Shangri-la
3 Como um beijo na chuva pode ser tudo, menos romântico
Notas iniciais
Aquele seria um final de semana nublado e chuvoso, um dos melhores para serem aproveitados no conforto de casa, com o vento frio e molhado do lado de fora. A certeza de que não haveria lugar melhor na Terra, se não fosse pela visita das duas garotas que sempre passavam os finais de semana na companhia deles, o que não seria problema algum se não os obrigassem a buscar por besteiras que fossem alegrar ambas igualmente no meio do tempo feio.
Maria adorava balas de goma e sorvete, Yuzuru preferia doces tradicionais mas em suas mensagens durante a semana comentara em como gostaria de ver todos os filmes de dinossauro existentes na companhia dos dois logo, pipocas também entravam na lista.
O vento estava forte, não havia chuva durante a ida mas na volta, com ambas as mãos segurando sacolas, o mau tempo resolvera agraciá-los com uma chuva fina que fazia o frio adentrar por todas as frestas das roupas que vestiam e também estragara o guarda-chuva que usavam para manterem a parte superior do corpo, secas.
E enquanto Shouya bufava de raiva, reclamando de mais um guarda-chuva perdido, Shouko ria, não conseguindo ter um terço da preocupação dele.
A verdade era que ela via graça em vê-lo frustrado, era uma das raras vezes em que ele perdia a compostura tranquila que sempre assumia diante dela e dos outros e era completamente sincero com o que sentia — e ela gostava de vê-lo nesses momentos, fazer parte desses momentos — logo Shouko resolvera que aquele também era um momento justo para ser honesta consigo mesma.
As sacolas escorregaram de seus pulsos até a junção dos cotovelos quando segurara o rosto dele, o trazendo de volta para ela e então o beijo acontecera naturalmente.
Literalmente.
A chuva caía naturalmente.
As pessoas corriam de um lado a outro, naturalmente.
O guarda-chuva azul listrado caíra das mãos de Shouya, naturalmente.
E ele deixara de se preocupar com o imprevisto e retribuíra o gesto, naturalmente.
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