Me chamo Arkecia. Nunca fui de muitos amigos, na verdade poucos são o verdadeiros, não enchem nem uma mão. Não reajo bem aos elogios que me são feitos e muito menos consigo distinguir ironia de verdade -dizem que sou meio lerda-. Moro no interior da França, numa cidade um pouco perto de Paris e curso meu último ano na faculdade de Artes, o que por um lado é bom, por outro nem tanto... Não tenho um bom relacionamento com minha família por conta da minha sexualidade (sim, eu sou lésbica). O que me deixa mais triste é nunca ter encontrado alguém boa o suficiente para me satisfazer por inteira e preencher todos os espaços vazios que existem aqui dentro de mim. Esse ano entra a turma de calouros no campus de moda e estou ansiosa, ou pelo menos finjo estar, pra que isso aconteça. Alguns brasileiros virão para cá em forma de intercâmbio e espero saber mais da cultura de todos, pois fui encarregada de recebê-los e hospeda-los nos aposentos da nossa pequena cidade de Orry La Ville. Meu amigo, Laurent, parecia mais ansioso que eu com a notícia de carne nova no pedaço e ficou falando sobre a vinda de estrangeiros para cá durante toda a semana até conseguir me deixar irritada com ele.
- Arkecia, por favor, deixe-me ir com você pra buscar esses brasileiros! — Não, Laurent. A direção encarregou que eu fizesse isso sozinha. — Mas Arkecia, imagine de quantas meninas bonitas eu vou ter a chance de pegar o número? Por favorzinho, me leva! — Laurent, já disse que não! Você esta enchendo meu saco.Me tirar do sério não é muito difícil e ele fez isso de propósito, tenho certeza. Na sexta-feira, véspera da vinda dos calouros, fui aos apartamentos checar tudo para ver se não faltaria nada para nenhum deles e estava tudo o.k. e então fui dormir fingindo estar ansiosa com a vinda de pessoas desconhecidas que poderiam não gostar de mim. Fiquei pensando nessa possibilidade durante toda a madrugada até que cai no sono.
O grande dia chegou e então fui ao aeroporto de Paris para buscar e encaminhar todos -os anos que passei no Brasil me ajudaram ao desenrolar o português-.
- Olá! Bem-vindos a França, espero ajudar a todos no que for preciso.Perguntei o nome de cada um e ouvi muitos diferentes.- Roberto. — Victoria. — Elizangela. — Bianca.- Eu.. Eeeuuu me chamo Thaina... Por um segundo que parecia uma eternidade, reparei no sorriso da Thaina. A única entre todas as pessoas que chegaram que me abriu um sorriso. E não foi somente um sorriso. Sabe aquele sorriso que te prende e você se perde ao ponto de não prestar atenção em nada? Foi o sorriso dela.
Tomara que nós nos encontremos por aí, pensei.Levei todos aos seus apartamentos e os deixei acomodados até ir buscá-los na hora do jantar, eles pareciam famintos. Então os mostrei todas as comidas e expliquei de que era feito cada uma e todos se serviram e comeram bastante até que se satisfizessem. Os deixei em seus aposentos e quando já ia indo embora, eis que ouço uma voz no fundo do corredor a gritar:
- Arkecia, venez ici!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
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