Notas iniciais
Demorou, mas saiu! Aqui para vocês o novo cap da fic! Veremos nossos amados personagens dando uma voltinha pelo o shopping. E claro que vai ter aquela dose de drama amoroso como sempre. Agora, vamos lê-lo!

Lucas está terminando de se arrumar para encontrar com MaFer hoje à tarde no shopping. Ele estava um pouquinho nervoso, já que fazia um tempo que não tinha um encontro a sós com uma garota. Colocou sua melhor calça jeans, calçou seu converse azul e vestiu uma camisa básica vermelha. Simples, era assim que ele gostava de se vestir. Antes de sair de casa verificou água e comida da sua tartaruga, a Busunda, e de seu cachorro, o Perry. Na saída, quando abria o portão, Perry pulou nele, então o garoto acariciou a cabeça do mascote.
— Me deseje boa sorte amigo. – com uma piscada para seu fiel companheiro, Lucas saiu de casa.
Para a sorte dele, só precisava andar uns cinco metros de sua casa ao ponto de ônibus. MaFer mandou uma mensagem perguntando se ele demoraria muito, e o rapaz pediu mais uns 15 minutos e já chegaria. A pé ele demoraria em torno de uns 45 minutos para chegar ao shopping, no entanto já estava subindo na condução, que não demoraria nem 10 minutos para chegar ao destino, já que não costumava ter trânsito naquele horário do dia.
Quanto mais se aproximava do destino o menino foi ficando mais aflito e nervoso (mais o menino ficava aflito e nervoso) –ficou estranho o gerúndio nesse pedaço-, suas mãos já estavam suando e pelo caminho ele havia bolado todos os tipos de conversas que poderia ter com a garota, mas todas elas terminavam de um jeito vergonhoso e constrangedor para ele. Então preferiu não pensar em mais nada do tipo: o que eles iriam conversar; o que eles iriam fazer; quando começasse a ficar um tédio, como ele salvaria o encontro. Era de costume o rapaz ficar aflito com estas questões quando ia encontrar com qualquer tipo de pessoa, só que ficava mais intensificado quando esta pessoa tinha certo nível de importância e afeto. No caso, ele não queria desapontar a garota, ou o famoso queimar o filme.
Chegando perto do local de encontro, a praça central do shopping, sua barriga começou borbulhar de nervoso, logo o menino suspeitou ser gases, o que fez piorar a situação de nervosismo, já que ficou com medo de soltar um odor desagradável assim que encontrasse a garota. Sendo assim, Lucas concluiu que seu corpo não estava ajudando em nada àquela situação.
A praça estava com bastante gente, tendo em vista que aquele local é um famoso ponto de encontro da região, é de costume estar cheia. O que acabou dificultando o encontro com a menina assim que chegou. Ele levou um susto quando ouviu alguém chamar o seu nome, olhou para trás e lá estava Maria Fernanda, mais conhecida por MaFer, só que ao seu lado estava Dy. Lucas olhou espantado, fechou bem seus olhos (semicerrou os olhos) para focar melhor, confirmando a presença de Dy ao lado dela. O garoto não sabia se ficava aliviado ou decepcionado. Por um lado seria mais confortável e por outro ele perderia a chance de ficar a sós uma tarde toda com MaFer. A única certeza era que sua cabeça ficou confusa.
— Oi Lucas? Tudo bem? Você está com uma cara estranha. – disse MaFer.
— Não. – ele respondeu de imediato, só que por um rápido momento ele pensou que pareceu dizer que não estava bem, então, desastradamente, tentou se corrigir. — Quer dizer, sim! Estou bem! E não estou com uma cara estranha. – o garoto sorriu para mostrar que estava tudo bem.
Dy ficou com cara de paisagem e MaFer deu um risinho, ela adorava quando o menino se complicava todo.
— Deixa. Já percebi que você está bem. Só podia ser você mesmo. – MaFer disse dando risos.
— O quê? Como assim? – Lucas falou indignado, não entendeu o “Só podia ser você.” Era algum tipo de sarro com a cara dele?
— Nada. É só o jeito Lucas de ser, que por sinal eu acho bem divertido. – ao ouvir isto da boca de MaFer, Lucas corou na hora e ficou todo sem graça.
— mas eu não fiz nada... – Lucas murmurou baixinho enquanto abaixava a cabeça. MaFer deu risinhos novamente e ele levantou a cabeça. Por um instante os olhares dos dois se cruzaram, foi um breve momento que eles se encararam, mas o suficiente par deixar os dois sem graça e desviarem o olhar para o lado.
Dy forçou duas tossidinhas e disse.
— Que tal darmos uma volta pelo o shopping.
MaFer se virou para Dy com um sorriso no rosto e acenou para Lucas para começarem à andar.
O que no início Lucas achou que deixaria o passeio mais dinâmico e confortável, foi o que piorou a situação. MaFer e Dy passeavam olhavam as vitrines e conversavam sobre coisas que muitas vezes Lucas não conseguia se encaixar ou se envergonhava em falar sobre tal assunto. Resultado, ele se sentiu “o excluído”. Então se deu o direito de convidar Bran, do mesmo jeito que MaFer convidou Dy. Lucas achou que as meninas iriam gostar da presença do rapaz, já que ele se lembrou do último passeio do quarteto, que no caso foi a primeira e única, na qual todos participaram e interagiram de uma maneira harmoniosa e natural. Não seria uma má idéia reuni-los novamente. Com certeza seria uma situação mais agradável que a atual. Bran respondeu a mensagem do Lucas e pediu uns 30 minutos para sua chegada.

— Aqui estou eu. O que era tão importante que não podia falar por telefone ou mensagem? – disse Ray de braços cruzados, com Shay ao seu lado e sentada de frente para Juuh, olhando cara a cara, em uma cafeteria de um shopping.
— Bem eu ainda não posso falar. – disse Juuh que lançou um olhar para Shay.
— Tudo bem já entendi. Ela tem algum problema comigo Ray. Vou fazer uma horinha pelo shopping e depois eu volto, ok? – Assim que termina de falar Shay dá as costas para as duas e vai embora.
— Enfim sós. Desembucha logo, meu nível de curiosidade já atingiu o limite.
— É que depois da casa do Unilipe, eu... – Juuh explode de vergonha e não consegue falar.
— Você o quê? – Ray já estava se estressando com a enrolação.
— Não consigo falar!
— Como não consegue falar!? Chega disso cara!
— Tá bom! Ah! – Juuh respirou fundo e falou bem rápido. — Eu dormi com uma pessoa! Foi isto!
— Você o quê? – Ray estava desacreditada com Juuh, precisava daquela embromação toda para falar isto? Ela já havia transado com muitos homens e falou detalhes sem aquele estardalhaço todo.
— Dormi com uma pessoa.
Ray apoiou o cotovelo na mesa, em seguida colocou sua mão na cara, já não aguentava mais aquela ladainha e ficou sem paciência. Para acalmar respirou fundo.
— Tudo bem. Qual o problema nisto? Você já dormiu com várias pessoas.
— Não. Esta eu conheci no ônibus, naquela noite, e aceitei ir para casa dela, Ray. Você não entende como isto é absurdo.
Era nítido o tom de preocupação na voz de Juuh, por este motivo Ray conseguiu se controlar para ajudar a amiga complexada.
— Ok. Não se preocupe, você estava bêbada. Pessoas bêbadas às vezes perdem a noção do que fazem. Além disso, você nem conhece a pessoa, né não? Relaxa. Não se cobre tanto.
— Verdade...
Juuh fica em silêncio e Ray pensa que a menina já está conformada com sua situação.
— Vou pedir um café pra gente. – disse Ray se levantando da cadeira.
Assim que foi sair da mesa, Juhh agarrou o seu braço.
— Espera.
Ray revira os olhos e retorna para seu lugar.
— Fala. – Ray tentou segurar o máximo que pode o tom de impaciência.
Juuh morde o lábio de nervoso. Lágrimas começaram a se formar no canto do olho. Com a voz falhada se forçou a dizer.
— Eu... Me deitei com uma mulher... – ao terminar a frase, o rosto de Juuh queimou de vergonha e humilhação.
— Você só pode estar de sacanagem.
— Eu sei! Eu me sinto podre.
— JUUH! Já chega disto! – Ray chegou ao seu limite, não aguentava mais aquela conversa com a amiga.
Juuh olhou espantada, percebeu a saturação da amiga por causa da conversa.
— Mas a pior parte é que gostei...“disto” – Juuh tentou se explicar, Ray desacreditada no que sua amiga acabou de falar, apenas continuou ouvindo. – Sei que é errado. No entanto foi uma das minhas melhores noites. E sei também que não tem nada a ver com eu estar bêbada, antes fosse. Tenho me sentido confusa, e para piorar conheci outra garota. E...Ray, estou me sentindo atraída por ela também. Mais por ela, do que pela outra. – Juuh falou tudo olhando dentro dos olhos de Ray.
Ray respirou fundo e começou a falar.
— Nenhum desses sentimentos são errados, Juuh. Do jeito que você falou, o Uni seria uma pessoa terrível. – Juuh interrompeu Ray.
— Não tem nada a ver Ray. Com o Uni é diferente. Ele já é gay. Já eu... – Juuh desvia o seu olhar para o chão.
— Diferente? Não é nada de diferente. – Juuh ergueu seu olhar atento para prestar atenção nas palavras de Ray, ficou curiosa para saber onde a amiga queria chegar. – Você que nunca percebeu que gostava de mulheres. Ou melhor, você criou uma barreira auto-preconceituosa, não permitindo seus sentimentos serem honestos. Você que criou o certo e o errado na sua mente.
Juuh ficou indignada quando Ray lhe chamou de preconceituosa, elevou um pouco seu tom de voz e disse:
— Mas eu não tenho preconceito nenhum. Nem comigo, nem com o Felipe , aliás, com nenhum gay. Tenho colegas e amigos que são e os aceito tranquilamente. Agora você diz que eu sou preconceituosa. Ray, você me conhece e sabe muito bem disso, respeito qualquer tipo de gente.
— Menos você! Ficou mais que claro, que na sua cabeça, as outras pessoas serem gays é normal, mas quando se vira para si, você vê que é um problema e não permite que algo desse tipo aconteça com você.
— Claro que não! – Juuh balançou a cabeça negativamente repetidas vezes. – Você está falando que eu me envergonho em ser gay? Que eu não me aceito? Você tá enganada!
— Ah é? Estou enganada? Qual o problema em você ter dormido com uma mulher? – Ray falou, em seguida fez uma breve pausa para sua amiga refletir. Antes que Juuh pudesse responder, Ray prosseguiu. – Que eu saiba, quem se sentiu toda estranha, quase um alien, foi você.
Juuh se calou. No momento as palavras de Ray começaram ecoar em sua cabeça. Ela começou a compreender o que a amiga acabou de lhe dizer, porém continuou a negar.
— Não! Você que não está entendendo! Ray, isto é sério. Estou confusa, não sei o que fazer. Pensei que você me ajudaria, mas agora percebi que estava enganada.
— Olha Juuh, não posso fazer nada se não compreende a sua situação. Todo este sofrimento e confusão só vão acabar quando você aceitar toda esta situação como experiências novas, e não como problemas novos. Você ainda não se aceita. Você não quer se assumir gay. – Juuh foi interromper Ray novamente, só que esta levantou a mão fazendo um gesto para a amiga permanecer quieta e continuou falando. – Mas, você diz que já se aceita, então posso estar enganada. Sem mais, vou buscar café para nós duas e aguardar a Shay voltar. Papo encerrado.
Ray se levantou, rapidamente, para não ser interceptada por Juuh novamente. A menina foi para a fila e esperou ser atendida para comprar os seus cafés.

Lucas andava pelo o pátio central do shopping a espera de Bran, enquanto isto, MaFer e Dy foram ao banheiro. Olhando a vitrine, ele vê um Box com as 6 temporadas completas de Glee, fica admirando e cantarolando baixinho “Don’t Stop Believin”.
— Que saudades! – falou admirando o Box com olhar melancólico. – Foi muito bom enquanto durou. Apesar das épocas difíceis. – Lucas fez um sorriso nostálgico.
— Também curtia a série.
Lucas olhou assustado para o lado e viu uma menina baixinha sorrindo para ele.
— Desculpa te assustar. É que eu escutei você falando sozinho. – a menina deu uma risada de leve.
Lucas ficou sem graça, tinha hábito de falar sozinho e, muitas vezes, dizia sem perceber. Já era algo natural para ele. O garoto sem saber como reagir, apenas sorriu. O cenário ficou constrangedor para ambos os lados, mas a garota tentou melhorar o clima.
— Você é um gleek?
Com um sorriso envergonhado, respondeu:
— Pode se dizer que sim. Gosto muito.
— Pois é.
O assunto deles morreu, mas o constrangimento mutuo aumentou. Lucas não sabia o que fazer, desviou seu olhar para o lado, e naquele momento viu o Bran se aproximar. Suspirou de alívio e acenou para o amigo. A menina, sorrateiramente, foi se retirando olhando para vitrine.
— Lucas! – Bran chamou pelo menino, percebeu que havia uma menina ao seu lado que lhe parecia familiar.
— E aí Bran?! – Lucas respondeu e andou em direção ao rapaz.
A garota achou a voz de Bran familiar e se virou. Assim que se virou, o menino lhe reconheceu e ela também se recordou dele.
— Bran!? – falou a garota.
— Shay! – disse Bran. Lucas, confuso, encarou os dois. – O que você faz por aqui?
— O que mais uma pessoa poderia fazer no shopping? – disse Shay de deboche
com a cara de Bran.
— Uia! – Lucas pôs lenha na fogueira.
Bran preferiu ignorar.
— Vocês se conhecem? – ele perguntou.
— Não. Só achei engraçado ele conversando com o Box de Glee e fui tirar uma com a cara dele.
— Ou! Acho que você não conseguiu o que queria. – Lucas disse vitorioso, já que a menina acabou ficando envergonhada junto com ele.
— Shiu! – Shay falou ficando com a cara corada. – Vi sua cara fofa e fiquei com pena, desisti. Não seria capaz de sacanear uma criança. – mentiu para não ficar por baixo. Quando na verdade, foi conversar com menino, pois o achou interessante e já não aguentava mais rodar aquele shopping, tava um tédio. Tentou puxar um papo com alguém e ele foi uma presa fácil, no entanto foi falho. – Me arrependi no momento que soube que você é amigo desse aí. Podia ter ido fundo. – terminou seu ataque.
Lucas lançou um leve olhar mortífero para Shay. Bran revirou os olhos, infelizmente, teria que suportar Shay até o fim do mês, os santos deles não haviam batido. Fingiu que não escutou e prosseguiu.
— Então cadê a Ray?
— Quem disse que ela veio comigo? Aliás, mesmo que ela tenha vindo comigo, não é de minha responsabilidade te guiar. Você não tem celular? Por que não usa? – Bran lançou um olhar aborrecido, com isto, a menina cedeu. – Okay, te levo até ela.
Bran fez deu um sorriso sínico para Shay.
— Vamos Lucas, vou te levar para conhecer minha garota. – abraçou o amigo pelos ombros e deu um soquinho no tórax do rapaz.
— Só espera a MaFer e... – Lucas foi interrompido por um grito de MaFer.
— Bran!
A menina disparou na direção deles e se jogou em cima do colo deles. Resultado: os três foram ao chão dando gargalhadas. Shay olhou deles para a Dy que vinha logo atrás de Mafer. Trocaram olhares e as duas começaram a rir. Shay tossiu para chamar atenção deles.
— Vão ficar no chão, ou, querem que guie vocês até a Ray?
— Ray? – MaFer indagou.
— Minha namorada. Ela ta no shopping também! Vamos lá, vou levar vocês para conhecerem ela.
— Só se for agora! – Mafer falou animado, e com um pulo já estava de pé. – E você é? – perguntou olhando para Shay.
— Shay, prima da Ray e, no momento, a guia de vocês até a mesma. – Shay falou imitando um servo fazendo uma reverencia ao mestre.
— Por favor, nos corteje até ela, humilde Shay. – falou Dy para a garota depois de se posicionar ao lado de MaFer.
— De humilde esta aí não tem nada. – Bran falou entre os dentes. Lucas foi o único que escutou e riu.
— Me sigam. – disse Shay cordialmente.

Ray e Juuh tomavam os últimos goles do café em silêncio, estavam só aguardando a volta de Shay para irem embora. Quando esta chegou, elas ficaram surpresas, já que a menina estava acompanhada de bastantes pessoas, e inclusive, uma delas era Bran. Ray andou em direção dele, uma de suas mãos agarrou o pulso do menino e outra foi, diretamente, para a testa dele.
— Eu te liguei hoje de manhã e você disse que estava com dor de cabeça e febril. Por que saiu do repouso? – Ray perguntou preocupado e verificando a temperatura do corpo dele.
— Relaxa. Já estou me sentindo melhor.
— Tem certeza?
Bran pegou nas duas mãos de Ray, olhou dentro dos olhos dela e a tranqüilizou.
— Calma. Tá tudo bem. – ficou de mão dada com a Ray e guiou até o pessoal. – Ray quero que você conheça MaFer, Dy e Lucas. – ele falou cada nome e apontou para a pessoa com a mão livre, respectivamente.
— Prazer em conhecê-los.
— O prazer é todo nosso. – disse MaFer, Lucas fez positivos com as duas mãos e Dy acenou um “Oi”.
— Foi deles que eu te contei. As pessoas que conheci no evento.
— É. Eu me lembro. – Ray falou recordando. – Então aquele deve ser o famoso Lucas do tombo?
— Wow! Você contou isto para ela? – disse Lucas envergonhado.
— O que estes dois não contam um pro outro? Chega a ser nojento de tão meloso que é o relacionamento deles. Nada de secreto – Shay falou revirando os olhos e depois lançou um olhar desafiador para o Bran. – Ou talvez, pode ser tudo uma farsa, bancando de bom moço, né não, Bran?
Bran por um breve momento passou por um pequeno desespero e engoliu seco. No entanto, se acalmou, pois sabia que era apenas uma implicância de Shay com ele.
— Aff Shay. Melhore. – Bran respondeu e Ray se virou pra ele.
— É inveja por não ter alguém como você. – Ray falou e deu um beijo no menino.
— Não. É serio. Graças a Deus que não tenho alguém igual a ele! – Shay, enquanto falava, simulou um vômito, o que fez com que os outros rissem.
Juuh assistia a conversa descontraída deles de longe e notou como a beleza de Shay era singular. Viu ela como um objetivo a ser alcançado, porém um objetivo que nunca poderia ser atingido. Suspirou. Em seguida, ela sentiu que estava sendo observada, então, resolveu olhar na direção que vinha esta sensação. Não estava enganada. Dy olhava para ela. Os olhares das duas se cruzaram. Dy na hora deu um sorriso para Juuh, no entanto, esta fingiu não ver a garota desviando o olhar. Agora na sua frente estava Ray.
— Vem Juuh. – Ray chamou por ela.
— Oi? – respondeu confusa.
— Vem! Se junta lá. Talvez a gente vá ao cinema. Você tava tão distante, vim te buscar para interagir. – disse Ray tentando levantar o astral da amiga.
Juuh olhou de soslaio para Dy, se voltou para a Ray e respondeu.
— Não obrigado. Não estou bem. Prefiro ir para casa.
— Poxa... – Ray pensou em insistir, mas percebeu que seria melhor deixar a amiga ter um tempo sozinha. – Tudo bem, vá para casa e descanse. Posso ter sido um pouco rígida com você mais cedo, me desculpa, só não quero mais te ver daquele jeito... – Ray fez uma pausa e olhou Juuh de cima a baixo. – Nem deste jeito. Eu quero a Juuh feliz e loucona de sempre.
— Eu sei miga. Mas quando a Juuh entra em conflitos amorosos, você já sabe que ela fica detonada. Ainda mais neste caos que me meti. – Juuh olhou melancolicamente para Dy e, em seguida, abaixou a cabeça para Ray não conseguir ver as suas lágrimas descer e disse. – Só não me entendo mais. Se você estiver certa. Se eu não gostar do meu eu. Você sabe o quanto é horrível uma pessoa não se aceitar. Não se amar. A Confiança dela vai para estaca zero. Por isso... – Juuh fez uma breve pausa, secou as lágrimas, respirou fundo e prosseguiu. – Por isso eu não quero ser uma dessas pessoas, Ray. Não consigo admitir isto! Mas a única coisa que eu penso é, o quão horrível foi nascer deste jeito, não poderia ter nascido normal? – as lágrimas de Juuh se intensificaram.
Ray abraçou a menina, para esconder o choro da amiga, tornar aquele momento só dela. Ela sabia como é desagradável chorar em lugar público, pessoas desconhecidas vendo você em um momento tão íntimo, lhe deixando sem privacidade nenhuma. Aquele gesto era a única coisa que poderia fazer para preservar a intimidade da amiga. Ray tentou agir como se fosse uma despedida. Foram juntas até uma outra saída onde o grupo de amigos e colegas não estavam.
— Obrigada Ray.
— De nada. Só fiz minha parte. Agora vai para casa, para de chorar, tome um banho e descanse. Não se cobre tanto, ouviu?
— Certo.
Elas se abraçaram e Juuh foi embora. Dy observou toda a cena, enquanto isto, o restante estava descontraído na conversa. Foi o que Dy pensou até Shay ir para o seu lado e falar.
— Patética não acha?
— O que? – disse Dy indignada. – Você não sabe por quais motivos ela ficou daquele jeito. E fala assim dela.
— Você que foi ignorada e ainda defende. Uau.
— Você acha que é legal ser arrogante deste jeito?
— Você entende o que eu digo e agora me difama neste nível.
— Você tem agido assim a maior parte do tempo. – Dy falou e deu as costas para Shay e voltou pro circulo de amigos.
Shay deu de ombros e pensou: “Vim para umas férias e cai no meio de um drama. Uau. Amei.”, continuou, “Mas Shaylícia o que aconteceu com você, hoje acordou bem ácida, queria me desculpar. Patética... Esta mandei malzão. Tanto faz, não fui com a cara dela mesmo. E outra, amiga de Bran, coisa boa que não é.”
Ray se aproximou do grupo e falou que Juuh não iria ao cinema. Dy pediu licença e falou que também não poderia ficar lá por mais tempo. MaFer insistiu para amiga permanecer, foi em vão, Dy foi embora. Se despediu um por um, na hora de Shay, esta sussurrou no ouvido de Dy no meio do abraço.
— Se você está indo atrás da garota, tome cuidado com as palavras, ela ta sensível.
— Fica tranquila, eu não sou você. Sei muito bem lidar com as palavras. – Dy sussurrou em resposta.
As duas as afastaram do abraço com o sorriso mais falso possível.
— Se cuide, ta? – falou Shay mantendo o sorriso falso no rosto e acariciando os ombros de Dy.
— Pode deixar. –Dy respondeu também com sorriso falso e retirou as mãos de Shay de seus ombros.
MaFer reparou a tensão entre elas duas e deu dois assobios breves, pareciam duas rivais natas, mas a garota não sabia o que estavam disputando. Dy, finalmente, partiu. O grupo seguiu o rumo para o cinema.
— Ray, também posso ir embora? – Shay clamou para a prima. – Não aguento mais respirar o mesmo ar que o Bran.
— Shay! Sossega o rabo. Você vai embora comigo.
— Ahhhh! – Shay encenou estar em crise de angustia, fazendo todos rirem, até o Bran. As implicâncias com o garoto já começaram a se tornar uma brincadeira da menina com ele.

Dy avistou Juuh e foi se aproximando com cautela. Quando já estava bem próxima dela, Juuh se virou. Agora, lá estava apenas a Dy e Juuh debaixo de um céu negro de uma noite quente no Rio de Janeiro.
— Boa noite.
— Boa noite. Por que está me seguindo? Por favor, pare.
— Como poderia? Você me ignorou e depois teve uma crise de choro. Não poderia, ou melhor, não posso apenas esquecer você. Nós fomos intensas naquela noite. Me importo com você, mesmo que você não se importe comigo.
— Não. Você está errada. Eu me importo com você. Tô surtando desde aquela noite. Preciso de ajuda. Não sei a quem mais recorrer.
— Você tem a mim! – Dy agarra os ombros da Juuh e encara olho no olho. – Pode contar comigo! Juro que serei tudo o que você precisar.
Juuh desviou o olhar e se afastou das mãos de Dy.
— Você é meu problema, não tem como ser minha solução.
Dy sentiu uma pontada no coração. Com a voz tremendo, falou:
— Como assim?
— Depois daquela noite tenho passado por várias montaha russas de sentimentos. Bastou você entrar na minha pra acabar com todo meu. Já nem sei mais quem é eu sou. Então... – Dy interrompeu.
— Você é Juuh, a menina bêbada que conheci no ônibus, que mudou toda minha vida. Depois daquela noite só tenho me sentido incrível. Contava horas para te reencontrar. Você renegou todas minhas mensagens e ligações, e isto só fazia eu te querer mais. E olha que fantástico, os novos amigos que criei de alguma forma me levaram até você! Mais uma prova que você só veio acrescentar ao meu mundo. Por isto, Juuh, eu te amo! Me permita cuidar de você e conseguirei compartilhar todo meu amor, assim acabando com seus problemas. – Dy estendeu a mão para Juuh. – Por favor.
Juuh, assustada, encarou a mão de Dy estendida como forma de apoio para ela. O que aconteceria se ela pegasse na mão de Dy, seria, realmente, a solução de seus problemas? O coração da garota disparava. Nunca ninguém falou daquele jeito com ela. Ninguém nunca se dispôs a amá-la naquela intensidade e ser seu ponto seguro. Nunca lhe prometeram protegê-la. Começou ficar ofegante.
“Eu não posso!”, pensou Juuh, “Eu não posso segurar esta mão! Não tá certo! Eu não sou assim. Meus pais não aprovariam este tipo de namoro... Eu não aceitaria... No entanto, e se eu largar estas idéias e seguir em frente, será que é o correto? Existe correto? Só quero ser feliz, é tão difícil assim? Só espero não me machucar. Não, tenho certeza que esta é melhor opção para mim. Por isto...”
Juuh encarou Dy olho no olho. Dy estava tremendo de nervoso e olhos de Juuh estavam ardendo, a qualquer momento derramaria mais lágrimas.
Juuh esticou seu braço, um sorriso de alívio surgiu no rosto de Dy, só que no momento de apertar a mão de Dy, Juuh pensou “Shay!”. Na hora recolheu o braço e se abraçou com eles.
— Por quê?! – Dy perguntou espantada.
— Desculpa.
Juuh não achou que seria certo começar um relacionamento sem saber os seus verdadeiros sentimentos. Shay tinha lhe encantado, sentia uma ligação com a menina, que não saberia explicar. Apenas de olhar Shay, Juuh explodia por dentro. Já com Dy, ficou muito marcada por aquela noite e desde então tem ficado confusa, se só foi naquela noite, ou existe algo. No momento, estava disposta a se entregar aos sentimentos, sem importar com o gênero da pessoa. O que mais lhe confundiu, foi a noite que estava vivendo, naquele momento, Dy estendendo nas mãos pra ela e lhe prometendo juras de amor. Foi um momento especial.
— Prometo não te decepcionar.
— Não é você. Sou eu. Posso te decepcionar. Creio que tenho grandes possibilidades para fazer isto acontecer.
— Você está com medo! Também já fui assim, mas no dia que te conheci, estava disposta a me jogar no mundo com tudo. Tem dado tudo certo. Por favor me dê esta chance.
Juuh estava com coração partido de renegar o pedido da moça. Ela também achou que poderia estar desperdiçando uma chance de ser feliz por isto.
“Desculpa Dy, não posso te contar sobre Shay. Mas...”
Juuh pulou em Dy e a abraçou pela cintura, aproximando os seus corpos, em seguida apoiou sua cabeça no ombro dela. Falou bem baixinho se sentindo impotente.
— Você prometeu. Cuide de mim, me ame.
— Pode deixar. Sempre cumpra com minhas palavras.
Aquele abraço selou o destino das duas. Não faziam idéia até onde aquele relacionamento iria. Apenas se entregaram e no momento o coração de Dy explodia de felicidades e Juuh finalmente havia acalmada a sua tempestade interna.

Notas finais
Este foi mais um capítulo. Gostaram? Comente aí o que acharam. Se o pedido pelo o próximo capítulo for grande, me agilizarei mais para a produção do próximo. Agradeço por continuarem acompanhando a história! Muito obrigado a todos. E estou tendo apoio e ajuda nas revisões, muito obrigado para esta pessoa especial que tem me ajudado. Vlw. Tudo isto para melhorar a história o máximo possível para vocês! Agradeço pelo carinho. A gente se vê no próximo capítulo. Fui!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.