Shards Of Fool Killer: O ataque a Nova Metropolis
5 Capítulo I - Parte 4
Jack estava na quadra da escola. No novo sistema de ensino brasileiro, o ano possui dois períodos – um em cada semestre – para melhorar o desempenho dos alunos. Caso as notas de um aluno sejam muito elevadas no primeiro período do ano, as notas do segundo período serão usadas na formatura para uma recomendação numa escola melhor. Jack não se importava com isso. Estava no segundo período de 2030 e no 18° do fundamental. Suas notas eram elevadas o suficiente para que pudesse ficar onde quisesse na escola.
Estava encarando um saco de areia. Fazia muito tempo que não treinava boxe. Muitas vezes teve vontade de voltar a treinar, mas algumas lembranças sobre aquilo eram muito agonizantes, preferia esquecer e evitar desenterrá-las. Mexeu o saco com um pequeno empurrão do punho, fechado. Olhou novamente, empurrou outra vez, com a mão direita. Depois com a esquerda. Logo, deu um soco devagar.
Vou dando leves socos. Algumas vezes os sons que o saco de areia causava, faziam surgir em sua memória vozes. Eram gritos, risos e trovoadas. Jack continuava a acelerar, os socos e logo, intercalou entre golpes de palma aberta. Era uma velocidade impressionante para alguém da idade dele. Quanto mais acelerava, mais lembranças ele tinha. Até chegar aquela imagem, na qual queria evitar o tempo todo: um pássaro gigante em plena a noite escura e chuvosa. O garoto ficou extremamente nervoso repentinamente e com um golpe crescente de seu braço, numa postura que lembrava muito uma espada, partiu no meio o saco de areia.
-...!
O garoto Então finalmente se acalmou. Olhou para a areia que saía por aquela fenda enorme que havia feito com um único golpe cair ao chão lentamente. Demorou um pouco, mas logo foi apressado para limpar a areia. Ele foi em direção do vestuário que havia na quadra da escola – Era uma quadra realmente enorme. Repentinamente, Jack foi pausado pelo som repentino de palmas lentas e bastante suspeitas. Jack olhou repentinamente e viu ali uma figura extraordinária.
Um homem de uns 35 anos, um sobretudo preto. Luvas de couro tão escuras quanto o manto. O cabelo era alvo e longo, preso num rabo-de-cavalo fino e elegante. A barba mal feita e a cicatriz de um corte profundo e antigo na face. Olhos verdes e sérios só concluíam o que o garoto havia imaginado: Era Artha Lamys, o homem mais poderoso do mundo.
— Excelente golpe. Pude sentir a sua força na entrada da quadra.
Artha arremessou uma garrafa de alumínio a vácuo para o garoto. Ele a pegou e abriu-a devagar, notando a água que continha no recipiente. Deu um gole rápido, sentindo aquele excelente frescor que o mineral transmitia.
— Obrigado. – Jack respondeu de maneira mais portada, elegante.
— Não, não... Eu que deveria agradecer. Você salvou minha filha.
— Senhor, o que a Fleur-de-Liz tem naquele braço? E desde quando a LightTech tem projetos para próteses artificiais nervosas?
— Não posso responder muita coisa, desculpe. Mas, a Lissie enfrenta um fantasma um tanto assombroso. Algumas coisas a acalmam com o tempo, mas pelo o que a diretora me disse... Você a acalmou instantaneamente. Qual é o seu segredo?
— Não entendi a sua pergunta. O que quer dizer com isso?
Artha foi se aproximando devagar. Jack, por mais convencido e confiante que fosse, teve medo. E foi se afastando, devagar. Artha estendeu a mão para o garoto, como se sinalizasse para esperar. Jack ignorou e correu. Mas aos poucos, foi sentindo suas pernas neves. Quando notou, estava sendo suspenso por um Dragão alado que provavelmente era o A.T de Artha. Ele deixou-o na frente do homem e depois foi novamente para o lado de seu mestre.
Artha colocou a mão em seu ombro e depois sorriu.
— Desculpe te assustar. Esqueça o que eu disse antes, ok?
— Ahn? Ok... – Jack encarou o homem que estava em sua frente com um olhar suspeito.
Jack sempre foi um garoto que quis colocar todos os seus assuntos finalizados. Por isso, tomou como seu estilo de luta o boxe, que desde alguns filmes de 50 anos atrás, contavam a superação e vitória dos praticantes do esporte.
Logo, surgiu a pergunta:
— O que fez com sua filha?
— O que disse? – O homem teve em sua face um olhar negativo e furioso.
— Ela não parece gostar de você. Tem algo haver com o braço dela?
— Olhe aqui garoto, salvar a Lissie não significa nada! Você não conhece ela o suficiente!
“Cheque-Mate!”, pensou o garoto encarando o homem, que se continha para não avançar contra ele. Sorriu e virou-se de costas. Deu alguns passos, rindo. Artha ainda mantinha a expressão infeliz e furiosa em sua face. Jack olhou para Punch, que olhava para ele, sempre acenando negativamente com a cabeça. Procurar uma boa briga com o homem mais poderoso do mundo? É loucura. Mas Jack queria.
— Diga o nome. – Jack falou sério, com um olhar mortalmente penetrante à Artha Lamys.
— O que? — Artha cerrou os dentes, olhando ainda para o garoto.
— O nome dela não é esse. Diga o nome dela. – Jack se virou com os punhos cerrados.
— Quem você pensa que é, nessa postura incorreta, nessa sua idade tão fraca pra vir tentar me atingir?
— O nome dela não é esse. – Jack abriu a as mãos, colocando-as com a palma na frente do corpo – a esquerda sempre atrás da direita- Diga o nome...
Era o estilo “Palma de Buda”, conhecido pelos seus golpes mortais de efeitos catastróficos aos órgãos internos de quem era atingido. Quem era esse garoto? Porque ele sabe esse estilo de combate? Não, ele definitivamente não é um garoto medíocre. Artha sorriu. Ele queria saber quem era o garoto que acalmou sua filha. Tirou o manto e suas luvas. Com uma postura semelhante, Arthalamys acenou negativamente.
— Você sabe, não é preciso somente inteligência para ser alguém como eu. – Artha provocou o garoto, rindo – É irônico como essa situação aconteceu tão fácil.
— Esperava mais de você, senhor Artha. – Jack ficou em postura normal, descansando os ombros, sem erguer nenhum dos braços para o homem de cabelos alvos.- Lutar na frente da filha...
— !!
Artha se virou de costas rapidamente. Lissie estava com uma blusa de mangas longas, fechada. Olhou assustada ao ver o pai em postura de combate contra o garoto que conheceu. Que havia salvo. Sua face mostrou desconforto. Encostou-se na parede e abriu os braços, olhando-os.
— Pai... já podemos ir?
— Vamos. Vamos sim. – Artha abriu os braços e logo, o dragão de metal que estava sempre o seguindo colocou em movimentos velozes as luvas e o seu manto. Andou em direção da filha e depois olhou pra trás.
— Fleur-de-Liz. – Jack sorriu, acenando- Seu pai e eu estávamos conversando.
— Co-como sabe meu nome?! — Lissie perguntou duvidosa.
Jack arremessou para ela uma espécie de cartão eletrônico feito com materiais sintéticos. Imunes à quedas, desde as mais pequenas até as mais distantes. Dizem que, quando projetaram esses aparelhos, mandaram astronautas no espaço arremessá-los contra a Terra. Os aparelhos continuaram intactos, já o solo... Bem, não vem ao caso. Lissie agarrou o aparelho e viu – era sua identidade. Ela sorriu e piscou os olhos três vezes. Algo parecendo uma mania.
— Lissie, vamos. – Artha saiu da quadra e foi até os portões da escola, abrindo-os.
O portão foi se fechando devagar. Até que enfim, o som da colisão com a parede, somado ao silêncio na escola quebrou a fala entre os dois. Lissie foi até o garoto e o olhou, sorrindo.
— Realmente pretendia enfrentar meu pai?
— Não sei. Se ele quisesse, seria legal. – Jack respondeu inocentemente.
— Você não acha arriscado demais? Já pensou na força que ele tem? E você só tem uns 13, 14 anos.
— Você pensou duas vezes antes de me salvar hoje?
Lissie se envergonhou. Colocou a mão na frente do rosto, corou e sorriu. Então se aproximou do garoto e lhe deu um beijo na bochecha. Jack sorriu e a olhou, um pouco envergonhado.
— Obrigada.
— Não se preocupe. Eu que deveria agradecer. Salvou minha vida.
— Você salvou minha vida agora pouco também. Eu queria lhe agradecer melhor...
Jack piscou duas vezes e suspirou. ” Tudo bem, ela só tem um braço de metal, é meio estranha, o pai dela é muito foda e ela me disse que quer me agradecer melhor... Eu aceito?” Pensou o garoto, um pouco hesitante.
— Err... Como seria?
Lissie chamou sua A.T que tinha entrado em modo de descanso com o desmaio da dona. Uma espécie de ovo de metal,abriu e logo uma gosma verde junto com um núcleo esférico de metal começaram a dar forma para garotinha loira de macacão.
— Mel, passe os dados para o coelho do nosso endereço.
— Ok, Lissie! – Respondeu a garotinha sorridente.
— O que vai fazer exatamente? Porque me passou seu endereço?
— Quer respostas, não é? O que era aquela fumaça? Porque saiu do meu fragmento de braço, não é?
— Espera, como assim? Como sabe de tudo isso? E como assim, fragmento de braço?
— Alguém me contou. Se quiser saber...
Lissie correu para a saída e abriu o portão. Mel virou-se de costas acenando. “Venha na nossa casa amanhã as 10 da manhã!” Foi o que a pequena A.T disse. Assim, deixando o garoto sozinho na quadra. Olhou para os lados e então pegou a vassoura no canto da quadra e enfim começou a varrer no chão.
— Verdade, hein? Porque a Aria sempre acerta? – murmurou o garoto.
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