Notas iniciais
Hey gente capitulo novo!!!

POV’S Klaus

Olhei para o relógio mais uma vez. Eu realmente gostaria de estar em outro lugar, com Caroline, massageando seus pés ou tentando ouvir nosso filho. Era bobagem nossa, pois ele ainda era bem pequeno, mas a emoção de saber que meu filho estava crescendo dentro da mulher que eu amava era grande demais.

Antes de Caroline eu nunca sequer cogitei filhos, mas agora que aquilo era uma realidade, era tão essencial que parecia ter me mudado de uma forma intensa e definitiva. A minha família, que eu amaria e protegeria acima de tudo. Era minha redenção. Arrisco dizer que essa nova vida que eu estava vivendo era o que me faria deixar definitivamente tudo que me arrastava para o meu passado, para trás.

Seguir em frente. Mudar as coisas que só me consumiam. Era tudo que eu mais queria, e o amor me proporcionou isso. Então, eu abraçava tudo que me estava sendo dado. E não só com Caroline e nosso bebê. Mas também com Andrew. Meu pai. Que até duas semanas atrás eu me recusava a chama-lo assim, mas que agora me fazia querer conhecer. Querer saber como é um pai de verdade, sabendo que ele sem dúvida o seria. Eu iria conhece-lo mais a fundo e ver no que poderia dar, e isso era sem dúvida um passo dos grandes.

A porta do meu escritório se abriu me tirando dos meus pensamentos e Damon entrou.

― Uma reunião as sete da noite? Sério?

Ele se sentou a minha frente com a testa franzida. Estava bem aborrecido de estar aqui, e aquilo me fez sorrir. Mesmo sendo totalmente contrário a vontade dele, Damon esteve comigo por várias vezes. E eu o admirava por isso. Afinal nem Caroline que me amava, conseguiu me aturar como chefe por muito tempo e eu ri.

― É necessário.

Ele revirou os olhos.

― Sempre é. Deixe-me adivinhar: você precisa que eu faça alguma coisa?

Estendi uma pasta para ele.

― O que é isso?

― Abra.

Falei e ele pegou a pasta e começou a ler as primeiras páginas. Eu esperei que ele entendesse e pude ver o exato segundo em que a dúvida foi substituída pela surpresa.

Então eu coloquei uma caneta na sua frente.

― Você só precisa assinar Damon.

Falei a ele.

― O que isso quer dizer?

Ergui uma sobrancelha para ele.

― É o que você está lendo. Estou passando o prédio que você gerencia para o seu nome. Você pode fazê-lo crescer, vender, transformar num hotel... Enfim, a escolha é sua. Porque o prédio agora é seu.

― Por quê?

Ele estava genuinamente confuso. Eu me ofendi um pouco, será que eu fazer alguma coisa legal era tão difícil de aceitar?

― Por que você mereceu Damon. Todo esse tempo você fez seu trabalho, cuidou de tudo que eu pedi e agora mais que tudo está tomando decisões importantes para sua vida. Voltou para a faculdade e parou de deixar sua vida ser destruída.

Ele me encarava em silêncio, mas uma leve sombra de sorriso se insinuava em seu rosto.

― Eu também não estava em posição de julgar você, mas mesmo assim o fiz. E hoje eu vejo que você é mais que capaz de seguir em frente e não se deixar desmoronar. Então... isso significa que você não trabalha mais para mim.

― A loirinha realmente mudou você não foi?

Comentou ele pegando a caneta da mesa e assinando as cópias do documento.

― Eu realmente gostaria que você não se referisse a minha esposa assim.

Falei quando ele assinou a última página.

― Eu não trabalho mais para você lembra? Aliás estou indo agora na sua casa beber uma garrafa de Bourboun com a Caroline para agradecer.

Eu fechei a pasta e a coloquei de lado.

― Eu vou ser pai Damon.

Falei a ele que explodiu em sorrisos e palmas.

― Caramba! Isso é ótimo! Quer dizer, desde que o bebê não puxe a você!

― Ele ou ela vai ser perfeito do jeito que for, especialmente se puxar a mim.

Falei dando uma piscadinha para ele, então ele rodeou a mesa e me abraçou. Foi desconfortável no começo, mas no fim das contas estávamos unidos por algo que não esperávamos, mas prezávamos demais: o amor de mulheres incríveis.

Então meu celular começou a tocar e eu me afastei dele para atender.

― Eu não desisti do Bourbon!

Falou Damon e eu ri.

― Alô?

Havia barulho do outro lado e um gemido de dor fez meu coração gelar na mesma hora.

― Sr. Mikaelson? É a Sra. Mikaelson, ela está...

O medo apertou meu coração na mesma hora.

― Ela está o quê? Está o quê?

Gritei no telefone e vi Damon parar na minha frente.

― Está sangrando muito. ― A voz dela tremeu no fim e eu senti o desespero tomar conta de mim. ― Estamos levando ela ao hospital.

― Estou indo.

Respondi e peguei a chave do carro as cegas, tentando desesperadamente sair dali para estar perto de Caroline.

― O que houve?

Damon perguntou atrás de mim.

― É a Caroline.

Respondi, e ele pegou a chave do carro das minhas mãos.

― Eu levo você.

Então nós saímos do prédio e seguimos para o hospital. Eu não conseguia pensar direito, em nada. Meu foco era chegar lá e ter certeza que eles estavam bem. Nada mais importava.

Damon correu o máximo que conseguiu, mas mesmo assim o caminho foi longo demais para mim.

Antes mesmo dele parar eu pulei do carro e corri para dentro do hospital. Alguém gritou para que eu parasse mas eu não ouvi, continuei entrando até ver a Sarah. Ela levantou quando me viu, seu rosto demonstrava preocupação.

― Onde ela está?

Perguntei a Sarah.

― Com a médica. Ela entrou a pouco, ainda não disseram nada.

Olhei para os lados procurando alguém para falar, alguém que pudesse me levar até ela. Damon chegou pouco depois, eu tentei entrar nas salas de atendimento, mas o segurança me impediu. Então o remédio era esperar. Mas eu não conseguia sentar, andava de um lado para outro nervoso. Porque demorava tanto? Porque ninguém vinha me dizer que ela estava bem?

Soquei uma parede próxima quando vi uma médica sair pela porta, onde me impediram de entrar.

― Vocês são os parentes de Caroline Mikaelson?

Eu fui até ela num segundo.

― Sou o marido. Como ela está? O bebê está bem?

Perguntei já desesperado por notícias.

― Senhor Mikaelson eu sinto muito, mas sua esposa sofreu um aborto espontâneo.

Não sei se ela falou mais alguma coisa, pois não ouvi. Senti meus joelhos baterem no chão e enterrei o rosto nas mãos.

Alguém bateu em meu ombro e me chamou. Mas eu não podia acreditar que aquilo estava acontecendo.

― Klaus?

De novo alguém pegou no meu ombro e me forçou a ficar de pé. Eu pisquei para a médica sem saber o que dizer. As lágrimas escorriam por meu rosto e eu me sentia atordoado.

― Ela vai para o quarto daqui a pouco, e o senhor poderá falar com ela. Eu irei daqui a pouco conversar com vocês, sei que precisa de um tempo.

Então ela saiu e Damon veio para minha frente.

― Klaus, a Caroline precisa de você. Agora mais que nunca.

Eu passei a mão no rosto enxugando as lágrimas. Ele tinha razão. Ela precisava de mim, eu tinha que me mostrar forte. Mesmo que estivesse devastado por dentro.

A espera até que ela estivesse pronta para eu entrar foi dolorosa demais. Eu queria estar perto dela, segurar suas mãos e dizer que tudo ia ficar bem. Mas eu não sentia que ia ficar bem. Era como se o chão não estivesse sob meus pés. E tinha medo de desmoronar quando a visse.

Por que era tão doloroso? Ficamos apenas duas semanas apenas pensando e sonhando com nosso bebê. Era pouco tempo. Mas foi tempo suficiente. Eu sentia sua perda dentro de mim. Nosso filho tinha morrido. Encostei a testa na parede e afrouxei a gravata. Parecia que estava me sufocando. Tudo estava. As luzes, as paredes brancas, até o cheiro de hospital parecia que estava se agarrando em mim.

Damon tinha ido ligar para Elena quando a enfermeira chegou dizendo que ela já estava no quarto, então eu respirei fundo e entrei. Ela estava com os olhos fechados, parecia tão fraca e pálida naquela cama. Eu andei mais rápido até ela e assim que cheguei perto segurei as suas mãos e ela abriu os olhos.

― Oi.

Falei para ela sem saber mais o que dizer. Ela estava arrasada. A tristeza e a dor era tão visível em seus olhos que fez um nó se formar em minha garganta e eu toquei seu rosto.

― Vai ficar tudo bem.

Murmurei, porque não sabia mais o que poderia dizer. Então ela deu um aceno rápido com a cabeça e olhou para o lado. Eu me sentia tão inútil ali, parado sem poder fazer nada para ajudar.

Então a médica entrou no quarto e veio até nós com um sorriso que poderia ser reconfortante, mas não teve nenhum efeito em mim.

― Como você está se sentindo?

Perguntou ela a Caroline e eu serrei os dentes. Que tipo de pergunta era essa? Como ela poderia estar se sentindo depois do que aconteceu?

― Vazia.

Respondeu Caroline com a voz quebradiça e aquilo me abalou profundamente, eu me virei para a médica.

― Você realmente tem que fazer isso agora?

Ela me olhou com um ar condescendente.

― Uma perda assim não é fácil. Eu entendo isso. Acontece que 20% das mulheres têm abortos espontâneos na primeira gestação. Isso não quer dizer que você tem problema nenhum, apenas que o feto não estava se desenvolvendo normalmente, esse é o jeito do seu corpo dizer que tinha algo de errado. Mas vocês são jovens e tem todo o tempo para tentar de novo.

― Isso é sério? Nosso bebê acaba de morrer e você vem falar de estatísticas e de como podemos substituí-lo como se fosse uma Tv quebrada?

Eu gritei para a médica, meu estresse estava no limite. E eu não podia acreditar no que estava ouvindo isso. Era de um bebê que estávamos falando. Do nosso bebê. Não de um número.

― Não foi isso que eu quis dizer Sr. Mikaelson, apenas que isso não é o fim para vocês, e...

― Não me interessa qual foi a sua intenção. Não dê um discurso ensaiado como você faz para todos. Pode ser mais um número para você, mas não é para nós.

― Acalme-se Senhor Mikaelson.

― Eu não vou me acalmar. Saia daqui e chame alguém que saiba como lidar como pessoas e não dados numa planilha!

Ela deu um passo para trás, parecia um pouco assustada, mas então olhou para Caroline e seu rosto se fechou, então eu fiz o mesmo. Ela estava chorando. Seu rosto estava coberto de lágrimas, e seus soluços silenciosos eram de partir o coração.

― Não, não... Eu sinto muito, não queria...

Eu a abracei, mas não sabia como completar a frase. Não queria o quê? Gritar com a médica? Vê-la chorando? Perder nosso filho?

― Sinto muito.

Repeti em seus cabelos, mas ela não me abraçou de volta. Apenas continuava a chorar em meu peito.

Eu me afastei um pouco e tentei enxugar suas lágrimas, mas outras brotavam tão rápido que não adiantava muita coisa. Eu não ia conseguir ser forte. Estava arrasado por tudo aquilo. Sua dor. Minha dor. A perda do nosso filho. Era demais para mim. Então encostei minha testa na dela e quando me dei conta meus soluços e minhas lágrimas se misturavam a dela. Minha dor ecoava a dela.

Mais tarde quando Elena chegou ainda estava juntos e chorando. Então Caroline viu Elena e uma nova onda de lágrimas a invadiu, e ela se afastou de mim.

― Elena. ― Falou ela entre os soluços e Elena veio abraça-la. Então eu me vi obrigado a levantar da cama.

Sai um pouco do quarto e fui beber um copo de água. Damon me seguiu silenciosamente. Parecia com medo de eu surtar ou algo do tipo. E eu sabia que estava realmente a ponto de algo assim.

― Você avisou alguém?

Eu me virei para ele em silêncio.

― O Elijah, Kol... Alguém?

Balancei a cabeça em negativa. Eu nunca tinha me acostumado a dividir as coisas que eu estava sentindo com ninguém. E aquela dor em particular parecia algo tão pessoal que eu sequer pensei em contar para qualquer pessoa.

― Talvez devesse ligar para alguém Klaus. Não é um momento fácil e você vai precisar do apoio da sua família agora.

Eu assenti e voltei para a porta do quarto. Eu não liguei para o Elijah. Nem para ninguém. Parecia que a única coisa que me faria bem era Caroline. Nada mais. Então eu esperei. Daria tempo para que ela ficasse com a amiga e estaria aqui quando ela procurasse por mim.

Mas ela não procurou.

POV’S Caroline

Voltamos para casa no dia seguinte. Mas ela parecia estranhamente fria. Não parecia meu lar. Klaus me levou para cima no colo, embora eu tivesse dito a ele que não precisava.

― Vou trabalhar em casa por uns dias. Estarei lá embaixo caso você precise de alguma coisa.

― Não precisa ficar aqui Klaus. Eu vou ficar bem.

Ele olhou para mim e eu senti que ele ficou magoado.

― Eu sei que não precisa. Mas eu quero assim mesmo.

Então ele desceu e eu me senti a pior pessoa do mundo.

Desde aquela noite terrível eu não conseguia ficar perto de Klaus direito. Eu sabia que não era justo com ele, sabia que deveríamos passar por tudo isso juntos. Mas eu não conseguia.

Foi a pior coisa que já passei em toda minha vida. Antes eu achava que perder minha mãe, e depois quando os pais da Elena morreram foram as coisas mas difíceis por que já passei. Mas depois de sentir meu filho escorrendo por minhas pernas sem que eu pudesse fazer nada para impedir tinha sido horrível. Ver a vida dele escorrendo de mim foi difícil demais. E agora eu não sabia como dividir tudo aquilo com Klaus. E não sabia explicar por quê.

Quer dizer, talvez eu soubesse, mas não queria admitir isso. Eu me sentia culpada. Afinal foi eu que perdi nosso filho. Apesar de no fundo eu saber que não tinha sido culpa minha, as vezes eu me pergunto se tivesse sido mais cuidadosa, ele ainda estaria aqui. Sem falar que eu não contei para ele que Mikael esteve aqui. Isso só ia magoa-lo ainda mais. Eu não queria que Klaus sofresse mais, mesmo porque eu não conseguia estar com ele do jeito que era antes. Mas eu podia esperar, que tudo voltária ao seu ritmo.

Acontece que piorou.

A noite Klaus veio para cama tarde. Acho que ele estava esperando eu dormir. Durante o dia eu me fechei no quarto e não quis conversa nas vezes em que ele tentou.

Mas então eu tive um pesadelo. Tinha sangue para todo lado. Eu podia ver o rosto do meu bebê. Ele se parecia tanto com Klaus. Mas estava longe de mim, e estava morrendo. Eu queria salvá-lo, precisava salva-lo, mas não conseguia chegar a tempo. Então seus olhinhos se fecharam antes que eu pudesse alcança-lo. Eu acordei tentando sufocar um grito, então me levantei da cama o mais rápido que consegui e fui beber água. Então acabei deitando no sofá. Pensei se deveria falar com Klaus. Mas não o fiz. Eu não queria dividir isso com ele. Não queria vê-lo sofrendo ainda mais por nós dois.

Na manhã seguinte eu acordei com ele me levantando e levando para o quarto. Ele não comentou ou perguntou por que eu estava dormindo no sofá. Mas na noite seguinte ele não veio para cama. E mais tarde, quando o pesadelo veio de novo, eu fiquei feliz por isso. Pois pude chorar e sofrer sozinha até pegar no sono.

Notas finais
Por favor, não me matem... Prometo que vou melhorar. ;)