Shadow Moses
2 A Prima
Entrei no avião meio entediado. Nas minhas mãos se encontravam as pílulas calmantes que podiam, potencialmente, me fazer dormir. Propositalmente pedi meu assento bem longe de Alex e Hayle, que pareciam estar namorando desde a outra noite. Puxei meus fones e deixei o barulho ocupar minha cabeça, mas os minutos naquele espaço restrito pareciam horas extremamente desconfortáveis. Não que eu tivesse medo de avião, não era isso. Eu apenas gostava de espaço. Gostava de não me sentir obrigado a ficar sentado ou em pé. Gostava de decidir. Entretanto essa viagem, apesar da minha falta de vontade causada pelo meu amor a Itália era muito importante para mim e para Alex. Eu e Alex tinhamos uma banda quando ainda moravamos em Roma, logo depois que fugi da Alemanha. Alex era italiano com mãe inglesa e pai italiano. Quanto aos meus pais, ambos da Alemanha, talvez por isso o meu nome considerado tão estranho. Daya Strauss. Daya na verdade é o nome de uma ave de rapina, não sei porque os meus tão odiados pais gostaram. Talvez tinham a intenção de me deixar complexado.
Acordei em Los Angeles esfregando meus olhos e logo descemos daquela coisa. Parecia que minhas pernas estavam atrofiadas. Carregava minhas malas e minha guitarra. A única que trouxera, torcendo que pudesse voltar logo para Florença. Algumas garotas me encaravam e eu sorria. Sim, eu era anti-social, mas para a única coisa que desejava com qualquer mulher não era realmente necessário falar. -Reservou algum hotel, Alex? — Resmunguei baixo. — Não. Vamos ficar no apartamento da minha prima. Aquilo não me aliviou nem um pouquinho. A única prima de Alex que eu conhecia era Stacey e morar na casa dela seria a pior coisa possivel. Stacey era minha ex-namorada. Na verdade, na noite que iria pedi-la em casamento, encontrei ela e um cara que nunca vi na minha vida. Arrastei-a pelos cabelos para fora da minha casa.- O que está pensando, Daya, querido? — Hayle perguntou animada. — Nada. — Respondi ríspido. Paramos na frente de um prédio alto e espelhado. Alex e sua namoradinha pareciam extremamente felizes. Ao entrarmos, não reparei em absolutamente nada, pois nada daquilo me interessava. Não conseguia ver em Los Angeles a paixão que via em Florença. — Pegue o quarto que desejar. — Ele afirmou — Até onde eu sei, minha prima está na Rússia. Dei de ombros entrando em qualquer quarto. Acredito que entrei no quarto da prima de Alex pois ainda havia uma ou outra blusa feminina, além dos espelhos enormes. Olhei para o espelho e vi o reflexo de alguém que nunca vi. Vi os cabelos loiros picotados, vi os olhos verdes cheios de tédio. Vi a minhas tatuagens e a minha preferida, no final das contas era uma blasfemia: "I'd Rather Die For What I Believe Than Live A Life Without Meaning". Mas acima de tudo, vi que eu, Daya Strauss apenas sobrevivendo. Joguei todas as minhas coisas encima da cama. Não achei que a dona da cama se preocuparia. Afinal, ela devia estar na Rússia. — Daya, eu e a Hayle estamos saindo. Até mais tarde. — Alex berrou da sala — Ok. — Respondi. Abri os armários e sem pressa arrumei as gavetas, dividindo cor por cor. Peguei os meus casacos, geralmente usados no frio intenso do inverno alemão e o italiano, mas como o bom desajeitado que sou, fiz com que tudo caisse. Não sei se foi por azar ou por destino, mas a madeira do fundo do armário se abriu e deixou a mostra uma vitrine com algo que jamais pensei ver. — Mas que porra é essa? — Falei embasbacado olhando a grande coleção de armas. Eu nunca fui grande entendido de armas e ao ver aquela pequena coleção, admito que de muitas nem sabia o nome, fiquei muito impressionado. As poucas que eu sabia o nome era porque os personagens de Resident Evil usavam. — Curioso. Muito curioso... — Murmurei. Na verdade, aquilo despertou minha curiosidade. Curiosidade sobre a prima de Alex. Toquei o vidro e a agulha, sem querer, acabei cortando na agulha. Esta se recolheu e o vidro piscou em vermelho e pude ler "DNA Incompativel". Tenho certeza que a expressão que se formou no meu rosto foi dúvida e constrangimento. A casa não era minha e eu havia mexido em lugares que não deveria. No entanto, o mesmo incidente aguçara profundamente minha curiosidade. Fechei o armário e me certifiquei que não havia mais ninguém em casa. Procurava por qualquer informação. Encontrei algumas correspondencias endereçadas a Catherine Dampsey. Presumi que fosse seu nome, já que ela era a dona do apartamento. Segui e procurei por fotos. Após longos minutos, encontrei. A garota era dona de olhos azuis, com um formato felino, lábios rosa e cheios, pele tão clara que quase duvidei que ela pudesse morar em Los Angeles e longos cabelos castanhos, na altura das costelas. Olhando para foto, suspirei e como se falasse com uma pessoa real, perguntei: — Catherine Dampsey, quem é você?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
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