso macabro e andando em sua direção, diz.
- Não gosto que me chame de Kaori. Diga, o que você quer de mim?
- Eu, eu... – Shinta fraqueja um pouco, então ele respira fundo e continua. – O que você fez com a minha irmã?
- EU? Eu não fiz nada... Sua irmã nunca existiu. – Quando Shi termina de dizer, Shinta pula em seu pescoço, derrubando-a no chão e, praticamente sem consciência, grita.
- POR QUÊ? Por que eu?
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