She'd Fly

12 Capítulo 11 — Insensatez.


Notas iniciais
Capítulo enorme, mas juro que o final... beeeem, vale a pena! Vocês quem sabem *corações*. Enfim, eu espero que gostem e que comentem, estou postando na quinta de noite, então se algo ocorrer até esse dia que vocês estão vendo esse capítulo, considerem-se agradecidos. Obrigadaaaa a todos que comentaram com sua enorme fofura e carinho! Vocês são demais. E, ah, quero dizer que tenham paciência! As coisas logo irão ser esclarecidas e rapidamente, hein? Prometo! Beijos, gente, obrigada! E boa tarde ~já que vocês vão ler isso de tarde, hahah~ *corações*

Março de 2013.

Edward.

Era minha folga e, pela primeira vez em séculos, eu tinha acordado disposto e de bom humor o bastante para me incentivar a perguntar mais coisas a Isabella. E ela parecia estar no mesmo clima. Ela havia se levantado cedo e quando eu acordei estava sentada no sofá, os cabelos molhados e os braços ao redor de suas pernas. Sua expressão era vívida, ela parecia sã naquela hora.

Comecei a perceber que fazia um tempo que ela estava começando a me parecer normal mais uma vez. Talvez a sua… as suas tentativas de suicídio fossem apenas uma… fase e apenas isso. Talvez passasse e ela voltasse a ser a Bella mais uma vez.

Eu não deveria estar tão esperançoso para que isso acontecesse. Ela sendo a Bella ou qualquer outra pessoa não mudava em nada. Se Esme estivesse sabendo de tudo que estava acontecendo, ela sem dúvida nenhuma diria para ficarmos juntos de novo, era o final perfeito para uma história trágica. O problema era que… eu e Isabella mudamos muito nesses quatro anos e nunca daria certo um relacionamento.

Além do mais, eu não queria um relacionamento de jeito nenhum. Eu sentia falta da Bella algumas vezes, mas… Era complicado até mesmo para ser articulado em minha própria mente. Tinha algo que me impedia de aceitar — ou até mesmo considerar — a ideia de que eu e Isabella poderíamos voltar ao relacionamento que deixei para trás quando vim para Califórnia.

Ela não queria. Eu não queria.

Eu sabia que, de vez em quando, me sentia atraído por ela, mas como eu poderia não ficar? Eu ainda tinha memórias muito frescas de quando ainda namorávamos. E, apesar de passar por um momento depressivo, Isabella continuava uma garota muito bonita — mesmo com toda a petulância a qual ela assumia quando queria.

Para a minha sorte, ela não estava nada petulante naquele dia. Talvez estivesse sendo simpática pela conversa que tivemos no dia anterior, eu não sabia e nem muito menos questionaria.

— Bom dia. — Eu disse.

Ela balançou o rosto. Não com grosseria — o que me foi uma surpresa —, apenas para que eu soubesse que ela havia escutado.

— Você acha mesmo que poderia ter sido um suicídio, Edward? — Ela franziu o cenho e desviou os olhos azuis para mim.

Eu protelei, então falei:

— Acho.

Isabella abaixou os olhos para suas mãos e mordeu o lábio inferior, hesitante.

— Mas não vamos pensar nisso agora. Você já comeu? — A última coisa que eu queria era que ela se isolasse em seu próprio mundo e ficasse depressiva de novo, April me mataria por não estar cuidando da sua garota como ela me precaveu para fazer.

Ela se limitou a balançar o rosto em negação.

— Vou fazer algo para comermos. — Avisei.

— Ela tinha motivos para se suicidar de sobra. — Sussurrou Isabella, perdida em pensamentos. — Como pude nunca pensar nessa possibilidade?

Eu suspirei.

— Bella… — Eu a chamei e me surpreendi pela facilidade que seu apelido saiu de minha garganta. Daquela vez, eu não tive de me lembrar de que eu deveria chamá-la de Bella e não de Isabella.

Ela disparou os olhos para o meu rosto.

— Eu estou morrendo de fome. — Admiti. — E eu não consigo pensar quando estou com fome.

Isabella estreitou os olhos, confusa com a lógica que eu havia usado. Se é que havia alguma.

— Eu não estou com muita fome. — Ela olhou para baixo e mexeu em alguma coisa que tinha em suas unhas. — Acho que não vou tomar café da manhã.

— April não aprova isso e nem muito menos eu.

— April não está aqui. — Falou displicentemente.

— Eu estou. — Falei de imediato. Tudo sobre Isabella envolvia April, April e mais April, eu estava farto do tanto que aquela mulher estava entrando na mente dela quando eu que deveria estar fazendo.

— Você não se importa com isso

— Me importo, sim. — Até mais do que ela merecia.

Ela ergueu os olhos e as sobrancelhas na minha direção. Sabe a petulância sobre a qual eu me referi antes? Eu estava enganado. Isabella estava, sim, petulante e eu quase conseguia sentir a impaciência tomando conta de minha mente enquanto ela me olhava com os olhos pressionados.

Ela sempre foi petulante desse jeito. Não era uma característica a qual ela adquiriu recentemente.

— O que tem para comer? — Isabella perguntou, por fim.

— Acho que tem geleia e pão… tenho que passar no mercado ainda hoje.

Quando se levantou para ir à cozinha, notei que ela tinha voltado ao seu corpo de antes, com coxas roliças bem demarcadas na calça jeans apertada, braços finos, estômago plano — ou eu podia deduzir que era, a blusa vermelha que ela vestia era solta o suficiente para alegar com certeza. E a bunda dela, quando ela passou por mim, parecia mil vezes mais atraente.

Desviei os olhos, pigarreando com desconforto. Fazia um tempo que eu não percebia que Isabella era malditamente desejável. Continuava, na verdade.

Depois de um tempo — o suficiente para conter os meus pensamentos depravados —, fui para a cozinha onde Isabella já estava passando a geleia de amora nos pães já cortados e fatiados. No lado oposto da cozinha, peguei algumas laranjas para fazer um suco como eu nunca fazia quando comia sozinho. Em dias normais, eu tomava um café consistente e quente rapidamente e engolia um pão com ovos.

Meus dias deixaram de ser normais desde quando Isabella veio… se hospedar aqui.

Ela comeu sem animação alguma, mordiscando pedaços pequenos do único pão que ingeriu, tomando goles pequenos do suco de laranja.

— Me fale sobre esses últimos quatro anos. — Eu propus.

Isabella mordeu mais uma vez o lábio inferior. Ela tinha de parar com aquilo.

— Você pode deduzir. — Ela ergueu o lado esquerdo dos lábios, amargamente. — Trabalhei, cuidei da minha mãe, essas coisas.

Eu teria perguntado outras coisas, induzido uma conversa, descoberto mais coisas, no entanto, assim que a pergunta seguinte se formulou em minha mente, a campainha tocou. Praguejei algo que até eu mesmo não entendi e me levantei bruscamente da mesa. Toda vez que aquela maldita campainha tocava era algo para me irritar e me tirar do sério. Tinha certeza de que não seria diferente daquela vez.

Eu não estava errado.

Assim que abri a porta, com as sobrancelhas franzidas de irritação e o maxilar travado, uma pessoa se jogou em meus braços, abraçando-me. Tanya, eu pensei de imediato. Mas, observando bem onde meu rosto estava tocando, vi que a pessoa tinha cabelos escuros e ondulados. Franzi meu cenho, confuso. Eu teria abraçado de volta se, ao menos, soubesse quem era.

— Edward! — Cantarolou ela.

Alice, eu pensei em pânico. Alice era a minha irmã adotiva e fazia quatro anos inteiros que ela me mandava cartas que continuavam fechadas numa gaveta do armário da cozinha. Tudo bem, eu tinha lido as três primeiras e me cansado de todas as outras porque, bem, eu não queria ler nenhum apelo vindo de ninguém para voltar a Seattle.

Eu lembrava bem como ela havia começado a primeira: “Sinto sua falta”. A segunda, por outro lado, era mais: “A Bella não está bem, Edward. Volte para ela”. Assim que pus meus olhos naquela frase, eu achei Alice Cullen tão malditamente egoísta por só pensar em si própria. A minha linha de pensamento não fazia nenhum sentido a não ser para mim mesmo. Veja bem, eu tinha certeza de que Bella estava bem — ela costumava ser forte como uma rocha — e os apelos de Alice a usavam como desculpa para que eu voltasse.

— O que você está fazendo aqui? — Eu a perguntei, pondo as duas mãos em seu ombro para que ela se afastasse.

— Estou visitando o meu país de origem, ora! E o meu irmão também. — Disparou com um leve sotaque francês. — Convenci Esme e Carlisle a virem para cá também, eles chegam amanhã.

— Porra, Alice. — Eu resmunguei.

Eu evitava Carlisle com todas as minhas forças, não atendia as suas ligações, nunca deixava Esme passar o telefone para ele quando eu a telefonava e ela dizia que iria passar para o meu pai. Não, ele não é meu pai. Eu sabia que ela ficava infeliz com a minha rejeição a ele, eu sabia que a estava magoando, mas eu nunca seria bom o bastante para simplesmente falar com ele para o bem da minha mãe.

— Cadê o Jasper? — Perguntei.

— Beeem, como eu estava muito animada para rever você, o deixei procurando um lugar para alugar o carro e vim direto para cá! — Exclamou e sorriu largamente, quase com infantilidade. Ela nunca deixaria de ser aquela garota alegre e sorridente. — Você não vai me convidar para entrar?

Eu suspirei, abaixando meus ombros em derrota.

— Claro. — O que mais eu poderia dizer?

Saí da frente da porta para que ela entrasse e fechei-a atrás de mim. Isabella ainda estava sentada na mesa, despedaçando pedaços do pão que eu sabia que ela não terminaria de comer. Eu daria tudo para ter uma câmera fotográfica em mãos quando Alice viu a sua antiga melhor amiga sentada à minha mesa, alheia a tudo que acontecia.

— Bella? — Minha irmã chamou-a, hesitando. Depois se virou para mim com os olhos pressionados, as palavras saindo quase sibiladas: — Como pôde não me dizer sobre isso? — Pela sua voz eu podia deduzir que ela havia ficado com muita, muita raiva mesmo.

Isabella se levantou da mesa já sorrindo e eu me perguntei o porquê de ela sorrir tão facilmente para outras pessoas a não ser eu. Havia demorado décadas para que ela soltasse um mínimo sorriso na minha direção. Não fora nem tão largo assim…

— Alice! — Sua voz também sorria, viva.

Alice abraçou Isabella com tanta força que eu pensei que, talvez, os ossos dela se desfariam diante a força do abraço. Não se desfez. Na verdade, fez Isabella sorrir mais largamente, gargalhando como eu nunca a tinha visto fazer recentemente. Os olhos azuis dela estavam pressionados, sorridentes e, quando ela os abriu por completo, pude jurar ver um brilho marejado neles. Não de tristeza, de felicidade.

Eu me perguntei, mais uma vez, o porquê de ela não sorrir daquele jeito para mim. Talvez eu não a oferecesse motivos para sorrir daquele jeito, talvez eu fosse tão imprestável que nem fazer alguém sorrir eu conseguia. Mas estava tudo bem porque Alice havia a feito sorrir e eu havia visto o sorriso — talvez aquela fosse a minha única oportunidade.

Fazia um tempo que Isabella não sorria e eu já havia me esquecido de como ela era bonita o fazendo. Quer dizer, ela me lembrava a Bella. E Bella era linda.

— Vocês estão juntos de novo e não me falaram nada?! — Alice acusou assim que se separou do abraço de Bella, ainda passando um braço pelo ombro da amiga.

Observei as bochechas de Bella atingindo um tom rosado pela vergonha e quase sorri de sua expressão estarrecida.

— O quê? — Ela parecia surpresa por Alice ter chegado àquela conclusão. — Não é nada disso.

— Então o que é? — Insistiu.

Minha irmã sempre foi incrivelmente inconveniente.

— É complicado, Alice. — Eu murmurei, compadecido pela vergonha de Isabella.

— Ah, entendi.

— Entendeu o quê? — Bella perguntou, franzindo o cenho.

— Vocês estão se conhecendo novamente… é compreensível.

— Alice. — Quase sorri mais uma vez da voz constrangida e repreensora dela. — Você não está entendendo. Nós não estamos nos conhecendo de novo, nós apenas… é complicado como o Edward falou.

— Eu tenho tempo. — Ela teimou.

— Não terminei de comer ainda. — Eu menti de imediato.

Alice deu de ombros.

Isabella desviou os olhos para mim quando minha irmã parou de olhá-la. Ela negou várias vezes com o rosto, com os olhos arregalados de leve. Tentei entender o motivo que ela balançava o rosto de um lado para o outro e decidi que, quando Alice estivesse distraída, eu a perguntaria. Mas, provavelmente, ela não queria que eu falasse de suas tentativas de suicídio para a sua amiga.

— Você quer vir para o shopping comigo? — Ela perguntou a Bella.

— Pode ser.

Quando Alice foi até ao terraço para atender uma ligação de Jasper, Isabella desviou os olhos para mim.

— Não a fale, Edward. — Ela pediu. — Eu não quero que tenha mais uma pessoa achando que eu sou louca.

— Alice não acharia isso de você.

— Não me sinto confortável falando isso para ela. — Isabella sussurrou.

Eu assenti, por fim.

Ela ergueu os lábios levemente. De novo aquelas merdas de quases sorrisos. Eu já estava cansado deles. Por que ela simplesmente não sorria de verdade para mim?

Isabella estava o mais próximo possível de Bella quando ela trocou a blusa para acompanhar Alice ao shopping. Ela vestia uma blusa bege, rendada, de mangas longas — para esconder seus pulsos — e que deixava bem claro que o estômago dela era reto. Estava linda, é claro. Perguntei-me quando eu não a acharia bonita. E, além do mais, ela soltou os cabelos que antes haviam sido presos em um coque e deixou as ondas cair por seus ombros magros.

— De que horas vocês voltam? — Eu perguntei quando Alice, excêntrica, entrelaçou um braço com o de Bella e a puxou.

— De noite, Edward!

— Bella? — Eu a chamei.

As duas se viraram como se as duas se chamassem Bella. Alice olhou para amiga e suspirou audível e teatralmente antes de soltar o braço de Bella e andar à sua frente, saindo da casa.

— Se Alice insistir no assunto, dê a entender que temos algo, tudo bem? — Sugeri.

Seu rosto se contorceu em uma careta engraçada. Eu ri.

— Se. —Destaquei, passando a mão por meus cabelos.

— Sem problemas. — Ela deu de ombros.

Virou-se para ir embora mais uma vez.

— Bella?

Quando se virou, sua expressão já estava impaciente. Era engraçado o quanto ela se irritava com facilidade… A Bella costumava ser assim. Sempre acabávamos rindo no final, ela me chamando de idiota ou algo desse tipo.

— Você está bonita.

As bochechas dela coraram assim que as palavras foram absorvidas por ela. Ela mordeu os lábios e voltou os olhos azuis hesitantes para mim.

— Obrigada? — Sua voz era incerta, baixa e envergonhada.

Isabella nunca se pareceu mais com a Bella que eu conhecia antes tanto quanto naquele momento.

Passei o resto do dia assistindo a jogos de beisebol de times pelos quais eu sequer torcia, estava o fazendo somente para tentar afastar o tédio que parecia crescer toda vez que Isabella não estava. Pela primeira vez percebi que a mentira que eu a tinha dito havia se tornado uma verdade. Aquela casa é mais solitária sem você. Realmente o era, agora. Eu não sabia o que havia mudado.

Talvez eu estivesse me acostumando com a presença sutil de Isabella pela casa, mesmo que, por vezes, ela não saísse de dentro do quarto que já estava impregnado com o cheiro do xampu dela. Havia longos quatro anos que eu morava sozinho… e demorara poucos meses para que eu me desacostumasse com aquilo. Eu me perguntava qual era a merda do meu problema, em breve Isabella não estaria mais ocupando um quarto da minha casa… ela iria embora para qualquer lugar, como deveria ser desde o começo.

Esme me ligou, falou animadamente que ela e o meu pai — como ela fez questão de descartar — estavam vindo me visitar, perguntou se Alice já havia chegado e se estava lá comigo. E então:

— Não —Eu disse despreocupadamente, prestando mais atenção no jogo do que na conversa empolgante que estava tendo. — Ela saiu com a Bella.

Houve um longo silêncio. Pensei que ela tinha desligado e, só naquele momento, percebi que eu ainda não tinha contado a Esme sobre a volta de Isabella para a minha vida. Ela havia caído rápida e abruptamente na minha rotina. Quase como um corpo eventualmente sendo jogado de uma altura muito grande.

— Que Bella, Edward? — Esme perguntou com a voz séria.

— A Bella que você conhece… — Eu não queria nem pensar no interrogatório que teria quando ela chegasse amanhã aqui.

— Ela está viva? Não brinque com isso! — Até porque, é claro, eu diria que Isabella estava comigo só para tirar uma com a cara da minha mãe. Muito óbvio.

— Claro que ela está! Por que não estaria? — Porque ela era uma suicida em potencial, eu mesmo respondi a minha pergunta mentalmente.

— Eu liguei para a tia dela… um mês atrás para perguntar como Bella estava porque, sabe… eu… — A voz dela se quebrou de vergonha. — Eu não estava aqui quando Renée morreu, então eu só soube quando eu fui procurá-la e não tinha ninguém em casa. O vizinho me falou que ela havia morrido e que a filha havia ficado com a tia de São Francisco. Quando eu liguei para Charlotte, ela me disse que Bella havia morrido e depois desligou o telefone na minha cara.

Eu ri amargamente. A tia de Bella tinha históricos problemáticos sobre o seu humor péssimo, mas falar que a sobrinha estava morta? Eu não sabia quão baixo ela poderia chegar até àquela hora.

— Como vocês se reencontraram? — Esme perguntou.

—A gente só… — Eu franzi o cenho, vagando os olhos pela minha sala. — Ela esbarrou em mim na rua. — Era a cara de Bella fazer isso sem querer.

— Ah. — Minha mãe suspirou. — E agora?

— E agora nada. — Murmurei de imediato.

— Como nada? —Ela parecia chocada com a possibilidade. — Vocês não estão juntos?

A lógica era: Eu e Bella havíamos nos esbarrado na rua, ficamos surpresos com a coincidência doentia do futuro e, então, não perdemos tempo agora que nada nos impedia de ficar juntos. Era lindo! Minha mãe com toda a certeza choraria quando imaginasse aquilo. O pior de tudo era que não tinha explicação lógica para não termos nada sem deixar na cara que Isabella havia tentado se suicidar.

Nada me ocorreu no momento, pelo menos.

— Ah, isso! — Revirei os olhos. — Estamos juntos, sim.

— Eu estou tão feliz por vocês dois! — Ela exclamou com a voz sorridente. — É bom para a Bella saber que tem alguém agora que perdeu a mãe.

— É. — Concordei vaziamente.

Esme, mesmo não tendo consciência do que fazia, sabia fazer a pessoa se sentir incrivelmente culpada por estar mentindo. Sempre foi assim. Quando eu era uma criança travessa e desesperada por doces, ela deixava o pote de biscoitos em uma altura acessível para minha pouca estatura na época. E ela dizia que não era para eu comer antes do almoço. Esme ia tomar banho e eu ficava sozinho na cozinha, encarando o pote de biscoitos que parecia clamar para ser aberto. Eu acabava cedendo à tentação e comia uns dois, deixando o pote exatamente no mesmo lugar onde esteve antes.

Quando terminava de tomar banho, ela descia para a cozinha, olhava para mim e para o pote, sorrindo orgulhosamente. “Eu sabia que você não pegaria”, minha mãe falava e bagunçava o meu cabelo. E eu me sentia malditamente mal porque queria ser capaz de merecer aquele tipo de confiança, queria ser um garoto que era digno de fazer a minha mãe sorrir por orgulho.

Queria fazê-la sorrir e não chorar como eu pegava meu pai fazer por várias vezes.

— Carlisle disse que está ansioso para rever você e Alice, Edward. — Ela mudou de assunto. — Todos nós sentimos muito a falta de vocês.

Eu suspirei.

— Diga a ele que eu não estou nem um pouco ansioso para vê-lo. — Murmurei desgostosamente de volta.

— Edward. — Esme repreendeu. — Já está na hora de seguir em frente.

— Me desculpe por não ter essa capacidade.

Esme desligou após dizer que eu deveria ao menos tentar. Por ela. Só cogitei por causa da última parte, eu nunca conseguia ser um filho da mãe com Esme porque ela já tinha passado coisas demais e eu assisti de camarote tudo acontecer. Como eu disse antes, cogitei. Carlisle não era digno do meu esquecimento pacificador, ele era digno do meu ressentimento até o fim dos seus dias.

Encostei-me ao encosto do sofá e voltei a assistir novamente o jogo entediante. Depois de dois minutos — e eu juro que era verdade — meu celular tocou de novo. Praguejei maldições enquanto pegava o aparelho em minhas mãos. Era o Emmett.

— E aí, cara! — Ele cumprimentou quando eu atendi.

— Quanto tempo! — Emmett havia tirado duas semanas de férias e desde então não tínhamos nos falado.

— Pois é, a Rose quis passar as férias sem nenhum aparelho tecnológico, sabe como é. — A voz dele deixava claro que foi só a Rose que quis aquela bobagem. — E agora ela também quer sair. Eu estava me perguntando se nós não podemos ir aí à sua casa, comer uma pizza e assistir um jogo qualquer que tivesse passando.

— Claro que podem, que pergunta! Faz uns dez anos que não vejo a Rose.

— É, ela diz que crê que os homens tem cérebros pensantes apenas por causa de você.

— Emmett! — Eu escutei Rosalie o censurar. — Você sabe como o Edward é. Vai se gabar para sempre agora.

Eu gargalhei, revirando meus olhos.

— Vejo que a Rosalie ainda me superestima.

— Ela está completamente certa. Você é um maldito egocêntrico, Edward. — Ele concordou como se fosse supermodesto quando quem descia do carro se achando um James Bond da vida era ele.

— Falou a modéstia em pessoa!

— Vá se ferrar, Cullen.

Meia hora depois, quando já estava começando a escurecer, Isabella e Alice chegaram. Bella e Alice chegaram, porque a garota que bateu a minha porta, sorridente e com um brilho rosado no rosto com certeza nunca passou por tudo que Isabella passou. A garota que bateu a minha porta teve uma vida sem falhas, sem nenhuma lágrima sequer derramada pelos olhos azuis brilhantes, tinha os pais vivos e ostentava felicidade por todo o lugar que passava.

Observei Alice a abraçar com força e, provavelmente, dizer que elas se encontravam no dia seguinte. Bella assentiu e sorriu com todos os dentes expostos quando se separou da amiga o suficiente para observar o rosto astuto. Eu ainda não sabia o porquê diabos ela não sorria daquele jeito para mim também.

— Edward, depois eu quero falar com você. — Alice avisou.

— O que é? — Eu insisti.

— Amanhã. —A expressão dela era firme e séria para mim, no entanto se desfez em um sorriso quando Bella acenou para ela mais uma vez.

Eu revirei os olhos e assenti, por fim.

Quando eu fechei a porta atrás de mim, Bella já havia desaparecido pelo corredor e eu me perguntei se ela ficaria pelo resto da noite dentro daquela droga de quarto. Contei dois minutos inteiros até ela sair novamente do quarto — um milagre divino —, aparecendo na sala com o cabelo preso em um coque que deixava alguns cabelos caírem por seu rosto corado e uma blusa larga que April também a havia dado depois do incêndio.

Ela me olhou com os olhos levemente cerrados, e, pela primeira vez desde que reaparecera, desviou-os para a cozinha.

— Como foi o passeio? — Forcei-me a quebrar o gelo.

— Ah. — Ela parecia aérea. — Foi bom. Você sabia que seus pais chegam amanhã?

— Infelizmente. — Observei-a se sentar na poltrona que eu tinha comprado mês passado com as pernas recolhidas e cruzadas. Quando eu olhei para o seu rosto, sua expressão deixava claro que ela não havia entendido o motivo da minha infelicidade. — Carlisle vem também. — Esclareci.

— Ah. — Olhou para suas mãos. — Mas Esme também vem… então não é completamente ruim.

— É, acho que sim. — Dei de ombros.

— Alice me chamou para sair com ela… e com eles dois. — Mordeu o lábio inferior e disparou os olhos para cima. — Tem algum problema Esme ou Carlisle saber que eu estou aqui? Porque se for um problema, eu posso… sei lá, April chega amanhã… posso ficar com ela por uma semana e…

— Sobre isso… — Passei a mão por meu cabelo. — eles têm que saber que você está aqui, na verdade.

Os olhos de Bella se arregalam, uma breve sombra de pânico passando por eles.

— O quê? Por quê? — De repente, me ocorreu que, talvez, ela estivesse contando comigo para inventar algum problema para que ela não pudesse vê-los. Eu diria que teria problema eles saberem que ela está aqui e tudo ficaria bem por causa disso.

Era irônico o quanto as coisas aconteciam ao contrário.

— Falei a Esme que Alice tinha saído com você e — Reprimi um sorriso amargo. — até então ela achava que você estava morta graças a sua tia.

— Maldita. —Resmungou.

Ela estava passando tempo demais comigo, percebi com um pingo de satisfação.

— É. — Concordei. — Então… eu tive de inventar que nos esbarramos na rua e tínhamos algo, porque por qual motivo a mais você estaria na minha casa quando Alice chegou? Deduzi que você não queria a falar também sobre…

Acabei não completando a frase. Bella, pensativa, concordou com o rosto. Ela tinha entendido o que eu quis dizer.

— Não sei se estou pronta para ver Esme, Edward. — Ela admitiu com a voz baixa e tímida.

Seus dedos das mãos se juntaram e se separaram nervosamente. Notei a cor tomar conta de suas bochechas gradativamente e eu queria saber o que falar, algo que a fizesse ficar menos desconfortável com a situação. Juro que tentei revirar minha mente a procura de algo decente, mas nada me ocorreu. Nada. Nem mesmo um “Não se preocupe, daremos um jeito” seco e sem emoções.

Quando ela desviou os olhos para o lado, mais uma vez para a cozinha superinteressante, notei o brilho lacrimal neles.

— Você está chorando? — Eu estava perplexo pela possibilidade.

Ela negou com o rosto e limpou rapidamente a sua bochecha.

— É só que… Esme me lembra a minha mãe. — Ela disse depois de um tempo. — Você sabia que ela ia lá à minha casa toda semana?

Como ela tinha feito, apenas neguei com o rosto.

Aquilo explicava muitas coisas. Esme, nos primeiros anos que eu passei na Califórnia, só falava de Bella durante as suas ligações, falou tanto que, um dia eu tive de pedir para ela parar de fazê-lo. “Mãe, eu estou tentando superá-la. Você não está ajudando em nada”, eu disse. No entanto, na ligação seguinte ela foi a minha primeira pergunta para Esme. Aquela distância acabava comigo, eu queria desesperadamente voltar para Seattle e pedir desculpas pela escolha idiota que eu havia feito, queria dizer que nunca mais iria para canto algum.

Quando eu ergui meus olhos para ela, novamente, me dei conta de uma coisa que nem sequer passara pela minha mente: As coisas poderiam ser diferentes. Bella poderia estar bem se eu tivesse permanecido em Seattle, eu seria uma pessoa melhor e ajudaria a passar por tudo, ela nunca teria tentado se suicidar. Ela nunca seria a pessoa que era hoje.

— Bella, eu… — Hesitei. Sou um idiota. Sinto muito, eu talvez dissesse.

A campainha da casa tocou antes que eu pudesse terminar a frase e a expectativa nos olhos dela lentamente desapareceu. Lembrei-me de Emmett somente naquela hora.

— Quem é? — Ela indagou.

— É o meu amigo e sua esposa. — Respondi. — Emmett e Rosalie.

— Eu devo ir…? — Bella começou a se levantar do sofá para ir novamente ao seu inseparável quarto.

— Não, Bella. — Eu disse como se fosse óbvio.

Realmente o era. Para quê ela iria ao seu quarto? Eu não tinha de escondê-la e ela muito menos tinha de fazê-lo. E eu tinha quase certeza de que Emmett só havia proposto essa visita para ver a tão falada Isabella Swan. Todo mundo parecia ter algum tipo de interesse nela, seja ele sentimental — como minha mãe e Alice — ou, simplesmente, para me repudiar — como eu sabia que Emmett faria caso ela não estivesse mais morando comigo.

Ela me olhou com os olhos cautelosos e pressionados. Não de raiva, queria saber o que eu estava planejando com aquilo — como se eu tivesse que planejar algo. Graças aos céus, eu ainda conhecia Isabella minimamente bem.

Por causa de minha demora, Emmett apertou na campainha mais três vezes.

— Pare com isso, Emmett. —Rosalie censurou. Ela era a mais racional dos dois.

Emmett realmente precisava de um cérebro a mais e Rosalie era a companhia perfeita para esse seu pequeno problema.

— Esses amigos são legais ou é tipo o John? — Ela perguntou, libertando o seu lábio inferior dos dentes.

— O John não é meu amigo.

Ela me lançou um olhar nada convencido que dizia “Aham”. Então, depois de achar a chave entre as almofadas do sofá, fui abrir a porta para que Emmett com toda a sua mente infantil parasse de apertar a campainha como se a tivesse descobrindo naquela hora. Abri com uma carranca que logo se desfez quando Rosalie sorriu largamente para mim e estendeu os braços para me abraçar.

Ela era uma boa garota e Emmett tinha uma sorte infinita de tê-la. Quero dizer, ela era atraente com seu longo cabelo loiro e olhos caramelos, mas desde que eu a vi só conseguia pensar nela como “A garota de Emmett”, então não existia atração nenhuma entre nós dois. Éramos bons amigos que adoravam tirar sarro com a cara do Emmett toda vez que tínhamos oportunidade.

— Onde está ela? — Rose sussurrou para mim, sorrindo com cumplicidade.

— Não vá assustá-la. — Pedi.

— Você me subestima, Edward. — Murmurou, revirando os olhos.

Ela passou por mim e, de repente, percebi que eu nunca tinha falado a Rosalie que Bella estava aqui na Califórnia. Com a testa franzida, olhei para Emmett acusadoramente. Ele sorriu com astúcia e bateu em minhas costas ao passar por mim, entrando na sala.

— Ela ia saber de um jeito ou de outro, cara. Só adiantei. — Ele deu de ombros com despreocupação.

Bella era tímida e estava com as bochechas mais coradas que nunca quando eu me virei para tentar apresentá-los a ela. Nem precisei, Rosalie e Emmett eram duas pessoas incrivelmente sociáveis e Bella já estava nos braços de Rosalie que gostava de abraçar as pessoas sempre que possível, mesmo sendo desconhecidos.

Não pude deixar de notar também que, perto deles, Bella era adoravelmente baixinha.

— Então, você é a tal de Bella que Edward tanto fala? — Emmett indagou.

Ela ergueu as sobrancelhas e me procurou com os olhos, olhando-me com incredulidade. Eu também estava descrente com o quanto Emmett podia ser inconveniente e deixar as pessoas sem jeito — inclusive eu mesmo. Tudo bem que eu falava de vez em quando de Isabella para ele, mas ele realmente não precisava gritar isso para ela.

O resultado disso foram bochechas tingidas de vermelho e um sorriso tímido que indagava várias coisas para a minha direção.

— Acho que não. — Foi a resposta dela.

— Claro que é! — Ele a contradisse e a abraçou, tirando-a do chão.

Ele sempre fazia isso. Eu sabia, mas não pude me impedir de me perguntar o porquê diabos Bella era desse jeito com as pessoas e comigo mal soltava um sorriso. Ela se deixou ser abraçada, até gargalhou e disse que estava sufocando. Ela parecia ser muito mais… solta com as outras pessoas, com pessoas desconhecidas, do que comigo que a conhecia desde sempre. Eu nunca saberia o motivo daquilo se não fosse por Alice.

— O ogro do Edward está te tratando bem? — Ele perguntou, fingindo solidariedade.

Eu revirei os meus olhos. Bella me olhou hesitantemente, os olhos cautelosos e divertidos.

— Se pensou é porque a resposta é negativa! — Disparou Emmett.

— O quê? Eu nem tive tempo...

— Eu estou morto de fome! — Exclamei. — E vocês?

Emmett me fuzilou com os olhos e Rosalie sorriu. Bella, por outro lado, suspirou de alívio. Ela era mais uma vez aquela garota que nunca chorou e tinha os pais vivos, sorridente e falante como tal. Parecia bem de verdade, como eu nunca a tinha visto ficar, nem mesmo quando ainda estávamos em Seattle.

Depois que as duas pizzas chegaram, começamos a assistir o filme que Emmett e Rosalie trouxeram e eu tinha certeza de que quem tinha escolhido o filme fora Emmett. Rosalie tinha um cérebro e sabia quão terrível aquele filme era, ela ficou conversando aos sussurros com Bella que tentava mostrar interesse no enredo horrível ao mesmo tempo em que respondia e fazia perguntas a sua mais nova amiga.

Tentei captar algo da conversa delas, a curiosidade falando mais alto do que o bom-senso, mas não consegui escutar muita coisa. Elas conversavam basicamente sobre alguns filmes, e depois, sobre como Rosalie conheceu Emmett.

— É sério, você a está tratando bem, Edward? — Ele indagou somente para que eu escutasse.

— Claro que estou.

— Que bom. — Sua voz parecia aliviada, como se um peso tivesse saído de suas costas. — Porque, sabe, ela é uma ótima garota.

Eu assenti. Falar sobre Bella sempre me deixava desconfortável.

— Por que vocês não ficam juntos agora que não tem nada para atrapalhar?

Por que sempre repetiam essa mesma, idêntica, pergunta? Eu poderia respondê-la com satisfação, mas a resposta eu simplesmente desconhecia! Eu não sabia o porquê de não podermos ficar juntos agora, tudo que eu sabia era que ainda tinha algo impedindo isso de acontecer. Talvez fosse eu. Nunca soube.

— Sinceramente? Não sei.

Ele balançou o rosto, concordando.

— Se eu fosse você, me decidia de uma vez.

Decidir. Eu tinha mesmo de fazê-lo, já estava cansado de adiar — e adiar em si era um ato explicitamente covarde. Outra coisa que eu não sabia era como Emmett desconhecia tantas coisas e mesmo assim parecia sempre saber o que falar. Ele encarava as coisas com seriedade quando queria, e mesmo assim nunca perdia uma piada sequer.

Eles foram embora uma hora depois que o filme acabou e eu percebi que Bella estava sorridente naquele dia. Ela não parava de sorrir para tudo que Emmett e Rosalie falavam, seja astuciosamente ou complacentemente. Bella sempre foi uma garota de riso fácil, lembro que essa era uma das coisas que eu mais gostava nela. E ela sempre sorria para mim. Na maioria das vezes era para mim. Agora, era para todas as direções menos a minha.

Depois que Rosalie e Emmett se foram com a promessa de que tínhamos de marcar outro dia como aquele, Bella recolheu os pratos e foi para a cozinha. E era nítido como água que eu não a deixaria lavar todas aquelas pilhas de louça sozinha, então eu tratei de trancar a porta e ir ajudá-la.

— A diferença entre as qualidades de amigo que você tem é gritante. — Ela murmurou, me passando um prato para que eu enxugasse.

— É, eu sei. — Resmunguei.

Ela virou o rosto para me olhar, no entanto permaneci centrado no prato que eu enxugava para colocar no armário.

— O Emmett e a Rose gostaram de você. — Eu me forcei a afastar o silêncio.

— Eles são ótimas pessoas. — Concordou.

O resto dos pratos nós lavamos em silêncio, ela os entregando-me para que eu enxugasse e colocasse dentro do armário. Eu já estava fazendo os movimentos mecanicamente quando percebi que os pratos tinham acabado. Bella enxugou as mãos numa toalha de prato e eu desviei meus olhos para o relógio. Já eram onze horas em ponto.

— Bella… — Eu a chamei. Não sabia bem o que eu iria a falar.

Ela deixou o pano de prato de lado e ergueu os olhos azuis para me olhar curiosamente. Diferente de outros dias, eles tinham o brilho de todas as luzes de Seattle. As bochechas se encontravam ainda coradas do tanto que ela sorriu e gargalhou junto de Rosalie e Emmett e os lábios — os quais eu passei um bom tempo encarando, ela deve ter percebido —, estavam úmidos e rosados das vezes que ela os mordeu.

Se ainda tivesse as mechas no cabelo, ela seria a cópia perfeita da Bella de Seattle.

Sendo ou não a Bella de Seattle, ela estava tão atraente que eu me perguntei: “Por que mesmo não já estamos juntos?”. Pareceu o certo a se fazer e acontecer. Sensato e apropriado, pelo menos foi o que me pareceu nos segundos que eu passei perto o suficiente para ver apenas o rosto dela e nada mais. O meu julgamento não valia de nada naquela hora, eu não costumava ser muito coerente. Nunca fui coerente quando Bella estava perto demais.

Aproximei-me sem nem ao menos perceber.

— Edward, eu… — Ela tentou falar e eu afastei o meu rosto o bastante para ver seus olhos cautelosos e que ponderavam várias coisas ao mesmo tempo.

Coloquei minha mão em sua nuca mesmo assim, titubeando para que ela pudesse se afastar. Bella recuou o rosto levemente para trás, no entanto o seu movimento pareceu hesitante demais para ser levado a sério. Quero dizer, Bella costumava ser bem clara quando não queria uma coisa, ela sempre sabia e tinha certeza do que não queria.

Naquela hora, ela parecia não ter certeza alguma.

Aproximei-me de novo e fechei minha mão em sua nuca, tocando meu nariz com o seu e sentindo em meu rosto a respiração já errática dela. Eu sorri. Bella era tão… vulnerável, de alguma forma doentia eu apreciava aquilo — ao mesmo tempo em que apreciava a Bella que era forte como uma rocha.

Seus olhos se fecharam levemente e eu assentei minha boca sobre a sua.

Eu não encontrei nenhuma resistência.

Notas finais
EU SEI *coração*. Então... eu quero dizer que a Bella vai surpreender vocês no capítulo 13. Quero dizer, TUDO vai surpreender vocês. Esperem as melhores e as piores coisas para vir *coração*. Prometo que não serei tãaão má. Qualquer pergunta é só mandar uma mp ou dizer por review mesmo, sim? Obrigada pelo imenso apoio que vocês me dão! Vocês são, ó, 10, HAUSAUSHAU. Beijos. Comentem, por favoooooooor. Eu sou insegura por várias vezes... e deixaria de ser se vocês fossem bonzinhos e comentassem ao menos um "amei" ou "continua". Ou um review enorme que me deixa com os olhos brilhando *corações*. Bem, é isso, tchicas. Até mais!