POV Scorpius

Estava extremamente difícil arranjar lugar para me sentar, ou as pessoas olhavam de lado para mim com desprezo e raiva, ou desviavam o olhar. Queria encontrar uma cabine vazia onde pudesse estar em paz, longe do mundo, infelizmente, Merlin devia estar contra mim porque não encontrei nenhuma. Ia dar meio volta, para regressar ao início da carruagem e procurar novamente, quando ouvi duas pessoas a discutir. Parecia-me um rapaz e uma rapariga, mas não dava para ter a certeza já que a segunda voz, a que pensava que seria um rapaz, falava demasiado baixo para poder perceber.

— ... Ninguém deve ser julgado pela casa em que está!

Uau, deve ser das únicas pessoas a pensar assim

—... Até parece que és obrigado a ser igual à tua família!

Ahahahah ela que diga isso ao meu avô, aposto que lhe dava uma coisinha má. O meu avô, Lucius Malfoy, é muito tradicionalista, quando o meu pai começou a estudar para ser medibruxo, praticamente nos deserdou porque era suposto ele continuar com o negócio de família que nem eu sabia muito bem qual era.

—... Tu és quem és, e a família a que pertences não vai mudar nada!

Bem, pode ser que eles me aceitem. Vamos lá Scorpius, não custa nada. 1, 2.... 3

— Posso sentar-me com vocês? — disse rápido para não me acobardar. Pelo menos tenho a certeza que Gryffindor não é para mim.

A rapariga, que agora vi que era Rose Granger-Weasley, estava em choque. Será que já se estava a preparar para me mandar embora? Se fosse, não foi a tempo porque o seu primo deixou-me entrar. Não se vê logo que sou um sortudo? Tanta gente que me odeia, e vim sentar-me com descendentes do trio de ouro. Vai ser uma viagem fantástica!!

P.O.V Albus

"Obrigada Albus por esta maravilhosa oportunidade de passar as próximas horas a parecer um tomate!"

Recebi este bilhete de uma ruiva muito enfurecida e tive de me controlar imenso para não me rir dos olhares ameaçadores que ela me lançava. Óbvio que eu sabia da paixão-não-tão-discreta dela pelo Scorpius, e ainda mais óbvio que queria ajudar neste aspeto, daí que o primeiro passo fosse juntá-los na mesma cabine. Felizmente nem precisei de me preocupar como é que havia de fazer isso já que Merlin está do meu lado e ajudou-me neste "encontro". Agora precisava de fazê-los conversar, mas ? Eu nem o conheço, como haveria de saber possíveis interesses em comum? Decidi arriscar, afinal ele estava parado a olhar para a paisagem como se estivesse sozinho, mal não ia fazer

— És o Scorpius Malfoy certo?

— Não me faças rir, Potter, ambos sabemos perfeitamente quem é o outro! – respondeu de forma agressiva

— Bem, só estava a tentar quebrar o gelo! – comentei, um pouco chateado com a grosseria dele.


Eu tentei, se ele não quis conversar comigo, o problema é dele. Aposto que deve se-

— FEIJOEZINHOS DE TODO OS SABORES! SAPOS DE CHOCOLATE! QUEM QUER COMPRAR?
O Malfoy parou a senhora e pediu-lhe um pouco de tudo. Ahahah já descobri um ponto em comum com a comilona da minha prima, ela é louca por doces, e a prova é que, não sei como, já tinha comprado as doçarias e começado a comer.

—Desculpa ter sido grosso, eu não estou habituado a que as pessoas tentem conversar comigo como se fosse uma pessoa normal – Ui, desta não estava à espera. Mas fico contente que ele não tenha problemas em reconhecer quando errou, pelo que os meus pais e tios me contaram, os Malfoys simplesmente não fazem isso. Pressinto que podemos vir a ser a amigos.

— PELAS CUECAS DE MERLIN! SE NÃO ÉS UMA PESSOA NORMAL, ENTÃO O QUE ÉS? UM INFERI DISFARÇADO? UM TROLL COM CAPACIDADES INTELECTUAIS? -tentei ironizar um pouco a situação, era claro que ele nunca teve amigos

— BERRA BAIXO ALBUS SEVERUS ESTOU A TENTAR LER AQUI – ui, fujam enquanto podem pessoal, temos um alerta vermelho: ruiva irritada. Repitoa vermelho, alerta vermelho

— E, por favor, assim vais assusta-lo! Rica primeira impressão – acrescentou a minha prima.

— Vocês são sempre assim? -perguntou Scorpius

— Assim como? – eu e Rose perguntamos ao mesmo tempo

— Oh, sei lá... assim... desinibidos, alegres

— Ah, acho que sim... É uma coisa natural entre a nossa família – respondi, mas reparei que ele ficou cabisbaixo, então mudei de assunto – Olha já viste a notícia que saiu na secção de Politicagia do F.U.M.O.?

— Oh não! Se vão falar disso, eu vou procurar outra cabine, eu já sei como és, nunca mais te calas começando! — afirmou Rose enquanto saía

F.U.M.O. é um acrónimo para o nome do jornal não oficial (e não corrupto) do nosso mundo, e acontece que a secção de política (politicagia) é um dos meus vícios, inclusive, eu até escrevo um ou dois artigos para lá às vezes sob as minhas iniciais (ASWP) para manter o anonimato. Adoro estar dentro destes assuntos, sei todas as regras e leis relacionadas com o Ministério e nunca me canso de manter atualizado. Planeio ser o Ministro da Magia, e tenho que estar bem preparado.

—Aquela que saiu sobre o facto de mudarem os critérios de seleção da Assembleia da Magia?

Ele pareceu deveras entusiasmado, talvez seja desta que arranje alguém com quem possa falar disto

— Sim, eu inclusive escrevi que ach-

— Pelas cuecas de Merlin, tu és o ASWP? – ele até se engasgou com a varinha de alcaçuz que estava a comer

— ahahah sim sou seu, não precisas de ficar assim!

— Eu leio sempre isso! Pelas cuecas de Merlin, como é que com 11 anos escreves assim? Há coisas que não concordo, quando tu disseste que...
E a conversa prolongou-se durante algum, apesar de o plano Scorose ter avançado pouco, ganhei, contra todas as probabilidades um bom amigo.

Estávamos quase a chegar a Hogwarts, estando na altura de trocar de roupa, portanto fui ter com a Rose, que já estava obviamente vestida pedir-lhe para não deixar Scorpius sozinho.

— Por favor, tentem não sentir muita falta minha enquanto vou trocar de roupa, já volto para vos animar – digo enquanto empurro Rose para a carruagem.- Rose, sabias que o pai do Scorpius é curandeiro?

Ela revirou-me os olhos, mas entrou, que era o que queria para poder aproximar aqueles dois. Plano Scorose a avançar.

Quando cheguei à nossa carruagem, Rose estava com os olhos a brilhar, a falar com Scorpius de forma energética sobre uma poção qualquer que Draco Malfoy tinha inventado e tinha revolucionado o mundo de medicina mágico. Apesar de admirar o feito dele, não era um assunto do qual era especialista, então limitei-me a entrar na carruagem e a sentar-me num canto. Sinceramente? Acho que nenhum dos dois pareceu reagir à minha presença, o que me deixou feliz.

A chegada a Hogwarts aconteceu exatamente da maneira que nos tinham contado mil vezes. Hagrid a chorar enquanto nos abraçava, um barco no lago, garantir que se viu a lula gigante (apesar de poder ter sido imaginação) e a nossa futura casa no horizonte. Comecei a ficar nervoso, cada vez estaria mais perto de "descobrir" a minha casa.

Neville, ou Professor Longbottom como deveríamos chamá-lo, cumprimentou os recém chegados e explicou o que se iria passar dentro de momentos: entraríamos pelo Salão, esperaríamos a nossa vez e enfim, descobriríamos a nossa casa.

—Al? — ouço Rose a chamar- onde estás?

— Estou aqui Ro! Estiveste este tempo todo com o doninha júnior, foi? – perguntei enquanto levava uma cotovelada

—Pára com isso Al!

—Qual é o problema disso Ro? Não precisas de ficar vermelha!

— Chiu vamos entrar!

Coitada da minha prima, era sem dúvida com quem me dava melhor e por isso adorava espicaça-la. Sabia que o Malfoy era um assunto demasiado sensível na nossa familía, mas adoraria que houvesse uma nova versão de Romeu e Julieta (sem as mortes estúpidas) entre eles.

Enquanto caminhávamos para o centro do Salão, eu e Rose admirávamos com atenção o ambiente à nossa volta. Era realmente um mundo mágico!

Depois de tantos nomes chamados, chegou a vez de Rose

—Granger-Weasley, Rose!

Ainda demorou algum tempo a ser chamada, e reconheci várias reações da minha prima que sinalizavam algo que ela não estava a gostar de ouvir, pergunto-me o que terá sido...

—RAVENCLAW!!!

Hmmm ok, surpreendente mas dentro do esperado, se é que faz sentido. Meu Merlin, isto são os nervos a falar

—Malfoy, Scorpius!

Desta vez foi um pouco mais rápido.

—SLYTHERIN!

OK, expectável. Espero que continuemos amigos

Passou algum tempo, em que já não estava a ouvir nada por estar a pensar na reações da minha família, principalmente do meu tio Ron caso calhasse noutra casa diferente da leonina. Foi nesse momento que levei uma cotovelada

—POTTER, ALBUS! JÁ TE CHAMEI 3 VEZES – ai ai começa bem

Subi calmamente as escadas em direção àquele bicho assustador (Ok, não era tão assustador assim). Sentei-me e comecei a tentar relaxar, tarefa que me pareceu extremamente árdua

Hmm sangue de Potter e de Weasley, ótima combinação de coragem! O teu irmão foi fácil, Gryffindor nato, mas tu meu menino, sinto coisas dentro de ti grandes, coisas ambiciosas que só uma casa te pode dar

Ai não, não quero ir para Slytherin por favor!

Meu rapaz, toda esta ambição dentro de ti não pode ser calada. Já cometi este erro com o teu pai, mas agora sei que te posso fazer grande, por isso....

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.