Shallow

1 We’re Far From The Shallow Now - Capítulo Único


Notas iniciais
@Estou tão feliz, espero que vocês se divirtam tanto quanto eu. Meu casal é maravilhoso e eu tenho fé que vai virar canon kakakaka

Suspirei e fui me deitar no beliche de baixo, ficando em silêncio. Silêncio que me perseguia fazia algum tempo, ultimamente preferia guardar meus pensamentos para mim mesma. Não era uma questão de orgulho ou coisa do tipo, só não conseguia mais falar sobre meus sentimentos com mais ninguém. Talvez tudo o que passei tenha me mudado bruscamente.

Percebi que ele se deitou também ao meu lado após um tempo, o barulho do velho beliche chiando em protesto com seu peso. Mergulhou no silêncio comigo e juntos encaramos a madeira do beliche de cima, perdidos em nossos próprios pensamentos.

— No que está pensando? – Ele pergunta casualmente.

Dou de ombros. Não queria mencionar os meus problemas e nem o quanto atraída eu me sentia por ele, o quanto aquele sentimento estava me sufocando desde que ficamos sozinhos nesta missão de resgate. Se fosse na prisão, ao menos eu teria para onde fugir, mas ali, sozinhos, não podia fazer algo tão arriscado e arruinar tudo.

— Muitas coisas.

— Me diz...– O olho de esguelha, esperando e o vejo se mover também, o rosto se virando para o meu lado – Se eu não tivesse aparecido, o que você teria feito?

Fico quieta por um tempo, como explicar a ele que queria sumir? Como dizer para alguém que eu amo que simplesmente o deixaria para trás?

— Sei lá Daryl, porque a pergunta?– tentei mudar de assunto, incomodada.

— Você não era tão evasiva assim antes – me lembra ele, a voz soava estranho.

Obrigada, me sinto muito melhor agora.

— Eu não era muita coisa, Daryl.

Ele vira a cabeça em minha direção e algo dentro de mim se agita ao sentir aqueles olhos verdes me fitando com curiosidade. Espero que ele diga algo, mas ele se cala e permanece me olhando em silêncio. Borboletas idiotas batem as asas em meu estômago loucamente e sinto um frio a cada lufada de ar que solto pelos lábios entreabertos.

— A Beth é bem importante para você, não é? – Pergunto a primeira coisa que me vem na mente.

— Sim, sinto que preciso cuidar dela – Ele deu de ombros. Suspiro, incomodada com algo que não sei o que é e volto a olhar a madeira, evitando olhá-lo.

— Seus olhos parecem gelo seco – diz ele, distraidamente e de um jeito tão inocente que me faz arregalar os olhos. Surpresa, virei a cabeça em sua direção e me arrependi no mesmo instante. Agora estávamos nos encarando, azul no azul e eu mergulho naquela imensidão mesmo sem querer.

É sempre assim,simplesmente me sinto mergulhar fundo no oceano. É uma sensação estranha e boa, o único problema é que eu não sei quando parar de mergulhar e ir para a superfície, eu não sei quando firmar os pés na terra.

— E seus olhos parecem um oceano – Acabo pensando alto e no mesmo instante cerrei os lábios, surpresa comigo mesma. Daryl gira o corpo na cama e fica de frente para mim, seus olhos possuem um brilho estranho que não reconheço em suas expressões.

— Você tem a pele mais quente que eu já conheci – murmura, intensamente. Porquê não consigo desviar os olhos do seu? Droga.

— Eu amo o seu cabelo grande, dá pra puxar – revelo, sem conseguir me limitar a entrar naquela conversa. Seus olhos se estreitam de um modo feroz e sinto um frio peculiar na barriga, o nervosismo se aproximando.

— Para de me olhar assim – peço, a voz fraquinha.

— Por quê?

— Porque eu estou tentando ser forte – Respiro fundo – sinceramente, estou lutando para não te agarrar agora mesmo.

Ele fica em silêncio e eu me arrependo amargamente do que disse,estendo a mão por impulso e começo a acariciar seus cabelos, tentando arrumar aquela desordem louca. Daryl parece gostar, fecha os olhos e um som estranho escapa de sua garganta e é quase com um ronronar de um gato quando fazemos carinho nele. Eu gosto do som, sinto que ainda posso causar sensações em alguém apesar de me sentir morta na maioria do tempo. Viro o rosto e fico admirando sua beleza, é quase hipnotizante quando faço isso e geralmente tenho vontade de beija-lo como agora.

— Para de me encarar – Reclama ele, sem abrir os olhos.

Sorrio sem graça por ser pega em flagra e desvio o olhar, mas sinto seu corpo se aconchegar ao lado do meu e me viro até que estejamos de frente um pro outro. Daryl agora está de olhos abertos e impossivelmente grandes me fitando e por um momento, parece que estou encarando as estrelas, mas as estrelas não tem esse brilho pervertido quando olhamos para elas. Mas meu Daryl tem.

— O que foi? – Pergunto.

— Para de fazer isso – Ordena ele e confusa, sigo seu olhar e percebo que ele encara a minha boca como um animal faminto.

— Porquê? – Arqueio as sobrancelhas, tentando soar desafiadora e continuo a morder. O homem se mexe parecendo inquieto e suspira.

— Caralho mulher,não me provoque.

— Você sente vontade de me beijar? – Pergunto, fitando-o de maneira curiosa.

Seu rosto sujo e com alguns arranhões assume uma tonalidade avermelhada por trás da barba por fazer e isso não me passa despercebido. Espero que ele retruque alguma coisa e evite o assunto, mas me surpreendo quando ele alterna o olhar entre meus lábios e meus olhos, parecendo perdido. Estremeço.

— Sim, eu quero saber qual o gosto da sua boca.

Não posso evitar a surpresa e o constrangimento que me atingem, mas junto com eles, o desejo corrói minhas veias por dentro e atingem meu peito. Sem ao menos perceber, estou na mesma condição que ele, fitando seus lábios e olhos com total desejo estampado em meu rosto subitamente corado.

— Ah é? E porquê não faz isso?

— Eu não sou alguém pra se envolver assim. Eu não sei como encostar em nada sem quebrar, ou matar – Ele diz, sério – Eu não sou como o Glenn. – seus azuis infinitos perfuram os meus – E mais do que tudo, eu não estou preparado para te perder, Carol. Eu não me perdoaria se algo te acontecesse…

Aproximo meu corpo do seu, de maneira que possa sentir seu calor corporal e nossos lábios fiquem á centímetros um do outro.

— Nada vai acontecer comigo, Pookie, eu sei me cuidar – Digo, carinhosamente e continuo a emaranhar meus dedos em seus cabelos, querendo fugir do assunto por um motivo que nem eu mesma sei qual é – Qualquer hora, eu corto seus cabelos se quiser…

Ele ainda me olha sério, parece decidido a continuar com o assunto independente do que eu diga. Suspiro e me calo, afastando a mão e pousando-a na minha barriga.

— É sério Carol, você não tem ideia do que eu passei esse tempo todo longe de você, demorei muito pra te encontrar e acredite, nunca mais vou te perder de novo.

— Eu sei, não sei porque estamos tendo essa conversa.

— Porque eu não quero te iludir.

Solto um riso baixinho, pelo nariz. Em parte por seu tom de voz inocente e cuidadoso e em parte pelo simples fato dele achar que me iludiria.

— Daryl, você jamais poderia fazer isso comigo, pelo simples fato de que eu não sou mais uma garotinha boba e apaixonada de colegial e sei muito bem que beijos não significam promessas.

Ele me olha um pouco confuso e lentamente suas feições vão enrijecendo.

— Tem razão, eu sou um idiota por me preocupar…

Não lhe dou tempo para terminar, quebro a distância entre nós e o beijo. Não movo os lábios no início, ficamos assim por alguns minutos, até que sinto seus lábios tomarem a iniciativa de se mexerem e seus braços fortes agarrarem minha cintura. Meus pés se enroscam em seu tornozelo por baixo da calça e com as pontas dos dedos fazem uma espécie de carinho. Em resposta, ele leva uma das mãos para meus cabelos curtos e desgrenhados e emaranha os dedos neles, dando leves puxadas.

Nossos dentes se batem algumas vezes e mordemos o lábio um do outro ás vezes, mas mesmo assim, a sensação de estar nos braços de Daryl Dixon é incrível e poder sentir seus lábios tão desajeitados e ansiosos nos meus é maravilhoso.

Quando nossos pulmões começam a implorar por ar e não há mais jeito, nos afastamos e encostamos nossas testas ainda de olhos fechados. Desfrutando da sensação dos lábios um do outro.

— E então, gostou? – Pergunto, arfante.

— Muito melhor do que eu imaginava – disse ele roucamente – Mas eu te machuquei…

— Alguns arranhões nos lábios não fazem mal a ninguém e além do mais, eu sei que você nunca me machucaria de propósito.

Daryl assente. Ele se afasta para se ajeitar na cama e encostar as costas na parede,depois, me puxa pelo braço com mais delicadeza do que o normal e me deita em seu peito de maneira que possa ouvir seu coração bater acelerado no peito.

Ficamos por um tempo assim, calados, sentindo apenas o calor do corpo um do outro.

Depois de um tempo ele quebra o silêncio:

— Sua boca tem um gosto bom.

Não consigo conter a risada que escapou por meus lábios.

— Para de me elogiar, a menos que queira fazer amor comigo.

O caipira me responde em um muxoxo grosseiro. Sei que ele tenta parecer ignorante e indiferente, mas está com vergonha.

— Que Diabos,mulher, você só fala sobre sexo.

— Eu gosto de fazer amor – dou de ombros, rindo pelo nariz – Você gosta? Acho que faz muito tempo que eu não faço e tenho saudades.

Ele fica em silêncio e eu acho aquilo tão engraçado e fofo, que começo a rir mais ainda. Daryl parece um adolescente em seu primeiro contato com uma garota e aquilo me deixa ainda mais a vontade para perturbar ele.

— Pookie, você está bem? – quero saber, quando consigo controlar o riso. É tão boa aquela sensação de falsa paz, que me agarro com todas as forças a ela e me deixo levar.

Ele pigarreou, parecendo desconcertado.

— Percebi que na verdade nunca fiz "amor" com ninguém antes. Nunca me apaixonei e apenas fodia quando pagava.

— Um dia, quando essa merda melhorar, vamos passar horas em um quarto e eu serei sua primeira transa de amor – ele me olha sem entender quando estendo o dedo mindinho em sua direção.

Apenas dá tempo de ele cruzar nossos dedos e sorrir de leve pra mim, então, ouvimos um barulho alto vindo de algum lugar e nos erguemos imediatamente.

— Deixa que eu vou …

Ele se levanta e tira a besta das costas, mantendo ela em uma mão só. Seu rosto voltou para a carranca de seriedade de sempre e a realidade recai sobre nós como um bomba. Suspiro e passo a mão nos cabelos, fico também de pé e seguro a mão livre dele por alguns instantes antes de me afastar e sairmos do quarto. Durou tão pouco, porém, foi o suficiente para sentir o calor e acelerar meu coração.

Sussurro para ele na escuridão:

— Vamos juntos.

Notas finais
Estou tão feliz. Essa one ficou parcialmente pronta e rolando no meu Docs, então, é um alívio expor ela para o mundo .
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!