Kevin – Sai, mãe.

Ann – Mas...

Kevin – Sai, mãe, por favor.

Ann – (dá um suspiro) – Tudo bem.

Ann sai.

Danielly – Que história é essa, Kevin?

Kevin – Calma, Dani. Eu explico. É o seguinte: a Isabella tem recebido algumas mensagens esquisitas de uma pessoa anônima. Essa pessoa manda mensagens de cunho sexual no celular dela, nos e-mails dela, manda presentes...

Danielly – E a irmã dela, sabe disso?

Kevin – A Laura? De jeito nenhum. Nem ela e nem o Nicholas. Ninguém sabe. Só eu, minha mãe e agora você.

Danielly – E por que ela não conta essa história pra quem deve contar?

Kevin – Ela tem medo. Está se sentindo ameaçada. Ela só tem a Laura aqui no Brasil. Tem medo que façam algo contra ela, que a machuquem.

Danielly – Que absurdo, Kevin. Ela precisa dar parte na polícia.

Kevin – Eu sei, Danielly. Eu já falei isso pra ela, mas ela é teimosa. Ela diz que não quer chamar atenção.

Danielly – Mas não é questão de chamar atenção. Ela precisa se proteger.

Kevin – Eu tô muito preocupado.

Danielly – (chega perto dele) – Calma, meu amor. Relaxa. Eu vou te ajudar a convencê-la de pedir ajuda.

Kevin – Eu te amo, Danielly.

Danielly – Eu também.

Kevin e Danielly se beijam.

Danielly – É isso o que eu mais admiro em você. Esse seu jeito generoso de ser. Sempre ajudando as pessoas, sempre preocupado... eu quero você pra sempre.

Kevin – Eu também.

Danielly – Te amo.

Kevin – Te amo.

Kevin e Danielly se beijam e em seguida se abraçam.

Na casa de Isabella, na sala...

Regina – Com licença.

Regina sai, deixando o buquê no sofá.

Nick – Vamos, Isabella. Eu estou esperando. Quem é “Marcos”?

Isabella – Eu não sei, eu...

Nick – Não sabe? Como assim, “não sabe?” O cara está te mandando um presente na sua casa pra você e você tem a cara de pau de dizer que não sabe?

Isabella – Nicholas, eu não sei... eu juro que não sei.

Nick – Quer saber, Isabella? Já chega. (Nick começa a andar de um lado para o outro) – É incrível... eu te amo... te amo muito, mas assim fica difícil acreditar em você.

Isabella – (vai até ele) – Nicholas...

Nick – Pára. Pára com esse teatro, pára de se fazer de vítima. Fica aí com o seu presente do seu admirador secreto, o seu lindo buquê de flores...

Isabella — ... Nick, deixa eu explicar.

Nick – Não tem explicação, Isabella. Você tá me traindo, não é? Assume logo, de uma vez por todas. Joga limpo, garota.

Isabella – Nicholas... eu te amo, me escuta, por favor.

Nick – Me deixa em paz. Vai chorar suas mágoas nos braços do Marcos.

Nick está saindo, mas Isabella corre atrás dele e lhe dá um beijo forçado.

Nick – (empurra Isabella) – Me solta!

Nick sai, batendo a porta com força. Isabella coloca o cabelo pra trás. Ela pega o buquê de flores, que está no sofá, pegando junto um cartão que está no buquê.

“Mais um presente, meu amor. Pra você não esquecer que eu te amo. Me aguarde.”

Ela abre a caixa de mensagens do celular. Há uma mensagem de Maurício.

“Eu sempre estarei seguindo seus passos, minha vida”.

Ela abaixa a página.

“Nada de falar das mensagens pras pessoas. Ou você vai se arrepender. Tchau, amor.”

Isabella joga o buquê longe.

No Ville’s Bar...

Brian – Que bom que você veio, Laura. Senta.

Laura – Obrigada.

Laura se senta.

Laura – Eu viria com certeza, Brian. Era só você pedir.

Brian – Obrigado. Laura, você é minha amiga?

Laura – Claro, Brian. Eu já gosto muito de você. Você pode contar comigo sempre.

Brian – Eu preciso muito de ajuda. Laura, você que é mulher e entende do gosto feminino, me dá uma dica: como eu posso agradar a Monique?

Laura – Você gosta muito dela, não é?

Brian – Ela é muito especial pra mim. Eu já fiz de tudo: já mandei presentes, mensagens na secretária eletrônica... mas ela é dura na queda.

Laura – Depende, Brian. É difícil te dizer porque eu não a conheço e não sei do que ela gosta. Tente levá-la pra sair, quem sabe um lugar mais romântico...

Brian – É uma idéia válida. Eu gosto tanto dela, Laura... Ela é linda. Meio durona, eu sei, mas é a mulher com quem eu sonhei.

Laura – Eu imagino. (ela abaixa a cabeça)

Brian – Que foi?

Laura – Nada.

Brian – Parece que você ficou triste de repente...

Laura – Impressão sua.

Brian – Tem certeza?

Laura – Tenho.

Brian – Só tem uma coisa que eu gosto mais do que a Monique.

Laura – O quê?

Brian – Minha profissão.

Laura – Arquitetura?

Brian – É.

Laura – Esse também é o sonho da Bella. Desde criança ela sempre gostou de desenhar, ver projetos, fazer cálculos... meu pai era engenheiro e isso foi como uma influência pra ela.

Brian – E você, nunca pensou em seguir essa área?

Laura – Não. Eu prefiro Ciências Contábeis. Eu e a Isabella somos muito diferentes. Enquanto ela se interessa por arte eu gosto mais de exatas.

Brian – Com esforço e dedicação eu tenho certeza que ela vai chegar lá.

Laura fica olhando pra ele sorrindo.

Brian – Por que você tá me olhando assim?

Laura – Você é muito bonito.

Na casa de Nick, ele chega.

Marina – Oi, Nick. Conversou com a Isabe...

Nick – Não fala esse nome, Marina!

Nick sai.

Na casa de Isabella, no quarto dela, ela está deitada na cama, quando alguém bate na porta.

Isabella – (com a voz embargada) — Entra.

É Regina. Ela entra no quarto de Isabella com o buquê de flores que Maurício deixou pra Isabella na mão.

Regina – Com licença, Isabella... (Isabella olha pra Regina – vira-se do lado contrário) – você esqueceu isso na sala.

Isabella – (sem olhar pra ela) – Joga fora, Regina, por favor.

Regina vai até ela. Ela se senta na cama dela.

Regina – Quer falar sobre isso?

Isabella – Não, Regina. Me deixa sozinha.

Regina dá um beijo na testa de Isabella.

Regina – Com licença.

Regina se levanta. Ela está saindo, quando de repente...

Isabella – Regina?

Regina se vira.

Isabella – Não conta nada disso pra Laura, por favor.

Regina – Tudo bem.

Regina sai. Isabella pega uma foto de Nick do criado – mudo e fica olhando pra foto.

Isabella – Nick...

Cai uma lágrima dos olhos dela no porta retrato. Isabella seca o porta retrato com o pulso.

Numa rua, Howie e Júlia estão andando. Eles param na porta de uma casa. É a casa de Júlia.

Howie – É aqui que você mora?

Júlia – É. Você quer entrar?

Howie – Eu adoraria, mas tenho que ir pra casa.

Júlia – Tudo bem.

Howie – Então tchau.

Júlia – Tchau.

Quando Howie e Júlia vão se despedir, os dois dão um selinho sem querer. Eles olham sem graça um para o outro.

Júlia — Howie...

Howie – Desculpa.

Júlia – Não. Não se preocupe.

Howie dá um beijo no rosto dela. Júlia dá um sorriso.

Howie – Tchau.

Júlia – Tchau.

Howie sai. Júlia entra em casa. Enquanto isso, Howie está andando com os dedos nos lábios sentindo o gosto de Júlia.

Na casa de Guilherme, no quarto dele, ele e a Vanessa estão dando amassos na cama.

Vanessa – Como será que a idiotinha da Isabella reagiu á camisinha na caixa de presente?

Guilherme – É exatamente sobre isso que eu queria falar com você. Escuta, Vanessa, você não acha que tá pegando pesado demais com essa história de mensagens anônimas? Não seria suficiente só dar um tiro na garota?

Vanessa – É claro que não. Só um assassinato físico seria muito fácil. Um tiro dói só na hora. Depois que a pessoa apaga não sente mais nada. Um assassinato psicológico é muito mais doloroso, cruel e marcante.

Guilherme – É. Em matéria de crueldade o Maurício é fera.

Vanessa – É ótimo pra mim. Se o Maurício ferir a Isabella por dentro essa insuportável nunca será a mesma pessoa. Podem se passar dez, vinte, cinquenta, cem anos e ela vai ficar traumatizada pro resto da vida.

Guilherme – E o Nicholas?

Vanessa – Eu conheço meu ex namorado. Ele vai pegar nojo dela. Imagine a reação dele quando ele ver a desgraçada nos braços de outro homem... ainda mais no caso dela, que é do tipo menininha, certinha e romântica.

Guilherme – Você odeia mesmo essa garota, hein?

Vanessa – Eu vou tirá-la do meu caminho, Guilherme. Pode escrever. E ela que se prepare. Porque eu estou apenas começando.

Guilherme – Sei não, viu, Vanessa...

Vanessa – Relaxa, Guilherme. Eu sei o que estou fazendo. Vai dar tudo certo. Eu tô trabalhando por nós dois.

Guilherme – Por nós dois, é? (beijando Vanessa) – Então... (enquanto a beija) eu acho melhor... (beijando Vanessa) — você trabalhar só por mim.

Vanessa – É? (beijando Guilherme)

Guilherme – É. Vem cá, gata.

Guilherme puxa Vanessa com tudo nos braços dele e os dois se beijam. As mãos de Guilherme e Vanessa percorrem os corpos um do outro. Guilherme desce as mãos pelas costas de Vanessa. Quando chega nas nádegas dela, ele a aperta.

Guilherme – Safada.

Vanessa – Gostoso.

Chega a noite. Na casa de Isabella, no quarto de Laura, ela está deitada na cama, quando alguém bate na porta.

Laura – Entra.

É Isabella.

Isabella – Laura?

Laura – Bella... pode entrar.

Isabella entra sorrindo no quarto dela.

Isabella – Eu só vim te pedir desculpas.

Laura – (enquanto Isabella se senta na cama) – Desculpas? De quê?

Isabella – Pela grosseria de ontem. Me perdoa, Laura. Eu sei que você apenas estava preocupada comigo.

Laura – Tá tudo bem, Isabella. Já passou.

Isabella – Eu gosto muito de você. Não esquece disso nunca.

Laura – Eu também, Bella. Eu sei que você já cresceu, já é uma mulher, mas pra mim você sempre será a minha irmãzinha.

Isabella sorri.

Laura – Que foi?

Isabella – Não sei... tô te achando diferente. Você está com um brilho diferente no olhar.

Laura – Magina, Isabella. Que ideia...

Isabella – Fala a verdade... você tá apaixonada?

Laura – Não...

Isabella – Tá sim, tá sim. Quem é o sortudo? Fala! (rindo)

O celular de Isabella toca.

Isabella – Espera.

Isabella desbloqueia o celular e vê o ícone do Whats App indicando uma nova mensagem. Ela entra no menu de contatos e vê que a mensagem em questão é de Kevin.

Isabella dá um suspiro.

“Isabella, eu e a Danielly estamos no jardim em frente a sua casa. Você pode descer aqui, por favor? Você está bem? Te adoro. Kev”.

Isabella começa a digitar a mensagem.

“Oi, Kev. Tá tudo bem. Também te adoro. Já estou descendo.”

Laura – Quem é?

Isabella – É o Kevin. Laura, eu vou ter que descer.

Laura – Vai lá.

Isabella – Te adoro.

Laura – Eu também.

Isabella sai.

Lá fora, Isabella chega. Kevin e Danielly estão a esperando.

Isabella – Oi, Dani. Oi, Kevin.

Danielly – Bella... e aí?

Isabella – Tudo bem. O que vocês querem?

Danielly – Eu já tô sabendo de tudo, Isabella.

Isabella – De tudo o quê? (para Kevin) – Ah, não... (levanta a voz) — Kevin, você contou?

Kevin – Eu tive que contar. Desculpa, Isabella. Eu ia contar só pra minha mãe, mas a Danielly chegou e ouviu tudo.

Isabella – Mas contou, né, Kevin? Ainda que tenha sido inicialmente pra alguém que eu não conheço, você contou. Droga! Como eu fui burra... Como eu pude confiar em você?

Kevin – Me desculpa, por favor.

Isabella – O que foi que eu te disse, hein, Kevin? Eu pedi tanto... eu pedi tanto pra você não contar, mas é lógico que você ia dar com a língua nos dentes.

Kevin – Eu já te pedi desculpas.

Isabella – Ah, Kevin... não desculpo. E aliás, já que você começou, por que não faz o serviço completo? Conta pro Nicholas... conta pro Brian... conta pra Laura... conta pro Colonial Mônaco inteiro.

Danielly – Isabella, pára. Você está sendo injusta com o Kevin. Ele só quer te ajudar...

Isabella — ... Aí todo mundo vai ficar sabendo e além de eu ter perdido os meus pais eu vou perder a Laura também. É isso que você quer?

Kevin – É claro que não, Isabella. Eu sei que mandei mal, sei que eu errei. Mas foi com a melhor das intenções.

Isabella – De boas intenções o inferno tá cheio.

Kevin – Eu só queria te ajudar, Bella. E olha só: agora que a Danielly já tá sabendo da história por que a gente não vai na delegacia prestar queixa?

Isabella – Delegacia, Kevin? Você tá querendo piorar ainda mais a situação? Não, Kevin. Eu não vou pra delegacia nenhuma. Aliás, depois do que você fez eu não vou com você nem pro inferno.

Kevin – Isabella...

Isabella – Não fala comigo, Kevin. Você me traiu, você traiu minha confiança. E olha aqui: se alguém for na policia, se acontecer alguma coisa com o Nicholas ou com a Laura eu não vou te perdoar nunca, você tá ouvindo? Nunca.

Isabella sai.

Kevin – (enquanto ela está andando) – Isabella, volta aqui! (ela entra em casa) – Droga!

Na casa de Isabella, no quarto de Vanessa, o telefone toca.

Vanessa – Alô?

Na casa de Maurício...

Maurício – Vanessa?

Vanessa – Oi, Maurício.

Maurício – Já conseguiu a grana que eu pedi?

Vanessa – Maurício, me dá mais um tempo, por favor.

Maurício – Olha só, Vanessa, eu não estou de brincadeira. Ou você me passa a grana ou nada de estupro, tá certo?

Vanessa – Tudo bem, Maurício. Eu vou te dar. Prometo.

Maurício – Eu acho bom mesmo. Agora, mudando de assunto: quando é que eu vou me encontrar com a Isabella?

Vanessa – (dá risada) – Calma. Relaxa que tá tudo certo. Enquanto o tão esperado encontro não acontece eu vou avisando que ela vai estar no Colégio Cronograma semana que vem. Dá um jeito de ir lá, mas nada de se aproximar dela ainda.

Maurício – Tudo bem. Ah, Vanessa... eu fico o tempo todo pensando nessa garota. Ela me tira o sono.

Vanessa – Calma. Segura sua onda. Em breve eu vou colocar vocês dois frente a frente. Enquanto isso, vê se fica de boca fechada.

Maurício – Tá certo, gata. Eu vou desligar. Vou sonhar com o meu amor platônico.

Vanessa – Bons sonhos.

Maurício – Tchau.

Vanessa – Tchau.

Os dois desligam.

Vanessa – Como eu faço pra arrumar esse dinheiro?

Dias depois, na casa de Isabella, na sala de jantar, Isabella e Laura estão tomando café da manhã.

Isabella – Ai, Laura... eu mal posso esperar pra chegar no meu colégio novo.

Laura – Eu imagino.

Regina – É no Colégio Cronograma, não é?

Laura – É.

Isabella – Eu fui lá outro dia pra conhecer e achei o máximo. Pena que é o último ano.

Laura – Pois é, Bella. Mais um ciclo se fecha na sua vida.

O telefone toca.

Regina – Eu atendo.

Regina atende.

Regina – Alô? (pausa) – Ah, oi, Kevin. (Isabella olha) – Só um minuto. (Regina tira o telefone do ouvido) – Isabella, pra você. É o Kevin.

Isabella – Diga que não estou.

Regina – Isabella, mas por quê?

Isabella – Não discuta, Regina. Faz o que eu estou mandando.

Regina – Tudo bem. (ela volta a colocar o telefone no ouvido) – Desculpa, Kevin. Ela não está. (pausa) – Claro. Peço sim. (pausa) – Tchau.

Regina desliga.

Regina – O que houve?

Isabella – Eu não posso falar agora, Regina, estou com pressa. (chega perto de Laura) – Tchau, Laura. (dá um beijo no rosto de Laura) – (chega perto de Regina) – Tchau, Regina. (dá um beijo no rosto de Regina).

Isabella sai.

Laura – O que será que houve?

...

Numa rua, Isabella está andando distraída, quando é puxada inesperadamente por alguém. É Kevin. Ela olha pra ele seriamente.