She wolf
11 Como um lobo, um predador.
Notas iniciais
Era Junho e o inverno já tinha chegado , o que deixava a floresta mais bonita. A neve que caía levemente sobre o chão que já possuía um certo volume de neve. Era tudo muito lindo.
Mykah estava no quarto , colocando um roupa. Iriamos na cidade comprar algumas roupas para ela já que minhas roupas dariam duas dela. Não é o tipo que eu gosto de fazer , nunca fiz isso antes , a maioria das roupas que tenho Carl que comprou. Já que Carl não pode saber de Mykah e Mykah não confia em mais ninguém além de mim sou obrigada a ir com ela.
Minha irmã apareceu na sala com uma calça que ganhei assim que cheguei aqui , que eu já não usava. Uma camiseta xadrez preta e branca com magas compridas e um cachecol preto de tricô. Seus olhos azuis penetrantes me lembravam da mamãe , talvez uma lembrança boa. Ela ainda estava um pouco abatida e sua pele estava corada , pedi que ela soltasse o cabelo ruivo que ia até a cintura. A franja envolvia seu rosto deixando-o oval.
— Vamos? — Perguntou numa voz cálida.
Sorri com a sensação de conforto que sua voz trouxe para mim. Fui até ela e envolvi seu braço no meu.
— Vamos , sim. — Falei e levei-a até a porta.
* * *
Estávamos com algumas sacolas nas mãos andando pela rua deserta. Já passava das sete da noite, o vento soprava em meu rosto fazendo meu cabelo voar.
— Eu sinto tanta falta de casa . — Falei depois de um tempo , respirando o ar profundamente.
— Não é mais a mesma coisa. — Disse , olhando para baixo.
— Como assim? — Perguntei virando meu rosto para ela.
— As coisas mudaram. Está pior. Depois que você foi expulsa Leon mudou as normas da matilha. Não podemos nos afastar mais de 50 metros do grupo. Não podemos entrar em contato com lobos de outras matilha , principalmente quando o lobo foi expulso. — Ela explica.
— Isso é ridículo! — Falei.
Mykah não falou mais nada e o resto do caminho foi preenchido pelo barulho que o vento fazia. Quando chegamos em casa jogamos as sacolas na cama e fomos para a sala.
— E o Apollo? — Perguntei depois de um tempo em silêncio.
Ela se sentou no sofá ao meu lado e suspirou. Um suspiro de cansaço que me assustou. Ela sabia da minha paixão por Apollo.
— Quando eu disse que muita coisa mudou, eu quis dizer...muita coisa. — Falou e eu senti um aperto no meu coração.
— O que houve? — Perguntei quase sem voz.
Senti as lágrimas em meus olhos e tentei ignorá-las.
— Ele está diferente,não sei. Acho que sua saída o deixou perturbado , não é o mesmo. Diz coisas sem sentidos , já gritou com a mãe dele e... disse te odiar. — Falou.
A lágrima intrusa saiu sem nenhum aviso e não me atrevi a olhar para Mykah , mas ela estava me olhando. Me levantei antes de chorar como um bebê e fui para meu quarto.
— Bom. — Suspirei. — Não importar mais. Vou tomar banho , já está tarde , por quê não se troca para ir dormir?
Ela não falou mais nada , apenas concordou e se levantou.
Ela tomou banho e depois de alguns minutos se deitou. Esperei ter certeza que já dormia e saí de casa. Eu não me permitia chorar na frente ninguém , principalmente quando é Mykah ,que sempre teve uma boa impressão de mim.
Corri para floresta e tomei minha forma de lobo. Corri sobre minhas quatro patas e deixei o vento bater em meu rosto. Era ótima a sensação, alivio e liberdade.
Corri o mais longe que podia e parei quando avistei um lago quase congelado. Parei perto dele e encarei meu reflexo embaçado. Meu pelo permanecia branco , mas as patas estavam pretas pela longa caminhada.
Foi quando eu escutei um barulho. Como as folhas se mexendo , mas mais rápido. Levei minha atenção à direção e olhei as folhas continuarem a se mexer. Então um homem saiu de lá.
Era um homem magro, branco com uma camiseta surrada e calças jeans. Carregava uma mochila enorme nas costas e uma garrafa de água nas mãos. Ele tinha cheiro de suor e fazia muito barulho. Arfava à cada passo ,enquanto se agachava na beira do rio para encher sua garrafa de água.
Ele levantou a cabeça e olhou para o lado. E me viu. Arregalou os olhos e deixou a garrafa cair no lago. Ele se levantou deixou a levemente a bolsa no chão.
Eu não havia percebido até ele aparecer. Meus instintos animais se aguçaram e eu tinha certeza de que minhas pupilas estavam dilatadas. Eu sentia uma fome descontrolada. Eu não queria fazer isso, eu não precisava disso.
Mas acontece que era mais forte que eu, eu não podia controlar , eu não conseguia.
Enquanto ele se distanciava devagar eu tentava me manter parada e não ir atrás dele. Mas era impossível.
Andei assim como ele em sua direção e ele ficou alerta. Assim que chegou na floresta correu como um louco. Corri em sua direção , mas devagar. Consegui achá-lo dez metros à frente.
Pulei nele fazendo-o gritar de dor. Fiquei em cima dele e olhei em seus olhos , vi o medo e a dor que passavam nele. Senti repulsa de mim mesma e quis morrer ali , com ele.
Dei a primeira mordida em seu pescoço para que fosse rápida. Ele soltou um rugido alto que logo se calou.
A sensação de sua carne fez meus instintos mais selvagens aparecerem e me deixarem nos céus. Era simplesmente maravilhoso provar a carne humana , mas deplorável para um lobo.
Descobri naquela noite que desde o dia em que burlei as leis da matilha eu nunca seria a mesma. A antiga Savannah se foi , e deu o seu lugar à um monstro que eu precisaria ser até o dia de minha morte, que eu desejava que estivesse próximo.
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