Notas iniciais
OOI! Boa leitura!

POV Alice

“Primeiramente eu queria pedir desculpas. Eu sei que eu fui um babaca e sei também que você não merece isso. Acho que já falei tudo o que eu tinha pra dizer na ultima vez que nos encontramos. Eu te amo.

Andrew.

PS: Pegue o buquê. Vai ter uma flor diferente. O dia que ela morrer, meu amor por você acaba.”

Acho que era a centésima vez que eu relia aquele bilhete com a flor “diferente” na minha mão. Era uma artificial. Ela nunca morreria.

E não foi somente o buquê que chegou. Quando cheguei hoje de manhã, havia uma caixa de bombons junto. E era o meu preferido. Quer dizer, pelo menos na época que namorávamos.

– Eu sei que você não quer mais casar. — Isaac disso pra mim na noite anterior. Não era mentira. Eu gostava dele. Mas era só isso. Não tinha amor. Pelo menos não da minha parte. Eu me odiava por mentir pra ele. Odiava mesmo.

Eu não sabia o que fazer com o buquê. Eu não iria jogar fora, mas também não iria levá-lo pra casa.

– A costureira chegou, senhorita Mendler. — Minha secretária falou no telefone.

– Pode pedir pra ela entrar. — Assim ela fez. Eu não estava com a mínima vontade de provar o vestido de novo. Mas, fiz isso. A costureira começou a fazer algumas marcações na barra. Olhei-me no espelho. Me senti estranha.

– Tá linda assim. — Ouvi da porta. Estiquei o pescoço por detrás do espelho.

– Oi. — Murmurei. — Recebi as flores.

– To perdoado?

– Não. — Ele sorriu.

– Só vim te ver. Não imaginava que estaria vestida de noiva.

– O vestido tá quase pronto. Tem prova quase toda semana, Andrew.

– Imagino. — Ele colocou algo na minha mesa. Era um livro. — Vou indo. Tchau, Alice. — Ele me deu um beijo na bochecha.

– Tchau. — A costureira ficou olhando pra mim. — Tá muito longo?

– Não. O comprimento tá quase certo. Você não parece mais tão animada pra casar.

– Talvez eu não esteja.

(…)

– Alguma comemoração? — Perguntei. Isaac queria que eu jantasse com ele.

– Não será em um restaurante. Será na minha casa. — Ele falou sério. Ele sabia que tinha algo errado. Era óbvio! Ele nunca foi burro.

Seguimos em silêncio até a casa dele. Não era muito longe do meu escritório. Assim que chegamos, a empregada começou a colocar a mesa.

– Eu sei que as coisas estão estranhas.

– Eu to estranha. Eu sei disso. — Falei. — Acho que eu não quero mais. — Falei baixo.

– Ele é o que seu? — Olhei pro Isaac. Antes de começarmos a ficar, ele era um dos meus melhores amigos. É até estranho que eu nunca tenha falado do Andrew pra ele.

– Meu ex. Pronto. Ele é meu ex.

– Antes de você ir pra Inglaterra?

– É. — Óbvio que era antes. Isaac fez faculdade comigo. Mas nunca falei do Andrew pra ele. Quer dizer, pelo menos não o nome. — Eu to confusa.

– Eu sei.

– Eu não sei o que fazer.

– Vocês conversaram?

– Sim.

– Ele quer voltar, então…

– Eu me importo com você.

– Nunca disse o contrário. — Me mexi desconfortável. — Acho melhor a gente dar um tempo. Não quero ninguém comigo por pena.

– Não fala merda. Eu não casaria com alguém por isso. — Ele ficou quieto por um tempo.

– Eu acho melhor a gente dar um tempo mesmo. E eu sei que você quer isso. Se a gente voltar, ótimo. Se não… — Ele respirou fundo. — Eu não queria perder você. — Senti uma pontada no estômago. — Acho que eu nunca te tive, na verdade.

– Desculpe, Isaac. — Ele não falou nada. Eu não sabia o que fazer. Eu devolveria o anel e iria embora? Eu esperava ele falar algo? Esperaria o jantar acabar pra ir embora?

– Acho nos damos melhor como amigos. — Ele falou sorrindo de canto. Sorri do mesmo jeito.

– Acho que sim. — Continuamos comendo. Não falamos mais nada durante todo o jantar. Quando acabamos, me levantei. — Ér… Você vai querer o anel? — Perguntei baixo.

– Não. Pode ficar com você. Quer que eu te leve?

– Não precisa. Obrigada, Isaac. — Ele abriu a porta pra mim. Provavelmente me xingando de tudo quanto é nome. Pedi pro porteiro chamar um táxi e fui pra casa, com o livro do Andrew na minha bolsa.

POV Andrew

– Oi, meu amor! — Minha mãe falou assim que abriu a porta. A abracei.

– Oi, mãe.

– Oi, tia mais linda da minha vida. — Peter vive puxando o saco dela. Só olhei de canto pra ele. Minha mãe riu. Fomos pra sala.

– Achei que ela fosse sair. — Falei baixo só pra minha mãe ouvir.

– Parece que deu algo errado. — April estava sentada no sofá com cara de cu.

– Oi, irmãzinha. — Falei e baguncei o cabelo dela.

– Tu é muito chato cara! — Ela me empurrou e eu ri. Meu celular vibrou.

“Preciso falar com você.

Alice.”

“To na casa da minha mãe. Posso te ligar depois ou é urgente?”

Respondi. Já imaginava que ela falaria que ia se encontrar com o noivinho. Mas ela me respondeu:

“Não é urgente. Sem problemas me ligar depois.”

– Hmmmmmmmmm… — April falou do meu lado com um sorriso malicioso.

– O que tu quer?

– Ela me contou da sua cagada.

– Legal.

– Ela também fez merda. Mas não com você.

– Ela contou pra ele?! — Os outros três pares de olhos se voltaram pra mim. Dei um sorriso torto.

– Não. Outra coisa. Ela trocou o nome dele com o seu. — Sorri.

– Tá vendo? E ela ainda quer casar com ele.

– Tá, Andrew. E o que ele tá fazendo aqui?

– Minha mãe que convidou. Ela achou que você fosse sair.

– Eu iria. Mas o cara resolveu me dispensar justo hoje. — Ri. — Tá rindo de que?

– Nossa. Calma. Cuidado com os cabelos brancos.

– Cala a boca.

– Ele não traiu você. Juro. Foi um mal entendido.

– Eu vi.

– Você é cega então porra.

– Tá. Eu não vi. — Revirei os olhos. — Mas tinha as mensagens no celular.

– Peter nem cantou tua amiga.

– Aquela vaca não era minha amiga.

– Por que vocês não conversam?

– Ele vai me chamar de infantil. Como todas as vezes.

– Peter tá com o orgulho ferido, assim como você.

– Talvez eu fale com ele. Só se ele vier me procurar. — Dei de ombros rindo baixo.

– Tia, tem aquilo que eu gosto? — Peter perguntou.

– Tem. Com direito a suco de laranja.

– Mas isso é um absurdo! Quando eu peço ninguém faz. — Protestei.

– Existe um abismo de diferença entre eu e você, né, Andrew. — Semicerrei os olhos pro Peter.

– Cretino. — Resmunguei.

– Vamos comer? — Minha mãe falou e fomos todos pra sala de jantar.

(…)

Continuei sentado à mesa. Peter e April conversavam ao longe como duas pessoas civilizadas. Orgulho.

– Aconteceu alguma coisa, filho? — Minha mãe perguntou.

– Alice vai casar. — Falei e ela botou a mão em cima da minha.

– Não sabia que ainda sentia algo por ela.

– Sempre vou amá-la.

– Já foi atrás dela?

– Mais de três vezes.

– Vai de novo.

– To tentando. Vai dar tudo certo. Eu sei que vai. — Minha mãe sorriu e beijou minha bochecha.

(…)

– Combinamos que vamos nos conhecer de novo. — Peter falou enquanto voltávamos pra casa.

– Acha que vai dar certo?

– Ela aceitou dar uma chance. Eu praticamente entrei pra Nasa. — Ri.

– Quanto exagero.

– É verdade! — Guardei o carro na garagem e fomos pro apartamento. Antes de entrar eu já estava discando o número da Alice.

– Oi. — Ela me atendeu.

– Oi. Demorei pra ligar?

– Um pouco. Mas tudo bem. E sua mãe, como tá?

– Bem. — Ela ficou em silêncio. — E como você tá?

– Bem.

– Não foi convincente.

– Eu to bem. Juro. Só… To me sentindo estranha. A gente pode sair pra comer algo amanhã de manhã?

– Qual horário você prefere?

– As oito, pode ser?

– Claro.

– Eu ainda tenho que ver alguns processos e separar algumas coisas pra reunião com o seu pai. Vou indo, tá?

– Tudo bem.

– Boa noite, Andy.

– Boa noite. Dorme bem.

– Você também. — Sorri e desliguei. Peter me olhava com um sorriso malicioso.

– Que é?

– Você precisa ver a sua cara quando você fala com a Alice. — Ele disse e gargalhou.

– E você tem que ver a sua quando fala com a April, babaca. — Ele parou de rir.

– É diferente.

– Em que? — Perguntei rindo. Ele deu de ombros.

(…)

– Como você consegue chegar no horário pra alguma audiência e em qualquer outro compromisso não?

– Milagre divino. — Alice respondeu-me e eu ri baixo. Dei um beijo na bochecha dela. Eu já havia feito os pedidos.

– O que aconteceu ontem?

– Eu e o Isaac terminamos. — Não sorri, como achei que faria. Só fiz que sim com a cabeça. Afinal, ele está na minha situação anterior. — Resolvemos sermos somente amigos. — Os pedidos chegaram. Amigos…

– Isso vai dar certo? — Ela afirmou com a cabeça. Ela vai voltar a ser minha. Aí sim sorri. Ela deu um sorriso envergonhado.

– A gente pode ir com calma?

– O que você preferir.

– Primeiro eu preciso resolver as coisas do casamento.

– O que vai fazer com o vestido?

– Não sei. Vender? — Dei de ombros. — Ah meu Deus! Os presentes!

– Só devolver.

– Devolver com cara de cu, né? De repente não tem mais nada.

– Acontece, ué. — Ela riu baixo.

– Você tem mania de toda vez querer mudar minha vida. — Sorri.

– Fazer o que, né? — Ela sorriu.

– Eu vou resolver tudo primeiro, tá? — Concordei com a cabeça. — Agora eu tenho que ir. Tenho uma reunião daqui a vinte minutos.

– Tudo bem. — Eu ainda sorria. Levantei-me junto com ela. Fomos até o caixa e eu paguei a conta.

– Até amanhã na reunião, Andy.

– Até. — Apressei-me e roubei um selinho dela, que sorriu.

(…)

– O senhor tem um jantar com a Brianna hoje. — Claire disse assim que eu cheguei. Bufei.

– Que horas?

– As oito.

– Pede pra ela passar aqui, por favor?

– Claro.

– E a reunião de hoje?

– Os papéis estão na sua mesa. — Dei um meio sorriso e entrei no meu escritório. O dia seria cansativo.

Depois de ler, assinar documentos e fazer mais um monte de coisas, Brianna tinha chegado. Assim que ela entrou na minha sala, eu quase entrei em desespero. Ela pode até não gostar de mim, mas eu to trocando-a por outra mulher.

– É sobre o jantar de hoje? — Ela foi direto ao assunto.

– Também. Na verdade, tem algo acontecendo na minha vida. E esses jantares não irão mais acontecer.

– Arrumou outra? — Percebi um tom de irritação na voz dela.

– Olha, Brianna, é coisa antiga. E… Eu vou casar com ela.

– E ela sabe que seu pai quer que você se case com outra? — Acho que eu esqueci de contar esse detalhe pra Alice.

– Ainda não.

– Eu conheço ela?

– Não. — Brianna levantou-se.

– Só pra avisar: o jantar de hoje foi seu pai que insistiu pra existir. Não o meu. — Larguei-me na cadeira. Assim que ela saiu pela porta, peguei o telefone e liguei pro meu pai.

– Você tem que me avisar quando marca algo pra mim. — Falei irritado.

– Eu sei que você vai estar disponível.

– Eu não vou casar com ela. Não força.

– Qual o problema com a Brianna? Ela nem é feia!

– Eu amo outra, porra! Não tenta decidir minha vida por mim!

– To pedindo uma ajuda.

– Problema é seu! Eu não vou fazer isso! Me recuso a casar com alguém que não seja quem eu queira. — Desliguei. Alice estava parada na linha frente com a sobrancelha arqueada.

– Casar? — Ela perguntou.

– Coisa do meu pai. Eu te prometo que isso não vai acontecer.

– Mas por que você casaria com a…

– É Brianna o nome dela. E… Meu pai tá indo a falência e o pai dela também. Eles querem juntar as empresas.

– E ela quer isso?

– Que eu saiba, não. Seria estranho nós dois juntos. — Fiz uma careta. — Achei que estaria ocupada demais pra mim hoje. — Ela sorriu.

– Consegui tirar um tempo pra gente. — Ela ergueu uma sacola.

– Comida pronta?! Chegou em boa hora. To morrendo de fome! — Alice sentou-se de frente pra mim.

– Muito trabalho hoje?

– Sim. Era pra eu ter ido almoçar faz umas duas horas. — Comecei a comer o que ela tinha trazido.

– Obrigada pelo livro. Comecei a ler já.

– Confesso que eu fui cara de pau por ter comprado O Melhor de Mim pra mim. — Ela riu.

– Foi mesmo. Falei pro meu pai que rompi o noivado.

– E ele?

– Disse que foi melhor eu ter terminado agora do que separar depois. — Concordei. — Falei de você também. — Ela riu baixo. — Ele: “mas de novo esse menino?”. — Ri também. — Ele gosta de você.

– Sei…

– É sério.

– Ele disse que ficou feliz por eu ter te encontrado de novo. — Sorri. — Ele sabe que eu amo você. — Ela me deu a mão. Segurei.

– Eu também te amo. — Me inclinei e a beijei. As coisas estão começando a se resolver.

Notas finais
AVISO: Esse troço aí da flor artificial eu tive a ideia pq lembrei que conversei com uma das meninas que subiram ao palco na primeira vez que o Justin veio pra Brasil e tals... Aí ela me contou que tinha essa tal flor no buquê que elas recebiam. Eu inventei o que vem escrito dentro pra isso se encaixar na história. E também pq eu não lembro o que vinha escrito na tal flor .-. Espero que tenham gostado do cap. Beijos!