She Will Be Loved 2

20 She Will Be Loved - Final.


Notas iniciais
LÁGRIMAS MOLHAM MEU TECLADO NESSE MOMENTO. ESPERO QUE GOSTEM ~SHORA~
Enjoy (:

CAPÍTULO DEDICADO A TODAS VOCÊS, SEM EXCEÇÕES.

“Eu não me importo de passar todos os dias do lado de fora, na esquina, embaixo da chuva. Procure pela garota do sorriso quebrado, pergunte a ela se ela quer ficar por um momento. E ela será amada”– She Will Be Loved (Maroon 5)

– Fui eu que acertei o soco em você.

PDV Justin

Charlotte demorou alguns segundos para ter uma reação, mas eu preferiria que ela ficasse sem reação.

As mãos de Charlotte agarraram meu pescoço de um jeito nada amigável, apertando com força o suficiente para me fazer parar de respirar.

Talvez eu merecesse.

Não tentei arrancar as mãos dela de mim porque eu sabia que ia acabar a machucando mais ainda, mais do que ela já estava.

Foi o pai dela que a afastou de mim, a puxando para trás. Doeu para respirar de novo, mas não era exatamente isso que estava me matando.

– EU ODEIO VOCÊ! – Charlotte gritou pra mim enquanto tentava se livrar de Anthony e me atacar de novo, provavelmente. – EU ODEIOMUITOVOCÊ!

Um bolo de desespero começou a subir na minha garganta.

– Euamovocê. – Falei.

Charlotte pareceu hesitar por um tempo, mas continuou a tentar me atacar.

– VOCÊ MATOU ELE! VOCÊ MATOU O BEBÊ! – Charlotte grito. – É TUDO CULPA SUA!

– Eu sei. – Respondi. – Sinto muito. Eu sei que sentir muito não resolve as coisas, mas... Eu não sei o que fazer. Eu faria qualquer coisa para mudar a situação, mas...

Charlotte hesitou por um pouco mais de tempo dessa vez.

– VÁ EMBORA, JUSTIN! EU NÃO QUERO MAIS VER VOCÊ! – Charlotte gritou. – EU ODEIO VOCÊ E QUERO VOCÊ LONGE DE MIM!PRA SEMPRE!

Assenti e fui em direção a porta, passando por perto dela e de Anthony. Minha mãe olhava a cena com um olhar misturado entre tristeza e surpresa.

Enquanto abria a porta, senti alguém começar a espancar minhas costas. Me virei e segurei Charlotte pelos pulsos. Charlotte estava chorando.

Ela estava chorandode novo.

A verdade é que ela fica muito melhor sem mim. Perdi as contas de quantas vezes a fiz chorar desde que nos conhecemos.

Engoli em seco de novo enquanto o pai dela a afastava de mim.

– VÁ EMBORA! – Charlotte gritou.

Abri a porta e saí do quarto, meio entorpecido com tudo. Comecei a andar por aí sem ter muita certeza de onde eu estava indo. Desci pelas escadas, idiotamente procurando por algum vestígio da queda de Charlotte nos degraus. Claro, eu não achei nada.

Cheguei ao térreo e comecei a andar pela área das piscinas, xingando mentalmente cada casalzinho apaixonado que eu encontrava nos barzinhos a beira da piscina. Os funcionários e alguns hóspedes me olhavam estranho – provavelmente eles já desconfiavam de que eu não era casado com Charlotte porra nenhuma porque ninguém traria os pais para a lua-de-mel sob nenhuma circunstância, mas estavam relevando por causa do acidente de Charlotte – e eu tentava ignorá-los.

Quando já era tarde da noite, me sentei em uma espreguiçadeira na praia privada e resolvi dormir.

Eu não estava bem. Meus pensamentos estavam me comendo vivo e nada parecia fazê-los parar.

(...)

Quando acordei, voltei para a suíte de lua-de-mel do hotel. Bati na porta e minha mãe a abriu, me abraçando quando me viu parado ali.

– Onde passou a noite? – Perguntou.

Ela estava vestindo o pijama de ursinho dela e parecia uma adolescente presa no corpo de uma mulher mais velha.

– Por aí. – Respondi. – A praia privada tem espreguiçadeiras bem confortáveis.

Minha mãe soltou um riso triste e me puxou para dentro, fechando a porta atrás de mim.

Pelo jeito, minha mãe dormiu em um dos sofás espalhados pelo quarto e Anthony estava dormindo ao lado de Charlotte.

– Filho... – Minha mãe começou a falar. – Eu sei que o que a Charlie disse ontem te chateou. Não te culpo por isso. Mas ela está passando por algo muito...

– Eu sei. – Interrompi. – Eu... Eu já tomei uma decisão.

Minha mãe sorriu triste para mim.

– E Phill? – Perguntei para mudar logo de assunto, não queria falar sobre isso.

Minha mãe bufou e virou os olhos.

– Eu pedi o divórcio. – Minha mãe falou e eu sorri. Estava na hora já. – Depois de tudo isso... Aquele patife.

Minha mãe descobriu sobre Phill mentir sobre toda essa coisa de drogas quando o médico disse que Charlotte tinha perdido uma quantidade de sangue quando abriu um corte na cabeça e precisava de uma transfusão.

O pai dela ainda não tinha chego ao Caribe e precisavam de alguém urgente.

Eu fui o primeiro a me voluntariar para doar o sangue que a Charlotte precisava. O médico disse que eu precisava estar com o sangue “limpo”, ou seja, sem qualquer tipo de droga injetável correndo nas minhas veias durante minha vida inteira.

Heroína é injetável e eu passei no teste que o médico aplicou. Resultado: minha mãe descobriu que Phill é um mentiroso depois de anos sendo enganada por ele e Charlotte conseguiu os dois litros de sangue que precisava.

A Charlotte não sabe disso porque eu sempre soube que ela ia me odiar quando descobrisse sobre o soco e eu não queria que ela sentisse que “devia” alguma coisa para mim, até porque se não fosse eu seria qualquer outra pessoa.

E depois que a transfusão tinha sido feita em Charlotte, minha mãe perguntou para o médico se tinha algum vestígio de droga no sangue da Charlotte. O médico respondeu que o sague de Charlotte era mais limpo que água de nascente de rio.

Em resumo,Phill se fodeu.

E se dependesse de mim, ainda vai se foder muito mais.

Depois de meia-hora conversando com a minha mãe sobre coisas que eu sabia sobre o Phill mas que ele nunca contou para ela, Anthony acordou. E Charlotte também.

Minha mãe trocou de roupa e depois Anthony trocou de roupa. Eles inventaram qualquer desculpa para deixar eu e Charlotte sozinhos no quarto. Charlotte parecia não querer me olhar nos olhos de jeito nenhum e eu estava ficando meio irritado com isso.

Sentei num banquinho na frente da cama que Charlotte estava sentada.

– Precisamos conversar. – Falei.

Charlotte não respondeu, só fez uma coisa engraçada com as sobrancelhas, como se estivesse pensando, e continuou olhando para o lençol da cama.

Só não dei risada porque a situação não me permitia.

– Eu pensei bastante sobre... Tudo. Pensei bastante sobre tudo durante a noite. – Falei. – E tomei uma decisão. Vai ser melhor para nós dois assim.

Charlotte levantou os olhos em minha direção com uma expressão que nunca tinha visto nela.

– Eu te amo, Charlotte. Mas... Já chega. – Falei e senti o gosto da tristeza/desespero na minha boca. – Tudo o que fazemos todas às vezes, sem exceção, é magoar um ao outro. Eu estou cansado de fazer você chorar. Você vai se dar muito melhor sem eu para atrapalhar sua vida. Por isso... Por isso vou voltar para Inglaterra amanhã. E seguir minha vida do mesmo jeito que espero que você faça com a sua. O que aconteceu com... Com o...Nosso filho, eu acho. Tudo o que aconteceu com ele foi minha culpa, sei disso. E enquanto eu estiver com você, sei que nenhum de nós vai seguir em frente. Eu sinto muito.

A expressão de Charlotte continuava indecifrável.

Levantei do banco e sentei do lado dela, ficando em silêncio durante um tempo. Depois beijei a testa dela pela última vez porque eu provavelmente gosto de me torturar, e levantei da cama.

– Eu estou com medo. – Charlotte falou com a voz fraca antes de começar a chorar um pouco.

– Medo de que? – Perguntei.

– Medo de tudo. – Charlotte respondeu sem olhar para mim. – Estou com medo de nuncameperdoar pelo o que aconteceu. Com medo devocênuncaseperdoar pelo o que aconteceu. Com medo do futuro.

Foi ai que ela olhou para mim, com aqueles olhos de criança grandes e úmidos e inchados, como se estivesse com algum tipo de dor física. Ela estava chorando e com marcas visíveis doAcidente Da Escada, mas continuava linda. Linda de um jeito que fazia eu me sentir idiota perto dela.

– Mas, principalmente, com medo de você sair desse quarto e eu nunca mais te ver na minha vida porque, querendo ou não, você é minha vida inteira,seu babaca. – Charlotte falou. – E eu sei ás vezes nós ferramos com os sentimentos um do outro, mas eu não posso te perder. Porque eu te amo. Eu retiro tudo o que disse ontem. Eu estava nervosa, precisava de alguém pra culpar. Aquelas coisas com certeza foram da boca pra fora, eu nunca quis dizer aquilo. Eu sei que foi um acidente, Justin. Eu sinto muito.

Antes que eu repensasse qualquer decisão, saí do quarto sem olhar para trás.

Um ano depois

PDV Charlotte

– Mas que droga. – Beatrice reclamou e desligou o telefone, se jogando do meu lado no sofá. – Acredita que minhas coisas ainda não chegaram em Princeton? Você tem sorte de não estar indo para uma universidade.

Eu, Charlotte Adams, apesar de ter me formado com honras no Ensino Médio, não me inscrevi para nenhuma universidade. Chega de escola durante um tempo pra mim.

Continuei a rodar os canais da televisão enquanto Beatrice, a filha da minha madrasta reclamava do pessoal que não entregou as coisas dela na Universidade Princeton, em Nova Jersey.

Depois do verão do ano passado, me mudei para casa do meu pai em Connecticut e comecei a estudar em uma escola normal de meio período junto com Beatrice. Morar com a nova família do meu pai foi menos insuportável do que eu imaginei que seria.

Beatrice é muito legal comigo e respeita minhas péssimas decisões para minha vida apesar de ela ser aSenhorita Certinha.

Não falo com Justin desde que ele foi embora de Cancún. Não o procurei e não acho que ele tenha me procurado. Durante um ano, tudo o que fiquei sabendo sobre ele foi o que Lucy me disse uma vez, uma outra coisa que descobri sozinha e outra coisa que Ian me contou sem querer –eu acho.

Lucy, em Outubro, me disse que ele tinha arranjado uma namorada. Foi a primeira e última vez que perguntei por ele.

Em Novembro, vi uma reportagem sobre o filho de Jackson Jack tomar parte de algumas ações da empresa.

Em Dezembro, Ian me mandou uma frase em um e-mail mais ou menos assim: “Você e Justin bem que podiam tentar de novo agora que aquela namorada dele saiu de cena”.

Eu ainda falo com todos eles, menos, claro, com Justin.

Mackenzie passou na Universidade da Califórnia em Los Angeles e ficou felizinha porque Josh estuda em Stanford e elas ficam longe, mas não tão longe uma da outra.

Ian ia estudar a algumas horas de mim, na Universidade Brown, junto com a namorada.

Lucy passou na Universidade de Cambridge, na Inglaterra, o que foi bom porque Ryan se transferiu para Oxford depois do verão.

Eu não passei em nenhuma porque não me inscrevi para nenhuma.

– Para de mudar de canal igual uma retardada. – Beatrice falou e arrancou o controle da minha mão, colocando no History Channel.

Grunhi.

– Meu Deus, vou morrer de tédio. – Falei e arranquei o controle da mão dela, apertando o botão de pular os canais.

Enquanto lutávamos pelo controle – literalmente – o homem do canal, que era um canal de fofoca, começou a anunciar uma “bomba”.

– Atenção! Atenção! – O homem falou. – Temos imagens exclusivas da estreia do novo filme de, vocês sabem quem,Polly Johnson! Esse é o primeiro filme dela desde o divórcio do segundo marido no ano passado!

Eu e Beatrice paramos de brigar e começamos a prestar atenção na televisão.

Polly apareceu na televisão, com um vestido lindo e com os cabelos castanhos presos em um coque chique. Ela estava bem melhor do que da última vez que a vi.

– Isso mesmo, Maxxie! – Uma repórter loira falou. Atrás dela, o red carpet da estreia do filme parecia cheia de gente. – Vamos ver se conseguimos falar com alguém.

Um homem bonito parou para falar com a repórter e ela perguntou se o romance entre ele e Polly era verdade. O cara riu e saiu de perto da repórter sem responder a pergunta.

Ri um pouco. Polly merece depois de anos aguentando alguém como Phill.

Vi Justin, mas desliguei a televisão quando a repórter parou ele para perguntar sobre os escândalos dele com um zilhão de modelos.

(...)

Depois de três semanas o convite chegou.

Polly e Andrew, o cara bonitão que contracenou com ela no filme novo, iam secasar.

Meu pai e Marie, minha madrasta, acham que era cedo demais para casarem, depois chegaram a conclusão de que britânicos são estranhos.

Polly e Andrew convidaram eu, meu pai, minha madrasta, minha irmã e Beatrice. Sophie disse que só ia se tivesse editores de revistas de moda famosas para oferecerem emprego pra ela então meu pai disse que ela não ia de jeito nenhum porque ela era uma interesseira.

Eu me controlei para não rir dela.

Nós embarcamos duas semanas depois. Chegamos em Londres um dia antes do casamento.

O hotel onde estávamos hospedados – que também era onde Polly ia casar – estava decorado e reservado apenas para os convidados do casamento. Eu e Beatrice saímos para dar uma volta pelo hotel e futricar no salão de festas e demos de cara com cinco pessoas que eu amava.

Lucy, Mackenzie, Ryan, Josh e Ian.

Ryan e Lucy era compreensível porque a família de Ryan é amiga da família de Justin e Lucy namora com Ryan, mas não me pergunte o que Josh, Mackenzie e Ian estavam fazendo no casamento de Polly.

Eu praticamente pulei em cima deles. Depois de gritinhos de felicidade e de lágrimas da parte de Mackenzie, apresentei Beatrice para eles. Apresentações feitas, começamos a andar por aí e conversar.

– Não vai mesmo se inscrever para universidade nenhuma? – Mackenzie perguntou enquanto andávamos todos juntos pelo hotel.

– Não. – Falei e soltei um riso. – Chega de escola pra mim. Fiquei trancafiada em uma por tempo demais.

– Eu também e estou em Cambridge. Primeira aluna da minha sala. – Lucy falou e fez pose.

– Como minha namorada é inteligente, meu Deus. – Ryan falou e deu um tapa na bunda de Lucy.

Fingi não me importar.

Eu. Sou. A. Única. Que. Pode. Bater. Na. Bunda. Da. Minha. Morena.

– Falando em namorada, viu a garota do Justin? – Josh perguntou para Ian e Ian assentiu com os olhos brilhando.

Fingi prestar atenção no que Beatrice estava falando com Mackenzie ao invés da conversa de Josh e Ian.

–Gostosa.– Ian falou. – Pena que está acompanhada. E eu já aprendi minha lição: Nada de garotas que têm ou tiveram algo com Justin Fletcher. Não é a toa que ele não quis andar com a gente e preferiu ficar com a garota.

Josh riu e beijou a cabeça da Mackenzie, que olhou para ele confusa. Josh fingiu que nada aconteceu.

Contei até cem na minha cabeça, ignorando as conversas. Até quando falavam comigo, eu respondia com acenos de cabeça.

– O que aconteceu? – Beatrice me perguntou.

– Nada. – Respondi. – Eu vou ir dormir um pouco, se não se importam. O voo acabou comigo.

– Você dormiu a viagem inteira. – Beatrice falou com uma expressão engraçada.

– É... – Busquei na minha mente uma mentira melhor. – Mas, sei lá, estou cansada.

– Ok. – Josh falou. – Nos vemos amanhã então. Esteja bonita porque eu não quero aparecer na foto com uma garota mais feia que uma cria de um urubu com uma ratazana.

Todos nós demos risada.

– Obrigada por suas palavras de sabedoria, Josh. – Falei.

Fui em direção aos elevadores e apertei o andar em que estávamos hospedados. Peguei meu celular no bolso da calça e, quando pensei que a porta do elevador já tinha fechado, vi alguém entrando.

Justin.

Ele estava digitando no celular e sorrindo, totalmente alheio a minha presença.

Talvez ele tivesse visto que sou eu, mas resolveu me ignorar.

Justin apertou o andar da cobertura. Ficamos a viagem de elevador inteira em silêncio. Desci no meu andar sem dizer uma palavra para um Justin que nem notou que eu era eu.

Eu definitivamente não estou preparada para vê-lo de novo.

Me enfiei no quarto que eu estava dividindo com Beatrice e me forcei a dormir para me liberar da culpa por ter mentido para as pessoas que eu não vejo pessoalmente a mais de um ano.

(...)

Terminei de enrolar minha última mecha de cabelo enquanto Beatrice, Mackenzie e Lucy tagarelavam.

Vim me trocar no quarto de Lucy que virou uma grande “zona das meninas”, cheio de produtos de beleza e coisas de cabelo espalhados por ai. Lucy, Mackenzie e Beatrice tinham ficadoamiguinhas demaispro meu gosto.

– Terminou? – Lucy perguntou assim que me viu abaixar obabyliss.

–Terminei. – Falei.

– Finalmente. – Mackenzie falou e levantou as mãos pro céu, como se estivesse agradecendo a Deus.

– Cala a boca. – Falei.

– Não mudou em nada. – Lucy falou enquanto me encarava de um jeito engraçado com os braços cruzados.

Ri um pouco.

Saímos todas juntas do quarto e fomos até os elevadores do grande hotel. Descemos até o lobby e encontramos os garotos. Entre eles,Justin.

Ele estava lindo, não me leve a mal, mas não parecia que tinha vinte anos. Nem aqui nem em qualquer outro lugar na galáxia.

A garota estava com ele. Ela era alta – quase mais alta que Justin. Quase. – e magra e loira e tinha um sorriso tão branco que chegava a ser obsceno. E os garotos pareciam gostar dela.

Assim que nos aproximamos, vi o olhar de Justin cair em mim e desviei os olhos.

– Finalmente vocês estão prontas! – Josh falou e jogou as mãos para cima. – Pensei que vocês iam entrar depois da Polly!

– Para de reclamar, Josh. – Lucy falou e foi para o lado do Ryan, que passou o braço pela cintura dela.

Parece que todos os casais de ensino médio deram certo, menos o meu.

– Oi. – Justin falou e sorriu pra mim.

– Oi. – Falei e retribui o sorriso.

– Hm, Bree. – Justin falou e puxou a loira pra perto dele. – Essa é a Charlotte.

– Ah, oi! – Bree falou e sorriu abertamente, quase me cegando com o brilho dos dentes idiotas e brancos dela. – Sou a Brianna, mas pode me chamar de Bree.

Sorri sem graça.

– Eu não sabia que minha mãe tinha te convidado. – Justin falou, tirando minha atenção de Bree. – Mas que bom que veio. Faz tempo que não te vejo.

– É. – Falei e pensei em alguma coisa para falar para mudar de assunto. – Está tudo muito lindo.

– Ela gastou um tempo arrumando tudo. – Bree se meteu na conversa. – Não é a toa que está tudo parecendo um conto de fadas.

Assenti e fingi prestar atenção na conversa do resto do grupo. Eu estava consciente demais de Justin Fletcher olhando pra mim e aquilo estava me deixando pra lá de desconfortável.

– Eu vou pegar alguma coisa pra beber. – Falei.

– Trás pra mim. – Lucy falou pra mim.

– E pra mim também, por favor Char. – Mackenzie falou e olhou pra Josh. – Quer alguma coisa pra beber?

– Sim. – Josh falou e olhou pra mim. – O champanhe está naquela mesa ali.

Josh apontou para uma mesa de toalha de aparência cara cheia de taças e garrafas de champanhe a alguns metros do nosso grupo.

– Eu só tenho duas mãos, caso não seja óbvio. – Falei um pouco irritada com a situação de servir de garçonete para um bando de marmanjos.

– Eu te ajudo. – Justin falou e sorriu pra mim.

Vi Josh e Ryan trocarem um olhar engraçado e conspirativo antes de voltarem para a conversa de antes.

Eu e Justin começamos a caminhar até a mesa com o champanhe. Eu estava ocupada tentando colocar meus pensamentos no lugar, tentando descobrir o porque de essa situação de ficar sozinha com Justin me deixava... Sei lá, nervosa.

“A história de vocês acabou, Charlotte. Para com isso” ficava repetindo para mim mesma enquanto andávamos.

Uma coisa chamou minha atenção: Jackson. O pai de Justin veio pro casamento da Polly e parecia estar se divertindo com a filha e com a segunda esposa.

– Hm... – Comecei e tossi. – Seu pai veio?

Justin riu.

– Veio. Nós todos meio que fizemos as pazes. – Justin falou.

Chegamos na mesa e começamos a encher os copos.

– Como assim? – Perguntei e Justin riu de novo.

– Bom... – Justin começou. – Meu pai me fez um favor. – Arqueei uma sobrancelha para Justin que sorriu. – Digamos que agora o Phill não vai conseguir emprego em lugar nenhum. Nunca mais. E aquele garoto, David...

– O que tem ele? – Perguntei.

– Bom, foi ele que falou as merdas pra diretoria do New Bridge. – Justin falou. – Nada mais justo do que garantir a expulsão dele da escola.

Minha boca se abriu em um “O” perfeito.

– Eu não sabia disso. – Falei e Justin sorriu, pegando duas taças cheias.

– Tem algumas coisas que você não sabe. – Justin falou com um ar misterioso.

Começamos nosso caminho de volta ao grupo. Os vi rindo de alguma coisa que Bree tinha dito.

– E seus pais gostam dela? – Perguntei.

– Dela quem? – Justin perguntou.

– Bree. – Falei.

– Bom, minha mãe sim. Meu pai eu já não sei. – Justin falou e franziu o rosto.

– Ela parece ser legal. – Falei e Justin assentiu sorrindo. – Tem sorte de namorar ela.

–Namorar? – Justin perguntou confuso.

– Não namora com ela? – Perguntei mais confusa ainda.

– Claro que não! – Justin falou e riu. – Bree é minha prima. Ryan, Josh e Ian são só uns idiotas. Não quero quemeus filhosnasçam com problemas porque resolvi acasalar com a minha prima.

Senti meu estomago dar uma cambalhota de dor.Filhos.

Mas que merda.

Acho que Justin percebeu.

– Ah. Charlotte, eu sinto muito. Eu não... Eu esqueci... Não foi... Desculpa. – Justin tentou falar.

– Tudo bem. – Falei e andei um pouco mais rápido, finalmente alcançando o grupo.

(...)

Ocasamento da Polly foi lindo, digno de contos-de-fada.

Me sentei junto com o meu pai e minha madrasta, que carregava meu meio-irmão Gabe no colo para lá e para cá porque ele estava passando mal. Beatrice parecia mais preocupada em falar com Ian do que ficar com a família.

– Esse arroz tá uma delícia. – Meu pai falou sobre um arroz cheio de frufrus que estavam servindo.

– Concordo. – Beatrice falou enquanto digitava uma mensagem pro Ian e sorria. Depois disso, ela olhou pra mim. – Não vai comer, Charlie?

– Acho que o que quer que Gabe tenha, é contagioso. – Menti. – Estou passando mal.

Aquilo que Justin falou... Aquilo mexeu comigo. Eu ainda consigo sentir o cheiro de protetor solar de quando estávamos em Cancún, eu ainda consigo sentir a dor de cabeça que senti quando acordei no hospital, eu ainda consigo sentir o nó na garganta ao pensar no filho do Justin que eudeixei morrer.

– Hm. – Beatrice respondeu e voltou a comer.

Depois de uns vinte minutos, Polly e Andrew vieram até nossa mesa para nos cumprimentar. Polly amou Gabe e minha madrasta amou Polly. É impossível não amar minha ex-sogra.

Meu pai e Andrew conversaram rapidamente, depois Andrew falou comigo e com Beatrice. Ele era muito educado e divertido. Então Polly veio falar comigo e com Beatrice.

– Você deve ser a meia-irmã da Charlie. – Polly falou e abraçou Beatrice.

– Hm, é. – Beatrice falou. – Na verdade, nós não temos o mesmo pai e nem a mesma mãe. Mas Charlie é minha irmã de consideração.

Sorri com isso.

– Awn, que fofas. – Polly falou e então me abraçou. – Faz um século que estamos sem nos ver!

– É! – Respondi enquanto retribuía ao abraço.

– Fico feliz que tenham vindo. – Polly falou e nós nos soltamos.

– A propósito, tá tudo lindo. – Falei.

– Que bom que gostou. – Andrew falou enquanto sorria para mim e depois olhava para Polly de um jeito totalmente apaixonado. – Ela passou semanas planejando.

– Awn. – Polly falou e selou os lábios com o de Andrew.

– Nós nem sabíamos que vocês estavam namorando e então chegou o convite do casamento. – Beatrice falou. Nota mental: Afogar Beatrice no arroz que ela tanto ama. – Mas que bom que estão felizes.

– Ah sim. – Polly falou e então sorriu enquanto olhava para Andrew. – Foi um pouco rápido, mas não me arrependo. Quer dizer... – Polly olhou pra mim, especificamente. – Quando achamos a pessoa que queremos dividir o resto de nossas vidas, nós queremos que o resto de nossas vidas comece logo.Não podemos deixar essa pessoa escapar.

– Que romântico. – Minha madrasta falou.

(...)

Já eram quatro da manhã e eu provavelmente já tinha bebido quatro garrafas de champanhe. E estava descalça e desarrumada.

Tudo estava meio embaçado, mas eu não queria sair do sofá que praticamente me joguei depois da indireta bem direta que Polly Johnson deu em mim.

Meu pai, minha madrasta – com Gabe – e Beatrice já tinham subido para o quarto trançando as pernas de tão bêbados. No salão de festas só estava os noivos e algumas pessoas da família e eu.

Droga de Justin que me faz amar e odiar ele ao mesmo tempo.

Entornei o último gole de champanhe da minha taça.

–Vai com calma aí, pirralha. – Ouvi alguém com a voz super familiar me dizer.

Justin.

Justin se sentou perto de mim e entornou o último gole de uísque do copo dele.

Foi isso o que ele disse quando nos conhecemos.

– Você não manda em mim. – Falei e sorri. Justin sorriu pra mim, mostrando que ele ainda lembrava. – E além do mais, eu já tenho dezoito.

– Você sempre vai ser aminhapirralha, não importa quanto anos tenha. – Justin falou.

Ri e depois comecei a encarar meus joelhos.

Por que tudo relacionado a nós dois tem que ser difícil?

– Já falei pra parar com essas brincadeiras. – Falei.

– Já falei que eu não brinco com essas coisas. – Justin falou.

Olhei para ele, um pouco brava.

–Vocême deixou. – Falei. –Vocêque quis ir embora.

Justin respirou fundo e desviou o olhar, bravo.

– Se eu não fosse embora... – Justin começou. – Se eu tivesse ficado. Sabe o que teria acontecido? Você nunca ia esquecer. Eu nunca ia esquecer. Foi melhor para as duas partes.

– É, claro que foi melhor. – Falei e virei os olhos. – Eu demorei meses pra sair de uma desgraçada de uma depressão e você estava ocupado transado por aí e brincando sobre não querer ter filhos com a sua prima.

Justin olhou pra mim escandalizado e riu sem humor.

– Eu não acredito nisso! – Justin falou. – Qual é o seu problema? Acha que eu passei esse último ano como? Te garanto que não foi o ano mais feliz da minha vida. Na verdade, nunca chorei tanto em um ano na minha vida. E olha que eu não sou o tipo de garoto que chora, você sabe.

– Tadinho de você. – Falei cinicamente.

Justin riu sem humor de novo.

– É por isso que nunca teríamos dado certo. – Justin falou. – Você sempre acha um jeito de me fazer o vilão da história, o cara que abandona a mocinha. Eu não sou o vilão, Charlotte. Tudo o que eu fiz foi dar a você a oportunidade de seguir em frente.

– Já pensou que talvez eu não quisesse seguir em frente? – Falei. – Talvez eu gostasse das coisas como estavam antes. Talvez eu gostasse de amar você. Talvez eu estivesse feliz quando estávamos juntos.

Justin ficou em silêncio.

– Nunca teria dado certo. – Justin falou e mexeu no gelo do copo dele.

– Eu sei. – Falei.

– Éramos muito... Crianças. Apesar de ter acontecido ano passado. – Justin falou.

– Eu sei. – Respondi.

– Nunca íamos, você sabe, sobreviver até o final feliz. – Justin falou.

– Eu sei. – Falei.

– Principalmente depois do acidente.

– Eu sei.

Justin olhou pra mim.

– Apesar que... Eu realmente ia gostar de casar com você algum dia. – Justin falou.

Fiquei em silêncio durante um tempo.

– Idem. – Falei.

Mais silêncio.

– Sabe qual é problema de tudo isso? – Justin perguntou enquanto deitava a cabeça no meu colo. Ia jogar a cabeça dele no chão, mas o que ele falou depois me impediu. – Eu nunca deixei de te amar.

Senti minha respiração ficar acelerada, assim como o meu coração. Eu ainda amo esse garoto. Muito.

– Eu também nunca deixei te amar. – Falei. – Ok, eu já sei o que vai acontecer agora. Nós vamos fazer as pazes e eventualmente voltar a namorar.

Justin riu.

– Se vamos mesmo fazer isso, você tem que me prometer uma coisa. Agora, nesse segundo. – Falei.

– Qualquer coisa. – Justin falou.

– Não vamos mais ir embora. – Falei. – Não importa o quão difícil a situação fique, o quanto magoarmos um ao outro de vez em quando... Vamos ficar juntos. É entrar no barco e não sair nem quando o barco afundar, entendeu?

– Entendi. – Justin falou e levantou do meu colo.

– E se por um acaso o outro quiser ir embora, nunca vamos desistir dessa pessoa. – Falei. – Vamos lutar um pelo outro até sem forças.

– Combinado. – Justin falou rindo um pouco.

– E vamos fazer dar certo dessa vez. – Falei.

– Ok. – Justin falou. – Você vai calar a boca para eu te beijar agora?

Antes que eu pudesse responder, Justin selou nossos lábios.

Tudo parecia certo de novo. Tudo estava bem de novo. Eu nunca seria feliz sem ele e eu realmente espero que ele pense a mesma coisa. Eu nunca mais iria embora e eu nunca mais seria abandonada.

Era a mesma paixão, os mesmo sentimentos inexplicáveis, que eu sentia desde que Justin me beijou a primeira vez. Só que agora era a Charlotte mulher e o Justin homem, e não a Charlotte-criancinhae o Justin-viva-rápido-e-morra-jovem.

Nós amadurecemos, como todos amadurecem em um ponto da vida. E, por sorte, nosso amor sobreviveu. E agora ia dar certo, certo de um jeito que não teria dado antes porque éramos imaturos. Nós estávamos determinados a fazer dar certo.

Às vezes coisas ruins tem de acontecer para nos preparar para as coisas boas. E eu acho que foi exatamente isso o que aconteceu ano passado.

Eu passei tantas noites questionando Deus e o destino do porque aquelas coisas acontecem comigo e, no fim das contas, tudo o que estava acontecendo no ano passado nos deixou mais fortes para enfrentar os obstáculos que provavelmente vamos enfrentar a partir de agora. Os obstáculos dosadultos.

Sorri enquanto Justin me beijava.

– O que foi? – Justin perguntou.

– Acho que senti falta disso. – Falei.

Justin levantou do sofá e me pegou no colo.

– Eu senti também. – Falou e começou a andar em direção ao elevador. – Mas senti falta deoutra coisatambém.

Arregalei os olhos.

– Ficou na seca esse tempo todo? – Perguntei.

Justin riu.

– Para você ver o que eu não faço por você. – Justin falou e me beijou de novo.

Comecei a gargalhar.

– Acho que você está velho e começou a perder a mão do negócio. – Brinquei.

– Pra sua informação, eu ainda sou novo. Vinte anos não é velho. E eu te garanto que não perdi a mão de nada. – Justin falou.

O beijei enquanto Justin apertava um andar qualquer.

– Já que você adivinhou que íamos fazer as pazes... – Justin falou depois que partiu nosso beijo. – Consegue adivinhar o que eu vou fazer com você agora?

– Hm, deixa eu ver... – Brinquei. – Nós vamos fazer amor até amanhã de manhã.

Justin riu e encostou os lábios no meu.

– É bem por aí. – Justin falou com os lábios encostando nos meus.

É, eu definitivamente nunca vou ser 100% feliz sem ele.

Fim.

Leiam as notas finais.

AGRADECIMENTOS:

MUITO, MUITO, MUITO Obrigada a todas vocês, leitoras maravilhosas, que acompanharam a história tão fielmente e tão fodásticamente que fez eu amar todas vocês de um jeito inexplicável ♥

Muito obrigada especial a Isa, minha marida, por ter feito a capa da história e me ajudar a me inspirar para escrever os capítulos.

MUITO OBRIGADA as lindas que recomendaram as temporadas, muito mesmo. ♥ Me emocionei e continuo me emocionando com cada uma das recomendações.

E, pessoal, o Nyah! pode apagar a categoria e tudo mais, mas eles nunca vão apagar o quanto vocês me fizeram feliz. Sério. Foi inesquecível escrever She Will Be Loved e eu espero escrever outras fics e rever todas vocês. Porque vocês são tipo a comida inteira da minha marmita, sem vocês minha vida seria sem graça.

JSKFJLKSAJFLKSADF

Ok, vou parar por aqui antes que eu comece a chorar mais.

BEIJOS E MAIS BEIJOS E MAIS BEIJOS, SUAS LINDAS ♥

:*

Notas finais
RIP SWBL
Mas enfim...
Eu, no auge na minha inspiração, criei um epílogo pra SWBL. QUEM QUISER O EPÍLOGO, MANDE NOS REVIEWS "Eu quero o epílogo" e eu envio por MP (:
Tchua gente, até a próxima ♥
~shora~
Beijos :*
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!