Shape Of My Heart
13 Capitulo 13
Notas iniciais
Isabella – Kevin... (ela o abraça de surpresa e ele corresponde)
Eles continuam abraçados e se soltam.
Kevin – Entra, Bella. Tá frio aí fora.
Ele pega na mão dela e a leva pra dentro de casa.
Kevin – O que aconteceu? A Laura acabou de ligar aqui, disse que você sumiu o dia todo, seu celular tá na caixa postal. O que houve?
Isabella – Kevin, me ajuda. Me ajuda, por favor. (chorando)
Kevin – Claro. Claro que eu te ajudo. Eu vou te ajudar sempre. Senta aqui. (levando – a até o sofá) Senta aqui, me conta o que aconteceu.
Eles se sentam no sofá. Isabella abraça Kevin novamente.
Kevin – (abraçando Isabella, acariciando as costas dela) – Tá fria, Bella. Tá tremendo. Fala pra mim. Me conta, por que você tá assim? Sua fisionomia está triste, preocupada... o que houve?
Isabella continua chorando sem responder, de cabeça baixa.
Kevin – Do que você tem medo, Bella? Fala, você está me deixando nervoso.
Isabella – É uma longa história, Kevin. Hoje eu passei o dia todo com o Nicholas. Saímos, fomos conhecer o meu colégio novo, fomos numa lanchonete, mas...
Kevin – Mas o quê, Bella? Pode falar, eu sou seu amigo.
Isabella – Tava tudo lindo, romântico, quando de repente eu recebi uma mensagem de um número desconhecido.
Kevin – (abraça Isabella no peito dele, acariciando o cabelo dela) — Calma, Bella. Não precisa ficar assim. Pode ser que a pessoa tenha errado um número e te ligado por engano. Ou talvez um trote, o que é muito comum. Mas fica calma, Bella, isso não é nada, não há nada de errado.
Isabella – Não, Kevin. Tem alguma coisa, eu sei que tem. (chorando, abraçada com ele)
Kevin – Bella... essas coisas acontecem. Eu mesmo já mandei mensagens pra Danielly e ela não recebeu.
Isabella – (se solta dele) – Não foi só essa mensagem, Kevin. Depois eu recebi outra e a segunda tinha o meu nome. Foi destinada propositadamente à mim e depois no meu e-mail tinham mais mensagens e uma delas tinha uma das fotos que a Vanessa tirou de nós dois, citando o Colonial Mônaco e o seu nome.
Kevin – O quê?
Isabella – É sério, Kevin. Eu tô com medo, tô com muito medo. (chorando)
Zilda chega com o telefone sem fio na mão.
Zilda – Kevin, telefone... (ela vê Isabella) – Me desculpem. Eu não queria incomodar.
Kevin – Zilda, me faz um favor? Pega uma água pra ela, por gentileza?
Zilda – Claro, Kevin.
Kevin – Obrigado.
Zilda está saindo e...
Kevin – Zilda?
Zilda – Sim?
Kevin — Seja lá quem for, diz que eu retorno mais tarde.
Zilda – Tudo bem.
Zilda sai.
Kevin – Me conta essa história direito, Isabella. O meu nome também aparecia na mensagem?
Isabella faz um sinal de “sim” de cabeça baixa.
Kevin – E o Nicholas? Ele já está sabendo disso?
Isabella – Não. Eu não falei nada sobre isso com ele. Nem com ele, nem com ninguém.
Zilda chega com a água.
Zilda – Pronto, Isabella. Sua água.
Isabella – Obrigada. Eu não quero.
Kevin – Bebe só um pouquinho, Bella. Você vai se sentir melhor.
Zilda – Com licença. (ela coloca o copo na mesinha em frente ao sofá)
Zilda sai. Isabella pega o copo e bebe um pouco da água.
Kevin – Fica tranquila. Você está segura agora.
Isabella – Obrigada.
Kevin – Bella... você precisa contar isso pro Nicholas. Ele é seu namorado, tem o direito de saber o que acontece com você.
Isabella – Não, Kevin. Eu tenho medo, ele pode não acreditar em mim.
Kevin – Tudo bem. Deixa que eu falo.
Isabella – Não, Kevin. Por favor, não. Eu não conheço essas pessoas, elas podem ser perigosas. Por favor, não conta pra ele. O seu nome está no email deles, se eles fizerem alguma coisa com o Nicholas ou com você eu nunca vou me perdoar.
Kevin – Tudo bem, Bella. Eu não vou dizer nada.
Isabella e Kevin se abraçam.
Kevin – (se solta dela) — Liga pra Laura, Bella. Avisa que você está aqui. Ela estava desesperada atrás de você. E o Nicholas também.
Isabella – (secando as lágrimas) — Tá, eu vou ligar. Me passa o telefone?
Kevin – Claro. (ele dá o telefone na mão dela)
Isabella – Obrigada.
Isabella começa a discar o número.
Na casa de Isabella, na sala, o telefone toca. Laura corre em direção ao telefone.
Laura – Bella? Bella, onde você está?
Isabella – Oi, Laura. Fica tranquila. Eu tô aqui na casa do Kevin, mas já tô quase indo embora. (Kevin fica olhando pra ela) – Não se preocupe.
Laura – Tudo bem. O Nicholas está aqui também.
Isabella – Eu posso falar com ele?
Laura – Claro.
Isabella – Tchau, Laura. Eu tô bem, não se preocupe.
Laura – Eu te adoro.
Isabella – Eu também.
Na casa de Isabella...
Laura – Nicholas, pra você. É a Bella.
Nick pega o telefone.
Nick – Bella!
Isabella – Oi, meu amor. Eu tô bem, não se preocupe. Eu tô aqui na casa do Kevin, mas eu já tô indo embora.
Nick – Tudo bem, meu amor.
Isabella – Nick?
Nick – O quê?
Isabella – Eu só quero dizer que eu te amo muito. Muito, muito mesmo. Não duvide nunca.
Nick – Não, meu amor. Eu também. Pra sempre.
Isabella – Tchau.
Nick – Tchau. Te amo.
Isabella – Eu também.
Eles desligam.
Isabella – Obrigada, Kevin. Eu já vou.
Kevin – Sozinha?
Isabella – É. Algum problema?
Kevin – De jeito nenhum. Eu te levo de carro.
Isabella – Kevin, eu agradeço, mas... eu não quero incomodar.
Kevin – Não é incômodo, Bella. Eu faço questão.
Isabella – Não precisa, Kevin. Eu já tomei o seu tempo falando dos meus problemas.
Kevin – Bella... deixa eu te levar pra casa. É sério, você não tá incomodando. E tem mais: depois do que você falou eu não quero te deixar sozinha. Ainda mais a essa hora.
Isabella – Mas...
Kevin – Você já veio sozinha. Agora é meu dever te deixar em casa em segurança. Por favor. Eu só quero cuidar da minha irmãzinha.
Isabella sorri.
Kevin – Não é irmã de sangue. Mas é de alma. E eu te amo muito.
Isabella abraça Kevin.
Kevin – Isso foi um “sim”?
Isabella – (fazendo um sinal de “sim” com a cabeça, sorrindo) – Aham.
Ele dá um beijo no rosto dela.
Isabella – Você também é meu irmão de alma.
Kevin – Vamos?
Isabella – Vamos.
Eles saem.
Na casa de Howie, na sala, ele chega.
Howie – Mãe?
Ele vai andando pela casa.
Howie – Mãe, cadê você?
Paula não responde.
Howie – Mãe?
Ele vai até a cozinha. Chegando lá...
Howie – Mãe? Mãe, o que você tá fazendo?
No Colonial Mônaco, Isabella e Kevin chegam de carro. Ele estaciona em frente à casa dela.
Kevin – Você tá bem mesmo?
Isabella – Sim, Kevin. Não se preocupe.
Kevin – Bella... (inclina o seu corpo mais perto) — Bella, tem certeza de que não quer dividir isso com mais ninguém?
Isabella – Tenho, Kevin. Certeza absoluta.
Kevin – Nem com a Laura?
Isabella – Nem com a Laura.
Kevin – Bella... olha pra mim. Eu aceitei guardar segredo sobre isso, mas você sabe... eu sou advogado, sou um homem da lei. Recém formado, eu sei, mas nos meus anos de faculdade eu estudei casos horríveis... Assassinatos, sequestros, estupros... as mais variadas barbáries. Só de pensar que você pode estar correndo o risco de passar por essas coisas eu sinto um nó na garganta, um aperto no peito.
Isabella – Eu sei, Kevin. Eu entendo que você está preocupado e agradeço a sua preocupação, mas fica tranquilo. Eu sei me cuidar.
Kevin – Não, Isabella. Você ainda é muito jovem, não sabe nada do mundo. Esse lugar ainda é novo pra você, você não conhece as pessoas, elas podem ser muito cruéis. Eu não quero que nada de mau te aconteça.
Isabella – Kevin...
Kevin – Tudo bem, Isabella. Se você não quer contar pro Nicholas eu respeito. Mas só pra Laura. Pelo menos pra ela. Por favor.
Isabella – Não, Kevin. Você não entende, eu já perdi os meus pais. A Laura é tudo o que eu tenho.
Kevin – Não, Bella. Você tem à mim também.
Isabella – Mas ela é minha irmã, Kevin. Ela é a minha família. E tem mais: ela é preocupada comigo, é como uma segunda mãe. Ela vai ficar desesperada e do jeito que ela é pode colocar seguranças atrás de mim. Eu não quero chamar atenção. Não quero as pessoas me olhando. Entenda, por favor.
Kevin – Isabella... eu sempre gostei de ajudar os meus amigos, as pessoas que eu gosto, mas você não é uma amiga qualquer, não vive numa situação qualquer. A Vanessa é perigosa e ela vive na sua casa. Eu tenho certeza que isso é coisa dela. Se acontecer alguma coisa com você eu nunca vou me perdoar.
Isabella – Kevin, eu já disse não. Se eu dividi tudo isso com você é porque eu tenho confiança em você. Por favor, não me decepcione. Se você gosta de mim, se quer me ver feliz não conta nada disso pra ninguém. Nem mesmo pra Danielly.
Kevin abraça Isabella.
Kevin – Promete pra mim... promete pra mim que você vai tomar cuidado. Que vai desconfiar das pessoas, que não vai conversar com estranhos. Promete?
Isabella não responde.
Kevin – Responde, Isabella.
Isabella – Eu prometo.
Kevin abraça Isabella novamente.
Kevin – Eu te adoro, Bella. Te adoro. Nunca se esqueça disso.
Isabella – Eu também. Deixa eu ir, Kevin. Já tá tarde e eu quero dormir. Tchau. (abrindo a portinha do carro)
Isabella sai.
Kevin – (dentro do carro) — Tchau, Bella. Se cuida.
Isabella fecha a portinha e acena pra ele. Ela se vira, indo em direção a sua casa. Kevin fica observando Isabella de longe.
Na casa de Isabella, ela chega. Isabella vai até o sofá e joga sua jaqueta. Nick chega descendo as escadas.
Nick – Bella... até que enfim você chegou. (ele abraça Isabella com força)
Isabella – (abraçando Nicholas) – Calma, Nicholas. Tá tudo bem, eu já tô aqui.
Nick – (se solta dela) – Você passou frio? Seus olhos estão vermelhos... você chorou?
Isabella – Não aconteceu nada.
Laura chega.
Laura – Isabella? O que aconteceu? Você tá pálida... onde você estava o dia todo?
Isabella – Eu tô bem, Laura.
Laura – Bem? Como assim “bem”? Você sumiu o dia todo, deixou o celular desligado, todos nós preocupados... o que aconteceu, Isabella? Eu exijo uma explicação.
Isabella – (em tom agressivo) – Pára, pára com essa metralhadora de perguntas! Eu já disse que estou bem. Não aconteceu nada de grave, eu tô aqui, tô inteira, você não está vendo? Me deixa em paz.
Laura – Isabella! O que há com você? Você nunca falou comigo assim.
Isabella – O que acontece é que eu estou cansada de vocês todos me tratarem como criança. De vocês todos ficarem se metendo na minha vida. Eu já tenho você, agora o Kevin, o Nicholas... chega!
Laura – Bella... a gente apenas se preocupa com você.
Isabella – Tá bom, Laura. Eu tô cansada, tô com sono, quero dormir. (para Nick) — Nicholas, você me acompanha até o meu quarto?
Nick – Eu posso?
Isabella – Pode. Eu não vou brigar.
Nick – Tudo bem.
Isabella e Nick sobem as escadas.
No quarto de Isabella, eles chegam. Isabella vai até a cama dela.
Isabella – (se deitando na cama) – Obrigada, Nicholas.
Nick – Bella... você não precisava ter falado daquele jeito com a Laura.
Isabella – Eu só não quero ser tratada como uma criança, Nicholas. Eu tô bem, vocês não precisam se preocupar.
Nick – Bella, o que você recebeu no celular de manhã que te deixou tão nervosa?
Isabella – Não foi nada, Nicholas. Eu só me lembrei do assassinato dos meus pais. Eu tava triste e fui conversar um pouco com o Kevin. Foi só isso.
Nick – Quando você quiser conversar com alguém, desabafar sobre qualquer coisa, você sabe que eu tô aqui. Bella, eu não sou apenas seu namorado, também sou seu amigo. Eu te amo.
Isabella – Eu também.
Nick – Tchau, meu amor. Boa noite.
Isabella – Boa noite.
Nick estende o cobertor em cima dela. Isabella sorri.
Nick – Você é tudo pra mim.
Ele dá um selinho na boca dela. Ela sorri.
Isabella – Boa noite, meu amor. Sonha comigo.
Nick desliga o abajur. Isabella dorme. Ele fica observando a dormir e sai.
Na casa de Howie, na cozinha...
Paula estava tomando uma garrafa cheia de whisky. Ela está com a garrafa na mão.
Paula – Não chega perto, Howie D. Não chega perto.
Howie – Mãe... mãe, pára com isso. Você vai acabar com a sua vida.
Paula – A minha vida já está estragada há muito tempo.
Howie – Por causa do John? Mãe, já chega! Você acha mesmo que se ele estivesse aqui ele iria querer ver você se destruindo dessa maneira? O John era uma criança! E como toda criança eu tenho certeza que o desejo dele seria ter uma vida feliz, com uma mãe saudável.
Paula – Me deixa em paz, Howard. Exatamente. SE ele estivesse aqui, mas ele não está. E a culpa é sua.
Howie – Tá bom, mãe. Eu entendo a sua raiva e reconheço a minha culpa. Mas você está sendo egoísta. Se você não pode fazer por mim, faça pela Pollyanna, que não teve culpa do que aconteceu.
Paula se vira e joga o líquido da garrafa na pia. Ela começa a chorar. Howie vai até ela.
Howie – (abraça Paula) — Mãe... Mãe, conta comigo. Eu sei que você me odeia, mas eu sou seu filho. Eu sou seu filho e eu vou te ajudar. Eu vou te ajudar a passar por tudo isso.
No dia seguinte...
Na casa de Nick, no quarto dele, ele está saindo do banho com a parte de baixo do corpo enrolada com uma toalha, quando o celular dele toca. Nick atende.
Nick – Alô?
É Maurício.
Maurício – Você acha mesmo que conhece a sua namoradinha?
Nick – Quem tá falando?
Maurício – A Isabella apenas tem cara de anjo. Mas não é nenhum anjo.
Nick – Quem tá falando? Me responde, eu já disse!
Maurício – Eu vou logo avisando. A garota é minha. Ela não te ama. Eu sou o verdadeiro namorado dela. Você é só uma curtição de cidade nova.
Maurício desliga. No quarto de Nick...
Nick – (enquanto o telefone está apitando do outro lado da linha) — Alô? Alô? Quem tá falando? Droga!
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