She Is... Everything
4 Chapter Four
Coloquei minhas mãos automaticamente sobre minha nuca forçando esta para baixo. Aquilo não podia estar acontecendo, melhor, não devia. Segurei o pânico que ameaçava explodir de meu corpo e me agachei perto da mala tocando o enchimento de algodão que agora praticamente pulava de dentro da capa de couro.
Reli as palavras terrivelmente familiares e, por fim, me retirei do quarto praticamente correndo escadas a baixo e por fim girando meu braço em uma pilastra para ficar de frente para meus pais e convidados quem estavam se servindo calmamente de café com pão e ovos. Meu nervosismo fizera com que os enormes olhos cinzas de Janett se arregalassem e por fim se estreitassem de desconfiança. Já Cole continuara a comer, indiferente, enquanto discutia com meu pai sobre questões da bolsa de valores. Minha mãe fervia água em uma panela que apitava planejando servir chá em seguida quando me olhou e tombou o rosto.
–Por quê está vermelh...? -Ela se interrompeu olhando involuntariamente para Janett, suas próprias bochechas roliças corando enquanto Janett parecia tentar entender o que estava acontecendo.
–Não é nada disso, mãe. Alguma coisa aconteceu com a minha mala no andar de cima, você sabe alguma coisa sobre isso? -Franzi o cenho tentando esconder meu nervosismo enquanto encarava meus pais.
–Não posso imaginar quem faria isso com você, Zac... -Janett me encarou, seu rosto irritado.
Cole finalmente se levantou, limpando a boca com um guardanapo branco e bordado.
–Eu acho que deveríamos ver a mala e analisar a situação adequadamente de acordo com os danos causados. -Cole falou e nós todos os observamos, embasbacados.
Ele só falava com tamanha seriedade quando considerava o assunto muito importante e sentia que teria de manter a calma pelo resto do grupo.
Em fila, todos subimos a escada para meu quarto, sendo eu o último a passar pela porta de mogno aberta antes convidativa para minha caverna particular, agora mais ameaçadora do que nunca. Eu não esperava encontrar nada menos do que um terrorista com uma metralhadora na mão esperando em posição de ataque lá dentro.
Entrei no quarto olhando para o chão de madeira oca que ecoava todos os nossos passos. A luz adentrava pela minha janela quebrada dando ao quarto uma ar de aconchego e conforto, em especial de calor. Todos ficamos em silêncio por algum tempo e eu já considerava o ato de erguer a cabeça para encarar novamente a mala quando a voz de Cole cortou o silêncio:
–Sua mala está em perfeito estado, Zac. Não vejo que graça veria em nos pregar uma pegadinha assim.
Ergui minha cabeça para a mala de couro verde pintado que refletia a luz da janela e parecia ainda em melhor estado do que antes de a encontrar rasgada.
–Mas... Eu não entendo, Cole. Não mesmo. Ela estava aí, resgada com letras pintadas em bastão cor escarlate. Estava escrito "Não vai" ou algo parecido, eu juro, gente! -Minha voz arranhava minha garganta e, se anteriormente não estava, agora podia afirmar com toda certeza que estava apavorado.
Todos me olhavam parecendo sem saber ao certo o que fazer agora. Minha mãe estava com as bochechas, as quais estavam sempre coradas, pálidas e os olhos azuis arregalados, seu cabelo liso e brilhante grudado ao suor do rosto. Ela ergueu as mãos roliças para mim e agarrou minha cintura.
–Eu não vou deixar meu garoto viajar com vocês neste estado. -Ela repreendia Cole e Janett como se eles fossem os culpados pela minha possível e rápida perda de sanidade. Me desprendi com dificuldade dos braços de minha mãe e escorreguei para a parede.
–Calminha aí, cara. -Cole erguia as mãos abertas em frente ao rosto de minha mãe, desconsiderando totalmente o que minha mãe houvera acabado de falar. -Ele não é mais um bebê, e, se for, eu e Janett conseguimos cuidar muito bem dele. Aposto que é apenas nervosismo de navegador de primeira viajem. Literalmente.
Meu pai sorriu sob o bigode amarronzado e todos nós pudemos comprovar, mais uma vez, o quanto ele gostava de Cole. O garoto era como um segundo filho para ele, uma vez que vivia aqui em casa desde que seu próprio pai morrera em um acidente de trem. Meu pai se identificava muito com ele o que já me causara ciúmes, embora eu percebesse mais tarde que aquilo não fazia sentido. Cole era meu irmão, de verdade.
–Olha aqui, moleque. Se você morrer naquela ilha... -Meu pai me encarava. -Eu contrato um pai de santo para te atormentar até sua mãe morrer de desgosto.
–Chris, não fala assim com o menino! -Minha mãe disse, mais para Janett e Cole do que para meu pai.
–Certo. Peguem as malas e vão logo embora. -Papai disse levantando ele próprio minha mala e nos empurrando porta à fora. -Mandem cartas! Ou não, não precisam se incomodar!
–Chris! -Minha mãe o repreendeu enquanto saíamos do quarto aos empurrões.
–Tá certo, pais. -Digo, me colocando para fora de casa o mais rápido que podia.
–Essa foi a educação que te demos? -Eles falaram juntos enquanto eu me acomodava no carro.
–O.K senhor e senhora Parker. Fiquem com Deus, te amamos! -Cole sorriu e abraçou meus pais nos chamando todos para um abraço em grupo.
E assim ficamos, Cole, eu, Janett e meus pais. Abraçados na porta de casa. Não pude impedir que lágrimas teimosas escorressem de meus olhos. Do que eram aquelas lágrimas eu ainda não sabia.
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