Shatter Me
5 Parceira
Notas iniciais

Marinette andava de um lado para o outro dentro do quarto. Nesse momento ela não fazia ideia do que se passava na sua mente, embora tentasse focar na situação que estava enfrentando: Ela iria fazer um trabalho com Adrien! E tem mais, sobre Ladybug e Chat Noir, "os heróis da cidade". Que ótimo!
— Veja pelo lado bom, você pode conseguir uma entrevista exclusiva com a Ladybug. — Tikki comemorou, porém a azulada apenas a encarou e soltou um murmúrio. — Qual é o problema, Marinette?
— Você não entende. — começou a gesticular — Eu e o Adrien. Sozinhos. Em uma mesma sala. Escrevendo sobre nós mesmos. Esse é o problema. — se jogou na cama.
— Vocês podem aproveitar para conversar.
— Não quero conversar com ele, pois não tem nada para falar. Acho que já deixei as coisas bem claras na nossa última conversa.
— Olha, você e ele precisam se entender e definir essa relação maluca de vocês. Estar em desarmonia não é bom.
— Como assim? — Marinette sentou na cama e encarou a kwami.
— Vocês são portadores dos Miraculous da criação e da destruição. Os dois poderes dependem um do outro, e quando postos em uma balança devem ser como o Yin e o Yang. Se um pesar mais, coisas ruins acontecem.
— O que quer dizer?
— A questão é que um não pode existir sem o outro. Eles devem existir em equilíbrio.
— Entendo. — levou a mão até o queixo, pensativa. — Mas o que posso fazer? É tudo tão complicado. — reclamou dramaticamente.
— Você nunca parou para pensar que talvez vocês é que estão complicando as coisas? — a azulada parou mais uma vez para analisar a fala de Tikki.
— Não é tão fácil assim aceitar o outro lado de alguém.
— Concordo. Porém, antes de aceitar o outro lado de outra pessoa, porque não aceita o seu primeiro? — Marinette abriu a boca para responder, mas as palavras simplesmente não saíram.
Tikki estava totalmente certa e ela sabia. Havia passado tanto tempo matutando sobre aceitar Chat Noir, que não pensou em aceitar que o seu alter-ego, era uma parte de si.
— Tem razão, Tikki. — falou pensativa — Obrigada. — sorriu de leve para a kwami.
Antes que alguma das duas falasse mais alguma coisa, ouviram um estrondo vindo da rua. Um akuma. Só podia ser um akuma.
— Hora de trabalhar! — a pequena exclamou.
— Tikki, transformar! — Ladybug saiu pela janela e rapidamente chegou ao local do ataque. Um homem com asas esquisitas voava perto das pessoas, causando alvoroço.
— Esse cara trabalhava com aves e foi demitido, por isso ele surtou e virou o Abutre. — Chat Noir pousou ao lado dela, fazendo a mesma dar um pequeno pulo.
— Ladybug e Chat Noir, me entreguem seus Miraculous, agora! — o homem voltou sua atenção para a dupla.
— Nunca! — o felino respondeu sério. Abutre deu uma risada e balançou suas asas, fazendo penas afiadas saírem delas, indo em direção aos heróis. Ladybug e Chat Noir rapidamente giraram seu ioiô e bastão, desviando.
Depois de uma não tão longa luta. Marinette e Adrien tocaram os punhos automaticamente, comemorando a vitória.
— Zerou! — se entreolharam após o gesto e esconderam as mãos atrás do corpo, ficando sem graça.
— Gente, parece que eu estava errada. Ladybug e Chat Noir não brigaram, eles estão aqui juntos. — Alya se aproximou, filmando os heróis com seu inseparável celular — Chat Noir, alguma declaração sobre você não ter ajudado a Ladybug na luta contra Florietta?
— Ãhn... eu... — Adrien olhou para Marinette, que o encarava sem saber o que fazer.
— Estava resolvendo compromissos da sua vida pessoal? Você é uma pessoa muito ocupada? — Adrien arregalou os olhos de leve.
— Eu estava...
— Chat estava ocupado com uma outra tarefa que tínhamos que fazer. — Ladybug tomou a frente.
— Então vocês realmente não brigaram? — Alya fitava os dois.
— Não, claro que não. — respondeu a heroína — Somos uma dupla, estamos sempre ajudando um ao outro. — piscou para o loiro que sorriu em agradecimento. Em seguida os Miraculous apitaram novamente, fazendo os heróis se despedirem e se dirigirem até suas casas.
— Foi muito legal o que você fez pelo Adrien. — Tikki sorriu.
— Espero poder consertar as coisas. — Marinette suspirou — Isso de aceitar o meu outro lado antes de aceitar o dele, faz todo o sentido. E também eu não quero que a gente fique em desarmonia.
— Verdade. — a kwami concordou — Que bom que você está mais relaxada em relação à isso.
— É. — concordou sorrindo involuntariamente.
Os pensamentos de Marinette foram interrompidos pelo toque do seu celular, indicando uma nova mensagem.
— É o Adrien. — Tikki avisou e a azulada rapidamente ficou de pé e se atirou na direção do celular. — Calma, ele só está perguntando se pode vir daqui a pouco fazer o trabalho. — a kwami esclareceu, soltando uma risada.
— Ah sim, claro. — Marinette tentou disfarçar seu nervosismo e respondeu a mensagem dizendo que ele poderia vir. Logo, chegou outra mensagem dele confirmando que viria.
— Agora eu realmente acho que é uma boa hora pra você tirar as fotos do Adrien da parede. — a garota arregalou os olhos e começou a correr pelo quarto. Em pouco tempo havia tirado todas as fotos e as guardado em um lugar não visível.
— Certo, agora eu preciso dar uma ajeitada nesta bagunça. — começou a arrumar o quarto e logo Sabine chamou, avisando que Adrien havia chegado. — Pode mandar ele subir! — Marinette gritou para mãe. Alguns segundos depois a porta de acesso ao quarto da azulada foi aberta e o modelo passou por ela.
— Olá. — cumprimentou.
— Oi. — respondeu de costas para ele, pois ainda estava arrumando um porta-canetas.
— Hã... eu queria te agradecer pelo que falou hoje para a Alya. Sei que não estamos no nosso melhor momento, mas aquilo foi legal da sua parte. — a garota respirou fundo e virou-se para encarar o loiro.
— Tudo bem. — sorriu sem mostrar os dentes — Afinal, sou sua parceira. E parceiros ajudam um ao outro. — Adrien deu um leve sorriso também. — Pode sentar, se quiser.
Sem demora, Marinette terminou de ajeitar a mesa e os dois sentaram lado a lado para finalmente começar o trabalho dado pela professora.
— Podemos fazer tipo uma entrevista com nós mesmos. — Adrien sugeriu.
— Não acha muito suspeito? Tipo, a Alya é a maior fã e não conseguiu uma. Porque nós conseguiríamos?
— Porque eu sou um modelo famoso. — Marinette revirou os olhos. — Certo, então podemos fazer algumas perguntas um para o outro agora, e baseado nas respostas, escrever um artigo com a nossa opinião. É claro, sem ser específico, porque se não vai parecer que conseguimos uma entrevista mesmo.
— Pode ser.
— Certo. Você formula algumas perguntas e eu formulo outras. — o loiro pegou o caderno e caneta e virou de modo que a azulada não conseguisse ver o que ele escrevia — Não pode olhar, hein. — ela riu de leve e fez o mesmo.
Após alguns minutos, Adrien e Marinette sentaram de frente um para o outro, segurando o caderno.
— Você primeiro. — disse a azulada.
— Não, primeiro as damas. — ela suspirou.
— Muito bem. — leu novamente a pergunta e encarou o garoto — Porque é importante salvar Paris?
— Porque é importante salvar qualquer pessoa inocente que esteja correndo perigo. — a garota rapidamente anotou a resposta. — Minha vez. Em uma escala de zero a dez, o quanto você acha o Chat Noir incrível?
— Adrien! — reprendeu o modelo, que deu uma risada.
— Só estou brincando. — leu a pergunta — Você tentaria salvar as pessoas de alguma forma, mesmo se não fosse a Ladybug?
— É claro. Talvez não fosse da mesma maneira e nem com a mesma eficiência, mas eu faria de tudo ao meu alcance. — o garoto assentiu e anotou. — Agora eu. Você leva a sério suas tarefas como herói?
— Muito. Nas lutas eu faço algumas piadas, porém eu me dedico ao máximo para salvar os cidadãos. — suspirou. — É difícil equilibrar a sua vida com seu alter-ego?
— Bastante. Existem momentos em que um akuma aparece e eu simplesmente não posso parar o que estou fazendo. No entanto, eu sempre tento dar um jeito. — riu lembrando das várias situações embaraçosas que se envolveu por causa disso. — Você se sente feliz salvando as pessoas?
— Claro. É muito bom voltar para a casa com a sensação de ter feito algo bom. — Marinette sorriu com a resposta. — O que você pensa do Chat Noir?
— Adrien... — reprendeu o parceiro novamente.
— É uma das minhas perguntas, ué. Qualquer pessoa poderia perguntar isso em uma entrevista. Agora responda.
— Tudo bem. — suspirou — Bom, digamos que não foi minha escolha ser parceira do Chat Noir. — o loiro a observava atentamente — Mas acredito que algo mais forte nos uniu e daí em diante vivemos coisas incríveis juntos. Eu não sei o que eu faria se não tivesse ele lutando ao meu lado. — sorriu satisfeita com a resposta.
— Eu achei um ótimo discurso. Mas você ainda não respondeu a pergunta.
— Como assim? Eu respondi sim! — protestou.
— Na verdade você respondeu como é ter o Chat Noir como parceiro. E o que eu quero saber é o que você acha dele.
— Bem... — Adrien a encarava ansioso, enquanto ela tentava escolher corretamente as palavras na sua mente. — Ele é um excelente parceiro. Faz piadas horríveis. — o loiro riu — É sério, ele é um péssimo comediante. Mas fora isso ele é uma ótima pessoa, tem um bom coração e está sempre disposto a me ajudar. É meio impulsivo as vezes, e bem auto-confiante, porém isso não faz dele menos heroico.
— Obrigado, eu acho. Sinto que devo aprimorar minhas piadas depois do que disse. — eles riram. — Sua vez.
— Qual é a sua motivação?
— Embora muita gente não saiba, minha vida não é das mais fáceis. E no começo eu achava que estava fazendo isso porque eu queria saber como era a sensação de liberdade e tudo mais. Só que agora, além disso, descobri outra motivação. — ele fez uma pausa.
— Qual? — perguntou curiosa.
— Você.
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