Shelter

1 Capítulo 1


Notas iniciais
Oii gente,
eu fiquei um pouco temorosa em posta essa fic, a ideia é maluca, surgiu quase do nada.
A fanfic é inspirada na musica Shelter do The Xx
link pra quem quiser ler ouvindo: http://www.youtube.com/watch?v=UfTfHTUUee4

“Querido diário,

Me lembre de nunca confiar no que minha mãe e meu pai falam, porque definitivamente eles não honram suas malditas promessas, lá vamos nós sair da cidade novamente. E o México é tão lindo, com ondas incríveis , mas claro eles não ligam para isso, tentei convencer em nos mudarmos para o Havaí, mas eles disseram que tinham compromisso na Inglaterra, coisa rápida. E quando tudo se acalmasse eu poderia escolher o próximo destino.

Não fiquei muito convencida, ainda assim, ou era aceitar, ou... Aceitar (eles me obrigariam de qual quer forma).

Enfim, nunca acredite nas promessas de Ellie Griffith e Joe Griffith.

Ass.: Kath Griffith”

Joguei meu surrado diário felpudo azul em cima da cama, os diários sempre foram uma forma de eu dizer tudo o que sentia ou pensava, mas claro que se eu tivesse uma amiga haveria uma forma melhor, e ainda por cima seria uma conselheira, e não, uma folha decorada me encarando cheia de garranchos sobre linhas e rabiscos mal feitos nas margens.

Meu nome é Katherine Clarissa Griffith, ainda na adolescência, já viajei mais que qual quer um, e sei falar (com um pouco de dificuldade) 4 línguas, isso se deve ao fato de meus pais viajarem tanto. Eles viajam e se mudam tanto, que ás vezes tenho a impressão que eles estão fugindo do inferno.

Eu nasci na Califórnia, deixar todo aquele paraíso com apenas sete anos foi horrível, logo quando eu estava descobrindo o quão era bom está em pé sobre uma prancha, deslizando graciosamente nas ondas, eu me sentia poderosa, quase celestial. Com sete anos foi quando tudo aconteceu, eu me lembro muito bem, era em um tornei de surf, eu estava arrasando com todos os candidatos, acabei sendo a finalista, junto com outros dois surfistas da minha idade; prestes a pegar a onda decisiva. Bryan, o garoto que eu estava afim, torcia pra mim, mesmo que o irmão gêmeo dele também estivesse na disputa. Meu pai acenava, e ás vezes dava uivos alegres como se estivesse na adolescência novamente, minha mãe tirava fotos e me olhava como se dissesse: ‘você pode tudo, você vai conseguir, não sabe como estou orgulhosa’. Peguei minha prancha lilás cheia de desenhos infantis de unicórnios, me lancei ao mar, com o sol batendo em meus cabelos cor de bronze fazendo-os parecerem vermelhos, minha boca estava seca com o gosto do sal, o vento caloroso batia em meu rosto juntamente com os respingos d’água, nada se comparava aquilo.

Em poucos minutos eu estava em uma onda relativamente boa, quando espiei meus pais, pude vê-los discutindo algo, eles estavam brigando deduzi, as famosas discursões no relacionamento.

Tinha ouvido falar de casamentos mal sucedidos, e como os pais brigavam dez vezes mais na separação para saber quem ficaria com a guarda do filho, isso se não se esqueciam dos filhos passavam o tempo discutindo quem foi o culpado das escolhas erradas. Eu me desequilibrei no final da onda, poucos metros da praia; bati minha testa contra uma pedra e desmaiei, quando acordei estava em uma cadeira de espera no aeroporto, com a testa latejando de dor preenchida com três pontos, e tendo a noticia de que iriamos para a Inglaterra. Passei semanas sem falar com meus pais por pura birra.

Acho que nunca me acostumei á escola, eu sempre fui á estranha que falava como se estivesse com farofa na boca. E aqui estou eu, a garota bronzeada amante do sol indo para uma cidade nublada como Londres.

“Kath” Ellie chamou na porta do meu quarto “está na hora” disse me olhando paciente como se esperasse o pior, mas não tinha como pará-lo.

Suspirei mordendo o lábio, abaixando o olhar para minhas mãos sobre minhas pernas cruzadas, voltando novamente a olhar para minha mãe.

“Agora?” perguntei com esperança de que se comovesse e esquecesse essa maldita viagem, ela assentiu, fechei a cara “Eu posso ao menos escolher o próximo destino?”

Ellie com seu corpo pequeno e cheio de curvas, andava pela sala com graça, como se dançasse sobre seus pés ao invés de caminhar, se sentou ao meu lado passando os braços ao meu redor, me puxando para descansar minha cabeça sobre seu peito como ela sempre fazia quando eu me sentia indefesa.

“Eu sei que é difícil, mas essa vai ser nossa penúltima viagem, eu juro” disse acariciando meus cabelos.

“Penúltima?” indaguei.

“Sim” Ela sorriu abertamente “Essa para Inglaterra e a próxima para Califórnia”

Levantei em um solavanco, sem acreditar que finalmente voltaria para minha amada Califórnia depois de dez anos.

“Sério?” perguntei incrédula.

“Seríssimo!” confirmou dando um sorriso tão grande que fizeram seus olhos azuis iguais aos meus, virarem brechas.

Dancei pelo quarto com um ursinho de pelúcia, quanto tempo esperei para isso acontecer? Rodopiei pelo quarto cantarolando uma musica qual quer, minha mãe se limitou a balançar a cabeça e sai do quarto ainda com seu sorriso. Meu celular tocou sobre minha cômoda interrompendo minha dança alegre, eu quase dei um pulo de susto, em principal porque não recebo ligações, mas logo deduzi quem era.

“Kally!” exclamei para minha amiga pela ligação.

Kally Ousborn é a amiga mais próxima da família, ás vezes ela não parece ter a mesma idade da minha mãe, ela fala e agi como se ainda tivesse 17 anos. Ela não precisou de botox ou plástica para ter um rosto de menina, seu humor a fazia parecer dez anos mais nova.

“Olá, querida! Como vai?” perguntou com sua costumeira simpatia.

“Vou bem, e você?”

“Ótima. Você e seus pais vão para onde hoje? Japão?” brincou.

“Na verdade, Inglaterra, e depois Califórnia! Acredita?” falei empolgada quase dando pulos de alegria, esperei alguma resposta, mas nada veio “Kally? Você ouviu?”.

“Sim querida, fico feliz, eu darei um jeito de visitar você na Inglaterra, agora tenho que desliga, beijos” despediu-se.

Eu suspirei e joguei o celular sobre a cama. Meu deus, o quanto fiquei esperando o dia que tivesse a remota esperança de que talvez voltaria a Califórnia? Com suas praias ensolaradas, o vento incrível, a sensação da agua salgada na pele... Uma das melhores coisas que um dia alguém ira sentir. Ouvi um som oco de madeira, fiquei alerta rapidamente, fui até a porta em um salto, girei a maçaneta, mas estava trancada, fiquei tão empolgada que nem se quer percebi alguém fechando a porta.

Ouvi gritos, e a adrenalina me subiu, fechei os punhos e bati contra a porta, os gritos amentavam, e os reconheci que eram da minha mãe, o terror tomou conta de mim, as lágrimas desciam e de repente eu não tinha forças mais para bater, minhas mãos estavam incontroláveis, meu corpo tremia, minhas pernas vacilaram e eu caí sobre meus joelhos, os gritos cessaram, deixei minhas mãos cai ao lado do meu corpo e respingaram algo no meu rosto, puxei-as para vê-las e me deparei com o liquido vermelho e pegajoso, me afastei rapidamente tremendo, abracei meus joelhos olhando a poça de sangue que escorria por debaixo da porta e cada vez me mais me alcançavam molhando meus sapatos.

Não sei ao certo se foram minutos ou horas que passaram. Leves batidas na porta me assustaram, corri para dentro do armário empurrando casacos empoeirados e sapatos velhos, e assim que entrei girei a chave.

“ Ei, tem alguém aí?” uma voz inquestionavelmente masculina perguntou, eu não ousei responder , e as lágrimas escorreram pela minha bochecha, eu senti os soluços amedrontados virem do fundo da minha garganta, ele entrou no quarto sem qual quer permissão, e talvez tenha percebido as pegadas de sangue que deixei para traz “Garota, pode sair” disse agora batendo contra a porta do armário “esta tudo bem” sua voz rouca passava uma tranquilidade e segurança.

Deixando-me levar, destranquei e puxei preguiçosamente a porta, sem forças para nada, eu não liguei para quem era no momento me abracei a quem quer que fosse a procura de um conforto.

Notas finais
Então gente é isso, pf comentem!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.