Shame.

1 Capítulo 1 - Descoberta.


Notas iniciais
Oi gente!
Bom, aqui está o primeiro capítulo. Espero que gostem...

Pov Jey Tsurihama:

"Bom... Por onde eu começo? Sério, é normal ficar sem saber por onde começamos? Então... Vamos começar do início. Eu sou o Jey, tenho dezessete anos e tenho uma vida... Praticamente normal. Tirando o meu irmão, que é um anormal e resolveu ir morar lá na Espanha quando fizemos dez anos, tudo o que eu sempre vivi foi absolutamente normal. Assim, normal no sentido de normal e não de comum. Vocês entendem, não é? Normal mesmo, sabe, muito normal... Bom, voltando. Eu tenho cabelos pretos e olhos da cor dos meus cabelos, que são lisos. Tenho uma pele de seda. Como eu disse, sou como qualquer outro adolescente normal. Qualquer um..."

_ Bom dia, filho. Pronto para mais um dia de aula? — Disse minha mãe, interrompendo os meus devaneios e fazendo com que eu parasse de escrever.

_ Bom dia. — Falei, calmo como sempre.

Eu acordara mais cedo naquele dia, então eu tinha resolvido que escreveria um diário. Eu não tinha ideia de como faria aquilo, eu só sabia que agora estava assumindo um compromisso comigo mesmo de, sempre que desse tempo, escrever no caderno o que eu pensava, sentia e o que estava acontecendo naquela minha vidinha infeliz.

Eu me levantei e comecei a me aprontar para a aula. Terminei de arrumar minhas coisas e de me arrumar, indo para a porta. Ah, eu já tinha tomado café da manhã antes de começar a escrever. E meu pai ainda dormia, por isso não precisei falar com ele.

_ Mãe, estou indo! — Gritei, já abrindo a porta.

_ Juízo! Se for sair depois da aula me avise! — Gritou ela e eu terminei de despedir dela, indo até o portão.

Assim que eu abri o portão, me deparei com um loiro de olhos azuis me esperando. Quase pulei no lugar. Ele sorria e se aproximou de mim.

_ Oi, Jey! Estava te esperando para irmos juntos para a escola. — Disse ele, com o maior sorriso estampado no rosto.

_ Oi... — Resmunguei, impassível. — Você está bem?

_ Ah, sim e você? — Ele perguntou, me ajudando a fechar o portão.

Ah, esse era o meu melhor amigo, Shouji Hakayama. Éramos inseparáveis e sempre nos demos muito bem, desde que nos conhecemos, que foi quando eu entrei na escola. Ele sempre foi um veterano, então sempre me ajudou muito com tudo.

Começamos a andar, rindo e conversando sobre assuntos diversos. Conversamos sobre as férias, sobre os primeiros dias de aula, sobre os novos horários, sobre os professores... Bom, nós conversamos até mesmo sobre os carros que passavam na rua.

Logo chegamos na escola, com o idiota do Shouji brincando de tentar me jogar no meio da rua e eu morrendo de raiva dele. Então, um garoto ruivo de olhos negros chamado Shinji nos interrompeu, abraçando nós dois ao mesmo tempo.

_ Olá, meus amiguinhos! Como vão? Bem, eu sei! Então, prontos para começar um novo dia de aula? — Shinji falava tudo ao mesmo tempo, mal dando tempo para que nós respirássemos.

_ Oi, Shinji... — Falei, sem fôlego, me soltando do abraço apertado dele. — Você faltou esses dias...

_ Ah, sim! É que eu e meus pais viajamos e só voltamos ontem ás duas horas da tarde. — Disse Shinji, me dando um beijo na bochecha e ainda abraçado com o Shouji.

_ E por que você está animado assim hoje? — Perguntou o meu melhor amigo, olhando desconfiado para o ruivo.

_ Ah, vocês não vão acreditar! — Exclamou Shinji, ainda mais animado, se é que é possível uma coisa dessas. — O Clay-kun me pediu em namoro! Ele se declarou para mim! Ah, aquele lindo!

Eu bati a mão na cara, me afastando daquele esquisito gay e entrando na escola, com o Shouji me seguindo junto do Shinji, os dois rindo e conversando. Eu não sabia como o Shouji o aguentava, sinceramente.

_ Entra logo porque se não o professor não deixa mais você entrar. — Resmunguei, entrando na sala e me sentando na primeira carteira perto da porta.

Shouji se sentou logo atrás de mim e o Shinji foi correndo até o fundo da sala, falando um enorme "Bom dia" para o Claydson, um dos garotos mais cobiçados da sala e lhe dando um selinho.

É, não foi agradável ver isso. Tanto para mim, quanto para as garotas, eu pude ver no olhar delas a raiva, a inveja e vários outros sentimentos. Eu respirei fundo e abri o livro e os materiais sobre a minha mesa, vendo o professor entrar com uma cara de poucos amigos.

Quando o intervalo finalmente chegou, eu fechei tudo e enfiei na mochila, esperando o Shouji fazer o mesmo. Logo nós dois sentamos em um canto e começamos a conversar enquanto comíamos. Até que meu amigo resolveu comprar um suco e eu emprestei um pouco de dinheiro para ele. Assim que Shouji se levantou, eu vi Shinji se aproximar dele, os dois indo para a lanchonete conversando.

Eu os observei, terminando de beber o meu suco, quando de repente, o loiro lá na frente parou e encarou o ruivo, que sorria maliciosamente enquanto falava. Shouji negou freneticamente com a cabeça, parecendo estar bastante assustado, até que o Shinji falou algo que fez ele paralisar de vez.

Como sou curioso, não consegui deixar de me aproximar para escutar a conversa dos dois. Me encolhi atrás de uma pilastra e tentei ouvir, mas eu tinha chegado tarde demais.

_ Eu sabia. — Disse Shinji, sorrindo. — E quando você vai se declarar?

_ Eu não sei... Podemos parar de falar nisso? — Ouvi a voz do Shouji, que estava todo vermelho quando eu olhei.

_ Se você não andar logo, você vai perder a pessoa que você ama. E não tem nada pior do que ter um amor assim, ficar louco por alguém, ser capaz de morrer, de matar por ele e depois encontrar esse amor nos braços de um outro qualquer. E ele não parece se importar muito com nada, por isso, tome muito cuidado... — Shinji falou, parecendo estar sendo sincero, mas logo foi interrompido:

_ É disso que eu tenho medo! De... Perdê-lo... E depois me arrepender... — Murmurou Shouji, sua voz falhando e desaparecendo.

_ Então se declare logo e pare de enrolar. Ou então, faça ele se declarar. Mas faça alguma coisa. Eu já te dei as dicas. Faça o que for mais fácil. — Disse Shinji, se afastando.

Eu saí de trás da pilastra e vi que meu amigo estava ajoelhado no chão, com a cabeça abaixada. Eu me aproximei devagar dele e encostei no seu ombro, fazendo ele me encarar assustado.

_ Ei... Você está bem? — Perguntei. Eu não era bom em consolar.

_ Não. — Disse ele, tirando a minha mão do seu ombro e saindo correndo.

O que eu fiz de errado? Eu fiquei encarando o corredor vazio e tive que ir para a sala, pois logo o sinal tocaria. Muitas pessoas entravam junto comigo na sala e eu logo fui me sentar.

Qual não foi a minha surpresa quando vi Shouji entrar junto com uma garota de cabelos castanhos? Os dois trocaram um selinho e ele foi até a sua carteira com um sorriso doce estampado nos lábios.

...

Eu não sei qual é o meu problema. Por que eu estava me sentindo tão mal por ter visto meu amigo beijando aquela garota? Eu encarava a minha mesa fazia três aulas, até que o sinal bateu e eu me levantei.

Mas Shouji foi mais rápido e entrou na minha frente, indo de encontro novamente com aquela garota. Eu o olhei sentindo meu olhar se estreitar e meu melhor olhar de ódio ser lançado a ele bem na hora que este me olhou. Ele sorriu levemente, quase como se tivesse ganhado um jogo e logo sacudiu a cabeça, corrigindo a sua expressão e acenando, saindo da minha vista de mãos dadas com a garota.

Eu preguei minha testa na parede. Que sentimento esmagador era aquele? Eu tinha vontade de matar o Shouji e me matar logo depois de tão mal que eu me sentia por culpa daquilo. Eu me sentia sozinho também. Eu respirei fundo, frustrado, batendo novamente a cabeça contra a parede. Eu estava com raiva de mim, do Shouji, da garota, de tudo, inclusive do maldito professor que me deu um maldito dever de casa que era gigante e eu deveria entregar amanhã.

_ Ei, Jey! — Ouvi a voz do Shinji, mas não lhe dei atenção, fechando os olhos com raiva, sentindo a tristeza apenas se intensificar. — Oi! Por que você está aí, com essa cara de quem quer chorar?

_ Eu não sei! — Falei com raiva, dando um soco na parede. — POR QUE EU ESTOU ASSIM? — Berrei, mordendo os lábios, tentando me conter.

_ Oi, calma! — Exclamou Shinji, me virando para ele. — O que aconteceu?

Assim que eu olhei naqueles olhos negros e percebi a expressão preocupada do ruivo na minha frente, não consegui conter as lágrimas, desabando no seu ombro. Ele me abraçou, parecendo assustado e preocupado, passando a mão no meu cabelo.

_ Eu não sei o que aconteceu, não sei o porque eu estou assim... Mas eu estou com tanta raiva! Tanta raiva por uma coisa tão idiota! Eu não quero sentir raiva do meu amigo só porque ele está com uma garota! Como eu posso ser tão idiota assim? Eu não posso simplesmente querer o Shouji só para mim, ele é meu amigo, é verdade, mas... É tão egoísta da minha parte pensar assim! Eu não sei... QUE MERDA! — Berrei, tentando explicar alguma coisa que fizesse algum mínimo sentido para o Shinji, ficando ainda mais frustrado e agarrando com força a blusa do ruivo.

_ Eu entendi... — Murmurou ele, sorrindo levemente e se separando de mim, fazendo com que eu o encarasse e tentasse enxugar as minhas lágrimas. Como eu sou estúpido... Por que eu estou chorando?

_ ENTENDEU O QUÊ, CRIATURA? — Berrei, irritado comigo mesmo e acabando por descontar nele, respirando fundo. — Desculpe, eu não devia estar descontando tudo isso em você...

_ Você gosta mesmo do Shou-chan, não é? — Perguntou Shinji, com um sorriso doce iluminando o seu rosto.

_ Ele é meu amigo... Mas o que isso tem a ver? Eu não deveria me sentir mal vendo ele sair com a amiga dele! — Exclamei.

_ Se você quiser aceitar isso, você pode, por isso vou falar as minhas conclusões. Eu acho que você está gostando do Shouji... Mas como namorado e não amigo. — Disse Shinji.

Eu arregalei os olhos. Eu nunca tinha pensando no meu amigo daquele modo, nunca mesmo. Será que... Eu realmente estava gostando dele? Eu encarei o chão, enquanto Shinji resmungava um: "Pensa bem nisso" e se afastava. Eu escorreguei até o chão, meus olhos estavam arregalados e eu tentava processar aquilo direito. Eu ficara assim porque... Eu... Gosto do Shouji... Como namorado?

Notas finais
E aí, gostaram? Bom, pode ter saído meio estranho ^^... Oras, a história ainda está só começaandoo... De qualquer jeito, estou esperando reviews.