Shattered

8 All this time spent in vain


Notas iniciais
Essa fic tomou um rumo que eu não imaginei e houve momentos que me deu um trabalho que pensei que não seria possível. As vezes tenho medo de ter tomado um rumo que não agrade os leitores, tenha deixado Sherlock ooc, tudo fluffy demais, ou sla iuashiusah Por isso que o comentários de vocês é importante para saber se continuo seguindo o rumo que estou ou se "deleta e faz de novo!" huhauah Obrigada a todos pelos comentários e favs! E não esqueçam que a Nash ama vocês :3

John Hamish Watson mal podia acreditar na situação que estava vivendo. Há um ano atrás ele estava na pior posição que poderia imaginar, quando Mary tinha falecido no acidente de carro e seu mundo tinha desabado. Havia se sentido assustado, desesperado e com medo, muito medo com a perspectiva de ter que cuidar da filha recém-nascida. Mas, Mrs Hudson e, principalmente, Sherlock nunca haviam o deixado sem aparo.

A realidade de viver com Sherlock havia se tornado fato outra vez e com isso sua vida havia mudado completamente. Bem, não completamente, pois ainda havia algum ou outro caso para ser solucionado, os humores diários do detetive e Mrs Hudson que estava sempre se preocupando com eles e fazendo tarefas que não eram sua responsabilidade, mas ela acabava por fazer como gesto de carinho a eles, o que incluía agora também em cuidar de Patricia.

Mas, o que mais havia mudado, o que fazia sentir-se fora do próprio corpo, vivendo outra realidade, era o fato que tinha se apaixonado por Sherlock Holmes.

Talvez, de certa forma, aquilo não fosse exatamente uma novidade. Já que ele sempre soube do valor enorme que o moreno tinha para si, era algo enorme, mas tudo tinha chegado ao fim quando ele havia pulado daquele prédio e para sobreviver John tinha enterrado tudo o mais fundo que conseguiu. E depois havia tido Mary, que mesmo com todos seus erros, ele sabia que gostava dela e, droga, eles estavam esperando um filho juntos. Mas, Mary havia ido...

E com o passar dos meses, da convivência, de ver o quanto Sherlock se importava com Pattie, ele acabou percebendo que o sentimento tinha crescido, evoluído, se transformado em algo que em todos seus anos de experiência amorosa John só poderia chamar de paixão. E se houve momentos que ele acreditou que não deveria alimentar o sentimento, que era só uma carência, algo passageiro, a vontade de ter alguém por perto. Tudo ficou tão real e óbvio quando o viu segurando a filha nos braços após o resgate do casarão que tinha sido explodido em Bristol. Ali, bem ali, ele se viu perdendo Sherlock outra vez e como um gatilho gigantesco dentro dele, relembrou de tudo o que havia sentido da primeira vez que achava que tinha o perdido. E decidiu que não poderia mais ficar calado, não poderia deixa-lo sem saber como sentia. Mesmo que lhe custasse a amizade. Mesmo que não desse certo. O médico sabia que não poderia continuar vivendo com aquilo enjaulado dentro de si.

Então disse ao detetive o que sentia. Mesmo achando estranho porque nunca se interessara por homens antes na sua vida. Mesmo que tivesse passando anos incomodado com comentários insinuando que ele era gay. Mesmo que... A única coisa que valia agora era o Holmes. A única coisa que não saia da sua cabeça era em como queria estar com ele. Como queria aprender a sentir sua boca, a tocar sua pele e passar a mão nos cachos escuros enquanto o puxasse para perto de si.

E a duas noites atrás ele tinha realizado esse desejo, essa necessidade. Tinha feito amor com o moreno e tinha sido mais incrível que tinha imaginado. Suas mãos haviam tremido, estava incerto em como agir, mas acabou decidindo deixar-se levar pelo momento e tudo tinha sido maravilhoso. Todo o tempo que tinha esperado tinha valido a pena.

Mas, antes teve é claro que o impedir de realizar aquele plano maluco de desaparecer do mapa e convence-lo de que não, não estava confuso porque a data da falecida esposa se aproximava.

Que, por Deus, ele era tudo o que John queria.

John agora o observava enquanto conversava com Molly durante o aniversário de Pattie. Sim, aquele era o mesmo dia do acidente da falecida esposa, mas o médico preferia leva-lo como o dia que ganhara sua filha. O dia que sua vida se enchera de um novo significado e propósito. E mesmo que assustado, ele jurou dar tudo por ela. Aquele 10 de fevereiro, e todos os outros, deveriam ser então comemorados. E, por isso, o 221b estava ocupado pelos convidados da pequena comemoração que tinham organizado.

O apartamento estava todo decorado em cores pasteis que Mrs Hudson tanto insistira. Sherlock havia sido relutante dizendo que não iria fazer diferença já que Pattie não iria se lembrar de nada, mas John disse que as fotos ficariam bonitas para lembrar de recordação e o detetive ficou calado.

— Papaaaa!

John olhou em direção ao pedido da filha automaticamente quando a ouviu chamando. Mas, então se lembrou da associação que ela tinha feito para cada um deles. E que não, ele não era “papa”. Mrs Hudson vinha com ela se contorcendo no braço, fazendo cara de birra.

— John, não sei o que ela tem...

— Oh, ela quer Sherlock.

— Ela chamou “papá”, não?

— Justamente. Então, é Sherlock. – O médico pode sentir a pele se arrepiar quando alguns dos convidados ficaram o encarando quando disse isso. Bem, eles ainda não tinham explicado a situação que estavam para os outros... E Mrs Hudson começava a fazer uma cara estranha para ele... John tinha decidido que não se importava mais com o que os outros falassem, mas Sherlock tinha dito que ia precisar resolver algumas coisas antes que aquilo se tornasse oficial... E, então, para salvar a situação ele continuou – Ela o entende como pai dela também.

— Ahhhh – a senhoria respondeu, seus olhos focaram o médico desconfiados. John a viu entregar Pattie para Sherlock que a recebeu com um sorriso no rosto e a pôs no colo enquanto ajeitava suas asas de fada da roupa de fada que tinha ganhado da madrinha. Ele foi pegar uma bebida e tentou dar atenção para um conhecido que se aproximou dele e começou a puxar assunto, mas sua atenção foi totalmente desviada pela cena incrível do detetive brincando com a filha. Ele a guiava como se fosse um avião enquanto Patricia fazia sons que tinham o objetivo de imitar um motor. John abriu um sorriso enorme no rosto, e se descobriu não podendo ser mais feliz como naquele momento. Perceber as duas pessoas que mais amava se davam tão bem. Mais do isso, afinal, sabia que Sherlock a amava como se fosse sua própria filha e Pattie o amava como um pai. Por um momento, seus olhos cruzaram com os tão azuis do moreno e ele sorriu de volta. Foi algo tão pequeno, tão repentino e tão especial que soube que estava certo da decisão de ficar com ele. John nunca tinha se interessado por qualquer outro homem na vida, mas o Holmes fazia sua pele pegar fogo.

Então, em um impulso, mesmo sabendo que Sherlock o mataria mais tarde por tal gesto, subiu em um banquinho que achou por perto, deu um assobio para chamar atenção e quando todos o olhavam, começou a dizer:

— Pessoal, muito obrigado pela presença de todos. Acho que vocês sabem o quanto é importante para mim comemorar o primeiro ano de vida da minha filha, afinal, a um ano atrás eu poderia tê-la perdido. Mas, isso não me foi tirado e hoje eu tenho a felicidade de dizer a todos o quanto eu sou feliz por ter essa pessoa tão pequena que eu amo tanto comigo. Fazendo meus dias mais felizes. – John parou um momento e viu que Sherlock o olhava atento, Patricia fazia a mesma coisa em seu colo. – E em outra ocasião que não posso explicar.... Eu quase a perdi de novo...

— Oh, John... – Mrs Hudson levou a mão a boca. – Você não me falou sobre isso.

Um amontoado de “como? ”, “quando? ”, “onde? ” e “oh” encheram a pequena sala. E John fez um gesto com a mão pedindo para que todos ficassem calados outra vez para que pudesse continuar.

— Nenhuma dessas perguntas importa agora. A única coisa que importa é que foi Sherlock que a resgatou e a trouxe de volta para nós. Para mim. E, certa vez, Sherlock disse que faria tudo para proteger nós três. Três, pois, na época Mary ainda estava entre nós... Mas, agora é minha vez. Na frente de todos... Sherlock – nesse momento John buscou os olhos azuis do outro e respirou fundo – na frente de todos eu quero dizer o quanto eu sou grato. Tão grato que você tem minha dedicação até o fim dos dias. Minha dedicação e – John fez uma pausa nervosa – meu amor.

O Holmes do outro lado da sala estava petrificado e a sala ficou muda enquanto tentava processar o que o médico havia dito. Por um momento, John temeu ter dado curto circuito em Sherlock. Até que ele viu o moreno dando um sorriso enviesado e toda o restante da sala sorriu em conjunto.

— Até que enfim, vocês admitiram John – Mrs Hudson retrucou.

— Bem rapazes, não é como se fosse a maior surpresa do mundo, mas felicitações nessa nova etapa da vida de qualquer forma. – Lestrade se fez ouvir.

Alguém propôs um brinde para os dois e todos se uniram no gesto. John se aproximou de fininho do Holmes quando todos voltaram a se distrair com suas conversas e sorriu para ele enquanto ainda segurava sua filha, então disse – Espero seriamente que não me mate.

— Eu pedi que esperasse, John.

— Eu não pude me segurar. Desculpe. Depois de tudo, Sherlock.... Eu quero que todos saibam logo.

— Você consegue se controlar com alguma coisa nessa vida? E não ser só apenas um animal impulsivo?

— Haha – John riu debochado quando via o outro revirando os olhos. Com a voz baixa para que apenas o moreno pudesse ouvir disse – Vou te mostrar quem é o animal impulsivo – ele sorriu vitorioso quando percebeu Sherlock corando.

— Eu não disse nada ainda para mamãe e papai. E nem Mycroft. É por isso. – O Holmes respondeu com uma pitada de raiva na voz. – Não queria que descobrissem por outra pessoa.

— Você deveria ter me avisado, então que... – Mas, o médico foi interrompido por Mrs Hudson que avisou animadamente que estava na hora do bolo. Quando se virou para continuar a conversa com Sherlock, ele percebeu que o moreno já havia se distanciado enquanto Lestrade o puxava para uma conversa. Então John revirou os olhos e foi levar a filha até a mesa de doces que havia sido encomendada para a festa. Mais tarde ele se resolveria com Sherlock.

~

John levava os últimos convidados da festa até a porta e dava boa noite para Mrs Hudson enquanto Sherlock fitava o fogo na lareira sentado em sua poltrona. Pattie brincava distraída com uma boneca e um carrinho que havia ganhado de presente fazendo barulhos engraçadinhos com a boca.

O médico entrou na sala e foi logo pegando a filha nos braços. Fez um rodopio com ela e a risada da menina tirou o moreno do transe.

— John, eu preciso conversar com você.

— Oh, agora?

Sherlock concordou com a cabeça, mas John respondeu:

— Eu preciso por essa menina aqui para dormir, quando eu voltar, sim?

— Está certo – Sherlock disse enquanto dava um sorriso amarelo. Ele tinha muita coisa que precisava conversar com John e temia que nenhuma delas seria fácil. Bem, ele esperava que umas partes mais fáceis que outras, mas todas seriam complicadas. Ele viu John entrar com a filha no banheiro e buscou um livro sobre medicina na prateleira para se distrair, mas as palavras entravam em sua mente e não ficavam lá. Os pensamentos começaram a se desviar para outros assuntos – John, Pattie, 221b... Morgan – e logo ele estava perdido dentro do seu palácio mental outra vez. Um Mycroft apareceu para ralhar com ele sobre todo aquele sentimentalismo, mas ele sacudiu uma mão e então o irmão mais velho desvaneceu. Mamãe e papai apareceram felizes em um canto quando ele disse que tinha achado algo que era uma família, mas ele não deu atenção às suas respostas.

Não sabia quanto tempo tinha passado enquanto estava ocupado com seus devaneios, mas logo John estava sentando na poltrona em frente a dele com uma cara preocupada.

— Olhe Sherlock, eu sei que você acha os sentimentos todos uma perca de tempo. Mas, não é assim que eu sou, para mim eles são importantes, assim como ser uma pessoa franca com o que eu sinto. Se você ficou chateado com o que eu disse hoje...

O Holmes escutava tudo atento. Sim, para ele era difícil tomar uma fachada que não fosse a do detetive superinteligente, máquina, frio, sem emoções... Mas, John significava mais do que isso. Por muito tempo ele sempre acreditou que era alguém assexuado, que nunca iria se sentir atraído por ninguém, mas o médico aparecera em sua vida e em pouco tempo algo dentro dele mudara drasticamente. Mudara, mas ele nunca tinha enxergado nenhuma perspectiva ao lado de John, pois ele era claramente heterossexual sempre exibindo as inúmeras namoradas.

Por um momento, quase havia se declarado antes de entrar naquele avião, mas decidira que não tinha o direito de bagunçar a vida do médico quando ele havia escolhido ficar com Mary. Depois, ela havia faleceu e deixou John sozinho outra vez, mas mesmo assim ele não havia tido esperanças. Mas, tudo mudara a dois dias atrás. Ele e o médico haviam ficado juntos, John tinha revelado o que sentia e Sherlock havia se sentido como uma criança na manhã de natal ganhando o presente que tinha ansiado durante o ano inteiro. Só que no caso dele haviam sido sete anos inteiros. Ele suspirou fundo. Sete longos anos.

— Não, John. Tudo bem, eu me resolvo com minha família depois. O que eu quero falar com você é sobre outra coisa.

— O que então?

— Eu não cancelei o plano de caçar a Morgan – ele respondeu certeiro.

— Como?! Eu achei que você tinha dito que...

— Eu apenas adiei devido ao aniversário da Pattie... E devido a nós dois... – Sherlock podia sentir que estava corando e aquilo o deixava extremamente desconfortável.

— Por Deus, você não é um super agente especial, Sherlock. Eu e Patricia precisamos de você aqui e não sabe se lá onde...

— Eu vou daqui a uma semana. Você e Patricia serão levados para Manchester e ficarão lá em um apartamento que Mycroft providenciará, também será arranjado um emprego para você e creche para Pattie ficar enquanto você estiver trabalhando. Eu não sei quanto tempo vou demorar nessa missão e não posso ficar me distraindo preocupado como vocês estão, então enquanto estiverem lá irão receber outros nomes temporários, como um programa de proteção a testemunhas.

— O que??? – John perguntou abismado. O que diabos Sherlock estava falando? Ele teria que deixar toda sua vida como conhecia de lado e ir para uma cidade que não era a sua? E além do mais sem ele? – Você só pode estar louco se acha que vou concordar com isso. Com você sumindo, desaparecendo, por dois anos outra vez e eu sem saber como você está.

— Rejeitar isso não é uma opção.

— Não. É. Uma. Opção???! Eu não sei que droga você usou Sherlock, mas eu com certeza vou rejeitar isso. Se resolver esse caso estúpido é mais importante para você do que nós, mesmo depois que...

O Holmes estava com olhos sérios e pesados, o azul claríssimo estava turvo como John nunca tinha visto antes.

— Eu sou um imbecil mesmo – John continuou. – Como pude achar que Sherlock Holmes, o frio e calculista detetive se importaria com o que aconteceu entre nós. Droga, você não acha que está na hora de enxergar a vida como um adulto e.... – John parou de falar quando o moreno deu um baque com a mão na mesa próxima.

— Você não viu os olhos daquela mulher, John – a sua voz tremia de raiva por causa da mulher que tinha ameaçado as pessoas que ele amava, de medo por perder as pessoas que valiam mais que tudo para ele. – Ela ameaçou você e Pattie e eu não posso deixa-la sair impune disso. Disso e do que ela já fez também. Ela quase explodiu uma casa em cima da menina porque disse que eu incomodava os negócios dela. Uma mulher assim não pode...

O Watson engoliu em seco, podia ver a angústia na fala do detetive, então ele disse – Mas eu não quero perder você, Sherlock. Você falou que precisar evitar se preocupar em como eu e Patricia estaremos, mas é você que vai estar em uma missão para caçar uma lunática. Não eu. Deixe a Scotland Yard, o MI-5, o MI-6, qualquer um fazer isso, mas não você. Por favor.

— Eu não posso – o Holmes respondeu. Apertava as mãos da poltrona com força e os olhos fitavam o chão sem coragem de encarar o médico na sua frente. Para ele sempre foi muito fácil saber o que falar, como falar, quando falar, tudo era uma sequência lógica e racional, mas com John era sempre muito mais difícil. – Você sabe como todos eles são uns inúteis, eu tenho que fazer esse trabalho com minhas próprias mãos.

— Droga, Sherlock – John sentia os olhos arderem – eu não quero ter que ficar dois anos outra vez sem saber como você está.... Não depois que eu percebi o quanto eu... – Ele se aproximou e apertou o joelho do moreno com força e completou – o quanto eu te amo.

— Eu posso dar um jeito de me comunicar você e sempre avisar como eu estou.

— Eu não quero telegramas, Sherlock. Eu quero estar ao seu lado. Quero viver com você.

— Isso não pode ser agora.

Aquelas palavras doeram tanto em John que ele não soube como continuar, decidiu que aquela conversa já bastava e que não iria prolonga-la. Ele deu um resmungo, levantou da cadeira e foi em direção ao seu quarto, ia fechando a porta da sala com força quando ouviu Sherlock o chamando

— Espere, John.

Ele não mexeu um músculo, a mão tensa no trinco da porta.

— Tem outra coisa que eu preciso falar com você.

O médico se virou e ficou esperando o que o Holmes falaria a seguir, mas Sherlock ficou calado e apenas caminhava em direção a ele com passos lentos. Ficaram tão próximos que ele pôde jurar que estava escutando o coração do moreno batendo no peito, a respiração dele estava nervosa, ansiosa. Passou a mão pelos cabelos bagunçando-os e depois pôs as mãos no rosto de John o puxando para um beijo; era profundo, apaixonado, mas calmo.

— Se você acha que pode consertar tudo com um beijo... – John sussurrou quando Sherlock se separou para buscar ar.

— Eu sei que você está com raiva, mas ouça o que eu tenho a dizer, sim? Não foi fácil articular isso, mas eu quero que você saiba o quanto é importante para mim.

— Por Deus, do que você está falando?

Sherlock se ajoelhou na frente dele e John não entendia o que estava acontecendo. Sherlock mexeu em um bolso da calça e tirou de lá uma caixa preta e John estava tão chocando que não queria entender o que estava acontecendo. Sherlock abriu a caixa e lá estava uma aliança discreta, levemente trabalhada com um trançado e, por Deus, John iria matar aquele homem.

— Você quer casar comigo? Eu não sei como seria a maneira certa de fazer o pedido já que nós dois somos homens, mas acredito que não seria muito diferente de como quando se faz a uma mulher.

— O que?! Que diabos?! O que você usou, Sherlock?! – John estava mais surpreso do que já tinha estado antes na vida. Estava preparando um discurso enorme para dizer, mas quando viu aqueles olhos enormes de Sherlock o fitando ansiosos por uma resposta, resolveu deixar para lá. – Eu não sei como seria a maneira certa entre dois homens, mas com certeza não é após uma maldita briga em que um deles diz que vai deixar o outro sozinho sabe se lá Deus por quanto tempo!!!

Sherlock apertou os lábios, abaixou o rosto para o chão e guardou a caixinha de novo dentro do bolso da calça. – Ok, eu sinto muito – ele deus as costas a John afim de voltar para seu lugar na poltrona, seu tom de voz mostrava o quando estava chateado.

— Por que você me pediu em casamento? – A pergunta de John ressoou no apartamento. O moreno estagnou no meio da sala. John repetiu – Por que, Sherlock?

— Porque você é a pessoa mais importante na minha vida – a resposta veio seca, dura, de supetão. – Bem, você e Pattie. E, e eu achei que é isso o que as pessoas normais fazem quando encontram alguém, quando se supõe estar apaixonadas. Na minha pesquisa, isso se mostrou ainda mais relevante quando a pessoa já tem um filho, porque há a certeza que o outro quer um lar seguro para a criança.

— Você fez uma pesquisa sobre pedidos de casamento? – Aquilo saiu como uma pergunta da boca de John, mas era mais como uma afirmação. – Uma pesquisa.

Sherlock concordou com a cabeça.

— Você fez uma maldita pesquisa e ainda achou certo me pedir em casamento após uma maldita briga.

Sherlock balançou a cabeça outra vez.

— Mas que droga, Sherlock – John fechou os olhos e suspirou. Eles ainda estavam no começo de tudo, tinha descoberto como se sentia pelo detetive fazia apenas alguns meses, tinha ficado com ele apenas a dois dias. Tudo bem que ele tinha revelado a todos os amigos como se sentia, mas aquilo era bem diferente de casamento. Mas, por outro lado ele também sentia que aquela enrolação toda já durava demais. Que ele não queria mais perder tempo. Que por isso vê-lo tão ansioso para sumir naquela missão machucava tanto a John. – Eu tenho uma condição. Você vai ter que dar um jeito de ir visitar, pessoalmente, Patricia e eu enquanto estivermos em Manchester. Pessoalmente, ouviu bem?

— Isso vai ser difícil, John. Além de que o lugar que vocês estariam acabaria sendo posto em risco.

— Eu não quero saber disso, Sherlock. Você vai ter que ir visitar a gente.

— Você em algum momento vai deixar de ser guiado por esse sentimentalismo todo? Eu preciso fazer isso para o bem de todos, não é apenas por....

— Olha quem fala, senhor Pedido de casamento.

O Holmes bufou em resposta e torceu a boca. Ele se virou por um momento e John sabia que ele estava fazendo uma careta enquanto passava pela cabeça dele todas as equações, probabilidades e situações que os novos fatores envolviam.

— Então... – John o chamou de volta.

— Então – Sherlock começou – seu aniversário e Natal. Esse é o máximo que eu posso garantir. Eu não posso saber quanto tempo vai durar, mas é isso que posso prometer uma visita a cada seis meses.

— E cartas, mensagens, e-mails...

— Ok.

John concordou com a cabeça. Seriam momentos difíceis ter que ficar longe de Sherlock logo agora, quando ele tinha consciência de todo o tempo perdido. Teriam que ter mais tempo longe um do outro, mas ele daria um jeito, John sempre dava. O esperaria o tempo que fosse necessário, mas que, pelos céus, ele não demorasse demais se não ele poderia surtar.

John agora entendia que precisava mais do moreno do que precisa de comida, de água, de ar. Que o chão embaixo dos seus pés não era seu mundo se o detetive não estava ao seu lado. Que há um ano atrás ele estava destruído. Mas, agora ele estava salvo por Sherlock Holmes.

Foi até o detetive, a respiração de ambos estava pesada, tensa e ansiosa. Seus olhos se encararam com desejo e John o puxou para dar-lhe o beijo mais apaixonado que conseguia. O moreno gemeu baixo e aquilo o encheu de tesão.

Bem, naquela noite ele iria aproveitar o restante do tempo que tinha com Sherlock, o sentiria pegando fogo embaixo de si na cama e faria com ele tudo que não poderia fazer enquanto não estivessem próximos. Naquela noite e durante o restante da semana que faltava para ele viajar, John daria motivos o bastante para que o Holmes quisesse voltar para casa.

~

Deitados na cama e enrolados nos lençóis, John se aproximou do detetive e beijou-lhe o pescoço.

— Se você morrer nessa missão eu te mato.

— Não seja estúpido – Sherlock riu. – Você me ama, John, você nunca me mataria.

O médico abriu uma risada nervosa e puxou o moreno para mais algum tempo de "diversão a dois".

FIM DA PARTE I

Notas finais
Sem medo se você percebeu o "Fim da parte I". Afinal, a história vai dar um salto temporal devido aos planos do nosso amado William mas a fic continuará normalmente, ou o mais próximo possível disso já que a faculdade tá dando as caras aí, né? Mas mesmo que a parte II demore a ser desenvolvida, ela sairá todinha, bonita e cheirosa. Juro! Eu falo demais, né? Haha. Enfim, orgulhosa do meu capitulo de 4k.