Shape of you
1 Errata.
Notas iniciais
Havia um bar que três amigos frequentavam às sextas-feiras desde o primeiro semestre da universidade. O local era apertado, os atendentes não dispunham de simpatia, e sempre tinha brigas na mesa de sinuca. Sanji dizia que não encontrariam o amor em baladas, então eles iam em bares, naquele bar.
E sem qualquer contato antes, pois não havia a necessidade de combinar horários, eles estavam ali outra sexta-feira.
Zoro chegava sempre por último, e no instante em que o tilintar agudo do sino avisou sua entrada pela porta, ele soube que algo lá não era como o usual. A atmosfera do ambiente parecia ser outra, um dos atendentes sempre mal-humorado sorriu para ele e isso lhe rendeu calafrios.
Sem precisar procurar pelos amigos, o universitário seguiu desviando da mesa de sinuca e das pessoas no balcão. Como de praxe, sentavam-se em uma mesa ao fundo do bar, e talvez houvesse um script que sempre seguiam sem saber, porque as conversas eram idênticas as da semana anterior. E apesar disso, era confortante estar ali.
Sanji contava suas experiências amorosas frustradas que terminavam em xingamentos, Luffy reclamava do quanto ia mal em todas as matérias mesmo com o esforço de Nami em ajudá-lo a estudar, e Zoro somente bebia, às vezes opinando entre um assunto e outro. Entretanto, algo naquela noite em específico não parecia como dentro de sua rotina, e quando a segunda rodada de cerveja chegou à mesa, depois que o garçom deixou seu campo de visão, ele enxergou o que havia de novo ali.
Sentada ao balcão, conversando aos sorrisos com o mesmo barman que lhe cumprimentou ao chegar, estava o diferencial daquela sexta-feira. Uma mulher, claramente mais velha e madura, de longos cabelos negros e face angelical. Era como se sua peça não se encaixasse àquele tabuleiro, sua presença desprogramou o local por completo.
Ele piscou incrédulo, procurando mais evidências do quão errado era ela estar ali, e só então notou Sanji com a franja trocada de lado. O atendente grosso só parecia de bom humor por conversar com ela e quem jogava bilhar ainda não havia sequer elevado o tom em uma discussão. Ela era errada. Zoro então levantou-se e saiu da mesa, deixando os amigos confusos. Guiava-se quase por instinto, ia em direção à mulher misteriosa a fim de explicações, se é que isso fizesse algum sentido.
— Ei, Zoro! — Luffy foi ignorado, o amigo saiu absorto. — O copo dele nem tá vazio...
Um pouco mais próximo, ele ouviu a voz dela em um riso tímido. Ele comprimiu os lábios, irritado de uma maneira incompreensível. Foi quando deu-se conta de desejar muito que ela viesse até ele e iniciasse uma conversa sobre qualquer coisa que fosse, o que não aconteceria porque ela sequer o havia notado, então foi até ela.
Zoro parou muito perto, analisando as camadas de seu cabelo caído pelas costas e atento a sua voz serena. Diferente do ar jovial de todas as meninas que frequentavam o bar, a bela mulher trajava social, uma camisa branca de mangas dobradas e uma saia preta justíssima pouco acima da altura dos joelhos. Usava também salto fino.
Contendo seus pensamentos sobre as pernas mais lindas que já havia visto em seus vinte e três anos de vida, o Roronoa estalou a língua ainda irritado sem motivo aparente.
Decidiu então aproximar-se com uma ideia ridícula, decisão tomada em três segundos de coragem.
— Você... não vem sempre aqui. — ele afirmou, era mesmo ridículo.
Ela virou-se surpresa com a voz nova, encarando-o gentilmente. E perdido naqueles olhos de um azul tão intenso, Zoro arrependeu-se naquele instante de ter tomado o primeiro passo, no entanto percebeu ser tarde demais.
— Não mesmo. — riu. — Meu carro quebrou no estacionamento da empresa em que trabalho, meu mecânico só poderá arrumá-lo amanhã. — ela tomou um gole da taça de vinho que mantinha sobre o balcão, e continuou. — Trabalho perto daqui, ia pegar um táxi para voltar para casa, mas passei em frente e decidi entrar. É um lugar adorável, não acha?
Zoro não achava o bar adorável, visitava-o por costume. Como também nunca antes apaixonou-se à primeira vista, e agora via-se preso aos encantos dela, que tinha aquele poder estranho de mudar as coisas ao redor com sua presença fascinante.
— Zoro. — ele apresentou-se frio, tomando um banco a seu lado e sinalizando ao balconista mais um drinque.
— Nico Robin! — sorriu.
O que o irritava tanto era o como não sabia lidar com ela. Desde o instante em que a vira, não soube como reagir, porque Robin estava fora de seu alcance. E a sua forma o cativava.
Naquela noite eles beberam e conversaram, e cada minuto gasto com ela lhe garantia a certeza de que seu amor era feito a mão para um cara como ele. Ela falava e para Zoro não restava dúvidas de que seus lábios encaixavam-se aos dele, mesmo sem os provar. Robin era um presente inexplicável do destino que ele aceitou desconfiado.
Saiu ignorando os amigos, Sanji parecia nervoso vendo-os juntos.
Quando no banco de trás do táxi em direção ao apartamento dele, Robin o beijou sem cerimônias e ele seguiu seu comando.
Em seu quarto, ela pediu que ele parasse de falar e a agarrasse pela cintura. E Zoro obedeceu sua liderança outra vez, pois estava perdidamente apaixonado por sua forma.
Havia um magnetismo entre eles, e ao decorrer dos beijos molhados e roupas arremessadas, Roronoa Zoro sentiu-se completo, talvez satisfeito por ter quebrado seu padrão e cedido os encantos da mulher. Caíram na cama presos ao corpo um do outro, envoltos de desejo.
Entre sussurros e abraços, eles, dois quase estranhos compartilharam de algo íntimo, mas não que Zoro nunca antes tivesse dormido com uma mulher, entretanto a experiência com Robin fora tão nova que ele precisou seriamente reconsiderar suas anteriores.
Nico Robin dormiu com ele naquela noite, e agora seu lençol cheirava a ela. Apaixonou-se por seu corpo em uma noite e a queria pelo resto de suas outras noites consigo, porque ela tornou-se a errata da vida de Zoro.
Com ela não havia um padrão, e talvez ele estivesse pronto para largar sua rotina por ela, porque o duvidoso lhe fazia bem, ela lhe fizera bem.
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