Shape Of My Heart
39 Capitulo 39
Notas iniciais
Isabella – (enquanto Mauricio a segura com força) – Nickolas? O que você está fazendo aqui?
Nick – (para Mauricio) – Solta ela, eu já disse!
Mauricio – Mas olha só quem tá aqui... Nickolas Gene Carter, o loiro burro. Ou seria melhor chamá-lo de “ex namoradinho da Isabella?”
Isabella – (tentando se soltar de Mauricio) – Me solta! Eu não quero nada com você, me solta!
Mauricio – Mas eu quero. Eu ainda tenho muito o que aproveitar de você. A gente ainda pode se divertir muito juntos.
Nick – Você não a ouviu? Ela mandou você soltá-la, não quer nada com você. E solta ela, cara. Solta ela ou eu não respondo por mim!
Mauricio – E se eu não quiser? (Nick se aproxima) – Não chega perto. Agora você quer de volta a gostosinha, não é? Ela pode não querer comigo, mas não quer com você também. É tarde demais, Nickolas. Perdeu. Já era.
Nick – Cala a boca!
Mauricio empurra Isabella com tudo e com o impacto ela cai nos braços de Nick.
Mauricio – (enquanto Nick segura Isabella) — Toma. Fica aí com a gostosa. (para Isabella) — Isabella, sua sorte é que o seu anjo da guarda apareceu. Mas fica tranquila. Eu ainda te pego, garota. (Nick abraça Isabella de lado) – Te pego de jeito.
Mauricio sai correndo.
Nick solta Isabella e ela olha pra ele com uma expressão séria.
Nick – Pronto, amor. Ele já foi. Você está bem?
Isabella – E você, hein, Nickolas? O que está fazendo aqui? Será que eu não fui clara quando disse que não queria mais te ver?
Nick – Bella, não faz assim. Não fala desse jeito comigo. Eu só quero conversar com você numa boa.
Isabella – Por que não? O que eu faço com você agora não é nada perto do que você fez comigo. E depois das suas atitudes nojentas eu falo com você como eu quiser.
Nick – Bella...
Isabella – Eu não quero conversar com você. Não estou interessada nas suas desculpas. Me deixa em paz. Esquece que eu existo.
Isabella sai, mas ele sai correndo atrás dela. No caminho, ele a alcança.
Nick – (puxa o braço dela) – Espera. Não vai embora.
Isabella – (observando o seu braço sendo segurado por Nick) – Solta. (ela tira a mão dele do braço dela) – Tira a mão. Eu tenho nojo do seu toque. Tenho nojo da sua mão, que tocou a pele daquela vagabunda.
Nick – (fecha os olhos) – Tudo bem. Você tem todo o direito de me tratar com desprezo. Eu mereço. Mas, Bella, tenta reconsiderar. Eu não sabia das mensagens anônimas, não sabia do Maurício, também caí numa armadilha. Se não for pelo meu pedido de desculpas, então pelo menos que seja por eu ter te salvado agora daquele canalha.
Isabella – E você acha o quê, Nickolas? Que vai me comprar com uma defesa barata? Sinto muito, meu amor. A minha confiança não está a venda. Eu sou um ser humano, tenho sentimentos. Eu não sou mercadoria.
Nick – Eu sei. Sei que nada pode apagar o que eu fiz. Nada justifica os meus erros. Mas, Bella, eu quero te ajudar. Antes tarde do que nunca. Me perdoa, por favor.
Isabella – Tarde demais, Nickolas. Eu não preciso da sua ajuda. Não preciso da sua pena. Muita gente tem me ajudado. Muita gente já fez o trabalho por você.
Isabella sai.
Nick – (enquanto Isabella atravessa a rua e dá um sinal para um táxi) – Isabella! Isabella, espera! (ela entra no carro e o carro sai) – Droga!
No carro onde Isabella está, ela chora em silêncio no banco traseiro, enquanto observa as ruas da janela.
Na casa de Bob, no quarto de Rosângela, ela está penteando o cabelo na frente do espelho, quando alguém bate na porta.
Rosângela – Entra.
É AJ, abrindo a porta lentamente. Rosângela vê o reflexo da imagem dele no espelho e se vira.
Rosângela – Alexander...
AJ – Eu posso entrar?
Rosangela – Claro. Entra.
AJ entra no quarto.
Rosangela – (se sentando na cama) — E então? No que eu posso te ajudar?
AJ – Realmente, Rosângela. Eu preciso de ajuda.
Rosângela – Algum problema com a Luna? O que aconteceu?
AJ – Eu não quero te deixar preocupada. O problema é com ela sim. A Luna tá muito estranha. Não quer falar comigo, só chora... eu acho que aconteceu alguma coisa e ela não quer me contar.
Rosângela – Tem certeza que você não fez nada pra ela?
AJ – É claro. Rosângela, eu amo essa garota. Eu jamais faria nada que pudesse machucá-la.
Rosângela – (dá um sorriso) – Eu sei, AJ. Eu confio em você. Eu não confio é na Denise.
AJ – (abaixa a cabeça) – Eu sei. Mas... você acha que a minha mãe pode ter alguma coisa a ver com esse estado depressivo da Luna?
Rosângela – Eu não sei. Mas que é provável, isso é.
AJ – Quer saber? Eu vou tirar essa história a limpo e vai ser agora. Ela vai ter que me explicar o que aconteceu querendo ou não.
AJ se levanta e vai andando até a porta, quando Rosângela se levanta também.
Rosângela – Calma, AJ. (ele se vira). Deixa que eu falo com ela. Eu sou a mãe, ela confia em mim. Se você já tentou e ela não quer falar deixa comigo.
AJ – E eu também. Eu também confio. Você promete que vai me ajudar?
Rosângela – Eu não estou ajudando só a você. Eu estou ajudando a Luna também. E ela é minha filha. É claro que eu prometo.
AJ – Você é incrível, Rosângela.
Na casa de Kevin, na biblioteca, ele está organizando uma prateleira, quando pega um livro. Desse livro cai de dentro uma foto dele abraçado com Danielly. Ele pega a foto do chão e fica a observando. Na foto ele está com a aparência mais nova e o seu cabelo está curto com uma franja*. Kevin coloca a foto dentro do bolso de sua calça.
Na sala, a campainha toca. Kevin desce as escadas para atender. Chegando no térreo, ele vai até a porta. Ao abri-la, dá de cara com Isabella.
Kevin – Bella...
Isabella – Eu...
Ela o abraça de surpresa e ele corresponde.
Kevin – (abraçando Isabella) – Bella, que surpresa... Me conta... o que te traz aqui? (ele se solta dela) – O que aconteceu?
Na casa de Julia, na sala, ela está discando um número no telefone sem fio. A chamada começa a tocar na linha.
Na casa de Howie, no quarto dele, ele está deitado na cama, quando seu celular toca.
Howie – Alô?
Na casa de Julia...
Julia – Howie?
Na casa de Howie...
Howie – Oi, Julia? Tudo bem?
Na casa de Julia...
Julia – Tudo ótimo. Howie, você quer vir jantar na minha casa?
Howie – Na sua casa?
Julia – Sim, comigo e com a minha mãe. O que acha? Eu já falei de você pra ela e ela quer te conhecer.
Howie – Acho ótimo. Que horas?
Julia – 21:00, tá bom pra você?
Howie – Claro.
Julia – Eu mal posso esperar.
Howie – (dá um sorriso) – Eu também. (Pollyanna aparece na porta)
Julia – Vai ser um jantar normal, como amigos. Só pra gente se conhecer melhor e jogar conversa fora. Como você já me apresentou a sua turma naquela noite da discoteca eu acho que agora é a minha vez.
Howie – Tudo bem, então. Até lá.
Julia – Até.
Howie – Ju?
Julia – O quê?
Howie – Você é muito legal.
Julia – Você também.
Howie – Tchau.
Julia – Tchau.
Eles desligam.
Pollyanna entra no quarto de Howie batendo palmas. Howie se vira.
Howie – Pollyanna... o que faz aqui?
Pollyanna – Howard... conversando com uma garota? Quem é a sortuda?
Howie – Pára com isso, Polly. A Julia é só uma amiga.
Pollyanna – Julia... Hum, deixa eu ver... é aquela garota da discoteca que você salvou do cara maluco?
Howie – É. É ela mesma.
Pollyanna – E ela te convidou para um jantar na casa dela?
Howie – Convidou.
Pollyanna – Hum... sei não, mas isso tá me cheirando a romance.
Howie – Pollyanna... pára um pouco de pensar nessas coisas. O quê... Você acha impossível que haja uma amizade sincera entre homem e mulher? A Isabella e o Kevin são a prova de que existe sim.
Pollyanna – Será? Dizem que a Danielly morre de ciume dela.
Howie – Mas o Nick não. E a Danielly sempre foi ciumenta.
Pollyanna – O Nick é seguro. Ele sabe que a Isabella só tem olhos pra ele. Já a Danielly... o Kevin vive lançando uns olhares suspeitos para a Isabella que eu já saquei.
Howie – Mas nós não estamos falando da Isabella e do Kevin. E sim da Julia e do Howie.
Pollyanna – Tudo bem. Não tá mais aqui quem falou. É que eu quero que você seja feliz, mano. Depois de tudo o que aconteceu com você eu acho que você merece.
Na casa de Kevin, Isabella está na porta.
Isabella – Deixa. Deixa pra lá. Eu não devia ter vindo.
Kevin – Não. (ele segura o braço dela) – Entra, Isabella. Entra, por favor. (ele a puxa para dentro de casa) – Agora que você chegou, entra.
Isabella – Desculpa, Kevin. Eu não quero te incomodar com os meus problemas. Eu nem tenho esse direito.
Kevin – Que isso, Bella. Pára com isso. Você sabe que eu vou estar sempre a sua disposição para o que der e vier. (ele a leva até o sofá) – Anda, senta. Fica a vontade, a casa é sua. Me conta: o que aconteceu?
Isabella – (se senta) – É aquele cara, Kevin.
Kevin – Que cara? Me conta, eu sou todo ouvidos.
Isabella – Aquele maniaco do salão de festas. (Kevin olha sério pra ela) – Ele apareceu hoje no meu colégio quando eu estava indo embora.
Kevin – O quê?
Isabella – Pois é, Kevin. Eu fiquei muito assustada na hora. Ele me agarrou e me deu um beijo forçado.
Kevin – Desgraçado. Se eu tô lá numa hora dessas... eu parto a cara desse sem vergonha ao meio.
Isabella – Não, Kevin. Violência gera mais violência.
Kevin – E você está bem? Ele te machucou?
Isabella – Não. Não deu tempo de ele fazer nada. Eu não sei se foi sorte ou azar, mas o Nickolas chegou bem na hora e me defendeu.
Kevin – O Nickolas?
Isabella – Aham.
Kevin – Que bom.
Isabella – Ele apareceu lá e me pediu desculpas de novo. Ai, Kevin... você que é mais velho e tem quatro anos de experiência a mais de vida do que eu, me diz... o que você faria nessa situação?
Kevin – Eu não sei, Bella. Eu acho que isso é só você que tem que decidir. Você com o seu coração.
Isabella – É esse o problema. Eu não sei o que fazer. A minha cabeça diz “não”, mas o meu coração diz “sim”.
Kevin – Essas coisas de sentimentos são complicadas.
Isabella – E como são. Como eu posso te explicar? Uma parte de mim odeia ele e a outra morre de vontade de se jogar nos braços dele.
Kevin – É. Eu sei como é.
Isabella – Só que aí quando eu penso naqueles dois juntos... na Vanessa rolando com ele na cama eu sinto nojo. Sinto horror. E isso me chateia muito.
Kevin – Eu imagino.
Isabella – Eu tô triste, mas... não é só por isso que eu tô chateada.
Kevin – Não? Por que mais?
Isabella – É que... eu fui mal numa prova do colégio.
Kevin – (fazendo um sinal de “sim” com a cabeça) – Ah...
Isabella – Fui muito mal. Eu fiquei morrendo de vergonha. Todos os meus colegas com notas altas e só eu com nota baixa. A professora até me chamou pra conversar.
Kevin – E quanto você tirou?
Isabella – (se levanta) – Ah, não. Não, eu não vou falar. Você vai rir de mim.
Kevin – (puxa o braço dela, fazendo – a sentar de novo) – Não. Não vou rir não. Eu nunca riria de você.
Isabella – Vai sim.
Kevin – Não. Nunca. Vai, me conta. Eu prometo... prometo que não vou rir.
Isabella – Tá bom. (em tom baixo) – Cinco e meio.
Kevin – Quê? Fala alto, eu não ouvi.
Isabella – (em tom baixo) – Cinco e meio.
Kevin – Fala, Isabella. Fala alto, pára de vergonha!
Isabella – Ai... (em tom normal) – Cinco e meio, pronto, falei.
Kevin começa a rir.
Isabella – (começa a rir) — Pára. Pára de rir. Tá vendo, eu sabia que você ia rir.
Kevin – (rindo) – Cinco e meio? Pára com isso, Bella, cinco e meio pra mim é elogio! Eu já tirei notas piores quando era moleque.
Isabella – Ah não, Kevin. Assim não vale. Tá falando isso só pra me agradar.
Kevin – É sério.
Isabella – Eu não acredito.
Kevin – Pode acreditar. Algum dia eu vou te mostrar algumas coisas do meu tempo de aluno.
Isabella – E você ainda tem isso?
Kevin – Na verdade quem tem é a minha mãe. Ela guarda um monte de coisa da minha vida inteira e diz que é pra mostrar pros futuros netos.
Isabella – Coisas de mãe coruja.
Kevin — Coisas de mãe coruja.
Isabella continua sorrindo. Kevin a observa calado.
Isabella – Que foi?
Kevin – Nada, é que... há muito tempo eu não te via assim... sorrindo... feliz.
Isabella – Eu já disse que eu tô tentando ser forte.
Kevin – Mesmo assim. É assim que eu gosto de te ver. Gosto de te ver assim. Sempre sorrindo.
Isabella – Eu sei.
Kevin – Agora, me conta: só de curiosidade, qual foi a matéria que você foi mal?
Isabella – Geografia.
Kevin – Geografia? Eu sempre fui fera em Geografia!
Isabella – Sei... você acabou de falar que era um péssimo aluno no colégio.
Kevin – Mas sempre tem aquela disciplina escolar que a gente se sai melhor. No meu caso era Geografia.
Isabella – Eu ainda tô muito envergonhada.
Kevin – Não. Você não precisa ficar envergonhada só por que não tirou uma nota tão boa. Acontece.
Isabella – Não é por mim, Kevin. É pelos meus pais. Eles sempre foram rigidos comigo e com a Laura nesse tipo de educação. Eu sempre fui uma boa aluna e eles sempre tiveram orgulho de mim por isso. E eu quero que eles continuem orgulhosos mesmo não estando mais aqui.
Kevin – Eles têm orgulho, Bella. E não é só pelas suas notas. É por ser você. Por ser a pessoa que você é. Você é muito mais do que a aluna exemplar do colégio. E eu também. Eu também tenho muito orgulho de você.
Isabella – (abraça Kevin) — Te adoro.
Kevin – Eu também.
Na lanchonete Divina Estação, Brian está sentado numa mesa. Ele olha pro relógio. De longe, Laura chega e o vê. Ela acena pra ele e ele dá um sorriso. Ela vai até ele.
Laura – Brian...
Brian – Laura... que bom que você veio. Senta aí.
Laura sorri e coloca o cabelo para trás.
Brian – E a Isabella? Ela está melhor?
Laura – Graças a Deus, sim. Aos poucos ela está reagindo.
Brian – Tá vendo? Eu não te falei que ela era forte? Sua irmã é mais forte do que todos nós.
Laura – É. Ela realmente me impressiona. Eu confesso que fiquei com medo que ela desabasse depois do estupro, que até se afundasse numa depressão. Mas isso não aconteceu.
Brian – Que bom. Aliás eu tenho um presente pra ela. Acho que ela vai gostar.
Laura – Presente? Que presente?
Brian – É uma biblia. (ele tira da pasta uma biblia). Nesse momento que ela está frágil eu acho que seria muito bom carregar junto com ela a palavra de Deus.
Laura – (pega a bíblia) – Obrigada, Brian. Ela vai gostar sim. Eu tenho certeza.
Brian dá um sorriso.
Laura – Se bem que ela não conseguiria sair do estado depressivo em que estava sozinha.
Brian – O que quer dizer?
Laura – Alguém foi muito importante pra ela nessa volta por cima.
Brian – Sério? Quem?
Laura – O seu primo, Kevin. Eu tenho muito o que agradecer a ele. Enquanto uns e outros fizeram questão de pisar nos sentimentos dela ele esteve lá o tempo todo, apoiando, ajudando. Isso não há dinheiro que pague.
Brian – Ele gosta muito dela.
Laura – Eu sei. Dá pra perceber. Tanto que às vezes eu tenho as minhas duvidas se o que rola no coração dele é só uma amizade mesmo.
Brian – É... eu confesso que ultimamente não tenho visto ele tão empolgado com a Danielly. É como se com a Isabella ele sentisse uma empatia maior.
Laura – (dá um sorriso) – É... ele do lado dela o tempo todo, você dando uma biblia a ela... dá pra ver que o cavalheirismo é de família.
Brian – Obrigado. Mas... agora me dá os parabéns.
Laura – Parabéns? Pelo quê? O que você conseguiu de tão “uau”?
Brian – Eu precisava contar isso pra alguém em primeira mão. E escolhi você, já que você é como uma irmã pra mim.
Laura – Irmã?
Brian – É. Algum problema?
Laura – Não... claro que não. Mas o que aconteceu?
Brian – Eu não sei... eu sei que ainda é cedo pra comemorar, mas... eu acho que agora finalmente eu e a Monique vamos nos acertar.
Laura – E por que você acha isso?
Brian – Porque outro dia eu levei ela pra um pequenique romântico e ela foi super legal comigo, rolou até beijo.
Laura – Beijo?
Brian – Aham. E isso me fez ficar ainda mais apaixonado por ela.
Laura – Bom pra ela.
Brian – Como assim, “bom pra ela”?
Laura – É bom, porque você é legal. E dá pra ver que gosta dela de verdade.
Brian – Muito. Mas sei lá, eu acho que ainda falta algo mais. Eu preciso fazer alguma coisa original. Algo que a faça se sentir especial, entende?
Laura – Claro. Não se preocupe, Brian. Você é inteligente e criativo. Vai conseguir pensar em alguma coisa bem legal.
Brian – Você me ajuda a pensar em alguma coisa?
Laura – Brian... eu não tive idéia nem pro aniversário de quinze anos da Bella.
Brian – Laura... por favor... eu confio em você. Me ajuda. Olha... eu tô achando que você tá de má vontade com meu namoro.
Laura – Não, Brian. Não é isso, é que eu...
Brian – Já sei! Claro, como eu não pensei nisso antes...
Laura – Não pensou em quê?
Brian – Uma serenata. (Laura abaixa a cabeça) – É claro, uma serenata. O Kevin pode me ajudar. Ele toca piano muito bem.
Laura – Eu não sei, Brian. Não sei se é uma boa ideia. Vai ver, ela é tímida e vai ficar morrendo de vergonha.
Brian – Que isso... Não. As mulheres adoram serenatas. Eu tenho certeza, a Monique vai adorar.
Laura – Tá bom, Brian. Me dá licença? Eu vou ao banheiro.
Laura se levanta.
Brian – Laura... (ela sai correndo) – Laura, espera!
...
Na casa de Nick, na suíte do quarto dele, ele acabou de tomar banho e está enxugando o cabelo com a toalha.
Na casa de Isabella, no quarto dela, ela chega. Isabella tira o sapato e se deita na cama de olhos abertos. De repente...
Secretária eletrônica – Você tem uma nova mensagem.
Isabella se levanta e aperta o botão para ouvir a mensagem.
Nick – Isabella, sou eu, o Nickolas. Não desliga, por favor. Tudo bem, eu sei que você não quer me ver, não quer ouvir minha voz, não pode nem ouvir falar meu nome. Mas mesmo assim eu estou aqui te pedindo perdão mais uma vez pelas burradas que fiz. Me perdoa, meu amor. Eu te amo e sei que você também me ama apesar de tudo. Te amo. Nickolas.
Isabella coloca o cabelo pra trás. Ela pega um porta retrato com uma foto em que ela e Nick estão abraçados e fica observando a foto. Isabella aperta novamente o botão da secretária eletrônica.
Nick – Isabella, sou eu, o Nickolas. Não desliga, por favor. Tudo bem, eu sei que você não quer me ver, não quer ouvir minha voz, não pode nem ouvir falar meu nome. Mas mesmo assim eu estou aqui te pedindo perdão mais uma vez pelas burradas que fiz. Me perdoa, meu amor. Eu te amo e sei que você também me ama apesar de tudo. Te amo. Nickolas.
Na casa de Nick, no quarto dele, ele sai da suíte e dá de cara com Vanessa sentada na poltrona. A porta do quarto está aberta.
Nick – Você? O que você está fazendo aqui?
Vanessa – (se levanta) – Eu, meu amor. A nossa conversa ainda não acabou.
Nick – Sai, Vanessa. Sai do meu quarto, sai da minha casa, sai daqui agora!
Vanessa – Eu não saio. Nós temos uma conversa pendente.
Nick – Como é que você entrou aqui? Eu não tenho nada pra falar com você. A nossa ultima conversa já acabou, Vanessa. Acabou lá no hotel. Me deixa em paz.
Vanessa – Não, Nickolas. Não fala assim. Eu te amo. Na hora que você me beijou eu senti que você ainda me amava.
Nick – Cala a boca. Eu tenho nojo de você. Por sua causa a Isabella tá com ódio de mim. Eu te odeio. Te odeio.
Vanessa – Nickolas... ódio e amor andam juntos. São os dois lados da mesma moeda. Esquece a Isabella. Ela não quer mais nada com você. Tá na hora de nós dois recuperarmos o tempo perdido, retomar o nosso amor de onde paramos.
Nick – Vai embora. Você acabou com a minha vida. Com a minha vida e com a vida da Isabella também. E pelo visto não está satisfeita, não é? Quer mais. Mas eu não. Pra mim você está morta. Morta e enterrada.
Vanessa – Eu vou te mostrar como a gente ainda pode dar muito certo juntos.
Vanessa vai pra cima de Nick e lhe dá um beijo forçado, enquanto ele tenta se soltar dela.
Na sala, a campainha toca. Marina atende. É Isabella.
Marina – Isabella?
Isabella – Oi, Marina. Desculpa ter vindo assim sem avisar. Eu quero te pedir desculpas também por ter sido tão grosseira com você no telefone. Você me desculpa?
Marina – Claro, Isabella. Você tinha as suas razões. E que bom que você veio. O Nick vai ficar muito feliz de te ver.
Isabella – Ele está?
Marina – Claro. Eu vou avisar que você está aqui.
Marina está saindo, quando de repente...
Isabella – Não, Marina. Não precisa. Eu prefiro fazer surpresa.
Marina – (dá um sorriso) – Tudo bem. Pode subir, Isabella. A casa é sua.
Isabella – Obrigada.
Isabella sobe as escadas. No quarto de Nick, Vanessa continua o beijando a força e o empurra para a cama. Ela o beija enlouquecidamente. Vanessa está bejando Nick distraída, quando Isabella chega na porta do quarto dele e encontra os dois aos beijos na cama, sendo que Nick está só de cueca. Os olhos de Isabella se embaçam lentamente.
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