She wolf
9 O Possado e a Perseguição
Notas iniciais
Era estranho, quando aquela pantera negra cravou suas garras no peito do meu pai senti um vazio no coração. Me senti tonta e minha visão ficara turva,eras como se tudo ao meu redor estivesse em modo "mudo".
Minha avó um dia falara que a vida era uma coisa sem sentido: Leva pessoas boas, inocentes e honestas e as más ficam. Para corroer toda a bondade do mundo. Talvez ela tenha razão e seja por isso que meu pai está tendo esse destino.
O grito agonizante de dor que saiu da boca do meu pai me fez voltar à realidade. Corri em direção a ele que já estava caído no chão e gemendo alto. Uma pantera se aproximava dele e corri ao encontro dela. Cravei minhas presas em seu pescoço , torcendo-o até quebrar.
Voltei para meu pai. Havia uma poça de sangue que ultrapassava o limite de sangue que alguém poderia perder , o cheiro era de ferro e dançava em minhas narinas me fazendo querer vomitar. Meu pai gemia muito e esse som me deixava zonza , era seu fim.
— Pai! — Sussurrei com a voz rouca em seu ouvido. Seus olhos se abriram e se direcionaram para mim. Seu peito descia e subia rapidamente.
— Sav. — Soltou em um suspiro seguido por um gemido alto. — Eu... amo... vocês.
Foi sua última palavra , até que seu peito parasse de se mexer e sua respiração estivesse completamente parada. Uma dor preencheu meu peito fazendo-me sentir a falta do ar , puxando-o para dentro dos pulmões. Cambaleei para o lado e toquei meu focinho no seu para sentir seu cheiro.
Eu amo vocês. Ele se referia a mim, mamãe e a Mykah. Sua família. Nossa família. Um família partida, quebrada.
Meus olhos se encheram de lágrimas ao lembrar de nossos momentos juntos. Nossas brincadeiras , brigas , meu crescimento , o nascimento de Mykah.
Passei meu olhos pela floresta procurando por um lugar que eu pudesse fugir e nunca ter que olhar nos olhos de minha mãe e dizer que seu marido , o amor de sua vida estava morto. Olhar nos olhos de Mykah e ter que ver lágrimas brotando deles , eu não aguentaria.
Foi então que eu a vi. Em meio à toda confusão, e briga que acontecia eu a vi. Há uns 50 metros de mim estava Kenia.
Kenia era uma loba muito esperta. Já fora minha amiga , mas tudo acabou quando ela foi expulsa da Matilha. Ela fora pega traindo nossa matilha com nossos inimigos e esse era um crime imperdoável na nossa matilha. Ela fora expulsa há 2 anos , e achara que era injusto. Revoltou-se contra os pais e matou sua mãe , ela era muito temida por todos , mas não por mim. Nunca tive medo dela , ela sempre soube que sou mais forte que ela , que em uma batalha eu venceria. Mas algo estranho havia ali. Naquele dia, o de sua expulsão , ela prometera se vingar. Os lobos ficaram aterrorizados, e por exato um ano nos escondemos como medrosos. Mas então se passaram dois anos e nada havia acontecido, nós esquecemos dela.
Então tudo fez sentido. Lá estava sua vingança. Olhei para trás e vi a luta entre Panteras negras e Lobos gigantes. Olhei para alguns caídos no chão , mortos. Assim como meu pai . Ela não se vingou apenas de um , mas de todos.
Em seu rosto havia um sorriso diabólico e um olhar malicioso. Senti toda dor e tristeza se esvair de meu corpo dando lugar à raiva , à revolta e ao sentimento de vingança. Encarei-a por alguns segundos, mesmo que ela não estivesse me vendo.
Tomei coragem e corri em sua direção. Quando eu já me aproximava o suficiente para atacá-la ela percebeu minha presença, arregalou os olhos e correu.
Ela corria rápido , mas não tão rápido como eu. Corremos pela floresta como a caça e o predador. As árvores era quase iguais mas eu já conhecia aquela parte da floresta. E se ela continuasse em direção leste eu conseguiria colocá-la em uma armadilha.
Ela parou em um penhasco enorme, onde havia uma cachoeira e outro penhasco do outro lado. Ela virou a cabeça para os lados procurando por uma saída mas eu já estava perto o suficiente para atacá-la, e foi o que ei fiz.
Pulei em suas costas fazendo-a rolar pelo chão e ficar a poucos metros de cachoeira , ela levantou-se e rosnou alto para mim. Dava medo , escutar aquele som de novo , dava medo. Rosnei mais alto ainda para que ela soubesse que seria seu fim.
— Vou fazê-la sentir a dor de meu pai. Irá me implorar perdão. — Gritei para que ela ficasse assustada.
Mas ela não ficou. Ela manteve a postura de ataque com os dentes à mostra. Aproximei-me dela e ela rosnou. Não deixei-me intimidar , corri rápido até ela e mordi-a no pescoço. Consegui tirar um pedaço mínimo de sua carne fazendo-a gritar alto e contra-atacar. Suas garras passaram por minhas costelas e pulei para trás , esquivando-me tarde demais.
Pulei nela colocando-a de costas para o chão e despejei mordidas por suas patas. A briga durou alguns poucos minutos até que em um momento mordi forte outra vez seu pescoço. Ela cambaleou até a cachoeira e caiu no chão próxima à mesma.
Naquele breve momento , em que seu semblante carregava dor eu consegui sentir um pouco de pena. Eu lembrei de sua imagem com sua mãe quando ela colhia flores para dar à todas as fêmeas. Mas então eu lembrei que ela matou sua mãe e provocou a morte de meu pai. Lembrei que se não fosse por ela meu pai poderia estar comigo agora.
Andei devagar dramaticamente até ela. Uma poça de sangue saía de sue pescoço e eu tinha certeza que ela estava pior do que eu.
— Poderia ter sido diferente. Você poderia estar do lado oposto. Mas você não coopera. — Sussurrei em seu ouvido para que ela tivesse certeza de que eu estava lá.
Ela gemeu e deixou-se reprimir um soluço alto e doloroso. Prometi a mim mesma que seria rápido. Que mesmo que eu tenha dito para ela que a faria sofrer eu não queria isso. Eu não sou como ela. Eu não sou um monstro.
Passei minhas garras fortemente por seu pescoço e ela emitiu um grito forte. Fechei os olhos e deixei uma lágrima cair. Eu havia me transformado nela. Eu fiz uma coisa ruim por vingança. E isso era horrível.
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