Notas iniciais
Aulas de física inspiram...

Convenhamos, eu nunca agi como uma garota. Meu celular era lotado de fotos de bundas femininas pra eu me masturbar depois. Minha mãe não ligava, era divorciada e meu irmão estava em Harvard. Meu pai raramente me via, estava comendo a sua colega de trabalho e sempre esquecia de me buscar na escola.

Voltando para a minha homossexualidade, aquela vadia da quinta série com decote causou isso, bem, eu fodo com garotas agora.

Shaimee entrou na oitava série quando eu gritei ao mundo que beijava meninas. Ela tinha uma suástica tatuada no ombro, gostava de Kiss, só tinha amigos homens – trinta, quarenta anos, eram artistas. Shaimee Aberdeen não falava com ninguém, assim como eu.

Foi num bordel, tempo depois, na divisa norte de Chicago, que a encontrei com um cigarro na mão na rua 37, já estávamos no segundo ano do médio. Assenti com a cabeça e abracei a minha acompanhante – Emelie, uma puta qualquer que migrou do Wyoming e que eu estava comendo há dois ou três dias.

Shaimee sorriu. Eu estava apaixonada por aquela garota de pele negra, olhos verdes e cabelos lisos. Desde a oitava série.

“Belos sapatos.” Eu disse, foi a primeira vez que falei com ela.

“Bela companhia.” Ela entrou no bordel mais próximo. Tragando aquele cigarro. Eu queria ser o cigarro. Queria ter a minha boca na sua.

Como todos os dias, levei Emelie para um beco e abri as suas pernas, enfiando dois dedos lá. Nós começamos a foder com vontade, sem fazer barulho, já que paguei a Emelie trezentos dólares para não gemer.

Eu já não me via mais trepando com outras garotas. Eu queria Shaimee.

“Esquece.” Joguei Emelie em uma parede e ergui as minhas calças. “Você é broxante, principalmente quando me chupa com essa boca de boqueteira”

Ela deu de ombros e enfiou os trezentos dólares entre os peitos siliconados. É estranho, eu rejeitando uma boa foda. Principalmente com Ems – se duvidar, todos da cidade já comeram ela.

Encolhi-me no meu suéter, encostei-me na parede externa daquele bordel. A música lembrava psicodelia – qualquer merda entre David Bowie ou MGMT, talvez uma folk atual remixada. Os jovens de hoje não sabem o que é um bom The Who.

Acendi meu cigarro em meio ao escuro. Traguei a droga e a fumaça queimou sorrateiramente a minha laringe. Eu sou tola.

“Eu andei te observando, Leeds...” Shaimee me chamou pelo sobrenome, passando sua mão esquerda na minha coxa.

“Eu também.” Sorri, entregando um cigarro em seus dedos. Ela piscou pra mim e enfiou o cigarro no bolso.

“Até a aula de física.” Ela deu de ombros e beijou o canto da minha boca.

Virou a esquina mais próxima andando lentamente. Ela acendeu o cigarro que eu a dei e, antes de sumir da minha vista, tragou-o sedutoramente e piscou novamente.

Eu a amo.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!