She wolf
4 O Presente
Notas iniciais
Pois é , Lobinhos, resolvi voltar um pouco mais cedo .
Espero que gostem , Boa leitura!!
A neve caía com certa intensidade e ao bater no chão fazia uma camada densa , lembro que sempre saía com a Mykah na floresta para brincar , era divertido. Mas agora são só lembranças , que nunca voltarão.
Era estranho ter esse tipo de pensamento " Ela nunca vai voltar" , chega a doer. Mykah sempre foi muito importante para mim , era minha cópia , minha miniatura. Mas de certa forma ela voltou , ainda me assusta vê-la assim , tão perto e ao mesmo tempo tão longe. Meus ossos começaram a congelar devido a intensidade do frio. Estou em minha forma humana , na floresta. Meus olhos estão quase se fechando e minha cabeça ameaçava trombar para o lado. Eu tento ser forte por ela , para que ela veja que ainda sou a Savannah de antes.Meia hora depois resolvi voltar para casa , já que a mesma fica perto da floresta . Porém algo me impediu , um cheiro forte , quase insuportável. Era sangue. Mas não o sangue que estou acostumada ,um sangue diferente , o meu sangue. Olhei para baixo e vi minha perna com um buraco de bala. Não doía ou latejava , apenas me deixava zonza pelo cheiro. Minha visão ia ficando turva á medida que o sangue descia de minha perna , então veio a dor , uma dor horrível , insuportável . Eu queria gritar , cheguei a abrir a boca porém nada saía. Senti um latejar na outra perna , era como se estivem arrancando-as de mim com uma faca. Minha respiração quase inexistente estava prestes a acabar quando uma voz soou em meu ouvidos.– Cuidado.Era ele. Eu reconheceria essa voz á quilômetros de distância , Apolo estava aqui. Eu sentia meu corpo duro e agora o frio me preenchia por enteiro e então ele apareceu. Sua forma humana como nunca havia visto , seus cabelos caíam pela testa , ele me olhava nos olhos com certo nojo , com raiva . Tentei sussurrar um "ajuda" mas de minha boca nada saia, então eu vi. Em suas mãos ele carregava algo. Eu me contorcia como uma cobra no chão , esticava meus dedos em busca de algo para segurar mas nada havia. Por que você não me ajuda? , pensei. Senti as lágrimas cairem de meus olhos e ele não fazia nada. Faça algo!, gritei em meus pensamentos. E ele fez.Ele se abaixou e então eu vi o que ele possuía em sua mão: Um punhal. Brilhava com certa intensidade e tinha sangue nele. Apolo segurou o punhal com suas duas mãos e ergueu o mesmo para cima e olhou para mim. Não, pensei , não faça isso. Minha expressão era de dor , a sua era de alívio. Tentei mover minhas mãos para tentar pará-lo mas de nada adiantou. Suas mãos foram para baixo com força , muita força em direção ao meu coração. E lá ele foi cravado. Meus olhos se abriram com força e eu estava de volta á realidade, um grito esguelado saiu da minha garganta antes que eu pudesse pará-lo. Apenas um pesadelo , pensei tentando me acalmar. As lágrimas me cegaram e meu coração estava acelerado , tudo o que consegui fazer foi afastar a coberta e olhar para minhas pernas. Um calafrio percorreu por minha espinha , tentei controlar minha respiração. Não havia nada em minhas pernas , nada! , pensei. Corri para o banheiro e lá coloquei tudo o que consegui digerir na semana. Minhas mãos tremiam quando terminei , fechei a tampa da privada e lavei minha boca. Isso não podia estar acontecendo!Me olhei no espelho e encontrei uma Savannah pálida , olhos fundos , boca seca , essa não era eu.Respira.Inspira.Voltei para meu quarto e peguei um agasalho cinza que estava sobre a cômoda de madeira e fui para a sala. Calcei meus sapatos e saí de casa , indo para onde? Não sei , apenas saí andando para poder me esquecer do que vi . Não, aquele não era Apolo , ele nunca me mataria, nunca me machucaria , ele sempre me protegeu , esse pesadelo não tem lógica. Ele me ama , ele não ...– Rose! — Um grito me chamou a atenção , eu já estava na cidade grande e não havia percebido.Olhei para o lado e não vi nada , girei meu pescoço para tentar ver quem me chamou e vi Samara. Ela carregava uma sacola de compras em uma mão e a outra estava levantando acenando para mim , seu sorriso era enorme e quando fiz menção de ignorá-la ela veio correndo em minha direção se afastando da multidão que andava pelas ruas. Ela chegou perto de mim e tentou recuperar o fôlego , seu rosto estava corado e seu cabelo um pouco bagunçado.– Rose — Ela falou após recuperar o fôlego . — Estava indo em sua casa!– Fazer o quê ? — Pergunte, sem paciência , e como ela sabia onde era minha casa?– Eu iria te fazer uma visita , estou te achando um pouco estranha esses últimos dias! Sem falar que comprei um presente para você! — Ela riu falando alto quase estourando meus tímpanos.– Desculpa, Samara, mas realmente estou com pressa , não precisa se incomodar para me dar um presente. Tchau . — falei andando.Antes que eu conseguisse andar sua mão me parou e um calafrio correu por minha espinha me deixando sem ar . Acho que ela percebeu meu incômodo já que me soltou em seguida.– Ah , Rose! Já disse que pode me chamar de Sammy! Você é minha amiga!E quanto ao presente não foi incômodo! Eu comprei porque gosto de ti. Onde está indo? Posso te acompanhar, não estou fazendo nada! — Falou sorrindo escondendo as mãos atrás das costas.
– Não! — Falei ainda recuperando o fôlego, já o perdi demais para um dia só. — Sammy , não precisa me acompanhar , outro dia você passa lá em casa.– Quê isso! Te dou o presente agora! — Ela disse . — Mas vou passar na sua casa mesmo , viu?Só faltava essa ! Sempre me perguntava como essa mulher conseguia falar tanto , ela é pilhada 25 horas por dia! Ela colocou a mão em sua sacola de compras e tirou de lá uma caixa pequena vermelha amarrada com um laço amarelo.– Eu vi isso na loja e pensei em você! Espero que goste — Ela falou , segurei a caixa que ela ofereceu . — Bom ... eu já vou indo! Até outro dia , querida!Ela soltou um de seus sorrisos "encantadores" e se foi . Respirei fundo e voltei a andar me perdendo , assim como ela , no meio da multidão. Eu não sabia para onde estava indo , só sei que quando dei por mim estava na floresta . Me sentei na neve e chorei . Eu só estava descontando minha raiva nas lágrimas , tudo o que aconteceu nesses últimos dias : A Mykah , A Samara de um jeito estranho , seu toque e o calafrio que senti quando encostou em mim , o sonho...Eu ainda quero saber o que aconteceu ali , quando a Samara me tocou e eu senti aquilo. É como se seu toque me queimasse , como se fosse algo ruim , o que não faz sentido já que Samara é um tonta , chata e vaidosa demais. Acho que só tem uma explicação plausível para isso : Eu estou perdendo meus "poderes" , cada vez que fico com os humanos eu vou me perdendo no meio deles , nem consigo distinguir o cheiro deles.Peguei a caixinha que Samara me deu e balancei nas mãos perto de meus ouvidos , era algo pesado e soltava um som abafado dentro da caixa , não queria abrir agora. Prefiro abrir em casa , para que eu possa saber se vou querer ficar com o tal presente.Passei uma 4 horas na floresta pensando sobre como tudo está acontecendo rápido, uma hora você está normal sem se preocupar com nada e então em fração de segundos sua vida vira de cabeça para baixo. Me levantei decidida a enfrentar tudo de cabeça erguida e peguei o caminha de volta para casa.Assim que cheguei na mesma vi as luzes de acesas e sapatos cobertos de neve na entrada , Carl estava lá. Tirei meu agasalho e me livrei de meus sapatos que assim como os dele estavam cobertos de neve , sacudi a cabeça tirando o pouco de neve que sobrara em meu fios ruivos e entrei em casa.– Rose , meu amor! — Ele veio até mim e me abraçou.Ele estava apenas com uma calça flanela e uma camiseta polo , sua boca cheirava à frango frito e seus dedos tinha molho para carne. Sua barba por fazer roçou em minha bochecha . Esse cheiro dele estava quase me sufocando então me afastei e fui em direção ao quarto tirando minha camiseta e colocando outra para dormir , fiz a mesma coisa com minha calça.– Não sei como consegue usar tão pouca roupa nesse frio! — Exclamou entrando no banheiro e lavando as mãos.– Não sinto frio — Falei , o que era verdade já que minha pele era quente por natureza.– Pois eu sinto, e te digo que está fazendo frio ,por isso hoje dormiremos de conchinha . — Ele veio até o quarto e agora com um balde gigante de frango frito. — Quer?Ignorei seu comentário e segui para a sala , sentei no sofá mas me levantei na hora porque lembrei do presente de Samara. Fui até a entrada e peguei a caixinha no agasalho.– O que é isso? — Perguntou Carl, sentado no sofá.– Uma colega de trabalho me deu hoje. — Falei sem um pingo de empolgação.Já o Carl abriu um sorriso e disse:– Amo presentes , abre logo! – Tá, espera . — Falei.Defiz o laço na caixinha e a abri. Havia outra caixinha debaixo da primeira , levantei uma sobrancelha e Carl gargalhou.–Te trollaram , Rô. — Ele se levantou e foi até a cozinha.Intrigada , abri a outra caixinha e encontrei um embrulho envolvendo algo , ele estava envolvido por fita durex . Ah, sua puta, você só pode estar de brincadeira!, pensei . Depois de muito tempo consegui me livrar da fita e tirei o embrulho. O ar faltou em meus pulmões e meu coração acelerou , minha boca estava aberta e meus olhos arregalados , larguei o presente no chão e corri para meu quarto . Ela sabia.– O que houve , Rô ? — Carl apareceu na porta segundos depois. Ela sabia , aquela vadia desgraçada sabia. O que tinha por trás do embrulho? Uma miniatura de lobo.Como se estivesse dizendo " Eu sei de seu segredo , e agora te tenho nas minha mão." Ela sabia. E agora eu precisava ser forte para mais um inimigo , para mais uma briga intensa . Ela pode revelar isso á qualquer pessoa e eu terei que fazer o que ela quiser. Mas isso é o que eu quero saber: O que ela quer?
Notas finais
E aí ? Gostaram? Gente , QUE QUENGA! Eu rodava a baiana na cara dela! O que será que vem por aí ? O que será que ela quer ?
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