She Wolf

4 Ruína


Notas iniciais
Mais um capítulo para meus queridos leitores. Espero que gostem!!! Boa leitura o/

Sebastian

Respirei fundo ao sentir a brisa passar por mim. Uma leve chuva caia entre a floresta, levando parte da neve consigo. Encostei minha cabeça na pilastra ao meu lado enquanto fitava a água cair dos céus de minha janela. Eu deveria estar dormindo, mas simplesmente não conseguia desviar meu pensamento da caçada.

Eu era líder desde os treze anos. A escolha da liderança de nossa matilha era bem clara, quem fosse suficientemente forte para matar o Alfa, seria o novo líder. O antigo Alfa havia causado... alguns problemas e eu fui praticamente obrigado a matá-lo. Eu jamais havia planejado ser Alfa, ninguém deveria desejar tal cargo para si próprio. Fui obrigado a crescer antes do tempo, aprendi a matar antes do tempo e a pensar como líder.

Ser o Alfa significava ser admirado e respeitado por todos. Significava ter que ser forte e justo quando necessário, mas também saber ser amoroso quando fosse a hora. Apesar de ter uma família enorme, era bem solitário. Mesmo tendo uma fera interior, eu ainda tinha meu pedaço humano, onde estavam meus medos e infinitas inseguranças, mas como líder, eu não podia mostrar isso a eles, jamais.

Minha mente vagou outra vez para a caçada. Quando Lana atacou aqueles dois homens eu senti um súbito arrepio percorrer minha espinha. Ela não era nada do que eu planejava e nada que eu poderia suportar. Aquela garota era simplesmente um enigma, eu não conseguia ler suas expressões ou adivinhar seus pensamentos. Ficar perto dela fazia meu corpo e mente entrarem em colapso, ela poderia ser minha ruína, a ruína de todos nós. Lana era completamente imprevisível e por mais que eu negasse, eu gostava disso. Eu precisava disso, não sentia isso fazia muito tempo.

Meu corpo enrijeceu e meus olhos se fecharam ao ouvir passos passando rapidamente pelos corredores. Ouvi uma respiração nervosa e acelerada enquanto o ranger de uma porta era claramente ouvido. Levantei-me rapidamente e corri para fora do quarto. Respirei fundo, tentando farejar quem quer que fosse. Direcionei meus passos para o lado de fora. A grande porta de madeira na entrada estava entreaberta, encarei o lado de fora, no meio do mar branco de neve repousava uma capa de um forte vermelho.

Desci as escadas, a chuva gelada ainda caia. Me aproximei da capa vermelha e fitei-a. Não, não era apenas uma capa. Tinha alguém ali...

–Lana?

Ela ergueu seus olhos, assustada com minha chegada. Seus cabelos castanho-escuros grudavam-se em seu rosto devido a chuva. Seus olhos brilhavam em um azul claro enquanto lágrimas de desespero caiam em seu rosto.

–Sebastian, o que você...

O brilho de seus olhos se esvaiu e voltaram ao seu azul escuro e profundo original. Seu corpo tombou na neve e sua respiração finalmente se acalmou. Meus joelhos cederam e segurei-a em meus braços. Seu corpo estava gelado, passei meu polegar por seu rosto.

–Lana. Lana, acorda.

–Não está mais funcionando... -Murmurou ela.

–O que?

–A capa... Não está mais funcionando. -Uma lágrima escorreu de seus olhos enquanto se fechavam.

–Lana, o que você... -Sacudi a cabeça. Eu mal enxergava devido a chuva, estava ficando cada vez mais forte- Ah, depois falamos sobre isso.

Passei meus braços por seu corpo e a ergui do chão, correndo de volta para dentro. Passei pelos correndo de volta para o quarto. Ela estava começando a tremer e ficar ainda mais fria. Abri a porta com um chute e coloquei-a na cama. A capa vermelha estava praticamente encharcada. Procurei o nó para abri-la. Estava prestes a puxar o fio quando a mão dela me parou. Seus olhos se abriram assustados e ela me encarou, nesse momento meu corpo foi inteiramente tomado por um súbito calafrio. Era sempre assim, quando ela me encarava, era como se ela pudesse ver tudo. Simplesmente com um olhar eu sentia como se ela pudesse entender... Não, ela não poderia. Ninguém poderia.

–Eu preciso ficar com ela...

–Lana, o que raios houve com você?

–Eu não posso falar sobre isso. -Ela apertou os lábios e encarou a janela.

–Por que não? Você estava fugindo?

–Sebastian, eu já disse que eu...

–E o que você quer que eu diga? -Berrei, ficando de pé. Por qualquer que fosse o motivo, a raiva queimava em minhas veias. Alguma coisa estava acabando comigo, tirando tudo o que eu tinha construído nesses últimos anos, como se eu fosse fraco outra vez.- Lana eu confiei em você. Eu deixei que você ficasse aqui, deixei que fosse na caçada conosco, mas você tem que entender que se for necessário eu... eu...

–Vai ter que me matar. -Ela respirou fundo e apoiou-se, sentando na cama.

Andei até a janela e abri as cortinas para alcançar a varanda. Apoiei minhas mãos sobre o muro, tentando manter a calma. Meus olhos começavam a arder. Fitei o céu, a lua me encarava de volta. Senti minha respiração se acelerar rapidamente. Cerrei meus pulsos o mais forte que pude. Eu precisava manter o controle.

–Sebastian?

Arregalei meus olhos. O sangue fervia em minhas veias, eu precisava sair dali. Eu poderia facilmente pular até a floresta. Senti mãos segurarem meus braços e algo ser jogado sobre meus ombros. No momento que notei a capa de Lana sobre mim, perdi totalmente a noção de tudo. Meus olhos se embaçaram e tudo parecia girar. A sensação era como correr o mais rápido possível, sentir sua respiração acelerar e parar pouco antes de cair em um penhasco.

Lana ainda segurava meus ombros. Subitamente, a dor parou, minha respiração se acalmou e tudo voltou ao normal. Encarei-a confuso.

–O que foi que você fez? -Perguntei.

–A capa... Impede a transformação.

–O que? Como?

–Não sei, minha vó a deu para mim quando eu tinha dez anos. Mas... não está funcionando como deveria. -Ela brincava com as mãos na tentativa de se distrair.

–O que quer dizer com isso?

–Ela sempre me contou histórias sobre a lua vermelha. Nós perdemos o controle com mais facilidade. Você sentiu, não foi? É o efeito da lua, e quando for lua cheia outra vez todos perderemos o controle.

–Foi por isso que estava fugindo?

Os olhos dela se arregalaram em surpresa.

–Eu não... queria que se machucassem.

Segurei o rosto de Lana com uma das mãos e o ergui. E quando ela finalmente encarou notei o quanto estava assustada. Mesmo parecendo tão segura de si o tempo todo, ela escondia seus medos. Ela era como eu.

–Você é parte da família agora. Nenhum de nós vai se machucar, eu não vou permitir que isso aconteça.

Ela assentiu levemente, seus olhos olhavam para todos os cantos do meu rosto, como se estivesse me analisando. Ao cruzar nossos olhares outra vez, ela sorriu e depositou a cabeça em meu pescoço. Entrelacei meus braços sobre ela e senti sua respiração se acalmar.

Eu mal sabia quem ela era, mas, de alguma maneira, eu sabia que precisava dela. Assim, fechei meus olhos e tudo se acalmou finalmente.

Notas finais
E então, o que acharam do Sebastian? Fiquem a vontade para dar suas opiniões. Vejo vocês nos comentários! OBS,: Sei que o capítulo não teve acontecimentos incríveis, mas ele foi necessário, a próxima atualização vai ser ótima, prometo ;)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.