Notas iniciais
Então gente desculpa pela demora, tava super sem idéia pra por aqui, mas aí tive essa, hahaha. Nos vemos lá em baixo.

O fim de semana passou voando. Já estava arrumada para o segundo dia de aula. Por incrível que pareça, por mais estranho e ridículo, eu estava “arrumada”. Peguei um jeans mais atual, resolvi usar um tênis de gente e uma blusinha que minha mãe havia me dado de presente nas férias. Também decidi pentear o cabelo, nada demais, nenhum penteado que demore duas horas. Aliás, eu já estava quase em cima da hora... Algumas coisas nunca mudam.

–Bom dia, querida. – disse minha mãe animada, nunca tinha visto ela assim, alguma coisa estava estranha.
–Bom dia, mãe! Acho que ainda dá tempo de eu comer uma das suas panquecas, né? — encarei a mesa do café da manhã com um sorriso no rosto. Minha irmã já estava sentada, segurando sua xícara de leite e com a cara enfiada na televisão. Só lembrou-se de me dar bom dia, quando eu já estava sentada.
Eu estava feliz, de bem humor. Acho que era por causa do fim de semana, ou da minha conversa animada com o Harry ontem, por telefone.

Ouvi a campainha, eram Leth e Jen, como sorrisos gigantes no rosto.

– Pra que esses sorrisos no rosto? Hoje é segunda feira. – Eu disse cansada. Elas estavam maquiadas, todas arrumadas. Retiro o que eu disse sobre estar normal, parece que aqui uma blusa e uma calça jeans não são tão normais.

Chegamos ao colégio e logo na porta me deparei com aquelas vadias de sempre na porta, se agarrando com os meninos, só pra variar.

A inspetora se aproximou dos alunos que estavam no portão e foram chamando-os para entrar, pois o diretor passaria de sala em sala apresentando os novos alunos.

Que ótimo, estou super a fim de ver essa cena vergonhosa.- disse Jen, sorrindo.

Subimos e logo achamos nossa nova classe, nos sentamos nos lugares habituais, Jen estava sentada na minha frente, e Leth do meu lado. O estranho é que sexta – feira nenhum aluno novo havia aparecido, tirando eu. Parece que hoje, todos chegaram.

– Bom dia, segundo ano. Fico feliz em receber vocês de volta. — alguns alunos soltaram comentários do tipo “eu não fico”, ou simplesmente tiraram sarro da careca do Padre Dom — Bom, só quero lembra-los que é bom vocês estudarem e manterem as notas boas desde o primeiro trimestre, não deixem nada para o último minuto. Não se esqueçam que agora é um novo ano, novas metas e objetivos. Enfim, quero-lhes apresentar os alunos novos. — disse, apontando para alguns que estavam em uma fileira próxima da minha. — Espero que vocês recebam eles muito bem, assim como foram bem recebidos quando chegaram aqui. — claro, eu fui super bem recebida. — Bom turma, só espero muito sucesso de vocês e bom ano letivo. Espero não encontrar nenhum de vocês na minha sala, pelo menos não hoje. — disse por fim e se retirou. Ouvir esse papo todo me deu uma vontade de ir ao banheiro, não sei, acho que tinha tomado líquido demais no café da manhã e agora estava querendo liberar tudo de uma vez.

–Professora! — a chamei. — Posso ir ao banheiro?! — disse, com a voz mais desesperada possível. Quando ela disse “sim”, corri para o banheiro e mal reparei num garoto que estava parado no corredor, ao lado da porta. Ele devia estar perdido, eu até ajudaria se não estivesse quase urinando nas calças.

Quase derrubei a porta do banheiro e quando finalmente aliviei a vontade, senti como se estivesse uns dez quilos mais magra. Dei risada sozinha e calmamente lavei as mãos, ainda tive paciência de arrumar o cabelo e passar no bebedouro, já que tinha eliminado parte da água do meu corpo, agora eu precisava repor.
Voltei pra sala e percebi que a maioria das pessoas estavam cochichando ou comentando sobre algo ou alguém. Quando a professora voltou ao quadro, notei que havia um garoto novo. Ele era alto, usava um jeans que estava escondido debaixo carteira. Um moletom com zíper que no caso, estava aberto; e uma camiseta preta, que marcava levemente seus músculos. Só me dei conta de que ele estava sentado no meu lugar quando fui a procura do mesmo.

– É.. Licença. — murmurei.
– Olá. – disse o fulano, abrindo um sorriso.

– Olá.
– Josh. – ele disse com um sorrisinho.

–Então, Josh. — sorri sem graça. — Eu sou a Jessica, e você está no meu lugar.


–Ah, eu tô? — ele olhou em volta, meio perdido.

– Sim, está. Não viu meu material? – eu disse, começando a ficar irritada.
– Vi, coloquei aqui atrás, olha… — ele disse olhando para trás.

– Tá, então. Mas eu sento aqui. – eu disse, totalmente sem paciência;


–Mas tem seu nome escrito aqui? — qual era o problema desse garoto?


– Não, mas meu material estava aqui, isso quer dizer que o lugar já estava ocupado. – eu disse.

–Achei que fosse de alguém que estivesse sentado em outro lugar e resolveu deixar as coisas por aí. — ele deu de ombros e voltou a copiar a matéria do quadro.


–Certo, só que agora você sabe que eram as minhas coisas, então levanta, porra. — não aguentei e falei o palavrão um pouco alto demais, chamando a atenção de todos.


–Não vou levantar, acho que você precisa aprender a ser mais educada… Como é seu nome mesmo? — ele respondeu, com irônia. — É que eu esqueço fácil das coisas.


– Pois eu vou escrever meu nome na cadeira e se preciso no meio da sua testa, pra ver se você lembra. Ou você sai daí ou eu te tiro. — rebati.

Quando ele ia me responder, a professora se aproximou de nós, pedindo para que eu me sentasse.

–Claro que eu sento, assim que esse folgado sair do meu lugar. — cruzei os braços.


– Não vou sair daqui, tem um monte de lugar ai pela frente, sua maluca obcecada. — eu ia falar o primeiro palavrão que veio a minha cabeça quando a professora ordenou que nós dois nos retirássemos e fossemos para a sala do diretor.

– Você sabe que a culpa é totalmente e pra sempre sua não é? – ele disse irritado.

Eu: Minha? Minha? HAHAHA. Calma! — respirei fundo, buscando paz interior. — Minha culpa por quê? Se o babaca intruso é você? — cruzei os braços enquanto caminhávamos pelo corredor.

– Era só um lugar caralho, quem você pensa que é? Princesa? – ele disse gritando.

Aquilo já tava me irritando demais, lá no Brooklin as pessoas, principalmente as líderes de torcida me irritavam demais, sempre tinha briga entre mim e elas, sempre.

Se ele acha que eu tenho medo dele, por ele ser menino estava enganado. Avancei nele e dei o soco mais forte que eu consegui em sua bochecha, não deve ter doído tanto, mas pelo menos ia ficar a marca. Ele ficou sem reação, obviamente, pessoas assim acham que são mais fortes, mais bonitos resumindo, melhores que as outras. Olhei a última vez para seu rosto, e saí andando para a sala do diretor.


– Eu disse que não queria visitas por enquanto, vocês estão lembrados? –disse Padre D,ele respirou fundo como eu tinha feito a segundos atrás e coçou a barba. – soube do que aconteceu, quero os dois na detenção depois das aulas por uma semana.

– Mas . . . – Josh ia começar a dizer, porém foi interrompido.

– sem mais! – disse Padre Dom com cara de não estava aprovando, para mim.

Logo o sinal da segunda aula tocou. Nós já podiamos ir. Entrei na sala e ignorei todos me olhando e comentando. Sentei no meu lugar, no meu devido lugar, aquele que o folgado quis tomar. Eu sei, parece infantilidade, mas não abro mão quando estou com razão. Agora eu também já não estava nenhum pouco a fim de falar com ninguém. Senti alguém me sacudindo, quando resolvi dar atenção já estavam duas pessoas ao meu redor.

– Caramba hein, tá difícil! – Letícia disse rindo.

– Meu deus, ele te fez alguma coisa. – ela disse preocupada.

– Não ele não fez nada comigo, eu que fiz. Olha a bochecha dele. – eu disse pouco me importando.

– Caramba! Quero você como minha segurança Jess! – Leth disse em tom de piada.

As aulas correram rápido, os professores ainda não estavam passando as novas matérias, afinal, era a primeira semana de aula. Ainda estavam se apresentando e tentando gravar o nome de cada aluno novo.

Fomos almoçar no pátio, não exatamente almoçar, lanchar é a palavra correta. Ninguém almoçava.

– Eaí Leth, o negócio com o Liam tá sério hein. – eu disse abrindo meu suco.

– vocês dois são tão lindos juntos. – Jen disse, com um sorriso.

– Falando nele, ó quem tá me ligando. – ela disse. Olhando para o telefone, com cara de dúvida.

– VAI LOGO ANA LETÍCIA! VAI DEIXAR O MENINO ESPERANDO? – eu disse rindo.

– Calma gente, tem que tocar algumas vezes, assim vai parecer que eu tô ocupada com alguma coisa. Ela atendeu o telefone. – Oi meu amor, tudo bem?

– LETÍCIA PORRA O ADALBERTO TÁ TE ESPERANDO! – disse Jen, rindo. Esperando que o Liam acredite nisso.

– É LETÍCIA, VAI DEMORAR PRA PASSAR A VODKA? – eu disse quase morrendo de rir.

Ela nos mostrou o dedo do meio e saiu andando, ficamos rindo até ela voltar.

– Jéssica, agora é sério, o Harry pediu pro Liam me avisar que precisa falar com você, urgente. – ela disse séria- ele disse que te pega as 19:00 na sua casa.

– Ihhhhhh. . . Jessiquinha o que você aprontou dessa vez? – disse Jen em tom acusatório.

O sinal tocou, todos foram embora, mas, eu ainda tinha uma detenção a cumprir.

Fomos até a sala da detenção sem pronunciar nenhuma palavra. Chegando lá, não havia nenhum aluno. Só o inspetor, um tal de Alfredo, que era todo mal encarado. Ele logo entendeu o motivo de estarmos ali, e nos passou uma folha com alguns exercícios. Achei aquilo ridículo, mas era o primeiro dia de aula e eu não estava afim de arrumar mais um problema. O que será que Harry quer falar comigo?


Notas finais
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