Notas iniciais
Hey Guys cap novo!!! E com ainda mais emoção porque é o penultimo capítulo da temporada. Então sem mais delongas, boa leitura.

POV’S Caroline

O silêncio dominava o carro enquanto íamos para Memphis. Estava tudo bem entre mim e Klaus, mas as coisas não estavam tão bem assim dentro de mim mesma.

Cá estávamos nós indo visitar meu pai e a família dele. E o grande problema era esse, a família dele, não minha. Meu pai não fazia parte da minha vida a anos. Era tão estranho estar fazendo isso, fazê-lo participar de uma coisa que era tão importante para mim, e talvez por isso mesmo eu não o quisesse envolvido. Eu já tinha me acostumado com sua distância, e até certo ponto gostava mais disso do que ver o quanto ele se esforçava para fingir que era uma coisa que eu sabia ser mentira.

― Um dólar por seus pensamentos.

Falou Klaus e eu pisquei me voltando para ele.

― Você parece bem preocupada.

― E estou.

Falei vagamente. Ainda era difícil para mim externar esse tipo de pensamento. Principalmente porque eu nem mesmo sabia defini-los.

― Está preocupada com o fato de ele estar me conhecendo?

― Não! Não tem nada a ver com você, é só... Não sei bem, as coisas entre nós dois não fluem facilmente.

― Dê uma chance. Talvez ele queira concertar as coisas.

― Talvez.

Respondi incerta. Não queria criar muitas expectativas sobre isso. Então decidi ver para crer. Esperar para saber como as coisas sairiam.

Chegamos a casa deles algum tempo depois. A viagem passou rápido demais para o meu gosto. Queria poder me preparar mais para isso. Mas cá estávamos, Klaus estacionou o carro e abriu a porta para mim. Antes que chegássemos a porta meu pai e Stephen saíram para nos receber.

Eu não parecia quase nada com o meu pai. A não ser pelos olhos. Ele era alto, cabelos castanhos curtos e olhos azuis como os meus. Sua expressão era um tanto severa, que se desfazia um pouco quando ele sorria, como estava fazendo agora. Já Stephen era risonho e simpático, o tipo de pessoa que você gosta quase imediatamente.

Ele desceu da varanda e me deu um abraço apertado.

― Caroline, meu Deus! Como você está bonita!

Ele se afastou um pouco para me olhar. E eu sorri para ele. Depois foi cumprimentar Klaus que ficou obviamente constrangido com o abraço apertado que recebeu.

Voltei meus olhos para meu pai, ele parecia inseguro do que fazer, mas por fim resolveu me abraçar também.

― Senti saudades querida.

Ele falou tão baixo que fiquei me perguntando se realmente queria que eu ouvisse.

― Vamos entrar!

Falou Stephen e nos guiou para dentro. A casa deles era grande e aconchegante ao mesmo tempo. Uma enorme varanda rodeava toda a casa. E dentro era mobília de forma elegante, mas pessoal, parecia refletir a vida e a família que vivia.

Klaus pegou nossas malas e meu pai foi mostrar o quarto. Fiquei bem surpresa quando soube que ficaríamos no mesmo quarto. Meu pai era antiquado, mas acho que estava fazendo isso para me agradar. Coisa que com certeza não faria com Ashley.

Uma parede inteira da sala de estar era reservada para fotos e conquistas da família. E foi em frente a ela que Klaus me encontrou quando voltou. Era bonito, um dia quando eu tivesse uma casa eu adoraria ter uma coisa assim. Mas lá estava de novo, a família dele, não eu. Eu não fazia parte disso.

Quando meu pai se casou com Stephen ele tinha uma filha, da mesma idade que eu. A mãe dela era atriz e não podia nem queria cuidar de uma criança. Ashley virou a filha deles. Na parede havia fotos de vários estágios de desenvolvimento dela. Desde bebê até as fotos da formatura. Troféus de olimpíadas de matemática e natação, primeira aluna da classe e campeonato de xadrez.

E bem no canto, quase invisível, estava um prêmio que ganhei num campeonato de animadoras de torcida. Nossa equipe ficou em segundo lugar. Era tão humilhante ver aquilo ali, como um tapa na minha cara. Puxei aquela coisa dali pretendendo jogar fora o mais rápido possível.

― Não devia fazer isso.

Comentou Klaus. Mas eu não disse nada. Ele não entenderia.

― Venham, já está na hora do almoço!

Stephen nos chamou, quando já estávamos indo para a cozinha a porta da frente se abriu e Ashley entrou.

Ela era um pouco mais baixa que eu, o rosto em forma de coração, pele clara, o cabelo caía bem abaixo dos ombros e eram castanhos como os olhos. Ela era muito bonita. Sorriu a me ver e veio me dar um abraço. Eu a abracei de volta mas sem o mesmo entusiasmo.

― Oi Caroline! Queria ter chegado antes de vocês, mas não consegui.

― Não tem problema...

Respondi para ela, ela trocou um aperto de mãos com Klaus e fomos almoçar.

Eu só tinha visto Ashley poucas vezes durante a minha vida. E nós nos detestávamos. Quer dizer, na frente do meu pai e de Stephen fingíamos uma amizade contida, aprendemos que isso era melhor que escutar sermão. Mas só entre nós duas a coisa era bem diferente. A garota parecia ser a filha que todo pai quer ter, estudiosa, boas notas na escola, nunca fez nada de errado... Mas no fundo era uma megera mesquinha e arrogante que achava que ninguém chegava a seus pés, incluindo eu.

― Então Klaus, soube que você vai se casar com uma das minhas garotas.

Falou meu pai em tom de brincadeira. Mas eu não achei nem um pouco de graça. Felizmente Klaus era bom em lidar com pessoas, e parecia bem amigável com meu pai e Stephen.

― Vou sim, percebi bem rápido o quanto sua filha é especial e não pude deixá-la escapar.

Klaus olhou carinhosamente para mim quando disse isso e eu sorri para ele.

― A quanto tempo vocês estão juntos?

― Alguns meses. ― Respondi antes que Klaus o fizesse.

Meu pai ergueu uma sobrancelha.

― Não acham que um pouco cedo para casamento?

― A vamos lá Bill, eles se amam, dá para ver, vão esperar o quê? ― Respondeu Stephen a ele e eu agradeci internamente, porque a resposta que eu pretendia dar não ia ser nada educada.

― Ele tem razão Sr. Forbes, nos amamos, é só isso que importa.

Depois disso para meu alívio a conversa fluiu por outros assuntos. E logo eles estavam falando sobre trabalho. Klaus não mencionou que eu já tinha trabalhado com ele e eu fiquei mais que feliz por isso. Mas se ele viu na internet que eu estava noiva com certeza tinha visto sobre isso também.

― A Ashley está se formando em administração e com honras, talvez ela pudesse estagiar na sua empresa.

Falou meu pai. A raiva me dominou completamente.

― Papai! Não tínhamos combinado que você não falaria essa coisa de “com honras”? ― Ashley deu uma risada, fingindo estar sem graça.

― Qual é o problema filha? Eu me orgulho de você!

Ele olhou amorosamente para Ashley, depois para mim.

― Se você tivesse passado mais tempo estudando do que sacudindo pompons querida, aposto que conseguiria uma bolsa também.

Meu pai fez esse comentário e riu como se fosse uma piada. Mas ninguém além de Ashley achou graça.

Stephen olhou de cara feia para ele, e Klaus ficou parado como se não acreditasse no que meu pai acreditava ser uma piada.

Coloquei o garfo no prato, desejando muito não responder, mas não consegui.

― E se você passasse mais tempo sendo um pai do quê um babaca covarde eu poderia fazer uma droga de faculdade depois que a família que eu conheci morreu assim como a minha mãe!

Levantei da cadeira e fui para o quarto sem olhar ninguém. Mas desejando mais que tudo que Klaus viesse comigo, que estivesse aqui para me abraçar.

E este era só mais um dos motivos para eu não gostar de vir aqui. Ele vivia fazendo isso, me comparando a Ashley.

A porta se abriu pouco depois e cá estava ele.

― Tudo bem?

― Não, não está tudo bem! Você viu só?

― Caroline, fique calma.

― Ficar calma? Você quer que eu fique calma? Ele não me quer aqui, só está tentando fingir que é um pai.

A medida que eu falava minha voz ia aumentado e lágrimas enchiam meus olhos. No fundo eu queria acreditar que nosso relacionamento podia ser concertado. Mas a distancia entre nós era grande demais para que pudesse diminuir em tão pouco tempo.

Klaus me abraçou e eu me permiti ser consolada e mergulhar em seus braços, me sentindo segura e amada.

― Eu sei como você se sente amor, mas nós dois sabemos que você é incrível e não precisa que ele veja isso para ser verdade.

Concordei com a cabeça sem dizer nada. Não havia mesmo nada o que dizer.

Algumas batidas na porta fizeram com que nos separassem. Eu enxuguei os olhos e Klaus foi abrir.

― Posso entrar?

Era a voz de Stephen e eu agradeci internamente por não ser meu pai. Acho que eu não iria querer falar com ele agora.

Stephen parou na minha frente, seus olhos que normalmente eram alegres estavam tristes.

― Eu sinto muito pelo que eu seu pai disse, ele não queria magoar você.

― Tudo bem.

Falei baixo. Porque era o que eu deveria dizer. Não o que eu estava sentindo. Na verdade não estava nem um pouco bem. Mas não era culpa de Stephen, ele sempre tentou me fazer sentir como se fizesse parte da família.

Ele sorriu um pouco e olhou para mim, depois para Klaus.

― Eu fiz sobremesa se vocês quiserem.

Klaus negou e eu também. Depois disso Stephen saiu do quarto.

Fui até o banheiro para lavar o rosto.

― Aposto que a megera deve estar adorando tudo isso.

Sequei as mãos na tolha e vi Klaus se apoiar no batente.

― Ashley?

― Com certeza.

Resmunguei e sai do banheiro.

― Acho que você está exagerando, ela parece legal e gosta de você.

Com essa eu me virei e cruzei os braços.

― Legal? Isso é sério? A garota é a pessoa mais falsa que eu conheci, como você não percebeu isso?

― Caroline...

― “Caroline” coisa nenhuma, não vá me dizer que está pensando em contratar mesmo ela para trabalhar com você?

― Ela é sua meia-irmã, e além disso é só um estágio, qual o problema?

― Ela não é minha irmã, é uma megera falsa e você está acreditando nela!

Eu normalmente não sou ciumenta. Pelo menos não era, mas agora isso estava a flor da pele, e somando isso ao estresse de estar aqui e eu estava prestes a explodir.

― Não tem nada o que acreditar, ela foi legal conosco, você sequer deu uma chance. Não é culpa dela o modo como seu pai se comporta.

― Você está do lado deles é isso?

― Meu Deus do céu! Eu não estou do lado de ninguém! Não acredito que estamos discutindo isso!

― Ótimo! Não vamos mais discutir!

Entrei no banheiro e bati a porta com força.

Parecia que meus nervos iam explodir. Assim que me dei conta as lágrimas já estavam escorrendo por meu rosto. Mas que merda. Eu sabia que aquilo era um exagero, mas não conseguia controlar de qualquer forma.

Senti um incomodo no meu ventre. Uma pontada dolorosa logo a seguiu. Eu gemi pela dor e pela constatação do motivo daquilo tudo.

TPM. De todos os dias em que eu podia ficar de TPM, tinha que ser justo hoje?

Se tem algo sobre mim que eu detesto admitir é que eu viro uma bruxa quando estou de TPM. Sempre mal-humorada, impaciente e irritadiça. Em resumo uma pessoa com a qual os outros não gostariam de passar mais que dois segundos. Mas também ficava emotiva, quase tudo me fazia chorar e qualquer coisa me magoava.

Lavei o rosto controlando aquelas lágrimas idiotas, depois o sequei e sai do quarto. Klaus ainda estava lá. Encostado na parede com a expressão impenetrável. Era quase impossível ler o que ele estava pensando.

Me aproximei e ele ergueu os olhos para mim. Não era culpa dele eu estar nesse estado e nem nada do que aconteceu, então não era justo que eu descontasse nele.

Toquei seu braço e olhei para seu peito. Sem coragem de encarar seus olhos e com medo de voltar a chorar.

― Sinto muito.

Murmurei baixinho, como ele não disse nada eu finalmente ergui os olhos. Ele parecia confuso, mas também aliviado. Então me abraçou e eu o abracei de volta.

― Não precisa se desculpar. Eu sei que você está sobrecarregada, mas discutirmos por isso não vai fazer bem a ninguém.

Concordei com a cabeça e enrolei meus braços em volta dele, deixando que seu carinho e conforto me acalmassem.

― Não é só isso, eu estou no período pré-menstrual. Meus nervos estão uma droga.

Ele ergueu uma sobrancelha para mim, mas não fez nenhum comentário. E eu o entendo. Imagino que ele não tivesse muito que falar sobre TPM ou nada do gênero. Klaus não era o tipo de cara que se envolvia com detalhes tão íntimos das mulheres.

― Espero que passe logo.

Comentou ele depois de um tempo.

― Vai passar. Mas vai voltar no próximo mês, e no próximo, e no próximo...

― Meu Deus! Acho que vou precisa olhar o calendário com mais freqüência...

Nós dois rimos e depois eu o beijei. Aquilo era um balsamo para mim. Nossos corpos unidos, se entendendo num nível que nossas mentes não conseguiam explicar. Precisávamos um do outro. De corpo e de alma. A distancia, por menor que fosse entre nós só nos fazia mal. Precisávamos desse contato, sentir nossas peles unidas para que pudéssemos nos sentir inteiros.

E naquele preciso segundo eu senti algo que jamais tinha sentindo. Uma certeza implacável de que eu pertencia a ele, e que ele era meu. Jamais existiria um antes ou um depois. Só nós dois. Apenas nosso amor. Não importa quanto tempo decidíssemos esperar para casar, nada iria mudar. Nosso amor não diminuiria ou mudaria.

Afastei minha boca da dele, sentindo sua respiração quente bater em meu rosto.

― Sobre o casamento... Acho que em um mês está perfeito.

Ele pareceu processar aos poucos minhas palavras. E vi o preciso segundo em que ele entendeu, pois um sorriso enorme cruzou seu rosto e ele me suspendeu pela cintura. Fazendo com que eu rodopiasse pelo quarto.

Eu ri, ele puxou meu rosto para me beijar de novo. Um pouco mais intenso e faminto dessa vez, e eu correspondi a altura. Mesmo sabendo que teríamos que parar em breve e que meu pai e a família dele estavam a apenas uma porta de distancia, eu não me importei. Tudo que me importava era o homem em meus braços.

POV’S Klaus

Caroline estava dormindo. Levantei da cama devagar para não acordá-la.

Vesti a camiseta e sai do quarto. Precisava beber um pouco de água e não estava conseguindo dormir de qualquer jeito. Eu dormia poucas horas por noite, e hoje parecia que ia dormir bem menos. Primeiro porque Caroline finamente decidiu que não iria esperar tanto para nos casarmos. Não havia motivo. Eu a amava e isso não ia mudar, além disso não havia nada mais entre nós que pudesse mudar ou fazer qualquer diferença para nosso sentimentos. Eu me sentia eufórico por dentro, uma agitação interna que não queria se acalmar. E segundo pela tensão de estarmos aqui e de tudo que estava acontecendo.

Cheguei a cozinha e enchi um copo de água gelada. Era estranho estar aqui, não era do jeito que eu pensei que seria quando conhecesse a família dela. O pai de Caroline parecia ser um homem decente e as vezes eu sentia que ele queria que as coisas fossem diferentes, mas parecia não ter um pingo de noção de como lidar com a própria filha. Construir outra família e viver para ela não faz a anterior sumir, e ele obviamente não sabia disso, e talvez agora estivesse tentando concertar algo que estava quebrado demais.

Por outro lado eu detestava ver Caroline sofrer. E aqui nessa casa ela parecia especialmente vulnerável. Mesmo ela se fazendo de durona e tendo uma resposta na ponta da língua para qualquer coisa, no fundo eu sabia que isso a magoava. Achar que não era tão bem sucedida quanto a meia irmã, e que o pai não se orgulhava dela a estavam machucando demais. Mas cada um é bem sucedido a sua maneira, cada vida é diferente e cada um tem uma maneira de vivê-la. E com todos os problemas que ela já passou na vida e mesmo assim continua sendo uma pessoa boa e guerreira me impressionava muito mais que 10 doutorados.

― Não consegue dormir?

Me virei rápido e vi Ashley parada na porta. Estava tão preocupado com Caroline que nem a tinha visto chegar.

― Só vim beber um pouco de água.

Respondi a ela terminando de beber a água que estava em minha mão. Ela se aproximou um pouco de mim e cruzou os braços na frente do peito depois sorriu. Mas era um sorriso diferente da maneira calorosa com que ela vinha nos tratando. Um sorriso quase maldoso.

― Aqui faz calor as vezes, vivo implorando para meus pais colocarem um ar condicionado. Mas papai enfiou na cabeça que temos que ser ecológicos e poupar energia.

Ela revirou os olhos e jogou os cabelos para trás, era para ser um movimento casual, mas estava deliberadamente exibindo o pescoço. Eu me retraí e fiquei imediatamente em alerta. Seu comportamento definitivamente estava diferente de hoje mais cedo.

― Por isso tenho que dormir quase nua.

Concluiu ela e desceu as mãos para a bainha da camisola. Que só agora me dei conta ser extremamente curta. Ela mordeu o lábio inferior e eu limpei a garganta.

― Isso é bem ruim. Mas já estou voltando para a cama.

Coloquei o copo na pia e fui em direção a porta, mas ela ficou bem na minha frente.

― Ainda é cedo. Vamos conversar um pouco, talvez te ajude a dormir.

Os alertas soaram imediatamente em minha cabeça. Eu conhecia bem o comportamento das mulheres para saber onde exatamente ela pretendia chegar com isso.

― Vou voltar para a cama.

― Você é bem contido não é? Fico imaginando se é assim o tempo todo...

Ela ergueu a mão para tocar meu peito enquanto falava, depois foi descendo pela cintura. Segurei sua mão depressa e a afastei. Ela era uma mulher bonita e isso era inegável, em outros tempos talvez eu a achasse sexy, mas hoje, depois de Caroline, seu comportamento me enojava.

― Eu vou voltar para cama e sugiro que você faça o mesmo.

― Só se você vier comigo.

Ele se inclinou sobre mim rápido como se fosse me beijar, mas eu segurei seus ombros e a afastei.

― Pare com isso. Agora.

Ela apenas riu com escárnio e fez menção de se aproximar de novo. Mas num piscar de olhos ela estava caindo no chão.

― Fica longe do meu noivo sua piranha!

A voz de Caroline ecoou pela cozinha e antes que eu pudesse piscar ela se atirou em cima de Ashley e começou a bater em seu rosto. Tapas e arranhões ecoavam pela cozinha. Ashley gritou alto quando Caroline agarrou seus cabelos e puxou, isso finalmente me despertou e reagi segurando Caroline pela cintura e tirando-a de cima de Ashley.

Stephen e Bill pareceram na cozinha ao mesmo tempo. Bill ajudou Ashley a se levantar e ela se encolheu em seus braços chorando. Enquanto eu segurava Caroline que esperneava enfurecida tentando se soltar e pegar Ashley de novo.

― O que está acontecendo aqui?

Perguntou Bill olhando para Caroline.

― Ela é uma vadia é isso que está acontecendo!

― Não fale assim dela!

Respondeu Bill a Caroline que finalmente parou de lutar e olhou para ele.

― Eu só vim beber um pouco de leite, não estava conseguindo dormir, Klaus estava aqui e essa louca já chegou me batendo! ― A voz de Ashley era entrecortada por soluços, mas eles me pareceram tão falsos que eu trinquei os dentes.

― É mentira! Ela estava se jogando em cima dele.

Bill olhou de uma para outra como se analisasse o que diziam.

Caroline deu um passo a frente, mas eu segurei seu pulso.

― Você vai acreditar nela não é? E não em mim que sou sua filha.

― Ela também é minha filha.

Foi a resposta de Bill. E por mais que eu quisesse fazer um esforço, ajudá-los a se acertar, nesse segundo eu pensei se ele realmente merecia isso, se ele merecia uma filha como Caroline.

― O meu erro desde o começo foi acreditar que algo poderia ser diferente, que talvez eu pudesse ver em você o que a minha mãe viu um dia. Mas tudo que eu vejo é um covarde que sumiu e deixou sua única filha sozinha.

― Eu não te deixei sozinha, os Gilbert cuidaram de você.

― Tem razão, e só por isso você não me perdeu naquela época. Mas está me perdendo agora.

Assim que terminou de dizer isso ela se virou para mim. Eu pensei que ia ver lágrimas em seus olhos. Mas só havia tristeza e resignação.

― Eu quero ir embora.

Não havia o que dizer. Apenas acenei com a cabeça e entrelacei nossos dedos.

― Esperem, são quase duas da manhã, vamos conversar sobre isso amanhã.

Bill tentou falar conosco, mas eu neguei com a cabeça e o encarei.

― Eu não vou deixá-la passar nem mais um segundo sequer num lugar onde ela não quer estar. Talvez um dia você reflita se realmente vale a pena perder uma filha por achar que ganhou outra.

Em menos de meia hora pegamos nossas coisas e saímos de lá. Estava tarde para voltarmos para casa então fomos para um hotel.

Caroline foi direto para cama assim que chegamos e eu logo me deitei também abraçando-a.

― Obrigada.

Disse ela e eu beijei sua testa.

― Não precisa agradecer. Não estava fazendo bem para você ficar lá, então nós saímos. Fim da história.

Ela se ergueu um pouco e me beijou. Eu acariciei seus cabelos devagar.

― Convidei Andrew para tomar um drinque conosco quando voltarmos, ele meio que me incentivou a fazer o pedido, então acho que vai ser bom.

Ela abriu os olhos e pareceu esquecer um pouco do que tinha acabado de acontecer na casa dos pais dela.

― Você gosta dele não é?

Ela me perguntou e eu dei de ombros.

― Ele é um bom amigo.

Respondi e ela fechou os olhos novamente.

― Talvez não seja apenas um amigo.

Franzi a testa com esse comentário. Mas antes que eu pudesse perguntar o que significava ela já havia pegado no sono.

Mais que um amigo?

O que mais ele poderia ser?

Notas finais
E então? O que acharam? Bjinhos.