Los Angeles, quatro de fevereiro de 2013

Cinco anos.

Esse era o tempo que Elizabeth estava presa na clínica de reabilitação Mayden. O tempo que seus tios colocaram-na naquele lugar. O tempo que percebeu que realmente precisava de ajuda.

Durante esse tempo, foram-se companheiros de quarto, médicos, viu até funcionários sendo demitidos, mas uma pessoa continuava lá. A única pessoa que ela fazia questão de confiar. E esse era Byron, o velho faxineiro que trabalhava lá há dez anos. De certa forma, a garota confiava em Byron, por causa de seu tempo.

Estava deitada em seu quarto, olhando para o teto. As paredes cinza daquele lugar davam agonia para a menina, o carpete azul estava com manchas de sangue de uma recaída recente que teve, sua bandeja estava vazia, pois havia acabado de tomar seu café da manhã. Sentiu alguém batendo à porta e sorriu ao ver o rosto do amigo.

— Olá Byron. — Ela falou — Tudo bem?

— Sim Liz. — Ele falou — Feliz aniversário.

— Obrigada. — Sorriu — Seria mais feliz se... Bom, pelo menos minha família se lembrasse da minha existência, mas pelo que eu estou vendo, eles não estão ligando nem um pouco para mim.

— Você sabe que eles podem estar sendo vigiados pelo seu pai.

— Por favor! — A garota riu ironicamente — Pelo menos uma carta. Pelo que eu saiba, Jeremy não tem contato nos correios do Tennessee e muito menos daqui de Los Angeles.

O mais velho respirou profundamente. Mas claro que Liz sentia falta da família, estando cinco anos preso no mesmo lugar sem souber como está o mundo lá fora, mantendo-se informada de tudo graças aos adolescentes que dividiam quarto com ela antes de ir para um quarto individual, ele também se sentiria da mesma forma. Arrasado. Triste. Querendo morrer.

— E sua família Byron? — Ela perguntou — Como eles são?

— Nem toda família é perfeita. — Sorriu amarelo — Meus pais já faleceram, minha esposa continua fazendo artesanato como uma distração, já que está aposentada. Meu filho mais velho se mudou para Londres, pois conseguiu uma oferta de trabalho incrível lá. Já minha filha mais nova, Annie, está terminando de cursar psicologia. Ela quer trabalhar aqui.

— Sério? — A loira perguntou, incrédula — Quem vai querer trabalhar aqui?

— Muita gente. — Ele respondeu — Incluindo seu novo médico.

Mas claro, como que ela pôde esquecer? O seu quinto médico chegava hoje, no dia do seu aniversário. Um médico para cada ano, todos eles — melhor, todas elas — saíam do hospital falando a mesma coisa. Que Elizabeth não tinha salvação e desmotivava os outros pacientes. Foi por causa da terceira médica, Ammely, que ela está em um quarto individual. Depois disso, sua última médica, Tanya, tirou a garota das sessões de terapia em grupo. Dizia que a garota não iria mudar, que os demais pacientes continuavam na pior por terem uma pessoa tão negativa por perto. Dois dias depois, saiu do hospital.

Ridícula, pensou Elizabeth.

— Quando ele ou ela vai chegar Byron?

— Muito provavelmente daqui a pouco. — Respondeu — Vista algo legal. Não para ele, mas por causa do seu aniversário.

Olhou para a foto de sua mãe que tinha no criado-mudo. Suzanne sempre fora muito delicada, porém aquele vestido dava um ar sereno. Era como se fosse um anjo.

— Acho que não. — Tentou sorrir — Não quero criar esperanças de poder finalmente sair daqui.

O Volkswagen Jetta de cor preta parou na porta do Mayden. O segurança ajeitou o uniforme e foi receber o motorista ao ver o carro parado.

— Preciso da identificação. — Respondeu.

O homem que estava no carro retirou os óculos escuros e mexeu em seu porta luvas, encontrando a identidade e a folha de admissão com a assinatura da doutora Shannon Blake, a médica que fez sua entrevista.

— Pronto senhor. A identidade e a minha folha de admissão estão aí.

O segurança conferiu o rosto do homem com a foto presente na identidade e todos os dados presentes.

— Bem-vindo à clínica Mayden, doutor Ethan Collins. — Falou, entregando os documentos — Pode estacionar em qualquer vaga disponível no setor de funcionários. Caso queira alguma ajuda, posso chamar uma médica que não esteja atendendo nenhum paciente no momento.

— Muito obrigado, mas não quero incomodar. — Sorriu — Vou olhar na recepção. Obrigado novamente senhor.

Ligou o carro novamente e foi procurar uma vaga no setor de funcionários, conforme orientado pelo segurança. Estacionou entre um Volkswagem Beetle e uma BMW Z4 Roadster azul marinho. Deu uma olhada no retrovisor e viu que seus cabelos castanhos e compridos estavam bagunçados por causa do vento da viagem de Washington até Los Angeles, mas ignorou. Saiu do seu carro e abriu o porta malas, retirando seu jaleco branco e vestindo-o logo em seguida.

Não precisou de andar muito, apenas alguns passos e entrou no grande prédio branco. O hall havia o piso de madeira e as paredes eram pintadas da cor neve. No canto direito da sala havia uma lareira e dois sofás brancos de três lugares cobertos de almofadas pretas e brancas, com uma mesa de cabeceira marrom claro, quase bege. Havia uma TV fixada na parede e nenhum paciente ou visitante estava lá.

Dirigiu-se até a mesa da recepção, onde havia uma mulher ruiva, com um jaleco e blusa polo com os escritos "Reabilitação Mayden". Tinha uma expressão ingênua, ressaltada pelos olhos azuis da mulher.

— Com licença senhorita. — Ele falou — Meu nome é Ethan Collins, sou o novo médico daqui, quem fez minha entrevista foi a doutora Shannon Blake. Gostaria de saber se necessito passar na sala de admissão novamente, para pegar o crachá e saber sobre a lista de pacientes.

— Só um momento que vou conferir de Mattew está lá na sala. — A garota discou o ramal da sala de admissão, que não atendia.

— Mattew está de folga. — Uma terceira voz falou — Meu paciente apenas vai ser às 10:00 e agora são 09:00, se você me der as chaves eu passo lá.

A mulher tinha grandes cabelos negros e pele morena. Seus olhos castanhos eram destacados por causa de seu rímel perfeitamente passado, sem exageros.

— Olá, sou a doutora Isabelle Valdez. — Esticou a mão para o homem — Você é...

— Ethan Collins. — Apertou a mão da mulher com segurança.

— Ah sim, a doutora Shannon falou que você é um recém-formado. — Soltou sua mão — Vamos para a sala da admissão?

— Sim. — Ele falou e virou-se para a recepcionista — Obrigado.

— Não há de quê.

Ethan andou atrás de Isabelle prestando atenção naquele lugar.

— Tenho que fazer um tour com você. — Comentou — Veremos sua disponibilidade à tarde para isso. E no almoço não se preocupe, pode almoçar comigo e com Joshua, meu noivo.

— Ele trabalha aqui?

— Sim. — sorriu — É responsável pela área de traumatologia mais grave. Não cuidamos apenas de reabilitações com dependências, também cuidamos de pacientes que sofreram graves lesões nos membros que não conseguiram se recuperar. Oferecemos sessões de fisioterapia, neurologia e psicologia. É como aqui, só que lá os pacientes tem uma coisa que muitos pacientes daqui não tem.

— O que seria?

— Esperança.

Pararam de frente à uma porta escrita "Admissão". Isabelle colocou a chave na fechadura e girou-a rapidamente. Assim que a porta abriu, ligou a luz e dirigiu-se à mesa, verificando os papéis que estavam em cima desta.

— Achei. — Sorriu — Aqui está sua papelada.

Entregou os papeis finais para a admissão nas mãos dele.

— Vou procurar o arquivo das pacientes da doutora Tanya Carolynn, devem estar por aqui em algum lugar. — Falou, olhando em um arquivo e passando os nomes dos arquivos até achar um com o nome "PACIENTES: DRA. TANYA CAROLYNN" — Achei.

Abriu a pasta e leu as informações contidas nela.

— Sua primeira paciente é daqui a cinco minutos. — Entregou a pasta — Senhorita Elizabeth Parker.

— O que preciso saber sobre ela?

— Doutora Tanya e as outras médicas de antes consideravam a garota um caso perdido. — Falou — Eu até queria ser a médica dela. Tem algo naquela garota que não conta nada sobre a vida que me intriga, acho estranho. A maioria só quer sair daqui e para isso falam tudo... Mas ela não. Ela quer sair sem falar nada. É estranho.

Ótimo. Sua primeira paciente não ia falar nada com ele, por mais que ele insistisse.

— Onde é o quarto dela? — Perguntou.

— O elevador é aqui na frente, vá até o sexto andar, quarto 602. É um quarto privativo, apenas ela está lá.

— Obrigado doutora. — Ele sorriu — Encontro com você e doutor Joshua no almoço?

— Sim. — Ela respondeu — Caso fique perdido, só perguntar para um médico.

— Obrigado novamente. — Falou antes de juntar os papeis e ir para o elevador.

Nove e vinte e oito da manhã. Seu médico iria chegar agora a pouco. Elizabeth estava em seu quarto, calada. Olhou a janela, para observar a movimentação de alguns pacientes na terapia aquática, quando pacientes que sofreram diversos tipos de traumas neurológicos tentam se recuperar fazendo uma hidroterapia. Achava isso a maior bobagem de todas, pois não acreditava na eficiência do tratamento.

Mar. estava em Los Angeles fazia cinco anos e nunca viu o mar aqui.

Quando o relógio marcou nove e meia a porta foi batida e aberta. Rezou mentalmente para ser uma das recepcionistas falando que o doutor ou doutora não compareceria ou Byron, tentando animar seu dia.

Todas as duas hipóteses foram falhas então. À sua frente estava um homem alto, parecendo ser um pouco mais velho que ela. Usava jeans e camiseta preta cobertos por um jaleco. Seu queixo tinha o formato mais quadrado, com os cabelos à sua altura. Olhou nos olhos castanhos antes que o homem se apresentasse.

— Bom dia senhorita Parker. — Sorriu docemente — Meu nome é Ethan Collins e sou seu novo médico.

Notas finais
Então gente, gostaram? :D Desculpem a demora, mas estou correndo com algumas coisas da faculdade e nem tive tempo de postar... E fiquei mega feliz que tenho leitores :333 Deixem aqui seus comentários sobre o que estão achando, o que pode melhorar, pode falar sobre tudo, sou toda ouvidos.