She keeps me warm
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Há dois dias não vejo Stef, trocamos algumas mensagens sobre a noite fatídica, e não paramos por aí, começo a me questionar se vai dar em alguma coisa, descobri que ela bebe muito café porém é louca por um bom chá, é encantada por séries, filmes e livros, principalmente com temas policial e romântico, sonha em ter filhos mas não se enxerga grávida, confesso que quando chegamos nessa parte do assunto me imaginei com uma barriga enorme sentada no jardim enquanto ela tenta plantar alguma coisa na esperança de monte uma boa horta, o que não aconteceria com muito sucesso e eu a consolaria com abraços e beijos depois da frustração e de toda a bagunça na frente da nossa casa branca com azul marinho, ok confesso que viajo demais na maionese, preciso e pensar um pouco menos nela e em tudo o que eu desejo ter com ela, nem sei se vale a pena levar isso adiante, são tantas questões e eu não consigo largar as lembranças das mãos dela pelo meu corpo, dos sussurros no meu ouvido, da respiração acelerada ao atingir o ponto mais alto do prazer que nos proporcionamos, eu nunca me entreguei tanto e isso me dá muito medo. O fato é que eu sou ansiosa e tenho uma bagagem emocional enorme, tive alguns relacionamentos, nada arrebatador, o último não acabou muito bem, Marty, meu ex namorado, me perseguiu por meses por não aceitar o fim de tudo, ligações insistentes, visitas inesperadas e mais um bocado de bizarrices que eu nunca pensei que existisse num stalker. Por muito tempo eu não consegui sair de casa sem medo, tudo e todos me faziam tremer, hoje me sinto melhor em relação a isso, faço terapia, yoga e danço para cuidar da minha saúde mental e seguir em frente. Stef é a primeira mulher por quem me apaixono, me relacionei algumas vezes na faculdade com mulheres, nada que durasse mais que duas noites, nunca senti essa avalanche interna me consumindo de forma deliciosa até conhecer uma certa policial com perfume doce e um sorriso encantador.
Me arrumo o mais rápido que posso e corro pra redação, tenho uma reunião importante antes do almoço e preciso me preparar, manter o foco não será fácil.
— Precisamos manter os leitores mais presos em certos pontos do jornal, os números caíram bastante em leituras dos editoriais, por exemplo, o que você acha, Lena? — Rachel lança um olhar estranho quando percebe que eu estou com a cabeça em Marte.
— Lena? — ela me chama novamente.
— Sim, claro! Concordo plenamente — respondo desajeitada, tenho certeza que estava fazendo minha cara de pensar em sexo, ela é única e ridícula, parece que estou hipnotizada por um frango de padaria.
Rachel é diretora de marketing do Boston News e eu não consigo entender o que me irrita tanto nela, pode ser a necessidade de chamar minha atenção o tempo todo, isso me deixa enlouquecida. Me dou bem com todo mundo no trabalho, amo a minha profissão e batalhei muito pra chegar onde estou, só que nem sempre é fácil chefiar uma equipe com uma sócia que vive do outro lado do mundo, Anna embarcou na minha ideia de abrir um jornal assim que saímos da faculdade, ela cursou economia e eu jornalismo, ela investiu e eu pus a mão na massa, seis meses depois da inauguração ela se mudou pro Japão e eu tive que lidar com o fato de ter minha melhor amiga e sócia muito longe, seis anos depois o jornal é o maior de Boston, Anna tem muitos negócios no Japão e eu ganhei uma afilhada linda que vejo só duas vezes por ano, sinto falta delas, até de Josh eu sinto falta, o marido maluco de Anna, mal posso esperar pelo próximo feriado de ação de graças para revê-los.
O dia se arrasta e eu só penso em como e quando será a próxima vez em que encontrarei Stef, será que ela tem medo de se aproximar demais? Ou que precisa de espaço? Eu definitivamente não sei viver no escuro, preciso de informações mais claras e precisas, já terminei quase tudo na redação quando meu celular toca e eu quase infarto quando vejo o nome dela na chamada.
— Boa tarde, é do maior jornal de Boston onde a chefe gosta de observar a farda de uma certa policial? — ela estava bem humorada e eu morrendo de saudade.
— É daqui sim, já leu seu exemplar com franjas, hoje? — ouço a gargalhada mais gostosa do mundo do outro lado da linha e sinto meu coração bater mais rápido.
— Estou atrapalhando seu dia?
— Claro que não! Até porque eu pensei bastante em você hoje. — Eu e a minha boca grande, me sinto corar.
— Bom saber que eu não estou nessa sozinha.
— Como assim? — então ela está comigo?
— Lena, eu não consigo parar de pensar em você e como tudo aconteceu, tão rápido, tão intensamente.
— Nós precisamos conversar, posso te esperar no café que tem ali na esquina da delegacia? — torço para que meu convite seja bem vindo.
— Claro, te encontro lá em 15 minutos. — o tom dela era muito sério.
— Tudo bem então, até já.
— Ok...
— Stef?
— Oi
— Se eu disser que trouxe minha blusa de franjas escondida na bolsa porque ela tem seu cheiro, você me acharia maluca? — Não sei o que me deu mas eu precisava saber, meu filtro entre pensamentos e falas some com ela.
— Não te acho maluca, tenho uma certa inveja, pois queria ter alguma coisa com seu cheiro aqui, embora ele não tenha saído da minha memória por nenhum instante.
— Podemos resolver isso, 10 minutos, estarei na mesa 13.
As borboletas no meu estômago estão agitadas, meu coração quase saindo pela boca e eu não sei o que fazer, ajeito o cabelo, retoco o batom e saio do carro confiante de que a conversa naquele café resolverá todos os meus anseios em relação a Stef Foster.
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