Sexy and Hot
1 De Uma Forma Incontrolável. Parte I
Notas iniciais
O despertador tocava incessantemente desde as 07h00min da manhã. Já haviam se passado meia hora, e nada do garoto, que ainda estava dormindo em sua cama, resolver se levantar. Mikasa assim que viu que o irmão já estava atrasado, correu escada acima e abriu a segunda porta do corredor. Entrou no quarto, desligou o barulho irritante do despertador e puxou o lençol de cima do moreno.
– Eren, levanta! Já está atrasado.
– Só mais dez minutos... – Resmungou ainda sonolento, virando o rosto para o lado oposto da morena.
– Não. Vai levantar agora! Se esqueceu que dia é hoje?
Eren levantou um pouco a cabeça, ainda sonolento, para olhar a irmã que estava com uma sobrancelha arqueada e os braços cruzados.
– Que dia é hoje? – Perguntou receoso.
Mikasa revirou os olhos e puxou um calendário que ficava em cima do criado-mudo ao lado da cama de solteiro.
– Não é o seu primeiro dia no trabalho?
Virou o calendário ao irmão, este, assim que viu, arregalou os olhos e praticamente pulou da cama.
– Puta que pariu!
Entrou direto no banheiro para fazer sua higiene matinal e tomar um banho rápido. Saiu poucos minutos depois, vestindo uma calça social preta e com uma toalha pendurada no pescoço, impedindo que os pingos d’água que caíam de seus cabelos castanhos, não fossem para suas costas. Olhou para a irmã que ainda lhe lançava um olhar irritado e pediu com delicadeza, juntando as palmas das mãos e sorrindo um pouco:
– Mikasa, me desculpe, mas pode fazer algo rápido para eu ir comendo?
A morena bufou diante da irresponsabilidade do irmão. Tinha arranjado esse emprego há poucos dias e não sabia como ele já havia esquecido. Afirmou com a cabeça e saiu do quarto, indo em direção à cozinha. Estava brava, mas não podia negar um pedido daqueles. Principalmente vindo de seu amado irmão.
Eren tentava se arrumar o mais depressa que podia, tinha que estar na empresa as 08h30min em ponto. Não conhecia seu chefe, mas pelo o que havia ouvido falar, este era bastante rigoroso. Terminou de ajeitar a camisa social bege clara que usava e saiu do quarto sem nem se olhar no espelho. Desceu rapidamente as escadas e foi direto para a cozinha, vendo que no balcão já havia uma tigela separada com algumas frutas cortadas e um prato com torradas, junto a um copo, bem servido, de café. O moreno ia pegar só as torradas para ir comendo no caminho quando ouviu Mikasa o chamar.
– O que foi agora? – Eren perguntou enquanto a irmã se aproximava.
– Pode estar atrasado, mas isso não significa que vai sair sem se alimentar.
– Mas eu já estou comendo! – Apontou para o pão que havia na boca.
– Comer direito!
– Mas Mikasa...
– Sem “mas”. Vai sentar e comer tudo.
Puxou o irmão pela mão e começou a arrastá-lo de volta para a cozinha. Eren, derrotado, sentou em frente à bancada e começou a comer. Sabia que não adiantaria nada discutir com a morena, no final das contas ela sempre ganhava. Comeu até em um ritmo normal, considerado “aceitável” pela irmã. Logo depois se despediu e saiu de casa, indo pegar o metrô. Ainda não havia tirado a carteira de habilitação, então por enquanto teria que usar os transportes públicos.
Depois de vinte minutos dentro de um metrô bastante cheio e abafado, Eren conseguiu chegar ao grande prédio da S.N.K., uma grande empresa que investe em tecnologia. Uma das maiores do país. E era com grande honra que iria trabalhar nela. Assim que entrou no prédio, foi atrás da recepcionista do local, era uma garota ruiva, bem bonitinha. Se chamava Petra. Era a mesma que o havia atendido da última vez que estivera na empresa.
– Bom dia Petra. – Falou assim que chegou perto da moça.
– Bom dia Eren. Dez minutos atrasados para o primeiro dia? – Perguntou divertida.
– Ah... Me atrasei um pouco. – Falou enquanto coçava ligeiramente a nuca. A garota riu e lhe entregou alguns papéis.
– Aqui estão. É um mapa geral do prédio, e também algumas informações importantes sobre a empresa. Para lhe ajudar. – Sorriu gentil e se levantou da cadeira, saindo de trás do balcão em que estava e indo para o lado de Eren. – Vou lhe mostrar onde irá trabalhar.
– Muito obrigado. – Sorriu, retribuindo a gentileza da ruiva.
Petra o guiou pelo térreo, o mostrando as alas básicas do prédio como o refeitório, banheiros, salas administrativas, recepções e alguns outros departamentos básicos a todos. Chegaram até os elevadores, onde tinham poucas pessoas, e subiram até o vigésimo andar, onde iria trabalhar. Ao chegarem ao andar determinado, percebeu que ali havia bem menos pessoas que os demais andares. Por conta disso, era bem mais silencioso e agradável. “Sorte a minha pegar um local assim”. Pensou Eren, enquanto caminhavam até uma das salas do local. Petra logo entrou na sala junto do garoto, indo falar com a única pessoa que havia dentro desta. Uma mulher morena de óculos meio arredondados, com os cabelos castanhos presos em um rabo de cavalo um pouco mal feito, mas isso não tirava a elegância de suas roupas. Uma saia social verde-escuro que fazia conjunto com o blazer igualmente verde, combinando com a blusa, não social, lisa branca que ela usava.
– Hanji, trouxe o garoto que irá começar a trabalhar conosco a partir de hoje. – Falou chamando a atenção da mulher.
– Ah Petra! Muito obrigado, pode ir agora. Cuidarei dele.
A ruiva assentiu e se retirou da sala, dando um leve acenar em despedida com as mãos.
– Então você é o Eren Jeager não é?
Eren, que até o momento estava um pouco desfocado da conversa, voltou-se a Hanji e assentiu com a cabeça enquanto falava.
– Sim, sou eu. Prazer em conhecê-la. Sr.ª Hanji... Certo? – Esticou a mão direita em sinal de cumprimento.
– Sim, mas sem a “senhora”. Não sou velha! – Falou enquanto retribuía o aperto de mãos. Fazendo com que Eren risse um pouco da espontaneidade e simpatia daquela mulher. – Petra já lhe entregou os documentos básicos?
– Já sim. – Mostrou os documentos que a ruiva havia lhe entregado quando chegou. Hanji deu uma rápida olhada e lhe devolveu.
– Então está tudo certo. – Sorriu vendo o moreno lhe retribuir. – Bom, sabes o que veio fazer aqui certo?
– Auxiliar o dono da empresa...
– Exatamente. Vai ser, basicamente, seu braço direito. Vai fazer o que ele te pedir, ir a reuniões e lhe dar conselhos sobre decisões administrativas.
– Sim, estou ciente disso.
– Ótimo! Então vamos lá.
Desencostou da mesa em que estava e puxou Eren pelo braço, o levando para fora de sua sala.
– Olha, não liga se ele estiver de mau humor ok? É só que ele chegou de uma viagem exaustiva ontem e não descansou quase nada. Então... É.
– Viagem de quê? – Perguntou curioso.
– Ele foi para nossa filial na Itália. Ah! Devo lembrar que como seu auxiliar, você vai ter que ir nessas viagens se necessário. Não tem nenhum problema né? – Falou enquanto apertava mais ainda o braço de Eren.
– Ah... Ta ok. Só tenho que avisar a minha irmã.
– Ótimo!
Depois de atravessarem quase o vigésimo piso inteiro, chegaram em frente a uma sala que não tinha janelas, nem era feita de vidro, como a maioria do local. Isso, olhando de fora. Hanji bateu suavemente na porta de madeira escura. Não esperou a resposta do outro lado, entrou direto no cômodo, puxando o garoto consigo, sem se incomodar com o olhar fulminante de seu chefe.
– Levi, bom dia!
– O que é que você quer quatro-olhos? – Falou a fuzilando com o olhar. Odiava quando a morena entrava sem nem ao menos se dar o trabalho de bater. Dessa vez, por um milagre, ela teve a decência de “avisar” que estava entrando. Mas isso não diminuiu a raiva que sentia.
– Sempre tão simpático. – Brincou irônica, recebendo mais um olhar mortal do moreno. – Vim lhe apresentar seu novo auxiliar! – Falou apontando para Eren.
Eren, por si, só queria poder se socar. Aquilo poderia acabar mal. Muito mal. Não sabia qual era a relação daquele homem que estava a sua frente com a morena, porém, para um primeiro dia de trabalho, chegar atrasado, entrar na sala do chefe com a maior falta de educação possível e ainda receber seu olhar fulminante... Era para no mínimo ser despedido. Lembrou-se de seu último trabalho, onde algo parecido aconteceu e foi despedido no mesmo instante. Será que poderia botar a culpa em Hanji?
– Oe, garoto. – Foi tirado de seus pensamentos quando ouviu a voz de Levi o chamar.
– Sim? – Falou um pouco receoso.
– Como se chama?
– Eren Jaeger.
– Alemão?
– Sim. – Falou achando o rumo da conversa muito natural.
– Hum. Eren vá ao quinto andar, e peça para alguma das recepcionistas mandarem alguém da equipe de limpeza vir deixar alguns produtos aqui.
– Hã? Desculpe, mas... Como é? – Eren estava completamente em dúvida. O que ele tinha haver com a equipe de limpeza?
– Está surdo ou preciso repetir? – Arqueou uma das sobrancelhas e cruzou os braços.
– Não é isso, é só que –
Hanji, que até agora havia ficado quieta, não aguentou e começou a rir histericamente. Impedindo que o garoto continuasse. Ela ria e batia a mão na mesa de Levi constantemente, enquanto Eren continuava com o semblante em dúvida, sem entender nada.
– Bem... Podem me explicar? – Pediu com um sorriso torto.
– Desculpe querido. – Falou Hanji indo para o lado de Eren. – É só que... – Riu um pouco mais antes de continuar. – O Levi tem um pequeno “problema” quando o assunto é limpeza. E eu pedi que limpassem essa sala ontem, mas...
– Chamam isso de limpeza? – Levi falou sentindo uma veia pular em sua testa. Passou o dedo em uma das estantes da sala, vendo-o com resquícios de poeira, fazendo a morena rir mais ainda.
– É, parece que não agradaram. Então é isso Eren, boa sorte!
Saiu da sala, deixando os dois homens sozinhos. Um em específico, abismado. Se Eren tinha entendido bem... Ele ia ter que limpar aquela sala?! Sério isso? Ele foi contratado para a equipe de limpeza ou para ser auxiliar do dono da empresa? O moreno já sentia a raiva subir-lhe a cabeça. Sabia que iria fazer besteira, mas não poderia aturar aquilo de boa vontade. Ah, mas não ia mesmo.
– Eu fui contratado para o que mesmo? – Perguntou olhando fixamente nos olhos cinza de Levi.
– Como é? – Respondeu com outra pergunta, semicerrando os olhos.
– Pelo o que eu saiba, vim para cá lhe auxiliar e não fazer faxina.
– Então é isso. Humpf.
Levi se levantou da cadeira em que estava sentado e foi em direção a Eren, enquanto este não demonstrava recuou ou estar intimidado. O moreno sorriu minimamente com essa reação. Chegou mais perto, agarrando a gola da camisa do garoto, puxando-o para que ficasse na altura de seu rosto e dizer quase em um sussurro, porém ameaçador:
– Entenda uma coisa: aqui você recebe as minhas ordens. Então se eu lhe mandar se vestir de empregada e fazer limpeza enquanto me chupa, você irá fazer pirralho.
– O-o-o quê?! – Eren arregalou os olhos e se afastou bruscamente ao ouvir a última parte. Quem aquele cara pensa que é?!
Levi riu um pouco com aquela reação tão brusca. E voltou a se aproximar do garoto, que agora se afastava cada vez mais.
– Se não quiser que algo do tipo lhe aconteça... Me ajude no que eu precisar. Afinal foi contratado para isso. –Sorriu de canto ao ver que o garoto estava em um misto de fúria e vergonha. – Espero que estejamos entendidos.
Levi saiu de perto de Eren e voltou a sentar-se na cadeira em que estava, observando o garoto praticamente o fuzilar com os olhos e sair da sala. Assim que o garoto saiu, Levi voltou a ler os documentos que estavam em sua mesa, enquanto esperava pacientemente o garoto voltar.
Eren estava fulo. Não acreditava que tinha sido rebaixado até aquele ponto. Tudo bem que era o dono de uma das maiores multinacionais do mundo e também seu chefe, mas... Precisa ter falado daquela maneira?! O problema maior é que sabia que não poderia revidar. Teria que ser paciente e controlar, à todo custo, seu gênio. Chegou até o quinto andar, como foi lhe mandado, e chamou diretamente uma das pessoas que cuidava da limpeza. Ela pegou alguns produtos, junto com vassouras e rodos. E os entregou junto a Eren na sala de Levi.
Este, assim que viu o moreno chegar com os “equipamentos”, dispensou a mulher e botou o garoto logo para trabalhar. Eren tinha ficado com a parte de varrer e encerar o chão, enquanto Levi havia ficado com os móveis em geral. Agora que Eren parava para analisar, aquela sala era enorme. Era toda fechada, com exceção da parede de vidro que pegava toda a extensão da parte que dava para o lado de fora da sala. Não para dentro do prédio, e sim para fora. Dando uma iluminação natural muito bela para o cômodo, que variava entre o branco, o preto e o cinza de suas paredes e seus móveis. Mesmo com cores escuras, a que predominava era o branco, então a sala não parecia morta, e sim muito elegante. Provavelmente teria sido o próprio Levi a organizá-la.
Passado algumas horas de serviço árduo, e trocando pouquíssimas palavras com Levi, Eren finalmente havia acabado. Estava exausto, não sabia que o outro poderia ser tão exigente quando o quesito era limpeza. Sentou-se em uma das cadeiras da sala, olhando para o trabalho que havia feito. Estava até bem mais bem feito do que quando fazia em sua casa com a irmã. Foi retirado de seus pensamentos quando viu Levi chegar perto de si e lhe entregar um copo com água, sentando-se na cadeira ao lado da sua. Eren agradeceu pela água e a bebeu de uma só vez, sentindo o alívio da garganta ao sentir o líquido gelado e refrescante passar por ela.
– Bom trabalho pirralho. Obrigado.
Eren quase se engasgou com o agradecimento repentino do moreno. Não imaginava que ele poderia ser gentil.
– Ah... N-não há de que. – Eren se virou para o moreno e passou a mão ligeiramente nos cabelos. Olhando dentro daqueles olhos cinza profundos.
Levi deu um pequeno sorriso de canto e maneou um pouco a cabeça, reforçando o que disse. Viu Eren lhe observar por uns instantes e depois corar um pouco, virando o rosto rapidamente para o outro lado. Não entendeu o motivo e ficou até curioso em perguntar, mas ao olhar a hora em seu celular, resolveu ignorar.
– Já pode ir garoto.
– Já? Não saio às 18h? Ainda são 17h25min. – Falou conferindo o horário em seu celular.
– O quê? Quer ficar ainda aqui comigo? – Perguntou lhe lançando um de seus sorrisos sarcásticos.
– Na-não é isso! Só não quero pagar hora extra depois! – Virou novamente o rosto sentindo as bochechas esquentarem. Aquele cara não tinha vergonha em dizer coisas desse tipo não?!
– Humpf, que seja. Não irá pagar hora extra por isso. Só irá pagar se sair sem eu lhe dispensar. Mas hoje você fez mais do que deveria, e me ajudou a terminar isso bem mais rápido do que previ, por isso estou lhe dispensando mais cedo.
Se levantou e foi andando até sua mesa, pegando alguns papéis e um cartão, anotando algo que Eren não pode identificar, no verso.
– Além disso, estou cansado. Não dormi quase nada ontem quando cheguei e hoje ainda tive que arrumar a merda desses incompetentes. Tch. – Eren riu um pouco com o comentário do moreno sobre a equipe de limpeza. – Aqui está. – Falou entregando os papéis que havia pego, a Eren. – Esses são alguns documentos que duas filiais me mandaram sobre o rendimento das empresas nesses países. Quero que dê uma olhada e veja o que pode ser melhorado e o que pode ser descartado.
– Está bem. – Pegou os papéis e foi até sua pasta guardá-los.
– E atrás desse cartão está meu número pessoal. Caso tenha dúvidas ou precise de algo, pode me ligar.
Entregou o cartão a Eren, e esse logo o guardou em seu bolso.
– Acho que eu já vou indo então. Obrigado senhor. – Falou cordialmente antes de pegar suas coisas e se dirigir a saída da sala.
– Só Levi está bom. Não precisa de tanta formalidade Eren.
– Ah... Então até amanhã Levi. – Sorriu ao moreno, que estava escorado em um móvel e lhe acenou um tchau. Logo indo embora de vez daquela sala, sem escutar o “até amanhã” proferido por Levi.
Assim que saiu do prédio, correu até a estação de metrô. Aquele horário era a famosa “hora do rush”, então teria que se apressar se quisesse pelo menos entrar no mesmo, e tentar fugir da confusão que era para entrar no transporte naquele horário. Conseguiu chegar a tempo de ver um metrô saindo e levando consigo muitos passageiros apressados em voltar a suas respectivas casas. Por causa disso a estação ficou bem mais vaga, o que era um grande alívio para si. Sentou em um banco da estação e ficou esperando o próximo metrô chegar. Vendo que este chegou pouco mais de dez minutos depois.
Depois de quase meia hora dentro do transporte, Eren finalmente chegava em casa. Sua barriga reclamou ao sentir o cheiro de lasanha vindo da cozinha, não tinha comido nada direito desde a hora que saiu de casa. É nessas horas que agradecia a insistência da irmã com sua alimentação.
– Eren, chegou cedo. – O viu entrar em casa e lhe deu um ligeiro abraço.
– Foi porque me dispensaram mais cedo.
– Não fez nada de errado para que o dispensarem mais cedo não, né? – O olhou repreensiva.
– Lógico que não! Foi o meu chefe que resolveu me dispensar mais cedo.
– Hum. Está bem então. – Sorriu um pouco e voltou para a cozinha sendo seguida por Eren. – Como foi seu primeiro dia?
– É... Foi bem... Eu acho. – Coçou um pouco o queixo lembrando-se dos acontecimentos daquele dia.
– Eu acho? – A morena arqueou uma sobrancelha e botou as mãos na cintura. – Eren...
– Calma Mikasa, não foi nada demais.
– Então o que houve?
– Eu te conto enquanto comemos. Estou morrendo de fome.
Mikasa sorriu um pouco e serviu a lasanha de frango que havia feito pensando no irmão. Era um dos pratos preferidos dele. Durante o jantar Eren contou todo o seu dia a irmã. Desde o momento em que chegou a falar com Petra, até o momento em que saiu pela porta da sala de Levi. Não escondeu nenhum detalhe da irmã, afinal, não tinha razão para isso. Ao fim da estória, Mikasa estava rindo. Ela ria das caretas que o irmão fizera e mais ainda das frases nada castas de Levi.
– Ele poderia entrar no ranking de “chefes escrotos”. – A morena comentou rindo mais ainda, vendo o moreno rir junto.
– Pior que é.
Eren se levantou da mesa em que estavam e se espreguiçou, levantando as mãos para o alto.
– Está cansado? – Perguntou a garota.
– Um pouco. Vou subir, tomar um banho e ver alguns documentos que Levi me pediu que visse.
– Hum... Ok. Então vou ajeitar as coisas aqui e depois vou dormir.
– Boa noite Mikasa. – Falou começando a subir as escadas.
– Boa noite Eren. – Ouviu a irmã falar antes que adentrasse o quarto.
Estava exausto, tinha trabalhado muito mais que o normal, e ainda tinha que checar os documentos. Sua sorte é que ainda estava cedo. Eram 20h ainda, então teria tempo. Com esse pensamento, foi tomar um banho rápido, mas relaxante. Vestiu uma calça de moletom branca e sentou-se em frente à mesa do computador, começando a ler os documentos, apontando tudo o que lhe foi pedido. Não precisou ligar para Levi, já sabia tudo o que deveria fazer.
Algumas horas depois, finalmente terminou seu serviço. Deitou-se na cama espaçosa que tinha em seu quarto, enfiando o rosto no travesseiro, sentindo seu próprio cheiro. Com isso, Eren acabou perdido em pensamentos sobre aquele dia tão anormal para si. E principalmente na causa dele. Lembrou-se do momento em que Levi foi gentil consigo, algo que não parecia ser de seu feitio. Foi naquele momento que Eren prestou atenção no moreno, não nele como seu chefe, mas sim como a pessoa que ele era. Levi era um homem muito belo, era um pouco mais baixo que o normal, mas isso não tirava sua beleza. Seu rosto era másculo, mas nada exagerado. Seus olhos de um cinza tão profundo e hipnotizante era de tirar todo o fôlego que tinha. Além do físico que parecia ter sido esculpido nos mínimos detalhes, não viu, mas imaginava...
“O que, diabos, tu tá pensando Eren?! Ficou maluco?!” – Se repreendeu mentalmente ao perceber seus pensamentos tão libidinosos. Ficou se remexendo na cama até conseguir pegar no sono.
No dia seguinte Eren, finalmente, conseguiu acordar ao som do despertador. Fez tudo o que deveria fazer naquela manhã no tempo certo, totalmente diferente da correria do dia anterior. Depois de tomar o café da manhã, que por acaso (ou não) estava bem mais reforçado que o normal, Eren saiu de casa e foi pegar o metrô. Por ter saído mais cedo, o transporte estava bem menos lotado. Não tinha pego nenhum lugar apertado nem abafado, o que era ótimo.
Entrou no prédio da empresa, dando um rápido “bom dia” à Petra. Dessa vez não seria necessário à ajuda dela para achar sua sala. Esta que na verdade era de Levi, mas como teria que ficar o tempo todo falando com ele sobre os assuntos da empresa, acabou ficando na mesma sala que seu chefe. Assim que chegou a seu andar, encontrou Hanji conversando com Levi e lhe entregando uma xícara de café. O moreno parecia ter chegado naquele momento.
– Bom dia Eren! – Falou acenando com a mão, como se o garoto estivesse a quilômetros de distância.
– Ta dando bom dia para alguém que está na Austrália, ou na sua frente? Tch. Ah, bom dia. – Levi também o cumprimentou, mas sendo bem mais discreto que Hanji.
– Bom dia... – Não sabia que reação deveria ter, então foi apenas natural.
– Eren, terminou o que te pedi?
– Ah, sim! Está tudo aqui.
– Ótimo, irei avaliar as suas ideias de melhoria e se tudo der certo, utilizá-las na reunião de hoje. Vamos.
O chamou indo em direção a sua sala. Eren passou por Hanji dando um leve aceno com a mão e seguiu Levi até a sala do mesmo, começando seu realmente “primeiro dia” de trabalho.
~¨~
Eren estava sentado em uma das mesas da sala de Levi, mexendo nos documentos do computador. Sabia que o antigo assistente do moreno havia feito besteira – merda –, e o moreno tinha pedido que revesse algumas coisas para si. Já estava com dor de cabeça por ter ficado tanto tempo olhando aqueles documentos antigos, principalmente por ter forçado a vista naquela tela. Levi estava fazendo o mesmo, porém com os mais documentos mais novos.
O silencio que havia tomado conta da sala não era incomodo, na verdade era até agradável. Mas Eren queria perguntar algo a Levi desde ontem, e aquele momento era perfeito.
– Eh... Levi.
– O que? – Levi parou momentaneamente o que estava a fazer e olhou para o garoto.
– É só uma pequena dúvida... Porque quando lhe dirigi com falta de respeito ontem, não me demitiu?
– Porque eu te mandaria embora só por causa daquilo? – Respondeu com outra pergunta, parando de vez o que estava fazendo e fitando Eren.
– Bem... É só que na última empresa em que estive, eles me demitiram por conta do meu gênio. – Fez uma leve careta e passou a mão no cabelo. Mostrando que estava um pouco sem jeito.
O moreno de olhos cinza cruzou os braços em frente ao peito e mirou Eren, olhando diretamente em seus olhos verdes.
– A maioria das pessoas querem cachorros bem treinados, obedientes e com pedigree. Eu prefiro vira-latas. São bravos e impulsivos, sabem o que querem e não se deixam ser domados tão facilmente. Esses são bem mais interessantes. – Dito isso, deu seu famoso sorriso de canto, vendo Eren corar um pouco.
Eren piscou os olhos algumas vezes processando a informação. Ele disse que preferia a ele, a qualquer outro que se portasse como um cachorrinho bem treinado? Ok, a comparação tinha sido um pouco incomum, mas... Era isso mesmo? O moreno de olhos verdes corou mais ao constatar aquilo. Sem lhe dar resposta, virou o rosto para o lado oposto de Levi e tentou se concentrar no que fazia antes de lhe perguntar qualquer coisa.
Levi ainda o observou por um tempo, aproveitando a distração do garoto. Voltou pouco tempo depois a seus afazeres, afinal, ainda tinha que resolver alguns assuntos pendentes com as filiais. Se passado poucas horas, o moreno viu que o expediente do garoto já havia acabado. Na verdade, já estava passando do horário, mas nenhum dos dois pareceu perceber. Levi o dispensou e novamente se viu a observá-lo quando Eren passou pela porta, dando um típico aceno de “até mais”.
Assim que se encontrou sozinho na sala, arrumou suas pastas e todos os documentos necessários dentro de uma maleta que levava. Tudo bem organizado. Saiu da sala e se despediu da amiga, Hanji, logo após descendo até o térreo, onde havia estacionado seu carro. Dirigiu até um bairro mais afastado do grande centro da cidade. Gostava de locais mais calmos, e aquele bairro residencial era perfeito. Estacionou o carro no estacionamento do condomínio onde morava, para logo depois subir até o último andar, chegando finalmente em casa.
Depois de preparar algo rápido para jantar e tomar um bom banho, Levi começou o trabalho que havia levado para casa. Não gostava de acumular tarefas, então o melhor seria começar logo. Enquanto olhava alguns documentos, viu que os mesmos tinham algumas anotações de Eren, apontando alguns projetos em específico, facilitando e muito seu serviço. Parou por uns segundos analisando a grafia, lembrando-se de quem pertencia. Uma coisa tinha que admitir: o pirralho tinha chamado sua atenção. Eram pouquíssimas as pessoas que lhe chamavam a atenção com tanta facilidade. Não sabia dizer ao certo o que ocasionou aquilo, mas seu jeito de ser, o carisma e até mesmo a maneira impulsiva que tratava de algumas coisas, havia lhe interessado. Além disso, outra coisa que havia lhe prendido a atenção, tinha sido seus olhos. A cor vibrante e bela daquele verde era simplesmente cativante. A maneira como ele se expressava com os olhos eram fascinantes.
O moreno foi retirado de seus pensamentos quando ouviu o barulho do seu telefone, olhou o nome no ecrã e viu que se tratava de Hanji. Suspirou cansado e botou os papéis de lado, indo atender o celular. Provavelmente aquela noite ia ser longa e cansativa. Cansativa para seus ouvidos.
~¨~
~Algumas semanas depois~
– Oe Eren! Já está pronto? – Perguntou Levi pegando em sua mala de mão e guardando seu computador dentro do mesmo.
– Ah, sim! Só estou mandando uma mensagem para minha irmã.
– Outra? Já deve ter mandando umas quinhentas desde que chegaste na empresa. – Revirou os olhos, lembrando que desde que o garoto chegara de manhã, a cada 5 minutos ele recebia uma mensagem nova de Mikasa. Sem exageros.
– Pronto, vamos.
Eren guardou o celular no bolso e pegou a mala que iria levar. Estava um pouco pesada, mas nada que não pudesse carregar. Levi também levava a sua, mas esta parecia bem mais cheia. O moreno de olhos verdes não entendia o porquê de Levi levar tanta coisa. Só iam passar três dias fora! Os dois saíram da sala do mais velho e foram para o elevador, descendo até o térreo, onde iriam encontrar Hanji. A morena já os aguardava ao lado do carro.
– Que demora! Ficaram fazendo o que lá em cima? – Perguntou Hanji jogando um sorriso sacana para cima dos dois.
– Nada do que pensas. – Cortou Levi.
– Levi é tão chato... – Abriu um bico, fazendo Eren rir e Levi revirar os olhos.
O homem de olhos cinza abriu o porta-malas e guardou todas as bagagens dentro da mesma. Eren logo entrou no carro indo para o banco de trás, sem perguntar se alguém preferia ir lá.
– Leviii! Me deixa dirigir?
– Não. – Respondeu seco. – Não quero morrer hoje.
– Mas sou eu quem vai voltar com o carro.
– Então morra sozinha quando voltar.
Entrou no carro e sentou no banco do motorista, vendo a morena rir e logo sentar no banco ao seu lado.
Há alguns dias atrás, Levi recebeu uma ligação de Erwin Smith, o dono de uma empresa afiliada a S.N.K . Este estaria promovendo um congresso com todas as empresas daquele ramo, e Levi precisaria estar nela. Resolveu levar Eren consigo, já que este poderia ser de grande ajuda. O congresso aconteceria no país sede da empresa de Erwin, nos Estados Unidos. Mais especificamente, no Colorado, aproveitando o tempo frio daquele período de começo de ano.
Nesse momento, os três estavam a caminho do aeroporto para que os dois homens, pudessem pegar o avião. Hanji só havia ido para levar o carro de Levi de volta. Afinal ele não o deixaria no aeroporto. Chegaram ao local pouco mais de 30 minutos de estrada. Despacharam as malas, fizeram o check-in e agora só faltava o avião chegar. Assim que conseguiram resolver tudo, Hanji se despediu dos dois e disse que não poderia ficar para esperar com eles, pois ainda teria muito trabalho a fazer.
Depois de um bom tempo de espera, o avião chegou. Aquela porcaria tinha atrasado quarenta minutos, não é incomum, mas é de estressar qualquer um. Por causa disso, Levi já estava com aquelas duas veiazinhas pulsando em sua testa, enquanto ouvia as desculpas da companhia aérea. Pouco depois entraram no avião e finalmente puderam partir.
A viagem havia sido tranquila, muitas horas de voo, mas tranquila. Do aeroporto, foram direto para o hotel em que haveria o congresso. Levi preferiu reservar um quarto naquele mesmo hotel, dessa forma não teria perigo de se atrasarem, nem teriam gastos com táxi ou com aluguel de carro.
Durante o dia todo, os dois quase não trocaram palavras. Principalmente por parte de Eren. Este, desde um tempo atrás, vinha se sentindo estranho quando estava perto do moreno. Sua mente não trabalhava direito, sua atenção era desviada facilmente para ele, seu coração palpitava só com uma mísera aproximação e seu corpo agia estranhamente ao mínimo toque... Aquilo era assustador para si, parecia até uma doença. Não sabia dizer o que era, mas sua intuição dizia que o melhor era ficar longe, o máximo que pudesse. Até agora tinha conseguido disfarçar bem, o que era incrível até para si mesmo, mas por precaução, o melhor era manter distância.
Naquele mesmo dia haveria o congresso, Levi e Eren já estavam no hotel se arrumando e quase prontos para irem ao salão principal. Pelo menos Eren estava quase pronto. Levi já o esperava perto da saída.
– Eren, vamos? – Perguntou Levi, já abrindo a porta para saírem do quarto.
– S-sim! – Deu uma última arrumada na gravata e saiu do quarto, sendo seguido por Levi.
Eren estava bem nervoso, seria o primeiro congresso que participaria. Principalmente por ser à frente de várias pessoas importantes naquele ramo. E sabia que muitos tentariam derrubar uns aos outros nas palavras. Levi ao perceber o nervosismo do rapaz, o segurou pelo braço e o parou. O garotou olhou para Levi confuso, não entendo o porquê da súbita parada.
– Eren, não precisa ficar nervoso. Eu sei que é seu primeiro congresso e que também terá muitas pessoas fúteis e que tentarão te rebaixar, mas não ligue para isso. Como falei, são um bando de idiotas que só querem dinheiro.
Eren o olhou abismado. Por acaso lia mentes?!
– Eren? – O chamou quando o garoto não o respondeu.
– Ah, desculpe... Obrigado Levi. – Sorriu ao mais velho e corou um pouco ao constatar que ele ainda segurava seu pulso.
– Humpf, não há de que. Vamos. – Soltou o pulso de Eren e voltou a caminhar em direção ao salão principal.
Eren esperava, sinceramente, que Levi tenha achado que seu nervosismo era só por conta do congresso. Mas por trás disso, tinha outro motivo. Levi havia pedido um quarto para eles. Digo: um único quarto para os dois. Ou seja: teriam que dividir o mesmo cômodo durante duas noites. Isso estava deixando Eren cada vez mais nervoso, afinal não sabia se iria conseguir ficar no mesmo quarto em que o moreno, sem dar pistas do que estava havendo consigo.
Assim que chegaram ao salão principal, foram recebidos pelo anfitrião do congresso, Erwin. O loiro estava acompanhado de Mike, seu assistente.
– Levi! Você veio no final das contas. – Falou sorrindo ao moreno.
– E podia não vir? – Arqueou uma das sobrancelhas, olhando diretamente para o loiro a sua frente que ria de sua expressão.
– Já sabe a resposta.
– Tch. Isso é um saco.
Chamou um dos garçons que estavam passando por entre o salão com bebidas e pegou um vinho branco para si, dando outro a Eren.
– E este é? – Erwin perguntou apontando para Eren.
– Eren Jaeger. – O garoto mesmo se apresentou, dando um aperto de mão no loiro.
– Muito prazer Eren.
– O prazer o meu.
– Erwin. – Chamou Levi. – Por que me chamou aqui mesmo?
– Ah sim, eu vou apresentar um novo produto e debater sobre algumas novas tecnologias. Mas com você mesmo, quero falar sobre isso depois com mais calma. Preciso que me ajude com um projeto.
– Tudo bem. Que horas e quando?
– Daqui a pouco. Vou só apresentar o novo produto e depois disso me encontre na sala três.
Levi só afirmou com a cabeça. Erwin deu leve sorriso e saiu para cumprimentar os outros convidados. Levi logo foi se sentar em uma mesa, sendo acompanhado por Eren. Eles iriam esperar a apresentação acabar e depois iriam para a sala dita pelo loiro.
~¨~
Depois de mais de uma hora de falatório, finalmente o congresso estava acabando. O novo produto era bem interessante, um novo tipo de dispositivo eletrônico. Agora era saber o que Erwin queria. Levi levantou-se da mesa e chamou Eren, mandando que o seguisse.
A sala três ficava naquele mesmo piso, só era um pouco mais afastada que as demais. Como esta já estava aberta, os dois entraram e logo se acomodaram no grande sofá que havia no meio da do cômodo. Levi em uma ponta e Eren em outra, o máximo de distância que o estofado permitia.
Levi não entendeu do porque do garoto ter resolvido se sentar tão longe, mas resolveu não falar nada. De vez em quando o moreno olhava discretamente para o garoto, vendo que este parecia estar nervoso com alguma coisa. Para ser franco, até ele mesmo estava nervoso com tudo aquilo. O interesse que havia sentido pelo garoto desde a primeira vez que o viu, estava passando para algo maior. Algo como atração, ou até além disso. Não era ignorante, então sabia bem o que estava sentindo. Sempre soube na verdade. A atração que sentia estava ficando cada vez mais difícil de ser ignorada. Cada vez que olhava para o garoto, seu corpo chamava pelo dele. Sua boca clamava pela sua. Aquilo estava ficando cada vez mais perigo para si...
– Levi, posso pegar? – Eren tirou o moreno de seus pensamentos com aquela pergunta. Levi olhou para onde Eren apontava, uma bancada onde tinha uma bandeja cascata com diversos macarons. – Nunca comi... – Olhou parecendo desejar o doce nunca visto. Levi teve que segurar a vontade de rir do garoto. Ele ficava tão fofo quando fazia aquela carinha...
– Fique a vontade. – Falou por fim.
Eren abriu um sorriso e levantou-se, indo até a bandeja e pegando um macaron, logo o levando a boca. Levi observava cada movimento do garoto, cada detalhe dos mínimos gestos.
– São ótimos! Quer um? – Perguntou já comendo o segundo, porém, de um sabor diferente.
Levi ponderou sobre a pergunta por alguns segundos, até abrir um sorriso malicioso de canto.
– Aceito. Poderia trazer um para mim?
– Ah, ok.
Depois de engolir o segundo doce, Eren pegou um terceiro e levou-o até a boca. O deixando ali, sem mastigar. Pegou um outro e o colocou em um guardanapo, voltou-se para trás e começou a caminhar em direção ao moreno. Eren chegou perto dele e estendeu a mão que estava o doce. Mas Levi só ficou o observando.
– O que foi? – Eren perguntou curioso, mas sua voz saiu estranha devido ao doce que ainda estava na boca.
– Sente-se.
O rapaz, mesmo sem entender, sentou-se ao lado do moreno, enquanto mantinha o semblante em dúvida. O que aquela pessoa queria? Levi, sem dizer mais nada, puxou Eren pela gravata e segurou seu queixo. Aproximou seu rosto com o de Eren e mordeu o macaron que o garoto tinha, roçando levemente seus lábios. Separou-se lentamente e mastigou o pedaço que havia roubado, literalmente.
– Tem razão. São muito bons. – Voltou a encostar-se no estofado, dando seu famoso sorriso de canto.
– M-m-mas o q-que f-foi que...?!
Eren não conseguia falar direito, na verdade, seu corpo parecia não querer funcionar. Estava completamente pasmo. Não só pasmo, como surpreso. Nunca pensou que o moreno poderia fazer algo como aquilo. Havia sido um mero roçar de lábios, mas aquilo tinha mexido tanto com seu corpo, que poderia ir se internar na UTI.
– Eren.
– O-o que? – Perguntou receoso.
– Tem um pouco de doce aqui... – Apontou em seu próprio rosto o local em que haviam ficado migalhas do macaron.
– Ah... – Eren passou a mão no local e logo olhou para Levi, como se perguntasse se já tinha saído.
– Ainda não.
O garoto passou a mão, meio desajeitado, mais uma vez no local. Estava nervoso e envergonhado demais para pensar ou fazer algo decentemente. Levi riu com o mau jeito do garoto de olhos verdes, e mais uma vez se atreveu a se aproximar. Eren estava tão concentrado em tentar se limpar que nem percebeu quando Levi já estava ao seu lado. Só percebeu quando sentiu a perna do moreno encostar-se a sua levemente.
– Deixa que eu limpo.
Levi passou a mão pelo pescoço de Eren e o puxou com certa delicadeza, aproximando seus rostos. Passou a língua no canto da boca do garoto de olhos esverdeados, vendo que esse apenas a comprimiu um pouco. Não satisfeito com aquilo, Levi levou sua boca até a de Eren, depositando um selinho em seus lábios. Depois desse ato, quem não aguentou mais foi Eren. Devolveu o selo e foi mais além, tomando a iniciativa de aprofundar o beijo, sendo prontamente correspondido. Levi levou a mão livre até a cintura do garoto e o fez deitar-se no sofá, levantou o próprio corpo ficando com uma perna ajoelhada entre as pernas de Eren e a outra no chão, dando apoio ao próprio corpo. Separou suas bocas e passou a língua em toda a extensão dos lábios rosados, em um pedido mudo para que fossem abertos. Eren logo deu a permissão, afinal não tinha porque não dar. Levi tratou de logo colocar sua língua dentro da boca do outro, ouvindo-o soltar um longo suspiro ao fazer aquilo. Seus lábios se tocavam de uma maneira rápida e apressada, como se aquilo fosse ansiado há tempos. Eren passou a mão por suas costas o puxando para mais perto, colando seus corpos. Levi, aproveitando sua mão que estava na cintura do garoto, começou a explorar seu físico. Apertando em alguns lugares, vendo que o garoto estremecia e suspirava em cada um deles.
– Finalmente consegui me livrar daqueles... Levi? – Erwin chegava naquele momento. Finalmente havia terminado todas as suas reuniões e agora ficaria livre para conversar com o amigo, mas...
Eren e Levi, assim que ouviram a voz de Erwin, separam seus corpos bruscamente. Bem, só desencostaram. Levi fez questão de não sair de cima do garoto.
– Estou atrapalhando alguma coisa? – Perguntou Erwin novamente.
– Ainda pergunta? – Levi respondeu lançando-lhe um olhar fulminante. Qualquer pessoa comum sairia imediatamente, mas era Erwin que estava lá.
– Desculpe, desculpe. Mas receio lhes informar que aqui não é um motel. – Falou em tom de brincadeira, fazendo Levi bufar e revirar os olhos.
– Tch.
O moreno saiu de cima de Eren, dando espaço para o garoto sentar, mas não saiu de perto dele. Eren, por si, só queria saber onde enfiar a cabeça, tamanha a vergonha que sentia.
~¨~
Depois da reunião com Erwin, Levi e Eren saíram da sala e foram para o quarto que haviam reservado. Durante todo o trajeto, nenhum dos dois tentou puxar conversar. Eren agradecia mentalmente por isso. Não sabia como reagiria caso o moreno viesse falar consigo, então preferia continuar sem tocar no assunto, mesmo querendo saber o porquê de Levi ter feito aquilo. Assim que entraram no quarto, Levi fechou a porta e foi em direção à mala que estava no canto do quarto. Pegou algumas roupas e passou por Eren, sem ao menos olhá-lo.
– Vou tomar um banho. – Foi a única frase que disse antes de entrar no banheiro.
O garoto não falou nada, apenas o observou até que desaparecesse de sua vista. Ficou um pouco chateado ao constatar que Levi, em nenhum momento, quis olhar em seu rosto. Coisa que normalmente não fazia. Balançou a cabeça em negação, afastando aqueles pensamentos de si. Não tinha razão para ficar preocupado com aquilo. Foi até sua mala e começou a procurar sua roupa de dormir.
Levi estava simplesmente fulo. Fulo com ele mesmo e com Erwin. Como o loiro chega em um momento daqueles?! Ele e Hanji pareciam uma praga, daquelas que sempre chegava no pior momento. Será que era um karma? Só podia ser. Tirou toda a roupa que vestia e abriu o chuveiro. Precisa se acalmar, e o melhor remédio era deixar que a cabeça esfriasse. Assim que terminou do banho, saiu do box e se enxugou, colocando logo uma calça de moletom, meias e uma blusa de lã. Estava bastante frio, então roupas a mais eram necessárias. Saiu do banheiro e encontrou Eren sentado em sua cama, esperando que o mesmo ficasse desocupado. Agora mais calmo, é que podia falar com o garoto decentemente, não gostava de descontar suas frustrações com quem não merecia. Por conta disso, havia ficado calado quase que o tempo todo.
O moreno observou enquanto Eren entrava no banheiro e se trancava lá. Precisava conversar com ele, lhe explicar o que tinha acontecido e pior de tudo: entender a si mesmo. Não era de seu feitio ficar tão frustrado só por terem interrompido alguma coisa. Não era normal e sabia disso. Mas deixaria para pensar nisso em outro momento, agora precisava se concentrar no garoto que logo estaria de volta. Enquanto esperava por Eren, foi ajeitar as camas para que dormissem. Poucos minutos depois, Eren saiu do banheiro, vendo Levi sentado em uma das camas, o olhando fixamente.
– Eren, precisamos conversar.
Eren arregalou um pouco os olhos e engoliu em seco. Agora não tinha como fugir. Tomando coragem, foi até onde Levi estava e sentou-se ao lado dele, porém mantendo uma distância segura.
– Antes de tudo fique sabendo que não irei pedir desculpas, não me arrependo do que fiz. – Levi viu Eren corar com aquela afirmação.
– Na-não é preciso. – Eren quase se deu um murro por ter gaguejado.
– Eren, quero que saiba que te beijei por que eu quis. Senti desejo, e esse sentimento não vem de agora.
O garoto corou mais ainda ao ouvir tais palavras proferidas pelo moreno. Ele... o desejava?
– Eren? – O garoto de olhos verdes estava tão absorto naquele pensamento, que se esqueceu de responder.
– Ah... Eu... Bem... – Eren estava receoso em falar o que queria, não sabia o que poderia acontecer a partir do momento em que proferisse aquelas palavras, mas... Era o que queria dizer. – E-eu... Também o desejo Levi. E acho que também não de agora. – Abaixou a cabeça ao terminar de falar. Não queria que o mais velho o visse tão corado como estava.
Dessa vez, foi a vez de Levi arregalar minimamente os olhos. Não esperava aquela resposta. Sorriu de canto e se aproximou de Eren. Levou a mão até o queixo do garoto e o forçou a olhar para ele. Eren estava mais corado que um tomate, o que Levi achou até fofo. Levou a boca até sua orelha e sussurrou:
– Então... Irei continuar de onde parei. – Passou a língua por toda a extensão de sua orelha e mordeu levemente o lóbulo, vendo Eren estremecer.
Voltou a olhar para aqueles olhos grandes e verdes, tão chamativos e tão belos, que demonstravam os mesmo sentimentos que os seus. Levi empurrou Eren para que deitasse na cama, ficando de quatro em cima deste. Acabou com aquela infeliz distância e tomou os lábios finos e macios para si. Dessa vez os lábios se tocavam sem pressa, como se quisessem se conhecer. O moreno levou uma das mãos até a coxa de Eren, subindo-a lentamente, enquanto suas unhas arranhavam o fino tecido da calça. Eren soltou um gemido abafado, por conta do beijo, o que fez com que sua boca abrisse e desse passagem para que a língua de Levi adentrasse aquela cavidade. As línguas passavam uma pela outra, explorando cada canto de suas bocas. Era óbvio que os dois tinham experiência, mas Levi conseguia ganhar. Na verdade, o moreno tinha o total controle da situação.
Levi interrompeu o beijo e parou para olhar o garoto que estava embaixo de si. Eren tinha os lábios entreabertos e avermelhados, estava ofegante e seus olhos continham um brilho mais escuro, como se estivesse entregando a luxúria. O moreno sorriu malicioso com aquela visão, era completamente excitante. Desceu os lábios até o pescoço de Eren e começou a distribuir beijos e lambidas por toda a região, ouvindo o garoto gemer baixinho. Traçou com a língua todo o caminho do maxilar até seu ombro, onde beijou com mais força, chupando a pele macia.
– Hum...! – Ouviu Eren gemer mais alto ao fazer aquele ato. Porém Eren logo tratou de colocar uma mão em sua boca, tentando impedir aqueles sons.
– Tire a mão da boca. Quero ouvi-lo...
– Ma-mas...
– Tire. – Disse autoritário, fazendo Eren ceder e retirar a mão da boca, colocando-a no pescoço de Levi. – E não se contenha. – O pedido soou mais como uma ordem, fazendo Eren ruborizar ainda mais, se é que era possível.
Levi continuou a depositar mais chupões por todo o pescoço do garoto, subindo até sua orelha e mordendo-a com vontade, quase arrancando sangue. Eren grunhiu com a dor, mas tinha que admitir que era um dor gostosa, algo que gostaria de sentir novamente. O moreno de olhos acinzentados levou a mão até a base da blusa de Eren e começou a levantá-la, sentindo a pele quente do garoto estremecer em contato com o frio de sua mão. Aproveitou a posição que estava e sentou-se em cima de Eren, fazendo com que seus membros se roçassem levemente ainda por cima do tecido. Os dois gemeram ao sentir um contato mais íntimo.
O moreno continuou a levantar a blusa de Eren, passando a mão por cada músculo, sentindo cada centímetro de sua pele. O garoto levantou os braços quando a camisa chegou perto de seu rosto, ajudando Levi a retirá-la, jogando-a para o lado de qualquer forma. Assim que viu que teria acesso aquela parte inexplorada, desceu com a língua até ela, deixando beijos e chupões por onde passava. Isso até chegar à parte que mais queria no momento: os mamilos. Levou os lábios até um dos botões rosados do garoto e o chupou com força, fazendo com que Eren gemesse com mais vontade e arranhasse a nuca de Levi. Este levou a mão livre até o outro mamilo de Eren e o massageou com os dedos, dando leves apertos e puxões.
– A-ah... Le-vi... – Eren gemeu sem mais consegui se conter.
Ao ouvir aquele som tão excitante para si, Levi saiu de cima do garoto, ficando com uma perna de cada lado daquele corpo, olhando novamente para os orbes verdes que o fitavam. Sem quebrar o contato visual, o moreno desceu as mãos pelo tronco de Eren, passando por sua cintura e chegando até o cós da calça. O garoto, mais uma vez, estremeceu ao sentir a mão de Levi adentrar a calça de moletom e a puxar, sem delicadeza nenhuma, para baixo, quase a arrancando do corpo de Eren, vendo a boxer vermelha que ele usava, sem esconder, nem um pouco, o volume cada vez mais aparente. O moreno estava ficando cada vez mais excitado com a visão que tinha. O corpo seminu do garoto era realmente excitante... Levi já ia atacar seus lábios novamente quando Eren o impediu.
– O que houve?
– Não acha que ainda está com muita roupa não? – Perguntou Eren, sentando-se na cama, sendo acompanhado por Levi.
Eren levou as mãos até as costas de Levi e o fez ficar de joelhos em cima da cama. Ajeitou-se para ficar de joelhos também, ficando na altura do moreno, para logo ir puxando lentamente a blusa de lã do outro, até que essa fosse retirada por completo. Pousou as mãos na cintura desse e selou seus lábios, começando um beijo libidinoso e cheio de luxúria. As mãos exploravam o corpo um do outro, trazendo à tona novos suspiros e gemidos abafados. Eren separou seus lábios e passou a morder seu pescoço, lambendo e chupando, deixando marcas que seriam bem visíveis depois. Mas não ficou muito tempo por ali. Desceu até o tronco de Levi, deixando vários beijos por todo seu peitoral definido, ouvindo o moreno soltar vários suspiros contidos. O garoto continuou descendo na trilha de beijos, enquanto suas mãos iam para a calça e a boxer, descendo-as até que ficasse entre a cama e os joelhos de Levi, deixando este com o corpo completamente exposto.
O garoto arregalou os olhos quando viu o membro do moreno. Era bem maior do que imaginava... Levi teve que conter a vontade de rir que teve quando viu a expressão de surpresa de Eren. Não ligando muito para isso, Eren sentou-se entre as pernas de Levi e levou a boca até o membro do moreno, depositando leves beijos na glande, para logo depois a lamber. O moreno teve de se apoiar nos ombros de Eren, ao sentir a língua quente do garoto brincar com sua glande. Eren, ao ver aquela reação, tomou coragem e abocanhou o membro de Levi, conseguindo engolir até a metade. Começou a fazer movimentos de vai e vem, enquanto escutava os gemidos baixinhos do moreno.
– Hum...!
Levi levou uma das mãos até o cabelo de Eren e, inconscientemente o empurrou, fazendo que seu membro entrasse mais dentro da boca do garoto. Eren quase engasgou com aquele ato, mas não parou por causa disso, continuou a fazer os movimentos, enquanto passava a língua pela base e a levava até a glande, roçando os dentes levemente. Não demorou muito para que Levi se desfizesse na boca do garoto. Eren engoliu todo o sêmen que havia em sua boca e lambeu o que tinha escorrido por seus lábios. O moreno ainda estava bem ofegante, olhando preocupado para Eren.
– Eren, desculpa. Te machuquei? – Perguntou depois que conseguiu retomar o fôlego, fitando os olhos verdes do rapaz. Ainda tão embargado em luxúria...
– Não tem problema. – Comentou com a voz um pouco falha, devido ao ato.
Levi se aproximou de Eren e o abraçou, voltando a empurrar seu corpo para que deitasse. Olhou para seu rosto e levou seus lábios até os do garoto, deixando que suas línguas se encontrassem em um beijo calmo, porém intenso. Desceu com as mãos até a boxer do garoto e a puxou para baixo, deixando o corpo meio bronzeado exposto por completo. Levi colocou uma perna entre as pernas de Eren, fazendo com que sua coxa batesse levemente no membro do garoto, continuando nesse movimento. Eren gemia contra os lábios de Levi, sentindo ficar cada vez mais excitado.
– Hum... Ah!
Gemeu mais alto ao sentir a mão de Levi ir até seu membro e começar a masturbá-lo. Passando a mão por toda a extensão do membro pulsante, às vezes dando mais atenção à glande, outras vezes a base, continuando com os movimentos de vai e vem constantemente. Eren não conseguia pensar em mais nada, sua mente estava completamente em branco. Aquilo era extremamente prazeroso para si, sabia que não aguentaria por muito tempo. Levi ao perceber que o garoto estava prestes a gozar, desconectou seus lábios e desceu até seu membro, o abocanhando sem mais cerimônias, passando a língua por toda a extensão e sugando cada vez que chegava na glande.
– A-ah...! Leviii...! – Praticamente gritou o nome do moreno quando chegou ao seu ápice, tendo um orgasmo violento e prazeroso.
O moreno retirou o membro de sua boca e engoliu todo o sêmen que havia sido expelido pelo garoto, dando um sorriso de canto ao constatar que Eren ainda estava tendo alguns espasmos e respirava com dificuldade. Levi se levantou da cama e ajeitou sua calça, ficando só com o moletom mesmo. Chegou perto do garoto e tocou em seu ombro, fazendo Eren virar-se para si, antes de prosseguir:
– Venha, levante-se.
– Hã? Por quê? – Perguntou sem entender.
O moreno arqueou uma das sobrancelhas e botou uma mão na cintura.
– Quer dormir nessa cama completamente suja?
Eren piscou os olhos algumas vezes e riu em seguida, lembrando-se das manias de limpeza do moreno. O rapaz logo se levantou e foi atrás de sua calça, vendo que esta tinha ido parar do outro lado do quarto. Depois de colocada, Eren deitou-se na outra cama e ficou observando Levi, vendo este ir até o interruptor e apagar a luz, ficando o quarto em um completo breu. Eren sentiu quando um corpo quente se fez presente ao seu lado, os cobrindo logo em seguida. O garoto estava bem envergonhado, nunca pensou que passaria por uma situação como aquela com Levi. Mas ao mesmo tempo se sentia bem... Estava feliz.
Levi não ficava muito atrás, já havia admitido que tinha se interessado pelo garoto; que o desejava. E mesmo com todo aquele ato nada casto, seu desejo não diminuiu. Para falar a verdade, aumentou. Teve de se conter muito para não fazer o que realmente queria, afinal não queria assustar Eren. Sorriu satisfeito ao lembrar-se de todos os gemidos que saíra da boca do rapaz de olhos verdes, de como seu corpo reagia ao mínimo toque seu... Era fascinante... Além de aquela boca ser extremamente viciante. O moreno levou uma das mãos até o cabelo de Eren e ficou fazendo um leve carinho, sentindo a textura dos fios um pouco molhados devido ao suor.
Eren, ao sentir aquele carinho, virou-se para o moreno e agradeceu por estarem no completo escuro. Desse modo Levi não veria que ainda estava corado. Soltou um longo suspiro e tomou coragem para se aproximar, aninhando-se perto de Levi. Este, por um momento não teve reação, o que até preocupou Eren, achando que tinha feito algo que não devia. Quando ia se afastar sentiu uma mão lhe impedir, puxando-o de volta, ficando até mais próximo do que já estava. O rapaz ruborizou mais ainda, mas não falou nada. Fechou os olhos e se entregou ao sono, sentindo o cheiro agradável que Levi exalava.
Levi estava ficando cada vez mais sonolento, o que era estranho, pois não conseguia dormir sem antes tomar um banho, principalmente depois de atos como aquele. Mas dessa vez... Só dessa vez, se entregaria ao sono. Não queria sair de perto de Eren. Sorriu torto ao ter aquele pensamento, era completamente seu oposto. Não ligando muito para isso, abraçou o garoto e deixou que seu rosto afundasse nos cabelos castanhos, se entregando ao sono.
~¨~
~Alguns meses depois~
Quando voltaram ao Japão, depois daquela conferência, Levi e Eren passaram a estabelecer um contato mais íntimo, como um relacionamento. Não era nada oficial, apenas não conseguiam ficar longe um do outro. Os sentimentos já haviam transcendido ao apenas desejo, agora era algo mais forte, mais intenso. Algo que não conseguiam controlar. Levi, desde aquele dia, sabia que estava entrando em uma área perigosa e sem volta. Tentou até se afastar por um momento, sair com outras pessoas... Mas não conseguiu. Simplesmente não conseguia mais se afastar do garoto. Mesmo com tudo isso, os dois ainda não haviam chegado aos “finalmente”. Algo que, para Levi, era bem incomum. Normalmente a essa altura, já teria o pego e feito tudo o que queria, sem pensar em ser gentil ou algo do tipo. Mas com Eren era diferente, o moreno queria que o garoto pedisse, queria que aquelas palavras saíssem da boca dele. E até lá, esperaria.
Nesse momento o moreno se encontrava em casa, era uma sexta-feira à noite e sua programação seria ficar por ali mesmo. Estava sentado no sofá, lendo um dos famosos livros de Dan Brown, Ponto de Impacto. O que mais gostara. Algo do qual Levi tinha muito orgulho era de sua coleção de livros. Variavam entre livros acadêmicos, de ficção e terror, principalmente de autores como Dan Brown, Stephen King e Agatha Christie. Mas também gostava de alguns autores que sabiam fazer livros de fantasia, como J. R. R. Tolkien, Anne Rice e George R. R. Martin. Esse último nunca pensou que iria gostar, mas tinha de admitir que seus livros eram muito bem elaborados.
Levi estava tão perdido em um dos mundos de seus livros, que só foi perceber que havia alguém em sua porta, quando a campainha começou a tocar incessantemente. Fechou o livro e o colocou na mesinha de centro, levantou-se já sentindo aquela veiazinha pulsar em sua testa, afinal quem poderia ser àquela hora? Ainda mais, ser tão irritante e insistente. Abriu a porta sem nem olhar no olho mágico, dando de cara com Hanji. É, só podia ser a morena mesmo.
– Ah, que demora! Tava fazendo o quê? – Perguntou Hanji, entrando sem cerimônias no apartamento de Levi.
– O que é que você está fazendo aqui quatro-olhos? – Cruzou os braços e ficou a olhando com cara de poucos amigos.
– Vim te visitar, oras.
Hanji colocou uma sacola em cima da mesa de Levi e se sentou no sofá, como se a casa fosse dela. O moreno bufou irritado e foi para o lado da amiga, não adiantaria tentar expulsá-la mesmo.
– Duvido que seja uma simples visita. Fala logo, o que você quer.
A morena riu um pouco da cara de Levi, ele tinha sempre as melhores expressões. Pegou a sacola que havia trazido consigo e a abriu, tirando de lá uma caixa cheia de donuts. Levi arqueou uma sobrancelha em tom de dúvida.
– Sim, é verdade. Mas antes vamos comer, estou morrendo de vontade de atacar isso! – A morena já ia pegar uma das rosquinhas, mas foi impedida pela tapa na mão que Levi a deu.
– Vá lavar as mãos antes! Vou pegar uns pratos, não quero ver nenhum farelo de doce aqui.
– Levi e suas manias... – Comentou fazendo bico. O moreno revirou os olhos e foi em direção à cozinha pegar os pratos.
Depois meia hora só de falatório por parte de Hanji e uma caixa inteira de donuts, onde a morena comeu 80%, finalmente ela havia parado e chamado Levi para conversar. Ela parecia até empolgada a falar, o que não era incomum, mas devido a ser Hanji, poderia ser preocupante.
– Já faz algum tempo que venho percebendo que há algo entre você e o Eren, então não adianta negar. – Começou a morena.
Levi nada respondeu, apenas ficou esperando pela continuação. Também não tentou negar, não tinha porque para isso.
– Bem, eu não sei a quanto tempo vocês estão nessa, mas pelo o que percebi não é oficial. Também vi que de uns tempos para cá, você mudou. Mas não digo que é para pior. – A morena continuava a falar sem pausa, como se quisesse dar uma introdução até chegar ao ponto principal. – E como somos amigos a bastante tempo, sei que nunca ficastes dessa forma com ninguém. Por conta disso, me bateu uma dúvida e uma curiosidade.
– Desembucha. – Falou sem paciência, querendo saber onde ela queria chegar.
– Você o ama? – Rápida e direta.
– O que?
Levi ficou surpreso com a pergunta. Não imaginava que ela iria chegar naquele ponto, onde o moreno nunca tinha entrado. Mas era uma boa pergunta... Afinal, o que ele sentia pelo garoto? Sabia que não era algo que já houvesse sentido antes, mas... Amor... Era uma palavra tão forte...
– Você o ama? – A morena repetiu.
– Eu... Eu não sei. – Admitiu.
– Não sabe por que não tem certeza do que sente, ou... Não sabe por que nunca sentiu? – Hanji semicerrou os olhos e fitou Levi.
– Que tal os dois?
– Hum... Você é péssimo com essas coisas Levi. Tsk, tsk, tsk. – Falou balançando a cabeça em negação, enfurecendo o moreno.
– Tch. Como se fosse muito melhor.
– Pelo menos eu entendo o que sinto. – Disse convencida.
O moreno, novamente, não respondeu. Apenas revirou os olhos e bufou.
– Então vamos começar com um questionário básico. – Hanji endireitou-se no sofá e ficou com as pernas cruzadas, como um índio. – Me responda com sinceridade!
– Hum. – Respondeu com ar entediado.
– Você se sente bem quando fica perto dele?
– Sim.
– Gosta do jeito dele de ser?
– Uhum. – Lógico que gostava, tinha sido a primeira coisa que lhe interessara!
– Aceita seus defeitos e suas qualidades?
– Sim.
– Seu corpo reage de forma estranha? Como se estivesse ansioso, ou nervoso.
Levi pensou por alguns segundos antes de responder:
– Ah... Sim...
Ao ouvir a última resposta, Hanji sorriu triunfante.
– Uma última pergunta: Como se sentiria se o visse com outra pessoa? Acha que conseguiria ficar longe dele?
– Não era uma só pergunta? – Indagou arqueando uma sobrancelha.
– Detalhe. Vai, responde!
– Tch. Que saco... – Fechou os olhos e pensou nas perguntas de Hanji por alguns segundos, até responder. – A primeira pergunta não tem sentido.
Hanji piscou os olhos algumas vezes, sem entender a resposta.
– Hã? Como assim?
– Não tem sentido porque o Eren é meu. E no que é meu ninguém toca. – Falou convencido, cruzando as pernas.
A morena ainda ficou, por alguns momentos, estática. Até dar um grito e pular encima de Levi.
– Tão possessivo! – Hanji o apertava entre os braços, fazendo com que o moreno começasse a sufocar.
– Me solta quatro-olhos!
– Se não fosse tão possessivo sugeria um ménage...
– Tch. Me larga sua depravada!
Hanji riu mais e o largou, indo se sentar no local que estava, recebendo o olhar fulminante de Levi.
– Tá, mas isso já não é o suficiente?
– Hã?
– Para admitir que o ama. – Esclareceu.
– Hanji, já falei que não sei. Amar é um sentimento muito forte, que mexe com a cabeça da pessoa. Que o faz fazer coisas que nunca faria e... – Parou por um momento analisando suas próprias palavras. Não era isso que estava acontecendo consigo? – Tch.
A morena riu e suspirou, vendo o quão confuso o amigo estava.
– Olha, posso sugerir uma coisa?
– Humpf. Adianta dizer não?
– Não. – Negou com a cabeça.
– Tch.
– Porque não o chama para um encontro? – A morena sugeriu.
O moreno se virou para ela e a indagou com as sobrancelhas juntas.
– Um encontro? Não é muito clichê?
– Só vai ser clichê se ficar com aquele “mimimi” meloso de casalzinho idiota apaixonado. – Gesticulava com as mãos o quanto aquele lado meloso a irritava.
Levi não aguentou e acabou rindo da indignação da morena. Ela realmente detestava toda aquela “fofura” de encontros normais.
– Então o que você sugere? – Perguntou Levi. Mas logo se arrependendo no momento seguinte.
– Que tal vocês irem a uma boate? Ai o Eren pode fazer um strip-tease enquanto dança em um pole dance! Depois vocês podem ir para o meio do palco e transarem loucame-
– Cala a boca e não viaja quatro-olhos! – Cortou Levi.
– Estraga prazeres... – Reclamou fazendo bico. – Ah, lembrei! Vai ter um matsuri* em um templo a poucos quilômetros daqui. Porque não leva Eren até lá? Aposto que ele nunca foi a um desses.
– Matsuri? Não é uma má ideia... Faz tempo que não vou a um. – Comentou com a mão no queixo.
– Sim! Ah, e Levi... Ta lembrado que dia é domingo não é? – Perguntou Hanji, chamando a atenção do moreno.
Levi olhou para Hanji e deu um sorriso de canto malicioso. Só seu olhar dizia tudo.
– Ah meu Kami! Levi, o que você tem em mente? – Perguntou toda animada, pensando em coisas nada decentes.
– Não é da sua conta.
– Ah! Para de ser mau! Me diz! – Reclamou balançando o moreno pelo ombro.
– Não. Já não está na hora de você ir embora?
– Não importa, não saiu daqui até saber o que você pretende fazer. – Cruzou os braços e sorriu ao moreno. Sabia que Levi nunca ganhava em uma discussão com ela.
O moreno revirou os olhos e bufou. Era melhor começou a falar, senão não seria hoje que iria dormir.
~¨~
Depois que Hanji foi embora, Levi pegou seu celular e discou o número que já sabia de cor. Esperou por alguns segundos, até que Eren veio a atender.
– Levi? Você me ligando a essa hora? – O moreno ouviu a surpresa na voz do garoto do outro lado da linha.
– Sim, algum problema?
– Ah... Não, só estranhei. – Disse um pouco sem jeito.
– Humpf. Ei Eren, quer sair amanhã? – Perguntou sem mais rodeios.
– Amanhã? Para onde?
– Não irei responder. Só diga se vai querer ir.
– É lógico que vou. Só fiquei curioso...
– O dito popular já dizia que a curiosidade matou o gato, então nem adianta perguntar.
Levi ouviu Eren rir baixo. Era tão relaxante ouvir aquela voz...
– Tá, não irei perguntar. Aonde vamos nos encontrar?
– Passo ai para te pegar às... – Levi olhou ligeiramente para o computador, verificando o horário de funcionamento do local. – Dez da manhã. Pode ser?
– Ok.
– Então até amanhã. E não vá dormir muito tarde.
– Hai, hai. Pode deixar. Até amanhã.
O moreno desligou o celular e se espreguiçou, estava cansado devido ao dia corrido. Mas ao mesmo tempo, tinha de admitir que estava ansioso pelo dia de amanhã. Desligou o computador e foi tomar um banho rápido, para logo depois deitar em sua cama e se entregar ao sono.
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