Shadow Touch

1 Prologo - Capítulo 1


Notas iniciais
Tenho boa parte da história já escrita e espero que gostem! ^^

Era uma noite de domingo. Johana estava com frio, mas esperava pacientemente o trem que nunca se atrasava.

Precisava levar logo os alimentos para a cidade ou sofreria consequências com o inverno se aproximando.

Suas mãos já começavam a doer por causa do peso das batatas, quando resolveu largá-las ao chão, com suas luvas puídas, começou a andar para um lado e para o outro na tentativa de aquecer-se, mas sabia que enquanto o trem não chegasse não conseguiria se sentir calma.

Olhou mais uma vez em seu pulso, 07h30min piscava em seu relógio.

Mais quinze minutos pensava, só mais quinze minutos.

Era uma mania terrível que tinha em sempre chegar cedo. Olhou para o céu na tentava de se distrair.

As estrelas brilhavam tanto que mal precisava das luzes perto dos trilhos para se enxergar ao redor.

Ainda sim, a assustava ficar sozinha perto da floresta. Todos a temiam, mas ninguém sabia ao certo o que se passava por lá, não havia ninguém curioso o bastante para descobrir. A verdade era que todos andavam tão ocupados que um dia a curiosidade pelos mistérios foi deixada de lado.

Chutou a pedra que estava ao seu lado, queria ter alguém agora para passar o tempo, mas todos que conhecia estavam assistindo “N.Y.C” na televisão, e tinham trago à comida para vender no dia anterior para não perder o programa.

Esses eram os dias que mais se sentia sozinha, mas negava absolutamente quando perguntavam.

07h43min piscou o relógio, mas cadê o trem? Nem sinal de luzes ou som. Só o vento que brincava com seu cabelo preto preso em um rabo de cavalo.Por um minuto ou dois paralisou, com as mãos fechadas em punhos.

Quase arfou quando começou a ouvir o barulho das rodas no trilho. Segurou os sacos com as batatas e esperou batendo com os pés na grama verde. O alivio a deixando mais calma.

O trem preto e barulhento parou e a porta se abriu. Acostumada a sua rotina, respirou três vezes e adentrou ao ar quente naquela noite de domingo no trem ricamente decorado com papéis de parede vermelho e suas cabines chiques a qual nunca ousou se acomodar.

Aquele trem não era para ela e tanto ela como os ricos que usufruíam do trem nesse exato momento sabiam disso. Mesmo assim fingiu ignorar, levantou os muros mentais em sua mente, e ficou em pé em frente à porta tentando não pensar nas duas horas de viajem até a cidade.

Assim que todos haviam entrado no trem e se acomodado – na verdade só ela havia entrado, mas por pura rotina demoravam em fechar a porta- o trem voltou a correr pelos trilhos.Primeiro lentamente e depois mais rápido alcançando uma velocidade constante.

Johana permaneceu em frente à porta. Se tivesse pelo menos algo para olhar pelo vidro a não ser escuridão, seria uma distração bem vinda.

No entanto, esta parecia ser a última coisa que tinha. Não estava alheia as fofocas e risadas baixas audíveis afinal. Tinha consciência que o muro pelo qual se escondia, na verdade, era feito de isopor.

Porque continuava com esse tormento não sabia. Com certeza era preferível pegar o trem na noite anterior, e todos da sua cidade pareciam saber disso. Mas achava inconcebível tornar-se alienada aos acontecimentos ocorrentes na Capital.

E o único meio de impedir isso era ir nesse horário, especificamente esse dia.

Olhou seu reflexo em frente ao vidro. As suas botas pretas sujas, seu vestido simples, o corpete que a deixava sem ar, e a jaqueta preta que pouco a esquentava.

Não era difícil perceber o abismo que havia entre ela e a classe social que tomava o lanche nas mesas atrás dela.

O trem continuava em seu movimento constante, sem mais paradas até a Capital. A localização de uma cidade a outra era enorme, não por coincidência. A distância, mesmo com os meio de comunicação tão eficientemente existentes dificultava protestos e rebeldia no centro político. Ainda sim era melhor que estar tão cômodo com a situação atual.

Suspirou quando uma risada feminina se excedeu em meio ao burburinho tirando-a do meio de seus desvaneios.

Procurou superficialmente a dona da risada, com a melhor cara de indiferença possível. Mas ao perceber vários pares de olhos a observando debochadamente, virou a cara calmamente ficando de costas.

Fechou os olhos e cerrou os dentes, os punhos tencionados, com as unhas curtas e sujas enterrada na palma da mão, os nós dos dedos brancos pela força usada.

E contou... Contou até que outra risada a fez parar, deixando seus sentimentos a ponto de explodir.

Normalmente conseguiria lidar com isso, mas seu dia tinha sido uma droga. Estava tão cansada de ter que pedir desculpas por ser quem era. De ser humilhada e ter que sorrir...

Notas finais
leeeeiam mais.. >