Notas iniciais
Hey gente, cap novo. Mas curtinho que os de costume mas espero que vcs entendam. Bjs. E nao me matem. =D

Caroline

Saber que eu deveria fazer alguma coisa foi bem mais fácil do que fazer de fato. Naquela noite eu quase não consegui dormir e quando acordei bem cedo no dia seguinte Klaus já tinha saído. E durante toda a semana essa mesma cena se repetiu. Ele chegava em casa bem tarde e saia muito cedo.

Eu me sentia arrasada e sozinha. A mesma letargia ameaçava me engolir. Mas eu não podia permitir que isso acontecesse. De jeito nenhum, eu já tinha permitido que a situação fugisse do controle por tempo demais.

Só que na sexta feira eu já sentia que estava perigosamente perto. Cheguei em casa do trabalho e quase gemi de frustração quando a encontrei vazia. Não quis que preparassem jantar para nos pois só serviria para ir para o lixo. Tomei um banho e vesti uma camisola bem curta, estava fazendo muito calor e andar naquela casa vazia as vezes me sufocava. Peguei pão e queijo na geladeira e ia preparar um sanduiche para mim. Assim que terminei resolvi fazer um para Klaus, não sabia se ele chegaria com fome, mas quando chegasse teria algo pronto para ele. Sorri quando me lembrei dele, aqui nesse mesmo balcão. “Quero meu sanduiche igual ao seu”, me dizia ele com meu sorriso de lado favorito. “Mas você nem sabe o que vou comer!” Eu resmungava, e ele dizia que não importava, que queria mesmo assim igual ao meu. Igual ao mim.

Igual a mim.

Coloquei a faca no balcão quando aquilo finalmente me ocorreu. Ele mal falava comigo, e sofria sozinho todas as noites, exatamente igual ao que eu tinha feito. Klaus estava tentando me punir, me tratando como eu o tinha tratado. Acontece que meu objetivo não era deixa-lo sozinho. Eu só não queria que ele sofresse mais. Só que a doía muito. Eu estar me sentindo sozinha. Para ele deve ter sido ainda pior.

Eu sentia como se fosse a pior pessoa do mundo. Eu deixei a dor me engolir e me escondi nela, deixando Klaus perdido e sozinho. E agora ele só estava continuando a fazer o que eu o tinha obrigado.

Peguei meu sanduiche e comi menos da metade. Queria que ele chegasse. Queria implorar seu perdão e tentar fazer tudo voltar ao normal. Queria meu marido de volta.

Ele chegou bem mais de duas horas depois. Estava apenas com a camisa branca e trazia o paletó na mão. Assim que ele entrou eu me levantei, ele me olhou uma vez e foi para cozinha. Eu o segui silenciosamente.

― Fiz um sanduiche para você.

Falei apontando para o balcão. Ele encheu um copo de suco de laranja e pegou o sanduiche na mesa. Fiquei sem saber o que fazer la parada na cozinha. Então contornei a mesa e fui para seu lado.

― Como você esta?

De todas as coisas idiotas que alguém poderia falar. Ele me encarou como se estivesse analisando o que dizer. E isso eu conhecia bem demais, era a mesma expressão que ele fazia quando estava prestes a falar tantas grosserias que fariam qualquer um chorar. Era o Klaus no modo “patrão cretino”.

― Não sei como responder a isso, mas para evitar qualquer outra pergunta vou usar a mesma resposta de sempre: estou bem.

Dei um passo em direção a ele para falar mais, só que uma sutil mudança em sua postura me chamou atenção. Os olhos dele foram descendo pelo meu corpo ate minha curta camisola. Senti um calor se espalhar por minha face e dei um passo tocando seu braço.

― Ainda sou eu. Sua Caroline...

Minha voz soou mais baixa e eu olhei seus lábios, sentindo um desejo morno começar a se acender em mim.

― Eu seu disso.

Respondeu ele mas sua voz soou fria e sem vida, então eu o abracei com força.

― Eu quero sentir você, quero sentir você sem mais nada entre nós. Você não quer também?

Ele estremeceu um pouco e segurou meus braços, eu pensei que ele fosse me beijar, seus olhos arderam nos meus.

― Não, eu não quero.

Então ele me afastou e foi em direção ao escritório. Meu queixo começou a tremer e eu me abracei. A rejeição pulsava em mim como algo vivo e venenoso. Ele nunca tinha rejeitado meu toque. Sempre o recebeu com calor e desejo e agora parecia que eu tinha matado tudo que ele sentia por mim. Ter seu toque negado a mim doía tanto que era como se algo tivesse sido arrancado de mim e me deixado sangrando.

Me enrosquei no sofá e chorei mais. Queria ir ate ele, mas tinha medo do que poderia acontecer. Tinha medo de ser pior.

Não queria subir para o quarto. Não poderia dormir na nossa cama vazia mais uma noite.

Fiquei ali mais tempo. Devo ter pegado no sono, pois acordei com o frio fazendo minha pele se encher de arrepios. Levantei do sofá, eram quase duas da manha. Comecei a ir ate a escada mas parei olhando a porta do escritório. Mudei a direção dos meus passos e abri a porta devagar. O cheiro de uísque impregnava o aposento. Ele tinha bebido e muito e agora dormia no sofá numa posição nenhum pouco confortável. O aposento estava frio, passei as mãos nos braços tentando me esquentar. Ele devia estar com frio também.

Fui na andar de cima e peguei um travesseiro e um cobertor e desci. Coloquei o travesseiro sob sua cabeça melhorando a posição em que ele se encontrava, bem devagar para não acorda-lo pois sabia que ele não gostaria de me ver aqui. Então coloquei o cobertor sobre ele e sentei no sofá olhando seu rosto. Ele não acordou. O sono pesado que o uísque proporcionou o embalava calmamente. Acariciei seus cabelos, sentindo nesse segundo o quanto eu senti falta disso. O quanto senti falta dele.

― Que bom que esta dormindo meu amor. Isso faz com que a dor suma um pouco de seu belo rosto.

Toquei seus lábios com o polegar, depois me inclinei sobre ele para sentir seu gosto. Seus lábios tinham gosto de uísque. Mas seu gosto de homem ainda estava lá. Voltei a acariciar seus cabelos.

― Eu nunca pensei em ser mãe sabe?

Falei observando sua respiração calma e seus olhos fechados.

― Um dia talvez... Mas agora? De jeito nenhum. Mas então eu estava. Esperando nosso bebe, um pedacinho de nos dois. E foi... incrível. Eu me sentia tão completa e feliz. Foi perfeito. Você, eu, nosso filho...

Sorri com a lembrança feliz daquele dia, mas então meu sorriso foi se apagando.

― E então acabou. Eu perdi nosso bebe. Eu sei que, muitas pessoas passam por tragédias bem piores que a nossa, mas eu não estava pronta para isso. Não estava pronta para perder nosso filho, então aquilo me desestruturou.

Continuei a fitar seu rosto imóvel pelo sono e toquei de novo sua pele, querendo sentir o conforto que eu tanto senti ao seu lado.

― Sei que nada vai justificar o modo como eu agi. Mas eu só não queria que você sofresse comigo. Eu estava aos pedaços, e você sempre esteve ali comigo antes, sempre tentando me manter no lugar. Mas agora você também estava sofrendo, e eu pensei que se passasse por isso sozinho você se machucaria menos. Eu precisei de você, você precisou de mim. Mas eu não consegui te dar isso. Não consegui fazer o que era certo para nos.

Respirei fundo e me aconcheguei em seu peito.

― Você já sofreu muito. E eu só fiz com que você sofresse mais. Eu sei que, talvez eu nunca consiga te mostrar o quanto eu me arrependo de ter sido tão egoísta. Mas eu realmente, realmente sinto muito.

Uma lagrima escorreu por meu rosto.

― Eu sempre pensei que eu pudesse te salvar de toda dor. Que eu pudesse te fazer feliz acima de tudo. Mas agora eu já não sei se consigo. Não sei se posso ser tudo que você precisa. E a única coisa que estou fazendo aqui e te trazer magoa e te fazendo sofrer. Eu amo você. Você esta impregnado na minha alma e nunca vai sair. Só que eu não posso mais ser egoísta com você. E não vou.

Então me inclinei sobre ele de novo e toquei seus lábios e respirei profundamente seu cheiro.

― Eu amo você. E te desejo toda a felicidade do mundo. Só que agora... não e ao meu lado.

Me levantei bem devagar e fui ate a porta.

Minhas pernas pareciam pesar toneladas. Antes o peso do fracasso foi a pior coisa que eu poderia ter sentindo na minha vida.

Agora era o peso do fim.

Notas finais
Que tenso... Bjinhos.