Shattered

11 This war's not over


Notas iniciais
Oi, gente! Saudades? Bem, eu tava com muita saudade de vocês, mas passei por um periodo que tava que não conseguia escrever nada. Mas, agora passou já. (Eu acho, hehe) Bem, esse capítulo ele vai ter um pouco de violência. Não é muita coisa, mas tou avisando para ninguém ser pego de surpresa e ficar desconfortável, mas leiam sim! Vale a pena. Prometo! Esse aqui é um pouco diferente e talvez vocês não gostem (apesar de que eu amei escrever), mas ele vai ser importante para entender umas tretas que vão acontecer depois. Obrigada pela atenção, meus amores! E, por último, mas muitíssimo importante agradeço de coração por todos os comentários e favoritos! Eles são importantes DEMAIS e são a energia que preciso para continuar essa ideia. A todos vocês eu só quero agradecer de todo coração, visse?

Ela abriu os olhos. Embaixo da água tudo era um borrão indistinto e, por um momento, quis poder ficar daquele jeito para sempre. Mas, logo o pulmão pediu por ar e ela pôs a cabeça para fora. A banheira branca deslizou no contato com suas mãos, mas logo ela ficou em pé. Buscou um roupão próximo e saiu do banho deixando um rastro molhado para trás. Antes de se cobrir parou em frente a um espelho comprido ao qual conseguiu admirar o próprio corpo por inteiro. As curvas sutis e proeminentes. O bico do seio rosado. E o loiro que tinha no meio das pernas.

Quando entrou no quarto, Phillip já a esperava. Ela vestiu as peças íntimas, e então o criado se aproximou e ajudou a vesti-la. A roupa era um vestido azul-escuro todo trabalhado que a dava um aspecto de nobreza. Não que ela tivesse qualquer traço de sangue-azul, mas depois de uma infância vivendo na pobreza, ela se permitia aproveitar do luxo provindo dos negócios como bem entendesse.

— Vai precisar comprar outros vestidos, Lady Morgan. – O criado sugeriu.

— Logo. – Ela respondeu entre os dentes.

Sentou-se em frente à penteadeira e enquanto Phillip arrumava seu cabelo, ela buscou a caixa de joias e tirou de lá de dentro um par de brincos trabalhados em safira para que combinassem com a cor do vestido.

— Fui informado que um mensageiro de Lorde Moran chegou a pouco tempo.

Morgan revirou os olhos em resposta.

— Meu tio acha que tem como me fazer chantagem. Apenas por ser do lado da família que recebeu o título se acha no direito de mandar nos outros. É um estúpido.

— A senhora vai recebê-lo?

Ela abriu a boca, mas ficou estática alguns segundos decidindo o que faria a seguir. Poderia receber o enviado do tio, dar a ele o que veio buscar ou simplesmente mandá-lo ao inferno. Nem precisava dizer qual das alternativas ela se sentia mais tentada a escolher. Porém, se havia algo que Jim tinha lhe ensinado era que os negócios valiam mais que essas vontades. O que era terrivelmente irônico, já que ele próprio tinha explodido os miolos devido à birra com Sherlock.

— Sim. Avise-o que desço em meia hora.

Quando, por fim, ela desceu com um atraso de quinze minutos, o mensageiro era um homem na casa de seus trinta anos que vestia roupas distintas. Ele fez uma reverência quando ela entrou no escritório e se sentou apropriadamente.

— O que meu tio quer?

~

O problema com o enviado do tio tinha sido rápido de se resolver. Tinha despachado o homem com o valor que ele tinha vindo buscar, mas, além disso, o mesmo também levava uma ameaça carregada. Que ele não ousasse a procurar outra vez ou então logo eles perderiam a cabeça. Ela, de forma figurada e ele, literalmente. E qualquer que já tivesse firmado um contrato com ela sabia que não era alguém de palavras vazias.

Morgan bufou enquanto olhava pela janela para fora do carro. Sentia-se inquieta e o estômago doía. Pousou a mão na barriga e acariciou por um instante para ver se ficava mais tranquila. Ela tinha sido avisada de um refém que enquanto estava sendo torturado prometeu dar em troca de salvaguarda notícias sobre os planos de Sherlock Holmes. Porém, ele só abriria a boca se ela estivesse presente. O homem era certamente um tolo se acreditava que o fato dela estar lá garantiria sua vida.

Eles pararam após mais uns dez minutos dirigindo no distrito que era repleto de fábricas velhas e abandonadas. É claro que todo o terreno era de sua propriedade e ninguém pisava ali dentro por engano. Um dos seguranças abriu a porta para ela e se puseram ao redor dela enquanto ela seguia em direção ao prédio enorme.

Seus homens eram sempre uma parede em volta dela, afinal, mesmo que Morgan fosse perita no uso de armas desde muito nova, ela sabia que mais cedo ou mais tarde algum inimigo iria atentar contra ela e nesse momento a mesma preferia deixar para um dos homens o encargo de levar a bala.

Quando entrou na velha fábrica viu logo alguns de seus homens em volta de um prisioneiro com um cabelo desgrenhado que fitava o chão. Eram três homens de constituição forte e um quarto com constituição mais magricela.

— O que ele disse? – Ela perguntou em voz alta para que todos pudessem ouvir.

— Que pode entregar informações do detetive. – Um dos caras que tinha cabelo castanho cortado rente foi quem respondeu.

— O que mais? – Ela perguntou ríspida. Aquilo não era o suficiente, afinal, poderia a qualquer momento mandar seus homens seguirem a família feliz e pronto. O que a loura precisava era de algo que desestabilizasse o serviço secreto de vez.

— Falou também que – dessa vez quem lhe dirigia a palavra era um negro careca e com um rosto duro – poderia falar sobre o MI-5.

Morgan levantou uma das sobrancelhas. Andou como um gato até o homem sentado na cadeira, se curvou devagar, levou uma das mãos até o cabelo escuro e pesado e disse sibilante – E como ele teria esse tipo de informação?

Quando ela puxou o pelo cabelo, o rosto que visualizou foi o de Sherlock Holmes. Maquiado e disfarçado, mas ela saberia que era ele de qualquer forma. Ela demorou um segundo para compreender o que acontecia e então gritou – Seus tolos! – Mas quando ela se virou para começar a gritar com o grupo de incompetentes que trabalhavam para ela, foi tomada de surpresa pelo que veio a seguir.

O grupo que já estava no prédio quando ela havia chegado sacou pistolas e começaram todos a atirar nos seus seguranças. O homem que estava mais próximo dela, o de cabelo castanho, mirou em sua direção, mas em um único fôlego ela chutou o joelho do homem com toda força possível que deu um ganido de dor em resposta. No desequilíbrio dele, Morgan conseguiu tomar-lhe a pistola Magnun que segurava. Ela, então, mirou na testa dele e atirou sem nem mesmo piscar.

Virou-se para os outros que estavam ao seu redor. Um dos seus seguranças estava morto, um segundo agonizava no chão com a mão na jugular que corria sangue, o terceiro levou um tiro na testa logo em seguida e antes que os falsos torturadores se virassem para ela, Morgan despachou tiros rápidos e precisos. Os homens caíram todos a sua volta e quando se preparava para gritar percebeu que tinha esquecido de algo naqueles segundos. Algo importante demais. O Holmes então apareceu a sua frente como um fantasma, ela ia levantar a arma para atirar no meio daqueles olhos azuis irresistíveis, mas ele levantou as mãos em um sinal de rendição e de repente estava próximo dela. Próximo demais. Ela ia fazer uma reclamação, mas ele chegou tão perto que a enlaçou nos braços, beijou sua boca e a levou com força para uma parede próxima. O cheiro de Sherlock queimava seu corpo. Ele pegou um dos seus braços, o esticou na parede e então, ela ouviu um clique. Um maldito e horroroso clique. Morgan viu enquanto o moreno se afastava e ele sorria debochado.

— Dizem que se uma cobra se picar ela não vai morrer pelo próprio veneno, mas eu digo que se isso acontecesse com certeza ela ficaria louca. O que acha disso?

Morgan rugiu.

O grito ecoou no galpão escuro. Tentou puxar o braço que estava preso pela algema, mas a única coisa que obteve como resposta foi o arranhar do metal em sua pele. Mais uma vez. E apenas mais dor como resposta. Olhou com ódio em direção ao detetive que continuava fitando-a com um semblante impassível de deboche. Ou seria de raiva?

— Como ousa fazer isso comigo, seu verme?! Solte-me daqui! – Sua voz era um conjunto de rugidos cheios de agonia – Agora!

Sherlock a respondeu com um sorriso amarelo.

— Diga um motivo razoável para eu te soltar. – Aqueles olhos azuis límpidos do detetive a encararam e ela torceu a boca. – Você deixou se fisgar, Morgan. Nem mesmo seu adorado Moriarty foi tão tolo. Quando se propôs a fazer aquela cena desprezível na Escócia apenas fez questão de me mostrar um ponto fraco seu. E eu usei.

A mulher loura riu alto. Sherlock sentiu um calafrio subindo a espinha.

— Bem que Jim tinha razão em te chamar como “o virgem”. Quem diria que o grande detetive Sherlock Holmes, baluarte da integridade do Reino Unido ficaria tão horrorizado com o toque de uma mulher – Morgan despejava tudo aquilo com rispidez e uma pontada de raiva latente. – Eu sei que ele mandou aquela atrás de você, não foi? Irene Adler?

— Não diga o nome dela. – Sherlock fez uma careta. A loura deu uma risada debochada em resposta quando o viu pressionar o cano da arma que tinha tomado dela e agora segurava na mão direita.

— Mas ela foi uma fraca, não foi? Não resistiu olhar para esses olhos azuis por muito tempo sem cair de amores... não é verdade? – Morgan o olhava nervosa esperando um sinal para que o detetive fosse cair no jogo. Ela precisava de algum modo o provocar para conseguir sair dali logo. Precisava que ele chegasse próximo o bastante para tomar-lhe a arma. Ou as chaves. – Ela ao menos encostou em você?

— A mulher não está em questão aqui. – Sherlock disse com a voz rígida, ia continuar, mas a vilã interrompeu antes que pudesse dizer qualquer coisa.

— Sempre se guardou para o doce — aqui a voz dela estava cheia de asco – doutor Watson, não foi? O que há naquele ali para merecer tanta devoção, Mr. Holmes? Ele e aquele bebê desprezível? – Morgan não previu, mas aqui acabou recebendo uma pancada forte na boca. Quando voltou a si com o gosto metálico do sangue invadindo a boca, o detetive a olhava com uma face que misturava raiva e espanto.

— Você nunca entenderia! Você é um animal que deveria estar preso em uma jaula. Mesmo que eu cogitasse a possibilidade de te explicar, uma criatura irracional como você nunca seria capaz de entender.

Ela via que Sherlock estava tremendo de raiva. Ele tentava se conter, mas o fato de que ela o provocou tanto a ponto de fazê-lo a agredir, provavelmente, estava o tirando do sério. Afinal, ele podia ter qualquer defeito, mas não era um agressor de mulheres e aquele gesto impulsivo o abalava. Ele não era assim. Mas, era culpa dela que ele tinha passado daquela linha. Morgan riu. Estava muito mais perto de conseguir o que queria.

— Eu sei que – ela parou por um instante enquanto limpava o filete de sangue escorrendo – Jim daria tudo para estar vivo outra vez apenas para presenciar essa cena imbecil de Sherlock apaixonado. – Puxou o braço preso pela algema em um impulso, outra vez. Outro rugido mais alto. Dessa vez, seguido por um silêncio enquanto os dois se encaravam. Sherlock a examinava como um animal selvagem perigoso demais, até que foi a vez dele de começar a rir de forma zombeteira.

— Moriarty era um ingênuo. E você não é melhor que isso. Ele abdicou do próprio império que tinha na palma da mão, da própria vida, por uma pirraça de criança. Em sua mente tão brilhante e egocêntrica ele não foi capaz de prever a possibilidade que eu já tivesse me preparado para todo aquele jogo infantil no Bart’s. – Sherlock fez uma pausa antes de continuar – Fez uma aposta grande demais e nem ao menos pode presenciar o quanto tinha errado feio. E você...

Morgan se contorceu em mais uma tentativa falha de escapar daquela algema idiota. Ela tinha certeza que se o moreno não a matasse bem ali, ela mesma acabaria fazendo por causa da raiva que estava sentindo de si mesma. Aquela aproximação repentina a tinha pego de surpresa e mesmo que tivesse certeza que odiava o detetive, não podia negar que ele também a atraía.

Tinha caído em uma armadilha imbecil de Sherlock sendo atraída para aquele galpão de uma fábrica abandonada. Irritou-se quando sentiu a poeira ao redor do nariz. O cheiro dele a tinha pego de surpresa a lembrando do encontro de algumas semanas atrás e em um deslize, um pequeno deslize, ele tinha se aproximado demais, quase teve certeza do ritmo da respiração dele naqueles segundos.

— Você caiu por causa de um mero instinto sexual – Sherlock completou. – Existe possibilidade mais baixa do que essa? Você não é e nem nunca será um décimo do que Moriarty foi. De certa forma você pode ser mais cruel, mas ele tinha um pouco de inteligência. Você não tem nenhuma.

— Eu que não tenho? O que você acha que vai acontecer depois que me matar? Acha que todo o crime lá fora vai simplesmente sumir? – Ela tinha na boca aquele sorriso de tubarão horroroso – Pior... você acha que vai conseguir sobreviver sem alguém como Moriarty ou eu para te dar um pouco de diversão? Você acha? Sem gente como nós você não é nada, Mr. Holmes! Nada!

Sherlock fitou o chão.

— Nesse exato momento todo o Serviço secreto inglês está trabalhando para desmontar completamente essa sua rede. Sem você como cabeça logo tudo vai ao chão. Pode apostar. Todo trabalho de uma vida vai desaparecer e nem você e nem seu primo estarão aqui para presenciar. Pode ter certeza disso. – Ele então se virou e foi em direção a saída. Por um instante, parou no meio do caminho, voltou-se outra vez para ela e enquanto fazia uma rápida mesura completou – Foi um prazer.

Morgan viu enquanto ele tirava do bolso um pequeno aparelho e apertava uma sequência de botões.

— Ah, quase me esqueci, você tem três minutos para conseguir sair dessa. – Ele soltou a provocação fazendo menção a primeira vez que tinham se encontrado em Bristol. Agora aquilo parecia que tinha sido fazia anos. E então o detetive desapareceu.

A loura olhou ao redor enquanto sentia o corpo tremer de raiva. A raiva que acumulava de Sherlock desde a ocasião da morte do primo era alta, imensa, demais, mas ali extrapolava a barreira do impossível. Ela podia escutar o passar de um relógio em algum lugar, os segundos anunciando a explosão que viria a seguir. Até que um corpo de um dos seguranças mortos começou a tocar uma música. Era um toque de celular. Ela procurou a sua volta por um objeto comprido e após se esticar o máximo possível sentindo a algema rasgar a carne da sua mão ela conseguiu puxar desajeitadamente o aparelho com um cano solto que tinha achado. Quando teve o celular em mãos ele já tinha parado de tocar, mas logo ela discou apressada para o primeiro número que veio na cabeça e quando um homem atendeu ela despejou o endereço e completou com sua voz saindo como um rosnado – Venham o mais rápido possível! Agora!

Assim que a ligação foi encerrada ela escutou estrondos por toda a sua volta, demorou alguns segundos até ela entender que não vinham da fábrica que estava e sim dos outros prédios ao redor. Provavelmente, o serviço secreto que trabalhava com Sherlock tinha se empenhado em derruba-los após constatar que eram todos locais que ela usava para operações. Uma onda de tiques e toques veio mais rápida e mais próxima de onde estava, um barulho enorme explodiu do seu lado. E quando ela olhou para o teto no impulso e viu outro foco de implosão, mas não ouviu nada ela sabia que tinha ficado surda. Algo pesado caiu em cima dela, mas Morgan mal sentira a dor. Tudo já estava escuro antes de processar qualquer coisa.

Notas finais
Críticas, sugestões, dicas, comentários, recadinhos de amor, etc etc sempre serão muito bem vindos! E agradeço desde já por cada um deles.