She Will Be Loved 2
24 Only u, Ali...
Notas iniciais
Última ultrassom antes da data da cirurgia. Tá tão perto! E a Alice tá com uma barriga do tamanho do mundo. Vive choramingando por dor nas costas. Ontem reclamou que não conseguia ver os pés. Mas sei que ela tá encantada com a gravidez. Ria toda vez que eles chutavam. E adorava ir no shopping pra comprar coisas pra eles.
– Andy? — Ela me chamou, já deitada na maca, enquanto o médico não chegava. Olhei pra ela. — To com medo.
– De que?
– Eu não sei lidar com crianças. Não vou saber cuidar de um. Quem dirá de dois?!
– Minha mãe não vai te deixar no escuro, Ali.
– Mas ela não vai poder ficar ali 24 horas por dia. E se eu fizer algo errado?
– Eu vou estar junto com você. — Dei um beijo na testa dela. — Sei que vamos fazer o nosso melhor. — Ela me deu a mão. O médico entrou na sala, passou o gel na barriga e ficou vendo como eles estavam. Como sempre e graças a Deus, estavam bem. Alice quis doce, então passamos em uma doceria antes de ir pra casa.
– Menos de um mês. — Falei acariciando sua barriga.
– To ansiosa pra ver os rostinhos.
– Perdeu o medo?
– Acho que nunca vou perder o medo de fazer algo errado. Mas a ansiedade é maior. — Terminamos de comer os doces e fomos pra casa. Alice foi tirar um cochilo e eu aproveitei pra rever alguns documentos da empresa. Depois fiquei tentando fazer algo na cozinha sem colocar fogo no prédio. Não tem muito o que fazer em casa. Resolvi ler e depois me juntar a Alice.
(...)
– Amor? — Alice me chacoalhou, me acordando. — Responde, por favor!
– Que foi? — Minha voz falhou por conta do sono. Devia ser quatro ou cinco da manhã. As duas semanas passaram rápido. E daqui a três dias seria o parto. Mas a Alice sempre acordava de madrugada, com medo de virar de lado na cama. — Quer sentar de novo? — Escutei um choro. — Ali?! — Acendi a luz do abajur.
– Eu to com medo.
– De novo? — Ela estava com a mão na barriga e fez não com a cabeça.
– Parece que eu to fazendo xixi. — Levantei num pulo e comecei a pegar as coisas da Alice e das crianças e enfiando tudo numa mala. Enquanto fazia isso, fui me vestindo e tentando ligar pra minha mãe.
– Atende, cacete. — O telefone continuou chamando. Liguei de novo. — Mãe! — Falei quando ela atendeu. — Tá na hora! Eu preciso de ajuda!
– Cadê a Alice?
– Tá na cama. To saindo com ela daqui.
– Vou direto pro hospital e peço pra eles prepararem tudo.
– Obrigado. — Desliguei, encaixei a bolsa em um ombro e peguei a Ali no colo. Quase me enrolei pra fechar a porta de casa e chamar o elevador. — Fica calma. Já estamos indo.
– Eu to calma. Mas tá doendo.
– Eu sei, meu amor. Eu sei. — Ela repousou a cabeça no meu ombro. Tentei ir o mais rápido que eu pude pro hospital. Assim que cheguei, já tinha um enfermeiro com uma cadeira de rodas na frente. Não sei porque, mas o médico me proibiu de entrar na sala de parto.
Assim que me viu, minha mãe beijou minha bochecha e Paul me cumprimentou.
– Eles sempre deixam ver o parto! Qual foi a da vez? — Perguntei aflito.
– Pode não ter acontecido nada, filho. As vezes eles ficam com frescura mesmo.
– Será que dá problema se estourar a bolsa?
– Vai ser cesária do mesmo jeito. Fica tranquilo. A minha também estourou e não deu problema nenhum. Alice tá na primeira gravidez. Fora que ainda é nova. Não vai acontecer nada.
– Espero. — O tempo parecia se arrastar. Eu não fazia ideia de quanto tempo já tinham entrado pelo hospital com a Alice, mas pareciam horas.
(...)
– Eu vou perguntar na recepção. — Falei enquanto andava pela sala.
– Tenta ficar calmo. — Peter falou. Ele chegou faz alguns minutos. April ficou em casa com a Zoe.
– To tentando.
– Senhor Davis? — Um enfermeiro e um médico pararam do meu lado.
– Ela tá bem? E as crianças? Já foram pro quarto?
– Todos estão bem. Pode ficar tranquilo. Os bebês estão no berçário e a paciente ainda não tá no quarto. A anestesia tem que passar primeiro. — O médico explicou.
– Por que eu não pude entrar?
– Parto de emergência. Não deixamos ninguém entrar em casos assim. — Fiquei mais aliviado.
– Daqui a quanto tempo vou poder vê-los?
– A mãe, só quando for pro quarto. Depende de como o corpo dela tá reagindo com a anestesia. Já pode ver os bebês. — Agradeci o médico e segui o enfermeiro. Quer dizer, eu e a renca toda que estava comigo. Como eu sou o pai, deixaram eu entrar no berçário pra pegá-los no colo.
A menina parecia ser toda manhosa. Já tava fazendo carinha de choro.
– Oi, princesa. — Ela se remexeu um pouco. Eu parecia um idiota ali. Sabia disso. Mas não me importava. Ela era linda! Perfeita! E eu tava quase chorando ali mesmo. Fui até a janela, levantei seu corpinho um pouco, mostrando pra todo mundo e dei um beijo na sua testa, colocando-a de volta ao carrinho logo depois. Peguei o menino no colo. Dormia feito um anjo. — E aí, garotão. Vai pegar muita menina, que eu sei. — Ele era tão lindinho! Os dois eram perfeitos! Fiz a mesma coisa e mostrei pra todo mundo como era meu filho. Também dei um beijo em sua testa. Eu queria ficar o tempo todo ali, observando os dois, mas a enfermeira me expulsou lá.
– Eles são lindos! — Minha mãe falou. — Tão bonitinhos! — Sorri orgulhoso.
– São perfeitos! — Falei. Todos me cumprimentaram e me parabenizaram pelos gêmeos.
(...)
Acho que quase duas horas depois o enfermeiro apareceu, falando que a Alice já estava no quarto. Nunca tinha a visto tão cansada e com o cabelo tão desgrenhado. Ri assim que ela olhou pra mim.
– Eles são lindos. — Ela sorriu.
– Eu quero vê-los logo.
– Daqui a pouco eles estarão aqui, creio eu. Tá muito cansada? — Sentei ao seu lado.
– Um pouco. Agora que a anestesia passou, eu to com um pouco de dor.
– Quer que eu chame a enfermeira? — Ela negou com a cabeça. — Todo mundo vai voltar no horário de visitas das seis da tarde, pra você descansar.
– Que horas são?
– Quase oito da manhã. Vou te deixar dormir. — Sabia que ela estava morrendo de cansaço, mas não parava de sorrir.
– Vai onde? — Apontei pro sofá que tinha no quarto. — Te amo, Andy.
– Também te amo, Ali.
(...)
– Olha quem veio pro primeiro mamá! — Falei assim que duas enfermeiras entraram com os berços no quarto, acordando a Alice. A mesma tentou sentar na cama, mas não conseguiu por conta do corte. Apertei um botão, levantando um pouco seu corpo. O menino ainda dormia, então quem a Alice segurou primeiro foi a menina.
– Pensou em algum nome? — Perguntei.
– Ela parece um anjinho. Olha o narizinho! — Sorri mais ainda. — Angelina? — Assenti.
– Ei, Angel. — Ela mexeu as mãozinhas. A enfermeira ajeitou a pequena e ela começou a mamar. Bom... Foi a mesma coisa de sempre. Claro que eu aproveitei pra tirar fotos. E muitas! Depois foi a vez do garotão.
– Ele vai ser a sua cara! — Alice disse ainda que o viu. — Lembra aquela foto que sua mãe me mostrou uma vez, de quando você era recém nascido? — Ri baixo.
– Eu era estranho.
– Era nada. Eu gosto de John.
– Não acha formal demais?
– É um nome, Andrew. — Alice disse rindo um pouco. — Fora que me lembra John Mayer. — Cruzou os braços. — Qual é. Ele é um gato. — Arqueei uma sobrancelha e a enfermeira riu baixo. — Tá. Eu to brincando. Mas ele é gato. E o nome do nosso filho vai ser John. — Ri baixo, negando com a cabeça.
– Só você, Alice. Só você.
(...)
– Até quando eu tenho que ficar aqui? — Alice perguntou pra enfermeira.
– Até amanhã, senhora Davis. — Ela bufou. Eu fiquei o tempo todo no hospital com a Alice. Até tomava banho lá. Angel e John ficavam no berço em que foram trazidos para a amamentação e dormiam no quarto junto com a gente. Eles choravam pouco. Não sei se era por ainda serem recém-nascidos ou se eu e a Alice demos sorte.
No dia seguinte, lá estávamos nós, indo pra casa. Arrumei o berço das crianças e deixei a Alice deitada. Eu tinha consciência de que era ruim pra ela ficar andando por conta do corte.
Durante um tempo era eu quem levantava de madrugada. Pegava quem estivesse chorando e levava pra Ali amamentar. Ou, as vezes, até dormiam no meio de nós dois.
Quando a Alice já conseguia andar normalmente, Peter, April e Zoe vieram até em casa. Zoe já engatinhava, então andava pela sala inteira. Eu e Peter tentamos fazer com que ela aprendesse a andar, mas foi sem sucesso. Ou nem tanto. Ela dava dois passos e tropeçava. Optamos por deixar Angel e John no berço. Eles ainda nem tinham um mês.
Peter parecia uma criança fazendo careta pro bebês. E Zoe agarrou um bichinho da Angel e não soltou mais. Claro que April e Alice não paravam de paparicar as crianças. Mas nada comparado a mim e ao Peter. Parecíamos dois idiotas. Na verdade, ele realmente é um idiota. Mas relevemos. Eu estava numa fase tão boa, tanta coisa maravilhosa acontecendo... Espero que continue assim.
Fale com o autor